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	<title>a casa do zander&#187; adeus à tribuna&#8230; adeus&#8230;</title>
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	<description>pensamentos esparsos de uma mente desconexa</description>
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		<title>adeus à tribuna&#8230; adeus&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Dec 2008 17:30:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Através do blogue do Alex Castro fiquei sabendo que a Triibuna da Imprensa para de circular hoje. Só posso lamentar a perda do espaço e a restrição cada vez maior para os profissionais da imprensa na cidade que outrora foi um farol de cultura e civilidade nos trópicos. E não estou falando de Buenos Aires. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Através do blogue do <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2008/12/02/tribuna_da_imprensa_para_de_circular_hoj/">Alex Castro</a> fiquei sabendo que a <a href="http://www.tribuna.inf.br/">Triibuna da Imprensa</a> para de circular hoje.</p>
<p>Só posso lamentar a perda do espaço e a restrição cada vez maior para os profissionais da imprensa na cidade que outrora foi um farol de cultura e civilidade nos trópicos.</p>
<p>E não estou falando de Buenos Aires.</p>
<p>Segue, após o link, a última coluna de <a href="http://www.tribuna.inf.br/index.htm">Hélio Fernandes</a>, na sua íntegra.<span id="more-985"></span></p>
<table border="0" cellspacing="5" cellpadding="1" width="450" align="center">
<tbody>
<tr>
<td colspan="3" valign="top">
<p align="justify"><span style="font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; color: #000000;"></p>
<h3>A Justiça, que deveria garantir a liberdade de expressão, luta contra, impõe o silêncio</h3>
<p></span></p>
<p><span style="font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; color: #000000;">Com a mente revoltada e o coração sangrando, escrevo serenamente, mas com a certeza de que é um libelo que atinge, vai atingir e quero mesmo que atinja o sistema Judiciário. As palavras que coloquei como título desta comunicação representam a ignomínia judicial, que se considera poderosa e inatingível, mas é apenas covarde e insensível.</p>
<p>Retira-se dessa acusação global apenas a primeira instância. O juiz que em 1979 recebeu a ação desta Tribuna da Imprensa examinou imediatamente a questão e dividiu a ação em duas. Uma chamada de<strong>LÍQUIDA</strong>, que decidiu imediatamente e que, lógico, foi objeto de recursos indevidos, malévolos e protelatórios, que é a que está na mesa do ministro Joaquim Barbosa.</p>
<p>A outra, denominada de <strong>ILÍQUIDA</strong>, juntava e junta prejuízos ainda maiores, como desvalorização do título do jornal, lucros cessantes, páginas em branco durante 10 anos, perseguição aos anunciantes, que intimidados pessoalmente pelo então diretor da Receita deixavam de anunciar.</p>
<p>(Esse diretor da Receita Federal, Orlando Travancas, era feroz na perseguição e na intimidação. Não demorou muito, foi flagrado em crime de extorsão e corrupção, não quiseram prendê-lo, seria desmoralização para o regime. Foi aposentado luxuosamente, com proventos financeiros &#8220;generosos&#8221;).</p>
<p>A ação <strong>ILÍQUIDA</strong> dependia de <strong>PERÍCIA</strong>, que vem desde 1982, e não foi feita por irresponsabilidade e falta de interesse de dois lados. Acreditamos que agora andará em velocidade para recuperar o tempo perdido. Na ação dita <strong>LÍQUIDA</strong>, o competente juiz de primeira instância, cumprindo o seu dever, sem temor ou dificuldade, condenava a União ao pagamento da <strong>INDENIZAÇÃO</strong> devida a esta Tribuna.</p>
<p>De 1982 (primeira e única sentença) até este ano de 2008 (26 anos), a decisão do competente juiz de primeira instância foi naufragando na impunidade, no descuido, na imprudência dos chamados <strong>MAGISTRADOS SUPERIORES</strong>.</p>
<p>Em 26 de março de 1981, a ditadura agonizante mas vingativa explodiu prédios, máquinas e demais dependências desta Tribuna. Podíamos acrescentar isso na própria ação ou começar nova, com mais esse prejuízo colossal. Não quisemos. É fato também facilmente comprovável, não protestamos nem reivindicamos judicialmente em relação a mais esse terrorismo. Financeiro, econômico, irreparável.</p>
<p>O próprio Supremo Tribunal Federal não é <strong>INOCENTE</strong> ou<strong>DESCONHECEDOR</strong> do processo. Pois há quase 3 anos está na mesa de Joaquim Barbosa, &#8220;esperavam um negro subserviente, encontraram um magistrado que veio para fazer justiça&#8221;. Na prática está desmentindo a teoria. Negro ou branco, não importa a cor e sim a <strong>I-N-S-E-N-S-I-B-I-L-I-D-A-D-E</strong> como magistrado.</p>
<p>O ministro Joaquim Barbosa, do STF, com extrema boa vontade, recebeu o recurso inócuo da União, verdadeira litigância de má-fé, que sabia ser apenas <strong>PROTELATÓRIO</strong>. Os autos estão descansando em seu gabinete desde abril de 2006. Postura diferente adotou o douto procurador geral da República, Cláudio Lemos Fonteles, que há mais de 2 anos já fulminara o teratológico recurso como <strong>INADMISSÍVEL</strong>, sem razão de ser, vez que almeja <strong>REDISCUTIR</strong> o que já tinha sido pacificado nas instâncias inferiores, ou seja, o direito líquido e certo desta Tribuna da Imprensa ser indenizada por conta de danos morais e prejuízos materiais de vulto que sofrera, em decorrência de atos truculentos e de censura permanente dos governantes dos anos de chumbo e que quase levaram o jornal à falência.</p>
