Sou um possuidor de um coração vagabundo. Desses desclassificados mesmo. Nunca tive medo de me atirar ao chão e pedir carinho, fingir de morto, virar a barriga para cima, olhar com orelhas caídas e olhos grandes para quem queria/fingia me dar afeto. Certa feita, menina me subornou com um beijo se fizesse eu uma cena em plena Praça Saens Peña. Não fiz a cena por vergonha – esse sentimento estúpido e inútil, especialmente a vergonha alheia – e fiquei sem. Acho que ali tracei uma linha no chão e me recusei a cruzar.
Obviamente, com a idade, as vergonhas tendem a deixar de travar a mão. Mas essas trocam de nome e passam a se chamar de “conveniência”. Pois, como se diz no mundo da moda, tudo pode, mas nem tudo convém.
Estava no chope, conversando com amigos e conhecidos (mais desses que daqueles) e, ao voltar para casa, lembrei de pessoas com quem eu queria dividir a noite, seja no papo moleque, na conversa de várzea, no papo-furado arte, ou no aconchego de lençóis da minha cama king size. Tudo armadilha da necessidade de autopsiar a minha própria melancolia. Resultado: muito chope e uma enxaqueca pela manhã.
Passam-se os dias, as inspirações para escrever, as tarefas burocráticas d’A firma, as oportunidades de ficar milionário, os 2,4km que caminho de volta para casa quase que diariamente e eu, preso em uma nostalgia das coisas que deixei de fazer.
Nem São Paulo, com seus céus azuis e seus poentes impossíveis me comovem mais.
Aí, a amiga Mariana Blanc posta no seu perfil do Orkut: “Do que são feitas as estrelas? saudade.” Se for verdade, minha estrela brilha forte, cada vez mais forte.
Tags: amar, amigos, blog, casa, céu, das coisas, dia, enxaqueca, medo, nostalgia, oração, são paulo, saudade, saudades
Clap Clap
Zander, namorando você é um ótimo amigo, mas como cronista, sei não. Cadê o seu humor negro tão peculiar, véi rabugento? (rs)
Brincadeira, o texto tá lindinho demais. Incrivelmente só senti falta do momento Hardy Ha Ha.
Beijoca, (e viva a Vera!)
Zander, saudade também pode ser boa, mas só quando ela não tem gosto de ‘não-pode-ser’. Fomos o melhor que pudemos… e somos agora o melhor que conseguimos. Seize the day, my friend!
cadê?
Lindo, lindo, lindo. Você escreve lindamente.
Você foi a primeira pessoa que eu admirei na vida, com 11 anos de idade. Tanto pelo dragão enorme desenhado nas paredes do Grêmio do colégio quanto pela sua inteligência, paciência com os mais jovens (11 anos, meu querido, uma idade onde somos todos insuportáveis e você me respondia às perguntas tão curiosas) e humor. Fico feliz ao cubo em ver que você é ainda tão admirável quanto eu me recordo =o)
Eu já tive um coração vagabundo. Infelizmente, o dito hoje é meio que pedra por fora, com um local remotamente morno bem no seu centro. E acho que as estrelas nossas brilham sempre, cada vez mais, conforme a vagabundagem do coração se afasta.
Beijo.
Taí, menina, nunca me vi como paciente. Obrigado. Mesmo.
Po, sua paciência comigo é recordável, então imagina. E olha que lá vão uns bons anos. Tá, não vou dizer quantos, não vou nos entregar =o)
Beijo!