April 27, 2012 0

Coisas que só acontecem com um pai de adolescente bookworm

By in textos

desenvolveu o gosto pela leitura. Teenage crap,, na sua maioria, mas ainda assim é um ponto de encontro entre mim e ela que eu cuido com carinho e . Já tivemos nossa fase de Percy Jackson e os Olimpianos em que eu lia os antes de passar para ela e comentávamos cada aventura, cada deus ou monstro grego que era mencionado ali. Foi legal que consegui “empurrar” alguns clássicos como o Bulfinch’s Mythology e ela curtiu bastante. Ou mentiu bem.

Depois tivemos a fase Incrivelmente Alto, Extremamente Perto. Sim, ela pauta os seus livros pelos que entrarão em cartaz e por isso eu rezo aos deuses de Hollywood que continuem adaptando (mal ou bem) livros bons. Há uma geração de que compram livros baseados no que vocês, senhores dos bilhões do entretenimento luminoso, mal e porcamente transformam em roteiro. Ela obviamente se apaixonou por Oskar Schell, esse personagem sensacional, e chorou litros enquanto lia. Tal e qual o pai.

Hoje em ela interrompeu a minha leitura de alguns livros de ensino de lógica (vem nimim TCC que te quero muito!!!) para mergulhar no mundo do Hunger Games (os tais Jogos Vorazes – ótima tradução, por sinal!). Ela comeu o primeiro livro em poucas semanas e me pediu para comprar os dois remanescentes (sim, mais uma trilogia! adoro!). No mesmo fim de que levei-os para ela, fomos ao ver a adaptação para a tela grande. Não me decepcionei porque nada esperava, mas enxerguei elementos melhores que o tal Battle Royale que meus cool diziam que era superior, infinitamente superior, que o pastiche de Hollywood. Vi os dois e discordo. Battle Royale perde mais (e menos) na adaptação do mangá que o livro da Suzanne Collins. A adaptação de Battle Royale lima completamente os subtextos e a construção de personagem que faz o gibi ser um show de violência e terror. Como resultado, ele vira algo ligeiramente pior que o Massacre da Serra Elétrica. Infelizmente. Já o Hunger Games, mesmo sendo pasteurizado para o cinema, manteve os elementos de revolta, desafio, de descontentamento com o status quo que estão me conquistando na leitura. É uma adaptação “menos pior” (se é que existe essa coisa de qualidade em adaptação) no fim das contas.

Mas o grande barato é que eu e Catarina estamos no mesmo livro, estou me aproximando do mesmo capítulo que ela (estou no 5, ela no 11) e vamos trocando informações, impressões e sensações em conjunto. Não é mais a experiência de um pai que coloca para a filha o disco do Sítio do Pica-pau Amarelo e chora quando tenta cantar a música do Pedrinho (pera que caiu uma lágrima aqui com a lembrança… pronto!) mas é a alegria de ver que ela se torna passo a passo uma mulher com opinião, decisão e gostos próprios. Não é isso. É melhor. Ela virou alguém que irá me influenciar. Que já me influencia, aliás, conscientemente.

E a viadinha, por fim, ficou mandando torpedos na pré-estreia dos Vingadores! Que inveja!!

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April 22, 2012 0

Sobre fúria e mágoa

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Minha eterna pequenina,

A vida nos reserva várias coisas e uma delas é uma grande, variada e infindável seleção de frustrações. Frustrações são pequenas pedras (ou pregos) que aparecem na nossa caminhada e são impossíveis de serem evitadas. Digo mais: é por causa das frustrações e das adversidades que aprendemos a arte do abraço, do apoio. Mas a questão, querida, não é o evento da em si, mas como lidamos com elas.

