Hormones

Que tenhamos um bom dia

April 16th, 2009

Acordar é sempre uma aventura. Nunca se sabe o que o dia reserva para ti. Em alguns, os augúrios são auspiciosos: acordar meia hora antes do despertador (ou computador, ou celular, ou a obra do vizinho) tocar; descobrir-se atrasado, mas verificar que teu chefe chegou bem depois de ti; ir almoçar com uma pessoa querida que veio te dar uma notícia ruim, mas dar tempo para caminhar sob o céu azul e o sol outonal em São Paulo; receber uma ligação com um sotaque impossível e ver que terá de procurar seu passaporte em breve, muito breve; confirmar que o imposto de renda será mais amigo esse ano e há uma chance de ter uma devolução mais gordinha, ainda que injusta.

Em outros, o sorriso do teu colega pode vir torto; aquelas pessoas que te prometiam uma companhia dizem que não poderão papear; os emails vêm lacônicos e com montes de pepinos nos silêncios que eles deixam a entender; a festa que você contava em ir perde a graça.

E você descobre que alguém que te ama muito está triste porque você não dá a devida a atenção.

E não é a primeira vez.

Lembranças ao cair da tarde

April 9th, 2009

Uma amiga me disse que nunca viu o pai dela dizer-lhe “eu te amo”. Nunca ouvi do meu. Tampouco lembro de minha mãe, avó, tios, primas dizer, dizerem.

Eu, sempre. Até futilmente. Até para quem não mereceu.

Eu lembro de ver minha mãe pintando as unhas na sala e chorando um amor frustrado. Lembro de minha avó desesperada pelo neto que casava novo, assim como fora o filho desamado. Lembro de coisas que me doem no core, mas não consigo me lembrar dos sorrisos, das piadas, das brincadeiras, das pequenas felicidades do dia. Não lembro desses dias, dessas efemérides, mas lembro que éramos todos felizes na nossa miséria classe média diária. O riso existia, tenho certeza inabalável disso.

Não queria outra infância. É o que me fez o que sou.

compreensões

April 8th, 2009

Eu não consigo entender o porquê das nossas morais serem voltadas às obrigações e não aos prazeres. Não entendo o porquê de nossos ódios serem mais e freqüentes que nossos amores e o sentido de acordar às 6h da manhã se não for para ver o sol nascer ou voltar para casa sentindo a maresia turvar o Sol.

Sobre Watchmen, o filme, e a violência do ser humano

April 7th, 2009

Hoje eu li um texto de um amigo que normalmente escreve umas boas piadas que me pegou na virada da esquina. Normalmente ele disserta sobre política, futebol e nerdices afins com uma verve de humor rara. Sarcasmo e ironia de primeiríssima qualidade saem daquelas páginas virtuais e tinta digital.

Mas o puto me manda um texto desconcertante. Uma narrativa inteligente, brincalhona, excepcional e única. O sinal definitivo que o cretino tem um talento inegável e se ele quiser – apenas se ele quiser – se tornará um dos maiores cronistas/contistas/escritores desse país.

É foda ver algo tão raro acontecer ali, na tua frente, na mesa do boteco. Sentir o cheiro da história acontecendo. É de uma violência incomensurável, como se fosse um tapa na cara que ecoasse por meses a vir.

Mas isso até agora não tem nada a ver com Watchmen, exceto o fato que esse mesmo calhorda não tinha lido os gibis até bem pouco tempo – e ele se dizia fã de HQs – mas foi ver o filme com afã de fã, de quem cresceu lendo Alan Moore e tendo sonhos lisérgicos a partir do mofo acumulado em páginas de quadrinhos da Editora Abril e um paralelo forçado que tento fazer.

Quando Watchmen foi anunciado, eu fiquei com os cabelos do pescoço (e até o rego, confesso) arrepiados de expectativa pela estréia. Era um dos meus ícones quadrinísticos migrando de mídia. Já tinha gostado de V de Vingança, mas o tom lírico-anarquista do gibi havia se perdido. Havia amado a versão do Homem de Ferro e gostado muito do novo Hulk (o último filme, o que se passa no Brasil) e achado que finalmente acertaram o tom nos dois Batmen.

Mas treino é treino e jogo é jogo, né? Watchmen e The Dark Knight Returns são quadrinhos-marco da arte seqüencial e, mesmo tendo outras obras que inovaram mais, tiveram melhores roteiros, melhores artes, venderam mais e etc., essas duas sintetizam tudo aquilo que os quadrinhos deixaram de ser nos anos 80 e passariam a ser nos anos seguintes (até voltarem a ser o que eram nos anos 70, mas isso é outro assunto, outro texto, outro blogue).

