January 26, 2012 0

Sementes

By in textos

Minha querida filha,

Algumas lições não se aprendem na escola, e tu já sabes disso. Ainda assim se faz-se o ensino dessas mesmas coisas, seja por alguma boa alma que se disponha a ensinar ou pela vida que dá essas lições sem o nosso consentimento.

Uma coisa que aprendi recentemente é a arte do plantio. Escolhi uma terra boa, um suporte bom e um lugar com sol e sombra para as que iria depositar. Plantei memórias, histórias, saudades, amigos, discos e livros. Plantei também alguma esperança, um tico de habilidades para ganhar dinheiro e reservei um bom espaço para o .

A semente do amor é curiosa. Ela surge de tantas maneiras que não se consegue prever quando dará frutos. E ela cresce fácil fácil, não precisa nem de muitos cuidados, ela vem e floresce. Minto. De cuidados precisa sim. Qualquer pé de ressentimento, muda de desconfiança, ramo de ciúmes ou broto de desprezo pode ir lá e detonar o pezinho de amor que está nascendo. Pior, pode vergá-lo até virar enredo de novela ruim ou tema de musica sertaneja-brega.

Porém, o pé de amor é valente e é capaz de passar por tudo isso com maestria, se lhe for dado alimento, atenção e uns beijinhos periódicos (dizem que barras de chocolate ou vultuosas contas na Suíça têm efeitos similares. A conferir!) que ele volta ao viço de antes. Só a uma doença ele não resiste: a rejeição.

Amor é fruto de querência de junto, não de separado. O ato de amar, por si mesmo, é dizer que o objeto do amor faz parte de ti, de tua vida. É o que tu fazes quando baixas fotos dos seus ídolos, baixas os discos das tuas bandas, choras nos filmes dos teus astros. Sabes que a vida deles lhes te é importante e amas a eles como fosse um irmão, um amigo, um namorado. Mas se eles te negam suas próprias vidas, tu matas a empatia. O amor falece como flor no copo no meio da sala. Eles rejeitam o amor que tu tens por eles e rejeição é o extremo oposto do que o amor é.

O pé de amor morre.

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January 23, 2012 0

Estrelas

By in filosóficas, textos

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As brilham na minha terra. Na terra em que sou eu, elas deixaram de beijar o céu. É a cidade quem ilumina a como se fosse simulacro do sol.

Na minha terra, na terra em que nasci, as estrelas estão lá. Por enquanto.

Não tenho medo (acho) do das coisas. Claro que há a agonia que precede o risco, mas aceito racionalmente que tudo tem o seu .

Quando a luz da terra que me acolhe tira as estrelas de mim, aceito sem traumas que estamos fadados à noite clara, à noite sem deuses imperiais sobre nossas cabeças, ao fim do deslumbre ante o pseudo-eterno, o ilusoriamente imutável.

Mas sinto que o vazio que consome meus clama por um breu impossível, um fim para a loucura do dia, a paz derradeira de espírito.

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December 31, 2011 0

2011 acabou!

By in textos

que 2012 venha com quatro estações, doze meses, 52 semanas e 366 dias. cada um desses dias com 24 horas e cada hora com 60 minutos. cada minuto com 60 segundos.

cada segundo com o seu início e término bem conscientes. que o tempo passe mas que nós não passemos simplesmente pelo tempo, porque nossas pegadas ficam e não apagam. porque nossa vida marca e faz-se saber em outros, em tudo.

por , que as consequências de nossos atos tenham valido a pena.

bom . de novo.

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December 19, 2011 2

Mais uma mensagem de fim de ano que esqueceremos na caixa postal

By in textos

 Cemitério Campo Grande – SP Capital  - via olheosmuros)

 

Desde 2005 tenho o péssimo hábito de enviar mensagens de aos amigos, conhecidos e demais seres humanos que têm a infelicidade de constar na minha lista de emails. Também tenho o hábito de postá-la no meu e nas redes sociais (mal-)frequentadas por mim. É um hábito que repito hoje pela última vez.

Desde 2005 procuro uma diferente, radical e chatinha para guiar o ano que se segue. Na verdade sempre é um misto do que eu vivi no ano anterior, mesclado com a presunção de lição de vida para quem seguirá o ano do devir. Sete mensagenzinhas, sete conselhozinhos que nunca foram pedidos. Confesso, porém, que nunca vi quem reclamasse deles. Por isso mesmo, hoje declaro que será a última vez.

Desde 2001 tento manter um blogue. Foi uma tentativa de desabafo online, de canal para fazer novos amigos, , negócios. Foi um repositório de , de vontades que antes ficavam inexpressas, de que ficaram – sempre! sempre! – inacabados. Acima de tudo, foi um lugar de desejos meus. Hoje, me despeço deles, delas, de tudo.

