publicado na Tribuna da Imprensa
Diz-se que o corpo do homem é um templo. Mineiramente, nunca discordei nem concordei, muito pelo contrário. O que me irrita nesse lugar-comum inocente é a quantidade de baboseiras que se acrescenta, como se fosse glacê de segunda num bolo de festa de massa sincera, competente e bem razoável. Pior, minha senhora e meu senhor, pior! Usam isso para deixá-lo imaculado, virginal e intocável.
Ora vejam só! O que seria de um templo se a comunidade não o penetrasse para realizar os seus cultos? O que seria do Pantheon se os romanos antigos não celebrassem sua civilização em seu centro, sob a maior abóbada do mundo antigo? O que seria das cidades pequeninas se não cuidassem de suas capelas, de suas pequenas igrejas? Ouro Preto, Sabará, Diamantina são famosas pelas pequenas igrejas tão magnificamente decoradas, pintadas e adornadas.
Daí, cometo mais um desses textos bobos sobre o corpo e as igrejas: afirmo que creio piamente no corpo como templo e creio que toda forma de cultuá-lo é válida, divina e vou além! Creio piamente na Igreja Hedonista, nessa que diz que toda forma de prazer é válida e deve ser o objetivo fim da humanidade. E mais! Ouso afirmar que a maior oração é ser consciente, crítico e racional!
Aparentemente pode ter uma contradição de termos aí, mas explico: apenas mantendo-se são e racional, podemos nos deixar guiar pelos nossos instintos numa relação que não difere muito da de um cego e o seu cão. Então essa oração, essa racionalidade santa, esta consciência transcendental carnal pode se tornar a mais bela de todos os tempos.
Falo isso para provocar, obviamente. Não me interesso pelas igrejas e fés – exceto pelos elementos metafóricos e arquetípicos que brotam de ambas – mas seria interessante ver pastores da carne, freis do ócio, abades do deleite a pregarem as delícias que é estar vivo, consciente e são.
Continuando o exercício, precisaríamos de novas disciplinas para cultuar esse novo deus-homem, que prometeria o alívio após as infinitas jornadas de trabalho, que nos ofertaria o descanso merecido nos fins de semana, ou as férias justas e remuneradas a cada ano – como eu preciso de um deus assim! – ou dos salários justos a cada mês, dos juros justos e dos amores que fizermos por merecer. Quão interessante seria essa igreja da carne.
Diz-se que o corpo de um homem é um templo a ser louvado. Já o meu corpo, tenho certeza, não é um templo, tampouco um local, mas um rosário de carne que é desfiado a cada minuto. As contas desse rosário são as histórias que carrego, as lembranças que me assombram e os rostos que entreguei ao oblívio. O peso deles é a minha cruz diária que tento amenizar com os pequenos contos que escrevo, com os sonhos que macero nas manhãs remelentas ou nas madrugadas insones. Gosto de imaginar que cada conta desse rosário de carne – ou melhor: de sua terça parte – é feita de partes de mim. Esse terço é feito de veias, artérias, sangue e coração que hoje estão frios e gelados.
Meu corpo é um rosário. E eu não rezo suas contas.
Tags: aleatórios, amor, amores, cidade, contos, dia, hora, mês, minuto, oração, semana, sonhos, trabalho, tribuna da imprensa
Adoro seus posts…
Me deliciei com esse trecho: “mas seria interessante ver pastores da carne, freis do ócio, abades do deleite a pregarem as delícias que é estar vivo, consciente e são.”
Só tenho uma ressalva… o Parthenon era grego e não romano… Ele foi construido, se não me engano, pra deusa Atena!
Um grande beijinho no coração!
Oi Gabi,
O já acertei. Era o Pantheon, que tem o maior domo da era antiga.
Beijos saudosos de ti.
nem precisa de comentário baba-ovo, você sabe bem do seu potencial. intrigante esse.
Muito bem assim que eu gosto!!
Heheheh!
Beijoquinhas!
TENHO PENA DE PESSOAS COMO VC, SE ACHAM ESPERTAS E TEM IRA POR TUDO QUE É RETO, NÃO TEM ARGUMENTO A NÃO SER VOMITAR UM MONTE DE IDIOTICES.
NÃO SABE NEM ONDE FICA O MONUMENTO E QUER SABER SOBRE ALGO QUE NAO EM IDEIA.
TENTA PELO MENOS SER INTELIGENTE EM SEUS ARGUMENTOS.
SEU IDIOTA