pensamentos esparsos de uma mente desconexa
14 abr 2008
Sou um homem de paixões frustradas.
E a vida ainda ri de mim, como se dissesse: “vai homem, acorda pois ainda há um dia à sua frente.”
E eu vou.
20 nov 2007
Ela pisa no meu coração e eu rastejo.
Ela pisa no meu coração e eu babo.
Ela pisa em mim.
E eu só penso: “a calcinha é de renda”.
20 nov 2007
elas não trazem só a chuva.
shadow casters.
20 nov 2007
idas e vindas não fazem uma viagem.
memórias sim.
2 out 2007
eu teria bicho se tivesse quintal
e teria quintal se tivesse casa
e teria casa se tivesse pouso
e teria pouso se coração morasse
e teria coração se moça bonita me amasse
28 jul 2007
e eu tenho histórias para escrever
livros para ler
canções para ouvir
mas a vontade é de ficar miúdo no canto
esperando um reencontro
que não deveria tardar
31 mai 2007
publicado na Tribuna da Imprensa
Eu não tenho muito a te ensinar - só sei que você me faz sorrir. E isso você também sabe
não sei o caminho para a felicidade - só sei que você tem de estar ali do lado na caminhada
não sei o caminho para a loucura - só sei que você me tira do sério com cada sorriso seu
não sei como fazer, só sei te amar
E o meu amor são vários:
é a menina que enfeita a foto do meu mensageiro instantâneo digital
é a minha filha maravilhosa que me recebe feliz, incondicionalmente
é a cidade que é como minha filha, me ama, me expulsa, me rejeita, me recebe com os braços abertos
o meu amor é plural
é da humanidade
e das meninas morenas de olhos verdes que me encantam na paulista
e das morenas brejeiras sambistas sangue bom que me seduzem na lapa
é dos livros encadernados com carinho nas livrarias e na prateleira de casa
e é das músicas que embalam as noites insones
o meu amor é carnal
é sinestésico, sensorial
é de cada gozo, de cada tremor de prazer
é som, cheiro, toque
o meu amor é infinito
e faltam sete dias para encontrá-lo
me ama?
20 fev 2007
Não sei se vou ou se volto.
Não sei se parto, fico ou retorno.
Mas sempre fica a sensação de que algo ficou para trás
Uma chave, um disco, um livro
Um abraço, um beijo, um adeus
Mas eu parto e retorno.
Retorno e parto
7 nov 2006
O que lhes digo é a verdade
a mais pura verdade
aquilo que não pode ser negado
Digo-lhes que não existe o “falar o sexo”
Afinal quais palavras podem traduzir
o prazer do roçar dos corpos?
os cheiros?
os gostos?
os gemidos?
os tremores?
os suores?
as acrobacias desastradas?
os vexames ali revelados?
a exposição desavergonhada?
os calores gerados?
o gozo o gozo o gozo
não existe o falar o sexo.
9 jun 2004
Quero o teu gosto no meu
teu sumo, sorvendo na boca,
ser o teu rumo, o teu prumo,
o teu norte, a tua sorte,
o teu destino, a tua diária morte.
sou teu gozo
teu eterno.
retorno a ti
encontro a mim
projeto no teu útero
o meu sonho de ser
eterno.
vens a mim
encontra a parede que se abre em caminhos sinuosos e obscuros
nega e reforça os erros passados
desliga o ar de teu peito
me deixa ser em você
e espera o gozo
eterno.
25 mar 2004
a cabeça dói
o pé dói
o ombro dói
o outro também
queria fazer uma riminha
toda bonitinha
e ajeitadinha
para dar pro meu bem
meu bem morreu
‘cabou, partiu, feneceu
deixou em mim um vazio
um grande pedaço de frio
mas não é nada não
sofrer do coração
riminha sem graça, então
pra fechar a canção.
23 mar 2004
…mas é algo que endurece o coracao aos poucos, deixar um amor que só faz sangrar…
deixa o campo morrer em si,
espera as chamas assentarem o resto dos outros,
revolve a terra com as cinzas do que partiu,
deixa a natureza sarar o chão.
planta aí, entre a cinza e o sangue,
entre a carne e a alma,
entre o gozo e o gostar,
no meio daquilo que não se separa,
na mistura homogênea e paradoxal que é o ser humano.
planta aí.
8 mar 2004
No estado de imenso torpor,
nessa semi-embriaguez, típica dos insones
Os olhos que pesam,
turvando o mundano,
revelando nas entrelinhas do real,
uma súbita clareza,
quase mediúnica.
Desta forma, os mistérios do mundo
se revelam a mim e são esquecidos em seguida.
Hei de reter em memória, a sabedoria do quase dormir.
3 mar 2004
Nada de novo acontece. Continuo no mesmo compasso de espera. Nem projetos, nem a mega-sena, nem a paixão definitiva da minha vida, nem uma aclamação mundial do meu talento.
Talvez porque tenho trabalhado sem foco, não tenho apostado, tenha tido azar com as mulheres (preciso jogar!) e não tenha me dedicado tanto assim às coisas que sinto prazer em fazer.
22 jan 2004
Esfomeio-te-me. Sedeio-te-me.
Neolologizo-te.
Parte de mim. Não parta! Sê.
31 dez 2003
a falta do seu peso no meu ombro,
do gosto do seu sexo,
do teu lamento lânguido,
do teu beijo escandaloso,
do teu não condescendente,
matam-me a cada noite
mas morrer não cabe nos meus planos
quero encontro, desejo, amor e prazer.
e, acima de tudo, que o que esteja por vir,
venha para nós dois.
quero dividir agora, não caibo mais em mim mesmo de tanto te querer.
até o querer nos consumir e deixar apenas dois corpos,
nas sedas e cetins.
11 dez 2003
alguns laços nos unem ao mundo,
às pessoas que queremos bem,
às pessoas que amamos,
às pessoas que não queremos.
alguns laços são como grilhões,
rijos,
pesados,
mas que são arrastados com prazer.
outros são como fio de seda,
silfídicos,
argênteos,
que se emaranham no corpo e não se desfazem facilmente.
mas hoje me pego pensando nos
laços que faço na vida
e me vejo trinta anos à frente,
morto
de uma forma estúpida e irreversível.
algus amigos irão (os que sobreviverem)
alguns credores chorarão.
e nçao sei se aquela que foi
a razão do meu viver irá me enterrar.
a laço que teço é tão frágil assim?
o que faz uma filha não enterrar o pai?
9 dez 2003
esse encanto é para a noite inteira.
que ela dure, perdure,
resista ao nascer do sol.
pois não há encanto que dure à luz do dia.
mas,
no alvorescer da razão,
ainda na penumbra do sonho,
moram os desejos,
os delírios,
os destinos,
os desesperos,
os pesadelos,
sonhos e amores não consumados.
5 dez 2003
Quando desperto, os sonhos se anunciam no saguão.
É melhor preparar-se para os pesadelos no quarto.
3 dez 2003
Sei que faz tempo que não coloco nada meu, mas é que a vida começa a se assentar aos poucos.
Agora tenho mais de mim em mim mesmo que nas coisas que estão em volta.
Começo a me desfazer daquilo que era fardo, me torno mais livre para aquilo que serei.
O meu tentar se traduz em ralização, o todo conspira a favor.
Então eu parto, mas volto. Sempre retorno.
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