Catarina desenvolveu o gosto pela leitura. Teenage crap,, na sua maioria, mas ainda assim é um ponto de encontro entre mim e ela que eu cuido com carinho e amor. Já tivemos nossa fase de Percy Jackson e os Olimpianos em que eu lia os livros antes de passar para ela e comentávamos cada aventura, cada deus ou monstro grego que era mencionado ali. Foi legal que consegui “empurrar” alguns clássicos como o Bulfinch’s Mythology e ela curtiu bastante. Ou mentiu bem.
Depois tivemos a fase Incrivelmente Alto, Extremamente Perto. Sim, ela pauta os seus livros pelos filmes que entrarão em cartaz e por isso eu rezo aos deuses de Hollywood que continuem adaptando (mal ou bem) livros bons. Há uma geração de adolescentes que compram livros baseados no que vocês, senhores dos bilhões do entretenimento luminoso, mal e porcamente transformam em roteiro. Ela obviamente se apaixonou por Oskar Schell, esse personagem sensacional, e chorou litros enquanto lia. Tal e qual o pai.
Hoje em dia ela interrompeu a minha leitura de alguns livros de ensino de lógica (vem nimim TCC que te quero muito!!!) para mergulhar no mundo do Hunger Games (os tais Jogos Vorazes – ótima tradução, por sinal!). Ela comeu o primeiro livro em poucas semanas e me pediu para comprar os dois remanescentes (sim, mais uma trilogia! adoro!). No mesmo fim de semana que levei-os para ela, fomos ao cinema ver a adaptação para a tela grande. Não me decepcionei porque nada esperava, mas enxerguei elementos melhores que o tal Battle Royale que meus amigos cool diziam que era superior, infinitamente superior, que o pastiche de Hollywood. Vi os dois e discordo. Battle Royale perde mais (e menos) na adaptação do mangá que o livro da Suzanne Collins. A adaptação de Battle Royale lima completamente os subtextos e a construção de personagem que faz o gibi ser um show de violência e terror. Como resultado, ele vira algo ligeiramente pior que o Massacre da Serra Elétrica. Infelizmente. Já o Hunger Games, mesmo sendo pasteurizado para o cinema, manteve os elementos de revolta, desafio, de descontentamento com o status quo que estão me conquistando na leitura. É uma adaptação “menos pior” (se é que existe essa coisa de qualidade em adaptação) no fim das contas.
Mas o grande barato é que eu e Catarina estamos no mesmo livro, estou me aproximando do mesmo capítulo que ela (estou no 5, ela no 11) e vamos trocando informações, impressões e sensações em conjunto. Não é mais a experiência de um pai que coloca para a filha o disco do Sítio do Pica-pau Amarelo e chora quando tenta cantar a música do Pedrinho (pera que caiu uma lágrima aqui com a lembrança… pronto!) mas é a alegria de ver que ela se torna passo a passo uma mulher com opinião, decisão e gostos próprios. Não é isso. É melhor. Ela virou alguém que irá me influenciar. Que já me influencia, aliás, conscientemente.
E a viadinha, por fim, ficou mandando torpedos na pré-estreia dos Vingadores! Que inveja!!
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