Aos associados da AMAZANDER (Associação de Moradores e Amigos de Zander Catta Preta), presentes ou não, os meus sinceros agradecimentos pela atenção dispendida a essa mensagem não-solicitada.
Decidi, após deliberar exaustivamente por doze minutos, que esta mensagem eletrônica seria ideal para atualizar os que se interessam, ainda que de uma forma tangencial, pelos fatos mais relevantes deste que vos escreve.
Sabemos que a vida não é linear, que as oportunidades e planejamentos que porventura alinhamos para nós mesmos não se manifestam da forma exata que sonhamos e que os nossos mais sinceros desejos se realizam sempre, ainda que ligeiramente distorcidos pelo prisma da realidade. Ou é a lente dos nossos olhos da mente é que usam um grau errado?
Nesta torrente de eventos que se sucedeu no último ano – os que me acompanham de perto foram testemunhas de toda lágrima, bile e mel que destilei nos últimos doze meses –, revi diversos de meus conceitos e decidi que as minhas várias mesas seriam viradas. A mesa pessoal, a profissional e a emocional. Se virei-as certo ou não, saberei em breve. Alea jacta est.
Como conseqüência dessas decisões, mudo-me de cidade.
Abandono, a partir de agosto, as praias, as montanhas, o espírito jocoso e descompromissado, os semideuses e semideusas esculpidos em bronze, as intolerâncias, o único idioma, a teocracia instalada, o relacionar-se leviano e raso, o achar e não saber, o ver e não assistir e todas as demais maravilhas de paisagens humanas e físicas que constróem a cidade que me criou e me erigiu.
Sentirei falta da família, dos chopes ad hoc, do direito de andar de chinelos na rua, dos poentes e do rising sun em Copacabana depois das madrugadas regadas a risos e conversas com amigos de dezenas de anos.
Sentirei falta das ruas que, se minha dislexia não me permite lembrar dos nomes, me acompanham no mapa de minha infância e adolescência, das lojas que cerraram para se transformar em outras lojas, dos cinemas que se transformaram, das bancas de jornais, das faces de quase conhecidos da noite, e dos poucos que carrego e chamo-os de amigos.
Sentirei falta sobretudo de poder estar só e sentir-me pertencendo.
Talvez por tudo isso eu decidi fazer algo banal, que acontece todos os dias, mas que, do alto dos meus trinta e cinco anos, nunca tive bagos e estômago para fazê-lo. Vou para um lugar que é a antítese da cidade que amo de uma forma masoquista, que me maltrata e me acalenta.
Mudo-me para quinhentos quilômetros e uma hora de vôo de distância.
Mudo para um local onde os Grajaús e as Madureiras se sucedem com nomes indígenas, mas onde as ruas ainda têm nomes de flores, pássaros e animais. Mudo-me para terra do dinheiro e da oportunidade, pro coração do Brasil, onde se ouve seis idiomas diferentes em doze quadras, onde carteira é carta e sinal é semáforo, onde os amigos são raros mas bons e a comida é excepcional.
Obviamente a oportunidade de trabalho é maravilhosa, a que sonhei boa parte da minha vida recente. Trabalharei com que gosto e com quem aprenderei a gostar. Obviamente isso não é tudo nem é o motivo principal, apenas é o viabilizador do que me ocorre. Mas é bom sinal. O melhor deles.
Vou amparado, não temam, mas vou com o mais português sentimento de todos.
Eu brincava, quando trabalhava no bureau, nos momentos de maior estresse, que queria ir para casa. De uns anos para cá, tudo que eu sempre quis era ir para casa. Dessperadoramente ir para casa. E minha casa nunca estava lá. Mesmo quando o teto era dividido por aqueles que amo, aqueles que sempre me deram apoio, carinho, amor.
Agora eu posso voltar para casa. Repetidamente. E voltar é sempre bom.
Desejem-me sorte, meus amigos, conhecidos, atuais e antigos colegas, familiares, amantes e ex-amantes. Peço que guardem em seus corações as boas histórias que contei ou fui protagonista. Podem guardar umas duas ou três más também. Afinal falar mal também faz parte do processo.
Eu vou precisar dessa sorte.
Um abraço para quem é de abraço, um beijo para quem é de beijo.
Zander Catta Preta
Tags: aleatórios, amigos, amor, casa, cidade, cinema, conceitos, dia, família, hora, minuto, oração, photos, saudade, saudades, sol, trabalho, Zander Catta Preta

Desejo toda a sorte do mundo nesta nova jornada!
Que sua vida lá, seja repleta de novas conquistas descobertas, muito dinheiro, amor ou amores, sei lá!
Sempre lhe disse que o Rio, apesar de acalentador, não é lugar para vc!
Sampa, tem mais seu estilo, recebe bem sua maneira de pensar e desejos!
Sinceramente, MUITO BOA SORTE, moço!
Putz. Tua criatividade as vezes me intimida
Boa sorte Zander!