Uma prova de amor? De onde eu vim, amor não precisa ser provado. Não no sentido jurídico-científico da coisa. Amor é química – cientificamente falando -, é poesia, é vivência, é fé. Amor é apego pelo que se não gosta. Definitivamente, amor é apelo pelo que desgosta.
Vejam os fiéis, esse rebanho de almas. Ninguém gosta de se desfazer de seu dinheiro (10%, correto?) ou de se submeter às regras caducas de loucos de eras passadas. Mas, surpresa surpresa, milhões, bilhões testemunham mesmo sob a espada a sua fé em algo improvável. Esse amor não precisa de provas. Apenas é.
E notemos os adolescentes – mesmo os de quarenta anos – que testemunham sua fé irracional (existe outro tipo?) ante uma marca, uma banda, um projeto de vida, um time de futebol (basquete, basebol, whatever) e até mesmo um para o outro, sua turma, sua gangue, matando e morrendo para isso. Nenhum desses está disposto a morrer por outro motivo, mas quantos não se atiram ante comportamentos destrutivos por conta dessa coisa esquisita, inquietante e irregular chamada amor?
Mas saí da linha original. Acabei defendendo que, quando se ama de fato, esquece-se de si mesmo a ponto de querer fazer parte o uno amado. É se misturar numa torcida, se cobrir de uma logomarca, berrar num show ou embolar-se com o alheio desejado (ou odiado).
A intenção era demonstrar que esse amor puro, isento, é a moldura do erro do outro. Que o erro, o desvio e o desleixo do amado é que sustenta e realça o querer.
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