<p>Inexplicavelmente, repita-se, o bravo (ou bravateiro?) Joaquim Barbosa aceitou o afrontoso apelo da União que nem deveria ser conhecido, por conta quem sabe de um cochilo, displicência ou então não tem a sabedoria jurídica que tanto apregoa.</p>
<p>Nesse quadro, já dissemos e reiteramos que essa primeira indenização será toda destinada ao pagamento de <strong>DÍVIDAS</strong> obrigatórias contraídas por causa da perseguição incessante comprovadamente sofrida.</p>
<p>Em matéria de tempo, uma parte do Judiciário foi mais ditatorial do que a ditadura. Esta perseguiu o jornal das mais variadas formas, por 20 anos. A Justiça quer ver se chega aos 30 anos, por conta de sua repugnante<strong>MOROSIDADE, TÃO RUINOSA</strong> e imoral quanto a ilimitada violência perpetrada pela ditadura.</p>
<p>Se vivo fosse, o jurista Ruy Barbosa por certo processaria os lenientes julgadores do processo indenizatório ajuizado pela Tribuna contra a União há quase 30 anos e sem pagamento algum até hoje, porque para Ruy, que é tão festejado e citado, mas não imitado, <strong>JUSTIÇA ATRASADA NÃO É JUSTIÇA, SENÃO INJUSTIÇA QUALIFICADA E MANIFESTA</strong>. Até breve. Muito breve.</p>
<p><strong>PS</strong> - Esperamos que Joaquim Barbosa elimine rapidamente (pode fazê-lo em minutos) e sempre a <strong>INJUSTIÇA</strong> da <strong>JUSTIÇA</strong>, para que possamos retomar o caminho de quase 60 anos.</p>
<p><strong>PS 2 -</strong> Às 10 horas da manhã de ontem, esta Tribuna, com toda a Primeira comunicando a <strong>INTERRUPÇÃO MOMENTÂNEA DA NOSSA CIRCULAÇÃO</strong>, já estava na mesa dos ministros Joaquim Barbosa, (relator) e Gilmar Mendes (presidente), de outros ministros e várias autoridades. Dependendo deles a <strong>INTERRUPÇÃO MOMENTÂNEA</strong> poderá ser mudada rapidamente para <strong>INTERRUPÇÃO</strong> <strong>SUMARÍSSIMA</strong>.</p>
<p>Foi extraordinária a reação e a solidariedade à nossa edição de ontem, quando comunicávamos, usando toda a Primeira, que MOMENTANEAMENTE ESTA TRIBUNA ESTÁ SUSPENDENDO SUA CIRCULAÇÃO. De todas as partes do Brasil chegavam sugestões para que a TRIBUNA continuasse presente, no papel e na internet.</p>
<h5>Muitos, ou mais do que muitos, telefonavam HORRORIZADOS, (palavra textual) com o que acontece com um jornal que sempre lutou pelo Brasil, pela comunidade, pela defesa dos grandes e INVENCÍVEIS interesses nacionais.</h5>
<p>Citavam campanhas de defesa do patrimônio nacional, as lutas incansáveis e ininterruptas contra a DOAÇÃO das nossas riquezas, as batalhas a favor da aviação do Brasil, desde o ASSASSINATO da Panair (é de assassinato que se trata), mais tarde da Vasp e da Varig, todas sacrificadas, para que caminhoneiros se transformassem em senhores dos ares, acumulando fortunas.</p>
<h5>(O livro &#8220;Pouso Forçado&#8221; transcreve artigos inteiros deste repórter numa campanha de convicção, de razão e de emoção, pela manutenção da grande empresa da aviação nacional. A empresa área que representava tudo o que Santos Dummont sonhara para o transporte aéreo, a verdadeira aproximação dos países e dos povos.</h5>
<p>Desde os tempos combativos do Diário de Notícias, toda a atividade deste repórter foi concretizada na luta pela libertação nacional. Defendi tudo, jamais tive um período que fosse de ligação com algum ou qualquer grupo.</p>
<h5>Com tanta luta, tínhamos que ser sacrificados e imolados no combate ao verdadeiro assalto às nossas riquezas, nosso patrimônio, nosso território, nossa população. Mas não esperávamos, não acreditávamos, não admitíamos, que enquanto resistíamos, fôssemos trucidados pela Justiça, realmente INACREDITÁVEL.</h5>
<p>As últimas campanhas acirraram ainda mais a vontade e a decisão de liquidar esta Tribuna, no limiar dos seus 60 anos. Não tínhamos outra decisão, a não ser a de SUSPENDER MOMENTANEAMENTE a circulação desta Tribuna. Mas a grande maioria se insurge contra essa ausência, faz diversas propostas, lembranças ou sugestões, que estamos examinando.</p>
<h5>A mais sugestiva: enquanto o ministro Joaquim Barbosa não assume suas verdadeiras e apregoadas funções definidas por ele mesmo, textualmente, &#8220;como um negro que esperavam subserviente, mas veio para ser um verdadeiro magistrado&#8221;. A teoria está clara, basta que meia dúzia de palavras, transforme a apregoada TEORIA, numa PRÁTICA reconhecida pelo Brasil inteiro.</h5>
<h5>Estamos esperando, doutor ministro.</h5>
<p>Pelas manifestações que fomos recebendo durante todo o dia, do Brasil inteiro, o homem hoje mais citado se chama Joaquim Barbosa, ministro do Supremo Tribunal Federal. Da decisão dele, IMEDIATA e FINAL, depende a RESSURREIÇÃO de um jornal livre, que vem sofrendo durante toda a sua existência, pela dedicação à LIBERDADE de IMPRENSA, à DEMOCRACIA, ao INTERESSE NACIONAL, à DEFESA DO Nosso sagrado PATRIMÔNIO e TERRITÓRIO.</p>
<h5>Nossas três últimas campanhas que contrariaram muitos.</h5>
<p><strong>1 -</strong> A ignomínia e a indignidade de entregar a USIMINAS ao pobretão Steinbruch, que FALIDO, passou a milionaríssimo. Está respondendo a mais de 10 MIL AÇÕES, por crimes diversos.</p>
<p><strong>2 -</strong> A campanha incessante para a REESTATIZAÇÃO DA VALE.</p>
<p><strong>3 -</strong> A RETOMADA da Amazônia, entregue a 100 mil ONGs, e aos interesses mais escusos. Essa Amazônia, que é parte enorme e substancial da nossa riqueza e independência.</p>
