May 16, 2011 2

A menina do mar e o Capitão Enjoado – Prólogo

By in A menina do mar e o Capitão Enjoado, textos

Início

Era uma vez, como tantas outras vezes, uma menina de dez anos de idade.

Uma menina, como tantas outras meninas[bb] de dez anos de idade, chamada Amanda. E Amanda, como tantas outras meninas, tinha um pai, uma mãe e uma boneca[bb] fedida e descabelada. O nome da boneca, como poucas outras bonecas, era Fedida.

Era uma outra vez, como poucas outras vezes, um capitão.

Esse capitão, como poucos outros capitães, chamava-se Enjoado. E Capitão Enjoado, como pouquíssimos outros capitães, morria de enjoo em terra firme. E Capitão Enjoado, como só ele mesmo e nenhum outro capitão, tinha um barco fedido chamado Fedido e um papagaio[bb] empalhado chamado Papagaio. Ah! O barco[bb] não era descabelado, mas o Capitão era.

Era uma vez Amanda e era uma vez o Capitão Enjoado e essa é a história deles.

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April 18, 2011 0

Bernardo e o Pão

By in textos

Bernardo e o Pão de zander catta preta no Vimeo.

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April 16, 2011 0

rodas e revoltas

By in poemas, textos

A sorte vem de mãos cheias,
a fortuna sorri de duas faces
a tentação sempre tem um .

Por quê, deuses do Olimpo?
Por quê?

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April 11, 2011 2

Caco de vidro

By in textos

, quatro décadas findas (jornalistas, façam a conta antes de comentar. grato pela preferência), uma , dois casamentos, dezenas de empregos, alguns amigos bons, milhares de conhecidos, alguns lidos bons, centenas abandonados, músicas amealhadas a granel, amados, abandonados. Três lares, uma cama dura, alguns computadores queimados, outros trocados, um roubado. solúveis, outros (poucos) condensados, alguns irrealizados.

Espelho quebrado, pedaços de mim mesmo, pegadas da vida desimportante que insisto em manter.

Eu e Cat

Eu e Cat

Aí eu vejo isso e me lembro do porquê…

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March 1, 2011 0

monumento

By in textos

a minha avó se foi há quase um .

ela era um patrimônio de união, de afeto, de -bem. um monumento à adoção dos próximos, do carinho desmedido, da bronca educativa, das anedotas de família. adotava os amigos, as exes dos filhos (e neto), os funcionários dos edifícios, qualquer um que passasse pela com o aval dos consangüíneos era imediatamente da família estendida. com dona Júlia, a era sempre cheia, a mesa sempre posta, o sorriso sempre largo. mineiros no que havia de melhor das Minas Gerais, cariocas no que há de melhor da Guanabara. caras, bocas, expressões, tudo expresso e transparente como um abraço de vó.

que saudade, meu deus. que saudade.

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January 25, 2011 1

O vazio não se preenche com sons ou sussurros

By in textos

No caminho de , a rua desce em passos me lembrando dos rápidos e lépidos e frustrados. Foram muitos. Tantos que nem os consigo contar entre os passos do caminho para a . Os passos são memórias que insistem em me incomodar no caminho de passos na rua para a minha . Às vezes pego o carro de praça para que essas memórias não me assombrem. Inútil. A memória não fica do lado de fora do carro de passeio. A memória é.

Ela é e meus fantasmas me seguem passo a passo.

Um passo (Angela, Marcela, Lara), outro passo (Julia, Luciana, Claudia), mais dois passos (Egle, Patricia, Libânia, outra Julia, outra Patricia, outra Marcela). Uma quadra, dez anos (Ana, Cláudia, Monica, Paula, Paula e Paula, Flávia, Cristina, Andreia, Inês), algumas promessas não feitas, alguns futuros perdidos, várias fodas adiadas. Duas ruas, casamentos, noivados, namoros (eu, eu, eu, eu).