Por vezes uma frustração pode gerar uma mágoa, uma tristeza profunda, um machucado na alma. Quando nos deparamos com uma ferida dessas não há muito o que fazer a não ser olhar para ela, cuidar para que não inflame e não imobilize os nossos sentimentos e vontades e toquemos a vida em frente. São mágoas assim a partida de uma pessoa querida, uma proposta recusada, uma decisão arrependida. Disso podemos apenas tirar aprendizado e tentar não repetir o padrão. Missão impossível quando se trata de amarmos quem não nos ama, de querermos quem não nos quer mas bem factível quando se trata de que vícios temos com a vida, que maneiras rotineiras temos para lidar com os problemas e tentarmos aprender com isso. Aprender de fato, não de abstração pois a mágoa é a dor que paralisa, é a certeza da impotência que pode crescer e virar desespero. A mágoa corrói por dentro e ocupa todos os espaços na memória de quem sofre.

Muitas vezes uma frustração gera uma raiva, uma fúria e uma vontade de remover obstáculos. Sua é dessa natureza: não pode ser contrariada que tenta fazer o que acha correto a ferro e fogo e se consome no processo. É coisa de quem guarda muita mágoa dentro de si. Como um pote que chega ao limite e qualquer balanço, qualquer mudança, qualquer gota d’água o fará transbordar. Eu, cá na minha infinita ignorância, creio que é menos prejudicial ter uma raiva e partir para uma ação que contemplar a ferida que nos causam. Todavia é importante saber medir o arco de nosso golpe antes de desferi-lo. Ter o visto negado numa embaixada é algo a ser aceito a priori. A fúria irracional não resolverá o problema. Mas pegar essa fúria e transformar em outra viagem, outro destino é mais produtivo que apenas a da derrota. A raiva tende a ser mais produtiva também. Ela faz com que mudemos uma situação que achamos ruim, é a expressão do incômodo, do desconforto, da revolta. Não existe um revoltado sem raiva, sem fúria. E a revolta é a chama de todas as mudanças.

O outro lado bom da raiva ante a mágoa é que a raiva desencanta o inimigo. Normalmente o que nos magoa é o que está próximo, dificilmente um desconhecido nos magoa ou frusta tanto quanto uma pessoa próxima, uma pessoa a quem queremos bem. E, normalmente, quem queremos bem nos é especial, encantado. Há uma aura de “” no seu entorno e é aquele que te diz “não”, é aquele que te nega algo que você imagina fundamental – dificilmente é de fato – mas depois de um tempo diz sim e sim para sempre. É a regra primeira do amor eterno. Mas eternos não existem, , e é importante que desencantemos essa imagem para que vivemos a segunda regra fundamental: a que o ele sempre retorna apenas e tão apenas se os amantes estiverem dispostos. E retorna desencantado, pronto para a realidade, pronto para as mágoas, fúrias, decepções e afins.

E a sempre acompanha o desencanto.

Do seu desencantado pai,

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April 4, 2012 0

Depois do fim

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Minha querida ex-pequena que cresce a olhos distantes,

Já te disse que tudo tem o seu , aliás, acho que minhas cartas para ti são até monotemáticas de tanta repetição. Hoje, no entanto, queria te dividir uma lição nova. Mesmo os têm o seu fim. O ponto final das histórias, o fechar do último capítulo, o epílogo revivido e esse evento ilustrado por outras metáforas nada inspiradoras é apenas o limiar de uma outra história, já sabemos. Novamente, mais um lugar comum e tal.

É bem fácil saber quando um acaba e, porque acabou, deu chance para outro começar, quando se olha para trás. Mas quando se está no meio, no entre fechar um e abrir o outro, as coisas ficam mais difusas, sem clareza.

Olhando para trás, entendo hoje que boa parte das minhas histórias não foram , mas capítulos soltos. Como se eu começasse a ler um livro e lá pela página 20, ele perdesse o encanto. Ou ainda se o livro fosse-me tomado pela página 40, ou 10. O fato é que a leitura é interrompida e a história que poderia ser contada de cabo a rabo fica apenas indicada, intuída.