<h5>Entre todas as sugestões, a mais razoável e até executável, é esta: enquanto esta Tribuna espera a hora de voltar como sempre foi durante 60 anos, sairia com apenas 4 páginas, mas o SUBSTANCIAL de sua existência seria a manutenção das colunas.</h5>
<p>Não apenas o artigo e a coluna deste repórter, mas as outras, que compõem o universo da OPINIÃO e da INFORMAÇÃO privilegiada, que sempre se constituíram no CARRO CHEFE do jornalismo IMPRESSO.</p>
<h5>Outra idéia também sustentável, é a manutenção desta Tribuna na internet. Embora a Tribuna tenha um site próprio, recebemos oferecimento de vários jornalistas, que têm sites e que querem &#8220;hospedar&#8221; esta Tribuna.</h5>
<p>Por dever de justiça, que palavra, os primeiros jornalistas a oferecerem seus sites, foram Pedro do Coutto e Carlos Chagas (com cartas belíssimas), Pedro Porfirio e Aristoteles Drumond. Às 3 horas da manhã, Porfirio já publicava a Primeira de ontem, entre os seus cadastrados no JORNAL ELETRÔNICO POR CORRESPONDÊNCIA.</p>
<h5>Logo depois Aristoteles Drumond, que tem vários sites, telefonava para oferecer alguns, e aumentar a circulação desse POSSÍVEL jornal de 4 páginas, que estaria na internet.</h5>
<p>E nas bancas a um preço quase simbólico, quando hoje custa 1,70. Em suma: à hora em que escrevo não há suma, mas a súmula (ou que nome tenha) que esperamos que o ministro Joaq uim Barbosa já tenha cumprido.</p>
<h5>Sozinho, ele pode decidir, como o ex-procurador geral da República, Claudio Fonteles decidiu: NEGO. Anulando a INÉRCIA de uma parte da magistratura.</h5>
<p></span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<title>Carta a uma futura adulta</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Sep 2008 02:16:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Minha menina, Um dia acordei com um mau-humor mais terrível que o costumeiro. Ele me acompanhou pelas avenidas dessa cidade-monstro, nos lanches e nas conversas com os colegas, no almoço, nos interlúdios de trabalho e nas linhas dos emails enviados. Ele também esteve no meu cangote na hora que voltei para casa, no jantar à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha menina,</p>
<p>Um dia acordei com um mau-humor mais terrível que o costumeiro. Ele me acompanhou pelas avenidas dessa cidade-monstro, nos lanches e nas conversas com os colegas, no almoço, nos interlúdios de trabalho e nas linhas dos emails enviados. Ele também esteve no meu cangote na hora que voltei para casa, no jantar à frente do computador e deitou-se comigo como uma sombra que me cobria, aninhava e reconfortava.</p>
<p>No meio da noite, essa sombra cobrou o seu preço e foi-se com todas as outras sombras nas primeiras horas da manhã, deixando um vazio frio e perturbador.</p>
<p>Nessas horas de desespero que bate à porta, lembro-me sempre dos seus abraços e de seu sorriso moleque e me atenho ao fato que esses momentos são cada vez mais raros. Ainda assim, a lembrança que nunca será apagada desses pequenos gestos, para mim são o alento que me mantém a vontade de levantar diariamente apesar das cobertas que insistem em retirar o pouco brilho que ainda mantenho nos olhos.</p>
<p>Meu maior medo é que ao apagar das luzes eu deixe pouco mais que uma impressão digital na tua vida porque eu queria ter deixado para você um mundo com mais verde entre nós, e menos cinza, com mais brincadeira de rua, e menos vídeo-game, mais céu azul e vento fresco e menos mormaço. Mas minha vida tomou curso diferente do que eu tinha planejado e meus amigos, pares, contemporâneos juntaram-se a mim em não fazer nada a respeito disso. E eu queria ter deixado um mundo mais justo e honesto, com maior divisão de riqueza e menor sacrifício diário, mais compreensão e entendimento. Mas tudo isso é sonho, não é mesmo? Então queria deixar esses sonhos para você, embrulhados no papel de pão que te espera quente com leite achocolatado e que você pode comer a hora que quiser. </p>
<p>Ou deixar quieto na mesa.</p>
<p>Então o que eu lhe legaria? Eu poderia tentar te ensinar o que aprendi, mas não sou culto ou inteligente o bastante para te passar algo diferente do que os livros que você lerá e que teus professores lhe ensinarão. Talvez consiga te passar a única coisa que aprendi com as salas de aula: pense diferente e discorde sempre. Confrontar o que lhe é ensinado é a única forma de reforçar o que se aprende ou de aprender algo novo. Ou de ensinar. Fuja de quem te pede para decorar. Abrace quem te deixa pensar. Abrace duas vezes quem briga contigo para que você entenda, aprenda, discuta, pense. Pense. Pense muito. Pense mais.</p>
<p>Mas não acho que isso seja o suficiente. Provavelmente você encontrará um professor ou um amigo que lhe ensinará a mesma coisa e, bem ou mal, repito apenas o que ouvi antes de mim e que se repte desde os gregos filósofos.</p>
<p>Acho que o meu legado, a minha herança, vai ser algo mais sutil mesmo e não tem jeito. Nenhuma frase de efeito, nenhum piquenique onde ganharíamos todos os prêmios ou um roteiro de filme de sessão da tarde. Tudo bem. No fim, não importa o que deixarei para você. O que importa, de fato, é que eu te deixo para ti. Você é a senhora do seu nariz e tenho certeza que escreverá uma história mais bela e relevante que qualquer uma que eu conseguisse escrever, sonhar, ser.</p>
<p>Menina, o meu legado é o amor.</p>
<p>Do teu saudoso pai.</p>
