Sábado assisti a Whatever Works do Woody Allen. Novamente, um filme excelente. Novamente me identifiquei com o protagonista. Novamente vi que faço tudo errado. De novo.
Mas queria falar de algo que notei no filme: a “mensagem” que me fica é a óbvia dica para aproveitar todo o alento que o mundo nos dá. A vida é curta, vil e torpe e não dá a menor bola para nós, tolos, que acreditamos que há um sentido maior no mundo. Nem que seja 42.
E enquanto flanamos buscando sentido e rumo para as coisas, nos contentamos com o pouco de afago das poucas coisas que carregamos conosco. Passamos a ser carentes desse afeto que só outros companheiros, viajantes por esse nada irrelevante que chamamos de história, podem nos dar.
Acontece que algumas pessoas interpretam os gestos de carinho como uma violência, uma agressão. E não estão erradas.
O gesto de carinho nada mais é que a tentativa (bem-sucedida ou não) de invadir o sacrossanto espaço alheio, de agredir o próximo com a sua débil, ridícula e patética cena de querer bem. Um hostile takeover da atenção, desejo e afeto nem sempre merecidos. É, sobretudo, o primeiro e ultimo grasnar dos carentes.
Isto posto, o carinho, o gesto de súplica de atenção e afeto, é a mais comovente peça de amor. Nenhum Romeu e Julieta se compara às mãos que se desencontram na mesa, ao beijo não finalizado, à carta de amor ridicularizada, espanada e divulgada a seus algozes. Nenhum romance jamais descreveu a dor que o animal sente ao ver cada gesto de amor indelével cair no oblívio inexorável do desprezo de quem se quer bem.
E aos poucos percebo que estou virando um velho patético, débil, emotivo e ridículo.
tapanacara.
adoro