O importante é saber que as histórias da vida real não são anunciadas no momento um. Nunca se sabe quando será mais um interlúdio rápido ou uma grande história de . O que pode-se fazer é deixar o pronto para quando o livro vier, que seja recebido com entusiasmo e esperança de uma saga, de uma aventura sem fim. Porque se endurecermos o core, nenhuma história encantará, nenhum se permanecerá.

do teu pai, que aguarda, espera e confia.

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April 4, 2012 0

E o poeta morreu

By in textos

Disseram que morreu de solidão, mas é impossível morrer de solidão na cercada de gentes, falas, histórias, eventos e eutorias. Há festas, álcool, drogas, , artes, teatros e vida, vida e muita vida na em que morava o poeta. Mas o poeta morreu e sua agora é vazia, escura e fria. Menos no verão, que até o chão ferve.

Disseram também que morreu de desgosto. Mas era feliz e contente e sorridente o poeta que morrera. Como saber se carregava dentro de si um espeto sombrio se os seus olhos transbordavam luz e querência de vida, que poderia ter quebrado nesse moço para que se escoassem as gostosuras do viver? Algo, possivelmente, que ele trazia com os dentes e não com a alma.

Outra hipótese é que ele tenha morrido de tédio. Tudo bem que ele tinha raízes bem plantadas e sabia como poucos navegar na marola sem deixar-se levar pelas correntezas e, ao mesmo tempo, mantinha-se por dentro das ondas. Como uma árvore que deixa seus galhos mais extremos tocar a água de um rio, ele se informava do que acontecia na grande cidade, no pequeno mundo. Tédio não deveria ser possível.

A última hipótese é que ele desaprendeu a e sem , um poeta não escreve, não tem a musa a lhe acompanhar, não tem motivos para passear nas ruas da grande cidade, não consegue ver razão para navegar as ondas dos mares ou as correntes dos rios. Sem , nem o -próprio, ele desaparece.

O poeta morreu amando, porém.

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March 22, 2012 0

Das sextas-feiras

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Minha querida e amantíssima ,

Toda vez que começa uma segunda-feira eu imagino a sexta. Isso é um péssimo comportamento, eu confesso, mas é mais porque eu teimo em achar que a semana será uma longa escalada até a possibilidade de ir pra e te ver. Só que nem toda sexta-feira é uma Sexta-Feira Com Viagem. Às vezes a sexta apenas anuncia um alento para a rotina ruim e começa uma rotina gostosa de acordar mais tarde sem culpa, de ver o que está passando no , pensar onde irei almoçar ou que difícil fingirei ler para manter a minha farsa de intelectual(óide).

A sexta também pode reservar uma baladinha (termo paulistano que curto, curto bastante) com amigas e e reservar umas bocas alheias e pernas desconhecidas. Pena que, ultimamente, não tenho andado disposto nem para pernas nem bocas, mas ainda curto ver as pessoas deslizando num salão, fritando numa pista (pishhhta, como me caricaturizam os paulistanos) ou um papo num boteco com que falarão de desfeitos, de nuvens, trabalhos frustrantes ou piadas sem graça. Na pior das hipóteses, as sextas me reservam um quarto quente, uma cama macia e um vazio que certamente irá ser preenchido por um novo , uma nova vida.

Pois essa é a única constante na minha vida, minha querida. Minto. Há a lembrança e vontade de voltar pro Rio e te cobrir de beijos, mimos e amores e ver que você está sendo bem criada por quem te cerca, mesmo que tenhas que navegar por mares de loucura, de implicância, de sufocamentos e outras agruras da adolescência. É uma época complexa, eu sei. Lembro-me bem dela, apesar da idade já comer os registros e só quando encontro os amigos da escola, retomar esses cantos obscuros da minha história.

Pois foi uma época de drogas, e descobertas. De amores jamais realizados (ou quase) e de erros heróicos, covardias históricas, uma grande época de não-eu. Quase tudo aquilo que eu jamais seria de novo fora desenhado li, querida. A adolescência foi um grande, enorme rascunho do meu eu hoje.