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		<title>Sobre a arte de suar e arranhar as paredes</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Aug 2008 10:14:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eles foram amantes há tempos. Percebia-se pela forma que se tocaram e pelo olhar que traia a brasa – fantasma de uma chama – que insistia em habitar a memória dos dois. Há anos não se viam, mas o toque era o mínimo efeito necessário para desencadear a virada da história. Mesmo sem perceber, diziam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eles foram amantes há tempos.</p>
<p>Percebia-se pela forma que se tocaram e pelo olhar que traia a brasa – fantasma de uma chama – que insistia em habitar a memória dos dois. Há anos não se viam, mas o toque era o mínimo efeito necessário para desencadear a virada da história.</p>
<p>Mesmo sem perceber, diziam a todos que já haviam rolado desnudos por noites a fio e fizeram festa e dança nos quartos que testemunharam a santa loucura que se apossa dos corpos entesados. Que já haviam berrado, xingado e se agredido em êxtase por não entender completamente o que se passava com eles.</p>
<p>Quando o amor é tamanho, a mente se nega aos fatos e cria fantasias para poder suportar os calores e os resfriares da alma. E assim acontece porque, para ambos, é como se tudo o que fosse, deixasse de sê-lo apenas porque podem assim fazê-lo. São onipotentes, esses devassos apaixonados! Agem como se o universo ali dobrasse na singularidade de dois corpos em fúria de cópula incessante. E isso fosse o suficiente para a eternidade.</p>
<p>Os amantes criam fossas abissais para o restante do mundo, já que esse é incapaz de compreender o isolamento que se faz necessário para o frutificar dessa paixão tarada e explícita, que se crie barreiras intransponíveis entre os enlaçados e os demais infelizes que jamais – Nunca! Nunca! Nunca! – atingirão aquele êxtase que só os dois são capazes de parir e manter. O prazer é início, meio e fim dos amantes.</p>
<p>O resto é desculpa.</p>
<p>E há o gozo, que parece ser impossível de ser replicado quando socializado. O gozo é algo solitário, mesmo a dois. E a busca do gozo faz aumentar as barreiras, as profundezas e o isolamento. E a busca do gozo faz com que o universo perca toda a lógica. O que importa é apenas a busca e a busca. Sempre só. Sempre só. Sempre sozinha. Mesmo a dois.</p>
<p>E quando os amantes encontram-se em gozo pleno, descobrem-se isolados de tudo, até mesmo de si. As barreiras passam a falar, a gritar em acordes quebradiços uma angústia sem fim. E só o fim é que promete uma falsa paz. Como a próxima dose de heroína acalma e derruba, o fim corta o canal de dor.</p>
<p>Eles foram amantes há tempos e viveram a loucura do gozo sem fim. Temiam que essa fúria retomasse o curso de suas vidas e lhes colocasse antolhos e os transformasse em bestas que ululam entre lençóis e arranham a mobília, os azulejos, as paredes, os tetos e o óbvio chão. Receavam que tivessem de se distanciar dos amigos, da família e de tudo o mais que lhes dava alento quando os vícios se tornavam impossíveis de serem carregados.</p>
<p>Receavam, acima de tudo, arremessar a vida e a televisão pela janela. Defenestrar a vida como sempre fora ensinada nos romances de sete reais e na novela das oito. Borravam-se de se desconstruir ou de se expor sem pele – perdida no atrito horário dos corpos – e de ficarem assados de tanto querer se atracar.</p>
<p>Contra tudo, tocaram-se. Apesar de tudo, tocaram-se. Por causa de tudo, tocaram-se.</p>
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		<title>sobre a arte de se usar perfumes</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Aug 2008 21:09:43 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Pois bem. Você me diz que meu cheiro está na tua cama e eu te digo que o teu corpo me amassa e me deixa impressões que não quero que passem. Você me diz que gosta do meu perfume, que te dá fome e desenho e eu te digo que desejo não se dá, encontra-se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pois bem.</p>
<p>Você me diz que meu cheiro está na tua cama e eu te digo que o teu corpo me amassa e me deixa impressões que não quero que passem. Você me diz que gosta do meu perfume, que te dá fome e desenho e eu te digo que desejo não se dá, encontra-se e que fome você sempre teve, só tinha medo de abrir os olhos e descobrir-se faminta. Você me diz que não tem mais medo que o sentimento te inunde e te alague, e eu te digo:</p>
<p>&#8220;Te alague.&#8221;</p>
<p>saudades</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sobre a arte do fim – carta ao Chico</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Jul 2008 02:14:40 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[publicado na Tribuna da Imprensa Meu caro Chico, Estou com duas cartas prontas na minha cabeça, mas relutava e reluto em escrevê-las. Escrevo-lhe essa primeira carta porque lhe devo desculpas prementes e desculpar-me é o que farei antes de tudo. Há um ano você me telefonou e eu reagi de uma forma tosca. É que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>publicado na <a href="http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/2008/setembro/11/bis.asp?bis=cronicas">Tribuna da Imprensa</a></em></p>
<p>Meu caro Chico,</p>
<p>Estou com duas cartas prontas na minha cabeça, mas relutava e reluto em escrevê-las. Escrevo-lhe essa primeira carta porque lhe devo desculpas prementes e desculpar-me é o que farei antes de tudo.</p>
