Você me falou de Once um tempo atrás e enrolei até hoje. Eu entrei num ônibus que saiu com os costumeiros dez minutos de atraso e já era sábado, meu hoje é um caminho entre duas cidades, você sabe bem disso, já viveu isso um pouco entre idas e vindas, e eu ainda carrego um sabor amargo de umas conversas amigas que revelam partes de mim que não gosto de olhar e de saber que existem.
Você me contou que assistiu Once tempos atrás, uma cidade e meia atrás, e eu enrolei até hoje para assistir. Cada coisa tem o seu momento, seu talento, seu sentimento.
Eu sou uma pessoa de promessas adiadas. Já disse isso antes e não canso de repetir a quem não quer ouvir: sou uma pessoa de promessas adiadas. Tenho medo do fim, de subir a escada até o último degrau e olhar o mundo do alto da escada, do último degrau da escada. A escada que eu recuso a subir.
Você me falou de Once, me falou da Billy Holiday, me falou de amores irrealizáveis e eu procrastinei tudo isso. Arranco os pelos da minha barba como punição, sabe? Quando alguém me chama na sala, acho que é para ser punido por algo que deixei de fazer. Tenho medo de broncas, de pessoas bravas, de quem parece ser mais forte do que eu e, acima de tudo, da vida. Tenho medo da vida.
Nunca gostei de ir ou voltar. E, definitivamente, odeio fins.
Você me falou de Once, o filme, uma vida atrás. Hoje, assisti, contive os soluços no ônibus e pedi ajuda uma derradeira vez.
Tags: amar, amor, amores, cidade, dia, filme, medo, minuto, no ônibus, sol
Teu texto está ótimo, assim como o filme: despretensioso mas acaba te deixando com a garganta travada…bjs
Ai, Zander….. entendo tanto, mas tanto, o que você está falando. Não sei nem como explicar. Nem precisa, acho…