Tua adolescência é e será suave, assim torcemos, mas será ainda conturbada pela visão de quem a vive. Um ano, para nós que já temos vários no nosso estofo, é apenas doze salários + férias + décimo terceiro + bônus + aniversário. Um ano, para ti, é uma nova vida, uma lagarta, uma crisálida, uma borboleta, uma fênix. Uma por estação.

Lembro agora que eu tinha fixação em crisálidas quando tinha os meus dezesseis, dezessete anos, mas tergiverso.

O que eu queria dizer, minha querida, é que eu vou ficar por aqui enquanto você precisar de mim. E mesmo que não precise, eu fico de teimoso. Quero te ver desabrochar para o mundo até você não ser mais minha filha, não ser mais a filha do Zander, mas eu passar a ser o pai da . Título o qual ostentarei com o orgulho de um astronauta, de um titã.

Amo-lhe. Amanhã é sexta e eu estarei aí.

Do teu.

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March 19, 2012 0

os fins

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Minha querida e amada ,

Existem algumas coisas que teimamos em não aprender, mesmo que a vida insista em nos empurrar a lição como uma mãe severa que nos proíbe o doce antes do jantar terminar. Uma dessas lições é a sabedoria do . Entender que o chegou é duro para quem o vê e é mais duro para quem o nega, para quem acha que ainda há sobrevida ante o cadáver manifesto. Negar o por vezes só esparrama o sofrimento por dias, semanas e meses e irremediavelmente machuca e fere todos os envolvidos no processo. Saber colocar o ponto final nas coisas é uma arte aprendida a duras penas. Saber ser colocado um ponto final numa história é uma maestria que ainda não domino mesmo na minha quinta década de vida.

Uma outra lição próxima dessa é entender o seu limite, saber até onde você tem energia ou disposição para chegar. Diz-se nesse mundo de auto-proclamados vencedores, que não se pode perder uma corrida, uma disputa, um argumento. Mesmo quem entrega os pontos o faz no intuito de uma vitória toda sua, impossível de ser dividida com quem te cerca. Saber dizer que “para mim chega” é um pecado maior que todos os arrolados pelas igrejas medievais, é uma invenção moderna exaurir-se até o último átimo de energia em prol de algo que – no longo plano da vida – nem sempre vale a pena ou significa algo para alguém. Uma coisa que eu aprendi é se o que fazemos não causa sorrisos ou torna a vida de alguém melhor, não vale a pena levantar da cama.

Tem uma terceira lição que é a de conhecer seus ciclos. Acho que, nesse caso, você teria mais a me ensinar que eu mesmo. Mas nós homens temos nossos ciclos próprios que pouco têm a ver com hormônios (ou não, vai saber) mas mais com as voltas de Saturno e as loucuras que cultivamos desde crianças. Os meus, , são tenebrosos e eu temo quando eles se aproximam. Eu acho que não aguentaria outra volta dos meus dezessete ou dos meus trinta e cinco. Não aguentaria passar dias em choro e sem vontade de ver o Sol. Não tenho mais a estrutura da ou o carinho dos próximos que me parecem mais e mais distantes a cada .

A última lição, querida, é a do amor. Essa eu não tenho como te ensinar mais que apenas te compartilhando minhas histórias, minhas lágrimas, minhas alegrias, meu olhar. Cada forma de é própria e egoísta e altruísta e serena e confusa e turbulenta e plana. Cada amor e é de um cheiro, um gosto, um desejo de forma diferente. Cada carinho tem um grito próprio e uma canção, uma cor e um local, uma roupa, um perfume, um desenho, um filme, uma história e nunca, nunca, nunca, nunca se repete.

