Catarina caiu e quebrou o braço e engessou-o e ficou boa e teve o primeiro flerte na escola e o primeiro admirador e foi no primeiro show de roquenrou e teve os seus períodos e já não é mais a menina bonitinha, mas a moça que se engraça a cada dia mais.

Ela escolhe cadarços, posta no tuíter, fica de castigo, tira notas ruins, aprende a tocar violão e baixo e teclado, brinca com o irmão como uma “superior” e derrete-se em lágrimas e sonhos e hormônios adolescentes irracionais que irão lapidar da personalidade impertinente e irritante da moleca que nos abandona uma belíssima mulher.
Me pede livros, que os dela já “acabaram”. Pede os da moda, os legais, os que jamais lerá (os que eu escolhi), pede para ir ao cinema, para comprar uma revista, um gibi, um brinquedo e um doce. Pede um beijo e uma promessa de presente de fim de ano legal e que eu já tenho de bolar na cabeça. Talvez uma guitarra, talvez um cascudo se não passar de ano, talvez um Nintendo DS.
Conhece bandas que eu nunca ouvi ou ouvirei, conhece atores que nunca curti, programas de tevê que eu não tomo ciência, divide tudo comigo e eu simplesmente – e atavicamente – ignoro. Teimo ainda que tenho mais a ensinar que aprender e ainda não chegou o momento em que me convenço que estou enganado.
Enganado. Nunca errado.
Ficou comigo um fim de semana porque a bisa tava doente, a avó ficou com a bisa e mãe tinha viajado. Teve cafuné, papo, macarrão colorido, doce, filme, beliscão, implicância e a sensação que estou perdendo um tempo precioso com coisas que não me dão o alento devido como trabalho, noites, farras e jogos de computador.
Dessa maneira torta, toco a vida sabendo que a pessoa – o protótipo de gente – que é o ser vivo mais importante na minha história, cria-a sem a minha presença, sem a minha influência diária, sem a minha sombra a fazer-se temer, honrar ou amar.
E cria-se bem.
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Zander Meu querido, sua Catarina é mais vélha que Joana e Isabel, se bem lebro, mas esta sensação de impotência diante dos fatos que nos são apresentados acontece até com aqueles que estão próximos. As novidades nem sempre nos interessam, mas acho que são reflexos universais da paternidade. As vezes tenho a clara impressão de que eles se criam sozinhos e que nossa participação é mera figuração, as vezes não, acho que é imprescindível, será? Mas como diria um amigo, que não atrapalha já ajuda!
forte abraço,
Lu
Fato. Tento atrapalhar o mínimo e dar o meu exemplo como o máximo. E, como disse bem uma amiga, ser o melhor Zander possível é tudo que posso fazer.
abração!
é isto. aí.
Pois é… as minhas têm 8 e cinco, moram comigo e, mesmo assim, sinto o mesmo todos os dias. É a sina dos pais
Espero que seja assim por aqui também…