Não me lembro do meu primeiro livro. Nem do primeiro gibi. Lembro-me, porém, da cartilha da escola – O Mundo de Talita – e dos coelhos A, E, I, O e U. Lembro dos cadernos e da menina Egle – Egle? era isso mesmo? – que era loira dos olhos azuis. Lembro do Marça, o japonês de brigar e cair no lago da escola e de ficar na biblioteca municipal do Méier, ali na Rua Engenheiro Julião Castelo.
Lembro do Meu Pé de Laranja Lima, do José Mauro de Vasconcelos. Lembro de ser novela e filme antes de ser livro. Lembro de um tempo de Cantiflas, de Trapalhões e Mazaropi no cinema. Lembro de ser barrado no cinema ao tentar assistir o King Kong. A versão dos anos 1970 e não a dos 1930, que esteja bem claro.
Lembro de ficar cercado por revistas Kripta, Mickey, Pato Donald, Recruta Zero e Gibi. E do Mundo Animal. E de Fatos e Fotos – O Homem na Lua. E Animais pré-históricos. E dos álbuns de figurinhas Ciência, Animais pré-históricos, Mundo animal e Galeria Disney. E da figurinha do Mancha Negra, que nunca tive.
Lembro de vila com amendoeiras e sombra farta e calor idem. Lembro de pipas que iam ficando mais e mais desfocadas à medida que eu envelhecia. Lembro de balões, de festa junina na rua, de jogar marimba, pião, bola de gude e futebol e de ser ruim em tudo isso junto. Lembro de brincar com amigos imaginários que moravam dentro da engrenagem do ventilador de chão. De lutas eternas entre os playmobil, de super-heróis e de um sorriso farto que se misturava com os meus cabelos muitos à época.
Sinto falta do tempo que tinha para perder, do meu flanar sem responsabilidade, do cochilo quando ficava quente e da sensação que teria muito, mas muito tempo pela frente.
post-resposta a meme enviado por Lucia Freitas, do Ladybug Brasil. Quem for de bom core, de saudades quentes e verdes, que nos siga!
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oxe, homem rápido! mandou muito bem dom Z. Eu também sinto falta de ter tempo pra perder, de flanar sem responsabilidade e não ter deadline… afffff
amei. obrigada, querido.
bj
Acho que tenho boa parte das mesmas memórias. Mas vi o King Kong original muito antes do que aquele com Jessica Lange, na TV Tupi, numa tarde qualquer de 1977. Vi um de Mazzaropi no cinema, muitos dos Trapalhões. E ainda peguei as reprises Disney, como CInderela e A Bela Adormecida.
Também lembro dos álbuns Galeria Disney e Mundo Animal (este, se não me engano, o primeiro que comprei). Mas lembro também do Profissões Disney e um inesquecível, em que as figurinhas eram redondas, de metal. E do Bingola Disney. E o álbum do King Kong.
Tinha as Fatos & Fotos e a Manchete, e a revista Visão que meu pai lia, mas eu lembro mais de amigas de minhas tias lendo Grande Hotel, Sétimo Céu e acho que Capricho, porque elas vinham com fotonovelas italianas.
E as lembranças da TV, muitas para que eu possa lembrar de todas elas, e eu confundo a Globo com a Tupi, mas lembro bem da estreia do Sítio do Picapau Amarelo.
Eu não lia Kripta, mas Mickey, Pato Donald, Zé Carioca, Almanaque Disney e Disney Especial faziam parte do meu cotidiano – assim como eventualmente revistas Tex, Fantasma, Histórias do Faroeste. Gibi para mim é uma revista do início dos anos 80, sobre um pretinho com uma vida sofrida. Mas nos anos 70 a gente tinha as revistas da Ebal, e isso incluía Batman e Superman, e Zorro, e as revistas do Homem-Aranha da Bloch.
Você teve uma Caloi; eu tive uma Monareta.
Mas o pior de tudo é olhar pras sandálias ridículas que você está usando na foto, e lembrar que eu também as usei, geralmente brancas, às vezes marrons, e o que eu queria mesmo era usar Kichute.