Dito isto, estou cansado de , exaurido de estar o limite o tempo todo, morto de tanto amar.

te amo eternamente,

teu pai

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March 18, 2012 0

textos prometidos para mim mesmo

By in textos

tem um texto sobre o tempo e como aprendemos a ver o futuro
tem outro sobre o pai que eu quase tive
e mais um sobre os meus Deuses, os que eu acreditaria se teísta fosse.
mas tem uma preguiça de domingo que vem e vem e vem e fica.

esses textos ainda hão de haver.

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March 14, 2012 0

soluções

By in textos

que faço para tapar o buraco na alma
ou para remover o peso do peito?

a solução é atirar-me do nono andar
ou afundar num mar de álcool, pernas e barulho?

é rasgar chorando as fotos tiradas com sorrisos?
mas foto eletrônica não rasga, nem rasgam-se as memórias
só o choro cai e leva consigo o sono, a , a vontade de continuar

talvez seja solução fechar-me num casulo de autocomiseração e autopiedade
ou bradar ao mundo que não tem jeito, não tem volta, acabei para tudo e todos.
mas a manhã chega e rechega e a vem aplainando as arestas dos sentimentos

é possível que meu medo não seja da perda ou da solidão,
mas da possibilidade de não mais sentir.

só queria que não doesse tanto assim. que fosse como febre, durasse três dias e tchau.

eu só queria parar de chorar um e dormir uma noite inteira
mas tem um fantasma que assombra, emascula, desmonta, desaba em mim
tem um fantasma que me diz ainda que me ama
e eu ainda acredito nele
e eu quero acreditar

como fazer para parar de chorar?

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March 14, 2012 0

crescendo

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sê forte, bebê, que essas lágrimas não caberão em ti
sê brava, criança, que esse é grande como o mundo
sê seco, garoto, que o mundo te inunda de decepções
sê duro, rapaz, que a vida há de te quebrar.

vire homem.

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January 26, 2012 0

Sementes

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Minha querida ,

Algumas lições não se aprendem na escola, e tu já sabes disso. Ainda assim se faz-se o ensino dessas mesmas coisas, seja por alguma boa alma que se disponha a ensinar ou pela vida que dá essas lições sem o nosso consentimento.

Uma coisa que aprendi recentemente é a arte do plantio. Escolhi uma terra boa, um suporte bom e um lugar com sol e sombra para as que iria depositar. Plantei memórias, histórias, saudades, , discos e . Plantei também alguma esperança, um tico de habilidades para ganhar dinheiro e reservei um bom espaço para o .

A semente do amor é curiosa. Ela surge de tantas maneiras que não se consegue prever quando dará frutos. E ela cresce fácil fácil, não precisa nem de muitos cuidados, ela vem e floresce. Minto. De cuidados precisa sim. Qualquer pé de ressentimento, muda de desconfiança, ramo de ciúmes ou broto de desprezo pode ir lá e detonar o pezinho de amor que está nascendo. Pior, pode vergá-lo até virar enredo de novela ruim ou tema de musica sertaneja-brega.

Porém, o pé de amor é valente e é capaz de passar por tudo isso com maestria, se lhe for dado alimento, atenção e uns beijinhos periódicos (dizem que barras de chocolate ou vultuosas contas na Suíça têm efeitos similares. A conferir!) que ele volta ao viço de antes. Só a uma doença ele não resiste: a rejeição.

Amor é fruto de querência de junto, não de separado. O ato de , por si mesmo, é dizer que o objeto do amor faz parte de ti, de tua vida. É o que tu fazes quando baixas fotos dos seus ídolos, baixas os discos das tuas bandas, choras nos dos teus astros. Sabes que a vida deles lhes te é importante e amas a eles como fosse um irmão, um amigo, um namorado. Mas se eles te negam suas próprias vidas, tu matas a empatia. O amor falece como flor no copo no meio da sala. Eles rejeitam o amor que tu tens por eles e rejeição é o extremo oposto do que o amor é.

O pé de amor morre.

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