Abro a porta da casa e estou só. Meus amores me trouxeram até aqui e me deixam só.

Finalmente minha concha alugada é minha, meus não lidos são só meus. As que enfeitam a minha sala compõem uma decoração perfeita para um farsante. As bebidas estrategicamente colocadas produzem a argumentação sexual necessária para um feio clássico, vintage.

Finalmente.

A casa é onde eu escondo o meu vazio, o meu espaço para mim mesmo. É onde me torno um vácuo das emoções, dos cansaços, dos planos e do . É onde a “máquina de moer gente” deixa de funcionar e o nada estrutural universal me dá tempo para entrar no oblívio entre as jornadas de . É o silêncio que preenche o meu vazio e me dá a noção – pela primeira vez em uma vida – de completitude.

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January 4, 2011 0

O mal de querer

By in textos

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O , quando mal nascido, torna-se uma doença que corrói a alma, que queima a capacidade de agir e bitola a visão. O , quando mal parido, é algo que tira o viço do flanar, tira o gozo da espera e estirpa o contemplar do advir. Tudo passa a ser urgente, premente, insistente. Não existe outro tempo além do agora, do já, para o natimorto. É uma antítese do deleite e do desejo, é um motor vil que mói mentes e corpos.

Um outro tipo de querer mal nascido é o que consome a ti, minha . É o que devora suas entranhas e consome seus atos. Esse querer faz-te criar um mundo esimesmado onde suas fantasias são o alimento para um monstro de almas, para uma ansiedade que dissolve ânimos, a exaustão já na largada da corrida da vida

Mas o querer quando bem cuidado desde a concepção, é o motor que faz as coisas acontecerem, é o que faz criar uma obra de arte, compor uma sinfonia, escrever uma saga ou atravessar o inferno de canto a canto só para ver a pessoa amada. Não há limites para a força do querer.

Ele é a força irresistível da humanidade.

Por isso temos que ter cuidado com o que queremos, como queremos e quem arrastamos na nossa torrente. É como se fôssemos tornados atrozes, tempestades históricas cuja ação altera vidas em cada gesto, em cada levantar de braços, em cada piscar de olhos, em cada frase dita pela metade, cada gesto mal ensaiado. O querer bem nascido vem com o gêmeo responsabidade a tiracolo.

É esse siamês que precisamos fazer crescer amiúde, alimentar com atenção redobrada, com danoninho e yakult se for necessário. Mesmo os erros que cometemos na vida têm de ser cometidos com responsabilidade e atenção para que essas lições sejam aprendidas. E mais, meu , só se aprende errando. E muito!

Do teu distante pai,

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December 23, 2010 1

O mal de amar

By in textos

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Minha herança para ti é pouca: alguns livros, alguns anos perdidos na e alguma instrução para o mundo formal. É isso que te deixo quando partir.

Não deixo automóvel ou apartamento, conta no banco ou empresas, ações ou sociedades. Deixo-te a ti mesma. Minha missão é ser arcabouço, estrutura, base para uma pessoa que será maior, melhor e mais que eu fui.

Mas algumas lições não se aprendem de pai para . Listo aqui as que aprendi não a fim de ser modelo exemplar, mas para te dizer que a vida tem a sua própria lógica caótica.

Se tiveres uma história parecida com a minha, minha filha, aprenderás que cada lágrima que tu derramares por um “não” dado por alguém, haverá outra que derramarão por ti. Não por justiça divina ou por ciclo cármico, mas porque o tem caminhos e razões impossíveis de serem advinhados e magoamos até mesmo aqueles que queremos bem ou queremos nada. Principalmente esses.

Para cada traição ou grosseria que receberes, saiba que cometerás três vezes ou mais. Trairás teus próprios princípios, teus quereres, tuas metas porque às vezes para ser fiel a si mesma entenderás, serás rude porque às vezes a doçura não é entendida como firmeza ou determinação. Verás que a gentileza às vezes cede à nossa essência reptiliana.

