December 19, 2008 3

E eis que 2009 se anuncia (ou Sobre a arte de pender sobre o abismo)

By in textos

Mais um ano termina e a sensação é – de novo – um milk-shake de alívio com sensação de tempo perdido. Nesse ano que passou a vida me trouxe algumas surpresas. A maioria realmente muito boa, o restante ainda está sob análise da distância emocional que só o tempo dá. 

Vocês já conhecem a velha história, né? O que deu errado abre as portas para uma felicidade mais ampla, plena e absoluta (para ambas as partes); o emprego que te dispensou gerou uma reinvenção da maneira que você se colocava perante o mundo; os que te humilharam no te fizeram escolher e entender melhor a humanidade. 

Tudo isso só se dá com o passar do tempo.

Viver do passado é a essência da condição humana, racional. É através desse arremesso para o ontem que conseguimos ter certeza que haverá um amanhã. É paradoxal que só consigamos projetar o futuro através do seu oposto mas é assim que o homem funciona. É assim que gosto de ser.

Num papo de almoço dessa , falávamos sobre a vida e a morte e o que acontece nesse ínterim. Independente da fé e religião de cada um, a única coisa que me parece certa é que estamos sempre pendendo sobre um enorme abismo que nos devora -a-, comendo com fastio a essência criativa, a fagulha primeira, mas que é o responsável por nessa geração. É um Urano de e gerador de monstros bípedes pensantes. Um senhor das chances que deu as condições para nos trazer até aqui apesar da improbabilidade da simples existência – da criação do universo até a chance de nossos pais se encontrarem, tudo é muito raro, único, uma loteria química altamente improvável – e apesar dessa cósmica, estamos aqui desafiando as certezas e as firmezas do mundo.

Andamos numa corda-bamba de probabilidades entre o caos completo e o oblívio, entre a inércia e a explosão térmica. E nesse fio de existência criamos, construímos, vivemos, nomeamos, destruímos, esquecemos, amamos, desamamos, geramos, exterminamos, nascemos e morremos e crescemos como nossos pais e avós. Cada um de uma maneira única. Pessoal.

Somos improváveis, paradoxais, imprevisíveis, certos e inexoráveis.

Pois o que espero de 2009, é que ele seja mais humano que nunca, que seja paradoxal, improvável, imprevisível (apesar de certo e inexorável) e que me coloque cada vez mais balançando sobre o abismo que é a existência.


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3 Responses to “E eis que 2009 se anuncia (ou Sobre a arte de pender sobre o abismo)”

  1. [...] a chance de nossos pais se encontrarem, tudo é muito raro, único, … Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: [...]

  2. [...] todo ano exprimo um desejo diferente. Já quis que o ano fosse mais humano que nunca, que tivesse 366 dias, que nada acontecesse, que eu mudasse por dentro e que eu me tornasse uma [...]

  3. [...] que tivesse 366 dias, que nada acontecesse, que eu mudasse por dentro, que eu me tornasse uma pessoa melhor ou simplesmente que ele [...]

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