As estrelas brilham na minha terra. Na terra em que sou eu, elas deixaram de beijar o céu. É a cidade quem ilumina a noite como se fosse simulacro do sol.
Na minha terra, na terra em que nasci, as estrelas estão lá. Por enquanto.
Não tenho medo (acho) do fim das coisas. Claro que há a agonia que precede o risco, mas aceito racionalmente que tudo tem o seu fim.
Quando a luz da terra que me acolhe tira as estrelas de mim, aceito sem traumas que estamos fadados à noite clara, à noite sem deuses imperiais sobre nossas cabeças, ao fim do deslumbre ante o pseudo-eterno, o ilusoriamente imutável.
Mas sinto que o vazio que consome meus sonhos clama por um breu impossível, um fim para a loucura do dia, a paz derradeira de espírito.
