March 21, 2006 4

Dias de Sol

By in textos, tribuna

publicado na Tribuna da Imprensa

Foi num domingo que ela tomou a iniciativa de procurá-lo.

Antes disso, tinham se esbarrado nas esquinas dos nós de pessoas que a faz. Havia visto uma foto dele ali, um comentário espirituoso acolá. Notou os traços espertos mas não lhe causou espécie. Nunca fora muito fotogênico, o rapaz. Apesar disso algo ficara. Talvez a estranha mania do menino citar H.P.Lovecraft nos tópicos mais impróprios ou a sua fixação em Manhattan, do Woody Allen. Talvez por ele gostar de bandas esquisitas que não emplacaram sucessos ainda na época dos compactos simples ou a estranha mania de defender tanto o argumento dos midichlorians na trilogia de . De qualquer forma, ficou rodando lá na sua memória secundária.

Já ela era alvo de fotologgers e cross postings de toda a nação noturna da menor metrópole do mundo, o . Era admirada tanto pela inteligência quanto pelo descolamento social. Orbitava por diversas estrelas do mundo undergroud. Todas as quatro. Escrevia como poucos, com um português castiço e com um texto amarradinho. Sabia falar português, , alemão e arranhava um italiano (ou um francês, dependia da noitada). Ainda por cima era bonita. Sabia que não era dona de uma beleza normal, era tida como uma beleza discreta. Mas, ora bolas, como algo que é belo pode ser discreto? Essa é a contradição de termos que mais passa desapercebida pelos falantes. Assim como inteligência militar e trocadilho engraçado. Ou algo assim.

Tava voltando de madrugada para a sua cova de hibernação diurna quando cruza com a criatura atravessando a de Copacabana. Foram dois choques de uma vez só. O primeiro ao se dar conta que, para ir para , tinha de ficar ali na esperando a Van que iria pro Méier ao invés de pegá-la na Barata Ribeiro, que fazia mais sentido. O segundo é que o danado era, digamos assim, mais bonito ao vivo que no mundo digital. Na verdade ele não era bonito não, mas era feito de carne osso e desajeito e isso dava-lhe constância, coisa rara nessas webpersonalities.

Algo naquele momento lhe disse que precisava provar o rapaz. Afinal de contas, estamos aí é para isso mesmo. O mundo nos dá prazeres de formas e tessituras diferentes. Por que não experimentar o protótipo de Gerald Thomas que cruzava a rua cabisbaixo e taciturno?

Chegou em casa, abriu o micro e catou os contatos em comum. Adicionou-o no Messenê e dali a seis meses estavam dividindo as contas do apê na Almirante Gonçalves.


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4 Responses to “Dias de Sol”

  1. Mayra L. C. says:

    é, ué…pq ñ?

    ^^ adorei
    abraço, :]

  2. mark says:

    Clap, clap, clap!
    Bom o detalhe Caetanesco no Messenê. ;D

    Abs

  3. Sheila Zander says:

    Ola, estava procurando sobre Zander e encontrei esta pagina, achei teus textos ótimos…
    Tu és Zander ou????
    Abçs

  4. aline oliveira says:

    amei eu adorei como é mesmo????? ñ entereça mais eu queria que vc fisese
    um de professor poema entedeu hehehehe

    bjão fuii

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