<p>Há um ano você me telefonou e eu reagi de uma forma tosca. É que não sei ouvir um elogio sincero. Nunca soube ser elogiado. Me desconcerta, me quebra de uma forma que me impede de voltar à minha empáfia e arrogância normais.</p>
<p>Sei que você não me conhece ao vivo – pelo telefone não dá para saber como se olha, como o cara se porta, onde coloca as mãos e tal – ou bem o suficiente para poder reconhecer uma pessoa inteira nesses pedaços de gente que deixo antever nos textos. Por agora, apenas acredite que sou uma criatura pra lá de desinibida e com a língua mais rápida do sudoeste. Obviamente, tudo questão de defesa. Não existe pior tímido que o falastrão.</p>
<p>Pela situação esdrúxula e constrangedora, peço desculpas. Mas deixe-me explicar um pouco mais o que acontece nessa cabeça esquisita.</p>
<p>Você me elogiava com sinceridade e eu não sabia onde meter a cara. Elogio sincero – de quem não tem intimidade com a gente – é coisa muito rara. Acho que só fui elogiado assim por um professor de literatura que invadiu a nossa sala num intervalo apenas para falar de um texto meu que estava exposto num mural da escola. De resto, só aquele papo social dos amigos e tal. E você me elogiava justo quando eu escrevia sobre coisas que são difíceis para eu falar até hoje: basicamente sobre os fins e sobre o meu pai.</p>
<p>Mas deixe estar. Provavelmente, quando desencantar o chope entre nós, eu paro com essa babaquice e tudo volta ao normal.</p>
<p>Só para fechar a coisa toda, aquele texto, “<a href="http://casadozander.com/textos/cronica-do-amor-seco">Crônica do amor seco</a>”, foi escrito num momento de epifania, quando dei por mim que tenho muito pouco a ofertar às pessoas. Basicamente um sorriso rápido, uma tirada rasteira e uma profundidade de pires. Sabe?</p>
<p>E quando escrevi aquilo eu estava me sentindo como quando Dorian Gray encontra o seu retrato envelhecido e distorcido. Era uma ficha que não precisava ter caído, mas veio redonda numa caminhada triste pela Avenida Paulista. Chegando em casa, precisava vomitar tudo. Daí nasceu um dos meus textos mais redondos, que nasceu sem cortes, sem emendas, sem ajustes. Quase que nem o do nascimento da minha filha, “<a href="http://casadozander.com/textos/e-assim-se-passaram-sete-anos">E assim se passaram sete anos</a>”. Quando escrevi <a href="http://casadozander.com/textos/o-pai">sobre o meu pai</a>, foi um desafio que impus a mim mesmo e o processo é outro, a ser tratado em outra carta.</p>
<p>Mas, rodeios à parte, eu queria te falar dos fins.</p>
<p>Cada vez que começo alguma coisa sinto lá plantado o finzinho dele, sabe? É como se eu sentisse o cheiro da noite cair antes mesmo do sol nascer. Aquela maresia que vem anunciando o por do sol. Eu só fico me lembrando como era bom chegar da aula e ficar na janela sentindo o cheiro do mar anunciando as seis da tarde. Maresia, reza do Ave-Maria e bolo quente.</p>
<p>Sempre me senti confortável com o fim das coisas. A dor da finalização – que indica que a história havia sido verdadeira, do fundo do coração – e a sensação de uma história bem contada sempre me acompanharam.</p>
<p>Obviamente estou romantizando a coisa. A maresia nem era tão forte assim. E muitas vezes tive de engolir amargo um pé-na-bunda. E eu nunca gostei de romper com quem gosta de mim. Especialmente se gosta de verdade de mim. Mas não existe só esse fim, obviamente. Sair de um trabalho é sempre uma emoção interessante. Entregar um trabalho, nem tanto. Enterrar um ente querido, menos ainda.</p>
<p>Quando moleque, li um livro da Coleção Primeiros Passos: O Que é Morte. O livro dizia que a morte – ou o velório, como seu símbolo primeiro – foi migrando do interior da casa, da mesa da sala de jantar, para o hospital, para um lugar-comum de morte e fim.</p>
<p>Com os relacionamentos, a coisa é parecida. Se antes ficávamos adubando relacionamentos findos – que já fediam de tão mortos dentro do quarto, partilhando a mesma cama – hoje eles começam e terminam em um beijo sem nome. Não faço juízo de valor, até porque sou de pouca moral para julgar alguém, mas me espanta a facilidade que temos (que tenho! que tenho!) em virar uma página, chorar o texto que fora escrito e continuar em frente.</p>
<p>Talvez porque sejamos mesmo fadados a seguir em frente, apesar do que tenhamos feito.</p>
<p>Abraços do teu fã.</p>
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		<title>Sobre a arte de dar as mãos</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jul 2008 17:40:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
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		<description><![CDATA[publicado na Tribuna da Imprensa Hoje eu li em um blogue de uma amiga (http://simsenhoras.blogspot.com/2008/07/quero-namorar-o-wall-e.html) que ela não vê mais as pessoas simplesmente dando as mãos por aí. Que no arsenal da conquista não se usa mais o singelo gesto de procurar a mão da menina e segurar os dedos entre os dedos num enlace [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>publicado na <a href="http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/2008/agosto/28/bis.asp?bis=cronicas">Tribuna da Imprensa</a></em><a href="http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/2008/agosto/28/bis.asp?bis=cronicas"><br />
</a></p>
