Dos meus 15 aos 18 anos eu usava cabelos compridos, caídos na cara, clone de Robert Smith ou algo assim; preto na roupa sem marcas, nomes ou dizeres; era barrado repetidamente no Crepúsculo de Cubatão e na Ilha dos Mortos, mas pogava no Caverna e no Circo Voador; programava em casa num TK85, depois num MSX e, no trabalho, num Cobra 350, depois num Medidata 2001; ouvia discos de bandas importadas esquisitas, compradas em sebos, como INXS, Cocteau Twins, Depeche Mode, Sisters of Mercy, Jesus & Mary Chain, Joy Division, e de umas bandas importadas conhecidas: The Cure, Siouxsie and The Banshees, New Order, Led Zeppelin, Scorpions, Sex Pistols, PIL e muitas outras mais.
Do Brasil muito e pouco. Basicamente rock e, convenhamos, tinha muita coisa ruim na época e, sinceramente, não dava a menor bola para isso. Perdia horas desenvolvendo teorias da evolução do estilo pop-teatro da Blitz nos três discos, da raiz hardcore dos Titãs no segundo disco — Massacre ainda é uma das músicas mais fortes do rock nacional — e gastava boa parte da minha semana limpando os vinis e ouvindo com deleite todas os meus discos, um a um, em ordem alfabética. Um método e disciplina que apliquei para muito pouco na minha vida inteira. Não havia o RPG ou — imagine! — o sexo.
Antes do visual gótico (dizia-se “dark” na época) eu era um proto-maurício. Camisas para dentro das calças, cintos, gravatas de croché, mocassins, camisas sociais (nunca camisetas) de manga comprida, calças semi-baggy ou de linho. Não adiantava. Nunca peguei alguém assim.
Bom, “navegando” nas rádios interessantes da época, Fluminense FM, MEC FM, JB FM e, a grande injustiçada de todas, a Estácio FM, eu corria atrás de programas que me mostrassem bandas novas, sons diferentes, algo que eu não escutasse todos os dias na rua ou na loja de discos na frente do meu prédio. E nessas rádios fui apresentado a Hojerizah, Picassos Falsos, Legião (pois é…), Finis Africae, Escola de Escândalo, Arte no Escuro, Nau, Violeta de Outono, Muzak, Ethiopia, e MUITOS outros mais.
Mas, eis que esperando a transmissão de um show do Ira!, eu escuto uma música, uma tal de Ladeira da Memória, do Grupo Rumo. E tudo fez sentido. Quiz-me paulista, adulto, bonito, in.
Cresci, odiei Sampa, quando lá estive e, se não fiquei bonito, parei de asssutar as crianças na rua. Então alguém me explique o porquê das lágrimas me virem à tona quando escuto essa canção?
Tags: aleatórios, casa, Depeche Mode, dia, escola, grupo rumo, Hojerizah, hora, paulista, pop, rock, RPG, sampa, segundo, semana, sexo, teatro, tk85, trabalho
afff, apagou meu comment…
Bom resumindo a última linha: os 80 foram uma grande transição… só ninguém sabe para o quê.
Quem apagou o seu comentário?? eita..