June 2, 2010 2

Alento

By in textos

A menina me perguntou da garrafa vazia de vodca em cima da cabeceira logo quando deu pausa para respiro e fumar um. Era uma Arsenitch, a marca da bebida, vodca cara e meio desconhecida. Contei para ela a história. Comprei a diacha para beber com um amiga mas ela me disse “tis ain’t your place no more, nigga˜ e eu não entendi nada. Estava tudo bem até então. , papo, louças lavadas e gargalhadas, mas fiz o que sabia fazer de melhor: saí, deixando as lembranças tomarem conta do presente.

Ao virar a esquina da , como se Marte estivesse em trânsito em alguma do ódio e fúria, chorei alguns mares de mágoa. Bebi a memória da moça-amiga para afogar a dor que a lágrima falhara. Mas a dor era tanta que eu tinha raiva de quem me olhava, era uma dor que vinha como um gosto da garganta e eu não conseguia engolir por nada, nem com um consumo industrial de álcool e drogas.

Na outra esquina, eu estava um farrapo de vontades, um arcabouço de forças, um esqueleto de moral. A mim, tu me vieste, menina. E me lembrou que bem tem que ser compartilhado, a alegria, dividida e o mal, guardado.

A garrafa é onde eu escondo o meu mal, é o meu último alento.


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2 Responses to “Alento”

  1. Camila says:

    Os piores demônios se escondem nas garrafas mais caras?

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