Uma amiga tem tal horror à mediocridade que me espanto. Ela diz que tenta se desamarrar desse fardo que a sociedade (a família, o sistema de ensino, a tevê ou o estado, dependendo apenas de seu humor, de seu mau humor) lhe impõe e que ela se esforça sobremaneira em sair do common ground em que cai.
Eu já disse à moça que o gênio é raro, daí ser reconhecido e lembrado por todos.
Se o gênio fosse a regra, seria ele o medíocre. Que medíocre é a média. Que se os standards são altos, mais difícil é sobressair. Que quando há volume – e como há volume hoje, parece que vivemos numa era de espanto e estrondo e fúria – o sussurro é ignorado. Que os brasileiros são, antes de tudo, um povo violento, brutal e brutalizado (a invenção do brasileiro cordial é uma coisa recente e falaciosa).
Mas a moça não se convence. Fazer o quê? Vou ali trabalhar o meu dia-a-dia, cuidar para que o meu mundo medíocre, lascivo e normalíssimo tenha as medianas 24 horas, que sirva para me dar as regulares três refeições diárias e as oito – tão poucas – horas de sono e, por fim, que as leis e regras se apliquem a todos de uma forma igual.
Queria tanto que a moça visse que o medíocre é bom, afinal.