<p>Hoje eu li em um blogue de uma amiga (<a href="http://simsenhoras.blogspot.com/2008/07/quero-namorar-o-wall-e.html">http://simsenhoras.blogspot.com/2008/07/quero-namorar-o-wall-e.html</a>) que ela não vê mais as pessoas simplesmente dando as mãos por aí. Que no arsenal da conquista não se usa mais o singelo gesto de procurar a mão da menina e segurar os dedos entre os dedos num enlace quase que obsceno, mas mais singelo que os olhares que enrubescem. Que não vê mais o gesto em si mesmo gerando o momento mágico.</p>
<p>Eu sou uma criatura de “grude”. Gosto de tocar, abraçar de dar beijos e tal em quem tenho carinho e afeto. Obviamente já passei da fase adolescente onde os futuros adultos arrumam n desculpas para se jogar uns em cima dos outros ou se amontoarem pelos cantos. Algo a ver com os hormônios em ebulição ou uma desculpa esfarrapada para pré-sexo. Dito isto, acho que poderão entender melhor o caso que tenho para contar.</p>
<p>Pois bem.</p>
<p>Um dia, numa das minhas idas profissionais à cidade do dinheiro e à terra da fortuna, eu saí com uma conhecida para podermos materializar o nosso conhecimento mútuo. (Não me entendam mal! A frase anterior é só uma forma pernóstica de dizer que fui conhecer de fato uma pessoa que conhecia pela Internet. É que às vezes conheço mais de fato quem nunca vi de perto. E às vezes conheço menos de perto quem já vi de fato. Fato.) Fomos a uma pizzaria numa praça que só recentemente voltei – e gravei o nome. E obviamente me esqueci novamente, a ponto de não ter sequer referência para citar nessa crônica de quarenta linhas.</p>
<p>A pizzaria era modernosa, com uma decoração bem interessante. Como bom carioca, sempre achei que pizza boa era a que era servida rapidamente. Ali fui introduzido à grande arte de ser fazer Pizzas em Sampa.</p>
<p>Antes mesmo de fazermos o pedido, senti que havia algo no ar. Uma atração definitiva. Da minha parte, claro, por minha amiga. As pizzas não tinham nada a ver com a história. A moça era bonita, charmosa, interessante mesmo. E tinha bom gosto. Afinal de contas, sabia escolher a companhia para o jantar.<br />
Durante o evento inteiro eu não conseguia desgrudar os olhos dos olhos da moça e “dava um jeito” de fazer as mãos delas encontrarem as minhas. Quando ocorria, parecia que eu estava segurando o braço de uma cadeira ou apenas uma maçaneta. Nada. Nem uma fisgada, nem uma alteração na voz da moça. Nadica de nada. Um suspiro ou uma pausa ao menos? Não.</p>
<p>Obviamente achei que não tinha logrado sucesso e tal. Mas são coisas da vida. Se todas as mulheres desejassem todos os homens (e vice-versa), não haveria agenda que desse jeito para tanta fornicação. Ou romance. Fica no teu critério. Fato é que não funcionaria de forma alguma. Há de se ter a rejeição por bem da humanidade.</p>
<p>Mas, como a vida sempre surpreende e desconstrói as primeiras impressões, na saída, a moça me permite um beijo. Obviamente voltei pro Rio sem entender coisa alguma.</p>
<p>Quando mudei em definitivo para Sampalândia, eu entendi que havia um tipo de gente que não se toca, a não ser na intimidade. Que um abraço pode ser sinal de posse e que um pegar em mãos pode ser ostensivo, declaratório e íntimo demais para duas pessoas que apenas se flertam.</p>
<p>Da pior forma, entendi que esse não era o meu tipo de gente.</p>
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		<title>Das várias coisas a se fazer antes dos quarenta anos</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jul 2008 02:09:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>publicado na <a href="http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/2008/agosto/21/bis.asp?bis=cronicas">Tribuna da Imprensa</a></em></p>
<p>Virei pro camarada do outro lado da mesa e soltei sem respirar: “Me ajuda em três coisas?” Ele trocou olhares rápidos com o garçom, o <em>pint</em> de Guiness meio vazio e a minha cara de bêbado de fim de semana.</p>
<p>“Como assim?” “São três coisas simples.” “Desenvolva.”</p>
<p>Ao meu lado, a menina deu a perceber que estava curiosa, mas fez como quem não daria bola àquela besteirada ali. Sentiu cheiro de bobagem de botequim. Virou o rosto para a amiga que flertava desesperadoramente com o cara do outro lado da mesa.</p>
<p>Ele insistiu: “Desenvolva.” “Bom, como você sabe, eu tenho projetos curtos e simples a serem resolvidos até lá. Já até escrevi sobre eles e tal.” “Sei sim, o papo de morar só – já é tempo, né? –, o lance da faculdade, juntar dinheiro e…” “…e falar menos. O mais difícil de todos.” “Pois é. E no que eu posso te ajudar, cara? Morar lá em casa, nem pensar.” “Tem mais além dessa lista curta. Mais coisas que se escondem debaixo do tapete dos nossos projetos de vida. Detalhes, coisa pequenas que vão aparecendo aos poucos no processo de envelhecer. Coisas como apreciar um tipo de uva, um prato que é preparado em algum lugar. Essas coisas que realmente valem a pena e que talham o caráter de um homem de forma definitiva.”</p>
<p>Ele virou o restante da cerveja quando o garçom colocou um novo copo nada vazio à sua frente.<br />
“Você está bêbado?” “Ainda não. Só lânguido.” “Meio veado isso, né?” “Sim, mas é a palavra precisa.” “Então você precisa de mim para que eu te ensine meia dúzia de coisas que ajudarão na formação do seu caráter enquanto homem feito?”</p>
<p>Foi a minha vez de beber o meu copo cheio. </p>
<p>“Não, cara. Já faz algumas décadas que eu talho esse meu mau-caráter. O que preciso é de umas dicas para um vicio novo.” “Como assim? Vício novo?” “Sim, vícios. O terceiro componente fundamental da personalidade de uma pessoa.”</p>
