O menino acordou ainda zonzo e ressacado da farra. O quarto ao seu redor era desconhecido, mas definitivamente de um motel de primeira. Os quadros eram de uma breguice elegante, os lençóis macios e suaves e cheirava a lavanda e não a um spray odorizante qualquer.
Checou a carteira na mesa de cabeceira, os envelopes de camisinha (dois abertos, quatro fechados) espalhados no chão, a chave de casa, o celular desligado (bateria descarregada), a cama desarrumada dos dois lados, as roupas (suas) na entrada, no pequeno hall entre a porta e o banheiro, os roupões largados no chão, a poça de água no chão que denunciava a bagunça no banheiro cuja porta cerradíssima escondia, as janelas com blecaute fechado que impediam-no saber que horas eram, a televisão desligada, algumas cervejas abertas, pratos sujos na paródia de mesa de jantar com dois lugares onde se divertiram pela derradeira vez.
Do seu lado, o vazio da despedida.
Algo se foi, não saberemos se foi o menino ou alguém… Ou apenas aquela que custou 5 reais: A cerveja…