Porque hoje, em 20 de dezembro de 2011, exerço o . Meu blogue não sou eu. Minha vida é desimportante. Meus sonhos já os enterrei. Meus desejos, domei.

Que 2012 venha uma grande folha em branco, que o futuro permaneça não-escrito e que aconteça aquilo que eu preciso, não o que eu desejo.

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August 2, 2011 1

Sobre olhar com o coração

By in textos

Minha querida menina,

Faz tempo, bastante tempo, que não te escrevo cartas que jamais serão lidas. A roda da vida mói almas e o Tempo, senhor de nossas vidas, gira essa roda com um certo sadismo. Especialmente quando as férias findam. Mas nada é desculpa para não escrever-te. Sei disso e me arrependo um bocado, pois depois que Tempo vier cobrar a taxa final, tudo que sobrará para ti serão palavras memórias e sensações.

Para as sensações, não posso fazer muito. Apenas conto com tua capacidade de te manteres sempre vívida e alerta pro mundo que te cerca, desta forma tu poderás ficar pronta, sempre pronta, para o “primeiro momento”. Não há êxtase maior que ouvir a primeira música da primeira banda amada, ler a primeira (ou última) página D’O Livro Preferido, o primeiro beijo da primeira paixão, o primeiro pôr-do-sol só, o primeiro alvorecer sóbrio. Mas essas são e serão coisas tuas, só tuas, apenas tuas. Não me atrevo a intervir ou aconselhar.

Para o segundo, fotos e músicas e filmes e cadernos ajudam bastante, mas teu terá que estar ainda aberto e atento. Nossas memórias e lembranças embaçam com o passar das décadas. Eu mal me lembro do menino de treze anos que eu fui. Mal me lembro do que gostava, dos filmes que assistia, dos desenhos que me animavam, das brincadeiras que me entretinham ou de quem eu amava perdidamente. Mentira. Do a gente nunca se esquece.

Mas a ideia é te deixar palavras, meu amor, e te escrevo porque senti falta de falar para ti das coisas que importam, contar-te verdades absolutas, referências que deixarás para os meus ou os teus netos. Arrumar uma penca de palavras que farão todo e nenhum sentido. Pena que as únicas palavras que valem a pena são as que ensinam a olhar a vida com o coração.

Então te deixo um pouco, não uma penca. Te deixo um conselho. Mira teu futuro com o coração, mas guia tuas pernas com a cabeça. Olha as pequenas coisas com a alma, mas entende-as com a razão. Crê que há um amanhã, mas entende lucidamente que nem sempre ele vem da forma que se imagina. Sonha, sonha muito e esquece-te de cada um desses ao acordar. Sê amiga, criativa, sincera, inteligente e ativa, mas aprende o momento de largar o osso, a usar uma roupa repetida e calar quando nada de bom vier à cabeça.

E acima de tudo, minha menina, meu amor, minha querida, aprende a sorrir. Teu sorriso comove mais que litros de choro que podeis derramar. Comove e é mais poderoso, em certo grau.

Do teu pai, distante, relapso e saudoso.

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July 14, 2011 3

#traidores – discovery home&health

By in videos

Agora que já foi tudo pro ar, dá para colocar aqui no . Dani Arrais, do Don’t touch my moleskine me convidou para uma sessão de e entrevista que seria veiculada na net para suporte da campanha de divulgação do programa “Traidores”.

O resultado segue abaixo. Espero que gostem.

Episódio 1

Episódio 2

Episódio 3

Episódio 4

Episódio 5

Episódio 6

não reparem na careca…

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July 6, 2011 0

EmpireAvenue

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Pois é.. e eu sou viciado nessas coisinhas de xoxialmidia.

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June 14, 2011 2

Três desejos

By in textos
  1. alguém para compartilhar , e
  2. ter projetos, planos e sonhos (esses que nascem do nada, quando a armadura está meio avariada) de novo
  3. uma mega-sena light para bancar o item 2 aí acima
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May 18, 2011 2

A menina do mar e o Capitão Enjoado – Amanda – 2

By in A menina do mar e o Capitão Enjoado, textos

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A nossa história começa numa semana Noutra.

Como já sabemos, nas semanas Uma, Amanda jogava com sua mãe. E nas semanas Noutra, Amanda passeava com seu pai e sua mãe e Fedida, a boneca descabelada. Pois então, nessa semana Noutra eles resolveram ir ao cais do porto. Lá iriam ver barcos, navios, naus, galeões, iates, lanchas, botes, caiaques, barcaças, petroleiros e transatlânticos.

