Escrevi hoje cedo que é difícil “levantar é difícil não pelo esforço das pernas, que essas já estão acostumadas ao esforço de carregar o corpo, mas pela vergonha da queda”. Especialmente quando essa dor vem da maior humilhação, daquela que é perpretada diariamente por nós e não nos damos conta até o momento em que deixamos de ser sujeito e passamos a ser o objeto direto.
Tenho amigas que não sabem quando parar de doer uma ferida. Principalmente aquelas que já passaram do prazo. Ser preterido é uma merda, fato. Mas quantas e quantas vezes não fizemos isso com quem passou por nós? pelo carinha que era legal, beijava bem mas era meio mala, meio gosmento. Pelo gordinho que até tinha pegada, mas era flamenguista (ou corinthiano, ou cruzeirense) e ela tinha meio vergonha de ficar com ele na frente dos amigos.
Foda adiada, meu amor, é foda perdida, como diriam os amigos do bas-fond. Aquele amor passado é amor perdido, não tem mais volta. Não com a mesma cara, não com o mesmo fulgor. E quando o rapaz não te quer mais, não adianta ficar cutucando a chaga com cigarro aceso. Não adianta ficar remoendo os momentos ruins, as palavras meio ditas, o “o-que-fiz-de-errado” vivido. É passado já, beibi. Já era.
O lance é chorar a dor do amor verdadeiro, chorar a morte do que foi bom e nunca mais será. Daí é colocar a melhor roupa, chamar as amigas mais periguetes, cair na noite e deixar a vida acontecer.
Olha só, você não me conhece, eu poderia soltar a frase clássica “esse texto foi feito pra mim!”. Mas no entanto não posso falar isso, pois esse texto pertence a muuuitas, inúmeras, incontáveis mulheres. Cada vez que leio um texto assim, me identifico com as palavras, me questiono, por que os homens conseguem virar a página melhor que as mulheres?Ou será que eles viram da mesma forma, mas não demonstram como as mulheres?Hummm…Eita…
Adorei o “cair na noite e deixar a vida acontecer”..Ta anotado!
Belo texto.E de fato é um texto totalmente mulher!!!
Um forte abraço!
Exato! Lágrimas só ao que foi de fato amor, do que foi de ato consumado e a nós consumiu. O resto, que se perca em copos esvaziados e vestidos rodados.
Nunca mais vou adiar uma foda.