Tão belas eram suas lágrimas
que me esqueci de enxugá-las.
Me lembro de teu corpo quente,
encostado frente a frente,
enroscado ao meu.
Mas a lembrança se vai, plácida
na lembrança da pele pálida
como pude ser, um dia, seu?
Me lembro ainda
do teu gosto
das pernas famintas
e teu rosto.
Do abraço zeloso,
da voz que gemia,
do corpo que tremia
no calor do teu gozo.
Tão lindas eram suas lágrimas
que me esqueci de confortá-las.
Mas, o que me tocou na tua morte,
foi o líquido fervente
ofertado docemente
e sorvido ansiosamente.
As lágrimas (vertentes)
misturaram-se ao sangue (quente)
e escorria para a boca (quase presente)
aplacando a fome (louca, loucamente)
do teu eterno servo (doente!).
mais um poema velho, velhíssimo, aonde se evidencia a tendência neo-brega e pós-gótica do autor.
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