Hoje eu não queria amanhecer.
Deixar o fresco sabor da noite ficar em mim,
entre lençóis finos e frios.
O peso dos olhos ficar eterno, fechando-se e vedando-me do sol da manhã.
Queria fazer uma elegia à preguiça, à vontade do nada fazer,
à languidão do acordar, o eterno acordar.
Mas já é meio-dia e não amanheço.
Carrego o fardo do desperto e anseio o ócio, a inconsciência, o oblívio,
a pequena morte diária. Quero apenas descansar.
Cai a noite, meu corpo não.
Velo, resoluto, meu próprio defunto que anda, percorre bares, boates,
pessoas, conversas e, no âmgo, quer apenas o descanso.
E eis que o sol nasce, minha insônia persevera e meus olhos nao cerram.
Tal e qual alma desmorta não acho o caminho para o meu corpo e ainda me encontro perdido.
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