Posso ser um ranzinza, um reclamão, mas assim o sou porque vejo as nesgas de luz na realidade. Por isso, sei que não é apenas trevas em torno dos nossos dias, das nossas almas, da nossa vida.
Brilhamos mais que o sol!
Tenho a certeza absoluta que tudo pode melhorar. Se o chão está sujo, tem de ser limpo e não ser contemplado como fato inexorável da natureza humano. Se nascem crianças, não as vejo como bocas a serem alimentadas, mas como fruto do amor (mesmo que momentâneo), e, se existe amor, pode existir responsabilidade.
Sei que a minha argumentação positiva é inferior à minha rabugice, à minha iconoclastia, mas existem dias em que eu olho a Urca da janela do meu trabalho e não consigo achar o mundo triste.
Lu, para que pessoas cheguem, algumas têm de partir. Essa é uma faceta da roda de Samsara, o ciclo da vida e morte.
Penso no amigo que parte,
para além, do além.
Não o toco mais, não o vejo, não o cheiro.
Somente está vivo na terra dos meus mortos, na minha memória.
Mas, do corpo que fica, fica a potência. A possibilidade de nova vida.
Dos vermes que se alimentam da carne putrefata,
dos vegetais que se alimentam da merda dos vermes,
da flor que floresce na morte.
Há beleza na morte. Mas nunca na morte prévia.
Não existe maior dor que enterrar um filho seu.
Pronto. Consegui trazer meu manto preto novamente para o dia.