Amanda ficou excitadíssima com o passeio. Já na segunda-feira, procurou na internet fotos de diversos barcos, navios, naus, galeões, iates, lanchas, botes, caiaques, barcaças, petroleiros e transatlânticos. Depois, imprimiu suas fotos e colocava-as numa pasta verde. Fedida só olhava de longe, sem dizer palavra, via toda aquela atividade e animação com a mesma cara de sempre.

Na terça-feira, ela buscou nas páginas dos sites de onde baixou as fotos, os nomes dos barcos[bb], navios[bb], naus[bb], galeões[bb], iates[bb], lanchas[bb], botes[bb], caiaques[bb], barcaças[bb], petroleiros[bb] e transatlânticos[bb]. Não gostou de nenhum deles. Um deles tinha nome de estrela de novela de tevê. Outro tinha um pacote de letras soltas ao invés de um nome de verdade. Furiosa com isso, resolveu rebatizar todos eles. Um ela chamou de Florzinha; outro de Sol que Nasce; e um outro Abelino. Aliás: Definitivamente Abelino.

Além disso criou histórias para cada um dos barcos: um era um navio que transportava doces, outro transportava os perigosos e selvagens marmelos do oriente, lá do País dos Guarda-Chuvas, outro levava chuva e nuvens para o Norte Chuvoso, e outro era uma escola de bruxas marinhas.

Na quarta-feira ela não olhou para os barcos. Teria prova na quinta-feira e era dia de estudo. Para isso, ela contava com o crucial apoio de Fedida, que ficava olhando com a cara de boneca descabelada que tinha.

Na quinta-feira ela chegou chateada porque não fizera uma boa prova e foi comer sorvete de chocolate com a mãe. Novamente, os barcos ficaram na pasta verde, navegando os que Amanda ainda não tivera com eles.

Na sexta, ela pegou foto a foto e deu um beijo em cada uma delas. Dormiu cedo e foi pegar o sonho que havia encomendado no dia anterior.

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May 17, 2011 0

A menina do mar e o Capitão Enjoado – Amanda – 1

By in A menina do mar e o Capitão Enjoado, textos

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Os -de-semana costumavam ser agitados na casa de Amanda. Seu pai gostava de passear na cidade, às vezes sem destino certo, às vezes com uma programação intensa em mente. Sua mãe gostava de jogar -game com quem aparecesse para jogar e ficar em casa curtindo a família e as conversas animadas dos amigos que chegavam para visitá-la. Amanda gostava tanto de passear quanto de jogar. E Fedida nunca disse o que gostava de fazer. Então, todo de semana tinha uma atividade diferente na casa deles, independente do querer da boneca.

Uma semana, eles ficavam em casa jogando vídeo-game[bb] e comendo pizza[bb]. Amanda e sua mãe adoravam jogos de música[bb] e jogos[bb] de quebra-cabeças e a mãe de Amanda era conhecidíssima por sua incrível habilidade em resolver problemas de lógica. Quando mais jovem, ela ganhara alguns campeonatos mundo afora, mas hoje estava aposentada. Naturalmente ela incentivava Amanda quando ela passava de fase em algum jogo ou resolvia um passatempo com muita festa. Quase sempre elas saíam correndo pela casa fazendo a maior algazarra. Se chegava a hora do almoço, elas escolhiam as pizzas e comiam fazendo uma lambança. Nesses dias, o Pai de Amanda ficava na cozinha já preparando o jantar. Ele não gostava muito de cozinhar, mas fazia a janta com muito e se divertia com a bagunça das duas.

Noutra semana, eles sempre tinham um passeio. Ou iam ao cinema[bb], ao teatro[bb], ao circo[bb] quando havia circo, ou ao parque de diversões[bb] que sempre havia. Ou ainda iam na casa dos pais do pai de Amanda, ou das mães da mãe de Amanda, ou dos tios e tias do pai e mãe de Amanda. E na casa dos tios e tias do pai e mãe de Amanda, havia primos e primas e cachorros e gatos dos primos e primas de Amanda. O pai de Amanda tinha uma família bem grande e sempre teve um talento próprio em fazer amizades e descobrir novos lugares. E ele gostava bastante disso e estimulava Amanda a fazer novos amigos e a conhecer lugares diferentes, contando as histórias das pessoas e dos lugares. Nesses dias, a mãe de Amanda dirigia o carro e os levava para cima e para baixo. Ela gostava muito de dirigir e fazia isso com muito amor e se divertia com as histórias que o pai de Amanda contava quando dirigia para casa.

Então havia semana Uma e semana Noutra, para o pai e para a mãe de Amanda, mas não tinha semana para Fedida. Fedida não dava opinião e nem se incomodava que fosse semana Uma ou semana Noutra.

Fedida, a boneca[bb] descabelada, estava sempre feliz, fedida e descabelada.

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