<p>Nesse ponto, as meninas passaram a prestar a atenção.</p>
<p>“São três os Componentes Fundamentais da Personalidade de uma Pessoa: nortes, valores e vícios. Os nortes são aqueles objetivos que nós iremos mudando a cada mês, mas que são sempre substituídos. Não é nada complicado como comprar um apartamento, mas algo como ‘como vou arrumar a grana para pagar a mensalidade desse mês?’. Os valores não são medidos por aquilo que você tem como conduta pessoal, mas mais como aquilo que você não faria por um milhão de reais. Obviamente não são para serem brandidos como estandartes, caso contrário, qualquer pessoa de bom senso lerá: ‘Ei! Me compre! Eu quero um milhão de reais! Dez pratas já tá valendo, dotô!’”</p>
<p>Os outros três à mesa já estavam com aquela cara de “senta que lá vem história”. E veio mesmo.</p>
<p>“Os vícios são os seus melhores amigos no desespero. É a última coisa a que você se agarra quando o mundo te tira tudo. A tua coleção de vinis de samba dos anos 1960, o uísque que você aprendeu a beber na chegada dos trinta anos, são seus únicos e derradeiros amigos quando todo o universo te dá as costas. Ele te draga, te consome, suga teus momentos de descanso e teu dinheiro, mas é quem te dá prazer na hora e no momento em que você mais precisa, na hora onde é só isso que resta. E precisamos sempre de vícios novos, para que os antigos não se tornem fortes demais e te arrastem para onde eles querem. É isso.”</p>
<p>Ante o silêncio assombrado da mesa, arrematei: “Cara, preciso comprar um cachimbo bom, um paco de fumo de primeira e um canivete de qualidade. Me ajuda?”</p>
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		<title>dos homens</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Jun 2008 19:13:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
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		<description><![CDATA[publicado na Tribuna da Imprensa Diz Maria Bercovitch, querida amiga, em A mulher pós-moderna-erna-erna Os homens são um problema. Onde estão os caras inteligentes, interessantes e sinceros? Difícil o homem que não sai correndo, que não morre de medo dessa mulher que sabe o que quer. O machismo ainda existe. A cafajestagem, também. Algumas continuam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>publicado na <a href="http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/2008/agosto/07/bis.asp?bis=cronicas">Tribuna da Imprensa</a></em></p>
<p>Diz <a href="http://thesisdifficilis.blogspot.com/">Maria Bercovitch</a>, querida amiga, em <a href="http://thesisdifficilis.blogspot.com/2008/06/mulher-ps-moderna-erna-erna.html">A mulher pós-moderna-erna-erna</a></p>
<blockquote><p>Os homens são um problema. Onde estão os <a href="http://casadozander.com/">caras inteligentes, interessantes e sinceros</a>? Difícil o homem que não sai correndo, que não morre de medo dessa mulher que sabe o que quer. O machismo ainda existe. A cafajestagem, também. Algumas continuam aceitando. Outras choram, sofrem e seguem adiante solteiras.</p></blockquote>
<p>Minha querida, os homens são os mesmos desde a sua invenção. Tal e qual as moças (virginais ou não) eles são a soma dos símbolos que atribuem a si mesmos e que são emprestados dos outros.</p>
<p>Qual canalha não se derramou em lágrimas pelo aconchego de uma menina que lhe fazia um cafuné a troco apenas da sensação? Qual príncipe encantado não olhou para as curvas calipígeas de uma transeunte incauta?</p>
<p>O que importa, no fim das contas, é o sorriso que a vida te entrega diariamente no nascer do sol. Você o pega com o jornal, ou não.</p>
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		<title>Sexo, drogas e um livro legal</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jun 2008 04:11:15 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Outro dia recebi um email. Um convite, para ser mais preciso, por email. Eu receberia um livro em casa e escreveria sobre ele, falando mal ou bem do bicho. Não sei se eram as fiandeiras do destino querendo que eu lesse (e escrevesse) mais, mas coincidiu que eu estava lançando o meu outro blogue – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia recebi um email. Um convite, para ser mais preciso, por email. Eu receberia um livro em casa e escreveria sobre ele, falando mal ou bem do bicho. Não sei se eram as fiandeiras do destino querendo que eu lesse (e escrevesse) mais, mas coincidiu que eu estava lançando o meu outro blogue –  <a href="http://www.umlivroporsemana.com">um livro por semana</a>, igualmente sem fama ou visitação – e eu topei a empreitada na hora.</p>
<p><a href="http://www.sexodrogaserollingstones.com.br" target="_blank"><img title="capa do livro Sexo, Drogas e Rolling Stones do José Emilio Rondeau e Nelio Rodrigues" src="http://umlivroporsemana.com/wp-content/uploads/2008/06/capa-sexo-drogas-rolling-stones.jpg" alt="capa do livro Sexo, Drogas e Rolling Stones do José Emilio Rondeau e Nelio Rodrigues" /></a></p>
<p>Semanas se passaram, papos no MSN para um lado e outro, uma lista de livros medonhos – e de auto-ajuda – me assombrando, chega uma simpática caixa do correio. Dentro dela veio o livro <a href="http://www.sexodrogaserollingstones.com.br">Sexo, Drogas e Rolling Stones</a> do <a href="http://www.sexodrogaserollingstones.com.br">José Emilio Rondeau</a> e <a href="http://www.sexodrogaserollingstones.com.br">Nelio Rodrigues</a>. Confesso que nunca fui fã da banda apesar de gostar, obviamente, de cinco ou seis sucessos deles.</p>
