April 9, 2009 2

Lembranças ao cair da tarde

By in textos

Uma amiga me disse que nunca viu o pai dela dizer-lhe “eu te amo”. Nunca ouvi do meu. Tampouco lembro de minha mãe, , tios, primas dizer, dizerem.

Eu, sempre. Até futilmente. Até para quem não mereceu.

Eu lembro de ver minha mãe pintando as unhas na sala e chorando um frustrado. Lembro de minha avó desesperada pelo neto que casava novo, assim como fora o filho desamado. Lembro de coisas que me doem no core, mas não consigo me lembrar dos sorrisos, das piadas, das , das pequenas felicidades do . Não lembro desses dias, dessas efemérides, mas lembro que éramos todos felizes na nossa miséria classe média diária. O riso existia, tenho certeza inabalável disso.

Não queria outra infância. É o que me fez o que sou.


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2 Responses to “Lembranças ao cair da tarde”

  1. Miss Dee says:

    Ah, a classe média que ainda persiste. E que me incomoda. Também fez-me quem sou, mas agora já me sinto tão saturada. É tudo tão raso. E eu preciso desbravar um mar imenso por aí.

    Tô sempre de novo nessa casa. ;)
    Abraços! =D

  2. Cacau says:

    Adorei seu blog, adorei seu texto. O mais importante não é lembrar dos detalhes, mas é você ter certeza de que “o riso existia”. Muito lindo.

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