A menina me perguntou da garrafa vazia de vodca em cima da cabeceira logo quando deu pausa para respiro e fumar um. Era uma Arsenitch, a marca da bebida, vodca cara e meio desconhecida. Contei para ela a história. Comprei a diacha para beber com um amiga mas ela me disse “tis ain’t your place no more, nigga˜ e eu não entendi nada. Estava tudo bem até então. Sexo, papo, louças lavadas e gargalhadas, mas fiz o que sabia fazer de melhor: saí, deixando as lembranças tomarem conta do presente.
Ao virar a esquina da semana, como se Marte estivesse em trânsito em alguma casa do ódio e fúria, chorei alguns mares de mágoa. Bebi a memória da moça-amiga para afogar a dor que a lágrima falhara. Mas a dor era tanta que eu tinha raiva de quem me olhava, era uma dor que vinha como um gosto da garganta e eu não conseguia engolir por nada, nem com um consumo industrial de álcool e drogas.
Na outra esquina, eu estava um farrapo de vontades, um arcabouço de forças, um esqueleto de moral. A mim, tu me vieste, menina. E me lembrou que bem tem que ser compartilhado, a alegria, dividida e o mal, guardado.
A garrafa é onde eu escondo o meu mal, é o meu último alento.
Os piores demônios se escondem nas garrafas mais caras?
Camila, no meu caso, as garrafas mais caras escondem os melhores espíritos. Daí eles têm que sair para os meus demônios entrarem.
=)