<p>Todavia, tinha topado a empreitada e decidi ir até o fim. O livro tava ali e me faltava apenas a parte sofrida da história. Ler o livro.</p>
<p>Certo que seria sofrido – muito trabalho, namorada, crise pessoal, blogue offline, etc. e tal – adiei por uma semana a abertura da caixa e o início da coisa em si. Mas… mas…</p>
<p>O livro abriu-se para mim como uma flor de carne. Sedução imediata pelo texto do José Emilio – que eu admirava e acompanhava desde os idos da revista Bizz, nos anos 80 – e do Nelio, pelas fichas reveladoras de todos os (ex-)integrantes dos Stones desde a fundação, pelas fotos, pelas capas, pelo projeto gráfico. Só a vida, na sua ojeriza pelo prazer fácil e fluido, é que me impediu de ler o bicho de uma sentada só.</p>
<p>Acabei de fechar a última página com uma impressão ótima do bicho.</p>
<p>Primeiro pelo foco das vindas dos roqueiros em terra brasilis. Obviamente foi escrita para massagear o nosso ego coletivo de nação umbigüenta e de baixa auto-estima, mas feita com carinho, já que Nelio Rodrigues já escrevera outro livro com esse mesmo tema, e dá uma pausa gostosa entre os capítulos mais hard do livro.</p>
<p>Em segundo lugar, pela vontade de “quero mais” que deixou nesse não-fã da banda. Acho que vou comprar um ou dois discos dessa “revelação” do r&amp;b.  Obviamente o livro me lembra duas desventuras minhas com shows dos stones, mas isso é assunto para outro texto, outro tema.</p>
<p>Bom livro.</p>
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		<title>Na paulista…</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 03:45:10 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[publicado na Tribuna da Imprensa &#8230;costumava ser uma expressão usada na faculdade para o ato de passar a brenfa, marofa, canha, baseado, doizinho, pega, a maconha – enfim – com velocidade que, a priori, não deveria ser própria de quem está consumindo um entorpecente relaxador. Ou seja, o cara pega, puxa, traga, e passa sem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>publicado na <a href="http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/2008/junho/12/bis.asp?bis=cronicas">Tribuna da Imprensa</a></em><a href="http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/2008/junho/12/bis.asp?bis=cronicas"><br />
</a></p>
<p>&#8230;costumava ser uma expressão usada na faculdade para o ato de passar a brenfa, marofa, canha, baseado, doizinho, pega, a maconha – enfim – com velocidade que, a priori, não deveria ser própria de quem está consumindo um entorpecente relaxador. Ou seja, o cara pega, puxa, traga, e passa sem ter tempo de contemplar o ato, de curtir o momento, e só espera que a onda bata logo. Obviamente pegar a bagana, a vela, a maria-joana, o fumo, o cigarro e ficar contemplando o mundo enquanto ficava olhando a parada queimar lentamente para o nada era chamado de “na carioca”.</p>
<p>Hoje fico pensando se não existe algo mais nessa comparação que a falsa calma do carioca e da pressa inequívoca do paulistano.</p>
<p>Antes que me processem por apologia ao narcotráfico, aviso: nunca fui adepto do uso da <em>cannabis sativa</em> – jamais consegui dar mais que dois tapas e não desmaiar em seqüência – mas curtia ficar com o pessoal na vila dos diretórios acadêmicos da PUC-RJ, na chamada esquina da esquadrilha da fumaça, a quina formada pelas casinhas do povo de desenho industrial, de filosofia e geografia e era completada pela casa do CA de Direito que, diga-se de passagem, o único que tentava fazer algo que lembrava remotamente um movimento estudantil naquela época pós-caras pintadas, pós-reabertura política, pós-ideologias, pós-juventude.</p>
<p>Gostava porque a maioria ouvia o bom e velho <em>rock’n’roll</em> – apesar de um <em>reggae</em> ocasional me torturar a paciência – e todos gostavam de quadrinhos e de alguma literatura. Além disso era o <em>pit-stop</em> obrigatório no caminho do boteco. Esse sim, fornecedor do meu elemento de entorpecimento favorito.</p>
<p>Desculpem se tergiverso um bocado, mas é que me lembrei disso hoje ao andar na Avenida Paulista.</p>
<p>Chovia de um jeito que é cada vez mais raro em São Paulo – chuva fina, tempo frio, vento cortante – e eu ia da Consolação ao Paraíso. Da rua Augusta à rua Brigadeiro Luiz Antônio. Na calçada, a fauna de costume: casais gays na altura do Conjunto Nacional – e da Frei Caneca – jovens executivos entre a Freica e o Trianon, alguns rapazes perdidos no parque, estudantes nos botecos até a Joaquim Eugênio de Lima, mais jovens executivos que foram estudantes há pouco nos mesmos botecos com mesas e cadeiras em plena calçada, <em>hippies</em>/mendigos na altura daquela casa branca que estava abandonada e que fora um MacDonalds até um tempo atrás.</p>
<p>No passar da turba, uma cena insólita. Como sou muito míope, as imagens me vêem aos poucos, sendo construídas no meio da minha falta de foco. Primeiro, um engravatado carregando algo pesado. Depois, consegui ver o portador de terno completo e gravata com mais nitidez. Ele carregava um monitor velho de computador, daqueles de tubo, de umas quinze polegadas, com algum esforço, mas andava com energia e determinação. Mais uns cinco metros consegui ver a face. Barba por fazer, cabelos desgrenhados e loiros, olhar injetado de fúria e os braços de terno sem camisa.</p>
<p>Passou por mim como se não existisse chuva ou destino. Na paulista.</p>
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