Quando um quadrinho (ou peça, ou romance, ou canção) migra de mídia e vira filme/série de televisão/desenho animado é esperado que haja concessões na história, no visual e no ritmo da coisa. No caso, comprimiu-se material suficiente para uma minissérie da HBO em quase três horas de filme e – na minha modesta opinião – tivemos um resultado espetacular.

Humor na hora certa (na mais ridícula possível), referências quadrinísticas mantidas e respeitadas, personagens reconhecíveis até na sombra e o grau de suspensão de realidade necessária para o tema. Mas isso não torna o filme genial ou brilhante. O Watchmen, the movie é apenas um puta filme de heróis que tentam salvar o mundo. As discussões, as viagens, os conflitos emocionais, as nuances suaves? Que fiquem no papel, onde funcionam bem melhor que na tela.

O paralelo? Ah! É quando uma pessoa sai da caixinha para fazer algo diferente corre seus riscos. Corre o risco de ser genial.

Do que são feitas as estrelas?

March 25th, 2009

Sou um possuidor de um coração vagabundo. Desses desclassificados mesmo. Nunca tive medo de me atirar ao chão e pedir carinho, fingir de morto, virar a barriga para cima, olhar com orelhas caídas e olhos grandes para quem queria/fingia me dar afeto. Certa feita, menina me subornou com um beijo se fizesse eu uma cena em plena Praça Saens Peña. Não fiz a cena por vergonha – esse sentimento estúpido e inútil, especialmente a vergonha alheia – e fiquei sem. Acho que ali tracei uma linha no chão e me recusei a cruzar.

Obviamente, com a idade, as vergonhas tendem a deixar de travar a mão. Mas essas trocam de nome e passam a se chamar de “conveniência”. Pois, como se diz no mundo da moda, tudo pode, mas nem tudo convém.

Estava no chope, conversando com amigos e conhecidos (mais desses que daqueles) e, ao voltar para casa, lembrei de pessoas com quem eu queria dividir a noite, seja no papo moleque, na conversa de várzea, no papo-furado arte, ou no aconchego de lençóis da minha cama king size. Tudo armadilha da necessidade de autopsiar a minha própria melancolia. Resultado: muito chope e uma enxaqueca pela manhã.

Passam-se os dias, as inspirações para escrever, as tarefas burocráticas d’A firma, as oportunidades de ficar milionário, os 2,4km que caminho de volta para casa quase que diariamente e eu, preso em uma nostalgia das coisas que deixei de fazer.

Nem São Paulo, com seus céus azuis e seus poentes impossíveis me comovem mais.

Aí, a amiga Mariana Blanc posta no seu perfil do Orkut: “Do que são feitas as estrelas? saudade.” Se for verdade, minha estrela brilha forte, cada vez mais forte.

DC (Watchmen) vs. Marvel

March 11th, 2009

Coralie Clément – Je ne sens plus ton amour

March 7th, 2009

Je ne sens plus ton amour
J’ai mal aux yeux
J’ai mal aux yeux de l’amour
Je met ma main au feu

Je ne sens plus ton amour
C’est ennuyeux
Que ça rende aveugle et sourd
Et si malheureux

Tu m’as dit d’une voix glacée
Tu commences à m’agacer

Je ne sens plus ton amour
Mon amoureux
Suis-je ta roue de secours ?
Attendais tu mieux ?

Je ne sens plus ton amour
Si radieux
Et je n’ai aucun recours
Tu fais comme tu veux

Tu m’as dit d’une voix sincère
Ne me laisse pas prendre l’air

Je ne sens plus ton amour
C’est facheux
Que tu joues 10 heures par jour
Dans le salon bleu

Je ne sens plus ton amour
J’ai mal aux yeux
J’ai mal aux yeux de l’amour
Je met ma main au feu

Tu m’as dit d’une voix glacée
Ne me laisse pas me casser

Je ne sens plus ton amour
Je ne sens plus ton amour
Je ne sens plus ton amour
Je ne sens plus ton amour
Je ne sens plus ton amour
Mon amour

ouça aqui!

Lua

March 4th, 2009

teste do tripé da máquina.

Lua

Lua

da blogosfera

March 1st, 2009

Definitivamente vou tirar do meu google reader os blogues que postarem descaradamente apenas propaganda.

Na boa, nada contra, mas não.

Carnaval no Rio – 1955

February 26th, 2009