E que estar apaixonado é um vício bom, um mal desejado e querido.

O estar apaixonado é um querer bem de tão bem que quer, guarda-se de sentimento em caixa, em pacote de admiração. É um achar que o outro é maior que a sua sombra, é querer ser figurante se seu filme. É começar e terminar o tendo o rosto do outro na retina.

É saber que tudo que percorreres até ali valeu a pena porque o momento da paixão é o que te integra, o que dá a noção que és um, que há sentido e porquê na vida. É chorar em comercial de margarina e sentir o coração palpitar. É querer ficar em sem fazer nada só olhando para o outro. Ou não.

E o mais impressionante na paixão é que ela acaba. Derradeiramente acaba.

Catarina, não sei se serás uma pessoa sanguínea como teu pai, mas se herdares essa minha têmpera te prometo um futuro suado, sofrido e lanhado dos mazelos da vida. Mas valerá a pena cada , cada lágrima, cada raio de .

É essa a minha derradeira herança.

Do teu distante pai,

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November 16, 2010 0

Sabe qual o problema com os TED da vida?

By in textos

é que eles despertam um defunto há muito enterrado: despertam um sonho de fazer diferença.

e eu não sou grande o suficiente para o tamanho dos meus .

por isso os matei

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November 11, 2010 7

A indefectível mensagem de fim de ano retorna mais uma vez. De novo!

By in textos

Não vou listar aqui o que desejei no para 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ou 2010. Não farei o feito anual de redigir um texto neo-piegas, pós-cool desejando que o ano que se seguisse seja mais humano que nunca, que tivesse 366 dias, que nada acontecesse, que eu mudasse por dentro, que eu me tornasse uma pessoa melhor ou simplesmente que ele termine.

Não farei isso! Nunca!

Ou não.

Os anos terminados em 1 que, curiosamente, se repetem em décadas, são definitivos para mim. Definitivos em derrotas heróicas, massacres fragorosos, dignos de armadas espanholas ou de esquadras chinesas contra o vento.

Listo-as.

Em 1981, vi-me criança feita, formada, sadia, pronto para encarar a adolescência – essa aberração social – e completamente preparado para o futuro. Nunca poderia estar tão errado. Nada prepara o ser humano para as flutuações hormonais e a falta de papéis definidos que a sociedade moderna nos apresenta. E os meus dez anos foram uma síntese do adolescente que eu me tornaria. Nada prepara o homem para o .

Em 1991, fui apresentado à vida adulta e eu tinha planos. Muitos planos. Alguns de conquista global, outros de enriquecimento ilícito. Muitos de realização egóica que, obviamente, foram soçobrados repetida e vigorosamente pelo tempo que se seguiria. Ainda bem. Nada prepara um jovem adulto a encarar o não-plano, o não-projeto. Principalmente àqueles que querem realizar coisas, que querem fazer a diferença. Nada prepara para a .

Em 2001, fui apresentado aos meus limites. Era um balzaca recém-ingresso e tive que abrir mão do que amava e achava sólido para que todos os envolvidos no processo pudessem crescer. Fiz uma promessa que cumpro até hoje. Voltei a escrever bissextamente e abri mão dos , dos planos, dos projetos e deixei a vida contar para mim a minha história. Descobri que era melhor ouvinte que storyteller e tomei algum ciso. Obviamente isso foi fruto da derrota do convívio. Nada prepara o ser adulto para a solidão, para o reconhecimento que não será aceito de forma completa. Nada prepara o indivíduo para a do . Nada prepara o homem para o adeus.

Em 2011 já antecipo movimentos. Estou na curva descendente do “modismo”. Deixo de ser experiente para ser vintage ou “clássico”. Ambos eufemismos para velho. Sou velho e assumo que a velhice está entre as orelhas (e não na carteira de identidade) e assumo que o futuro cada vez mais me assusta com seus prognósticos. Não me vejo mais saudável ou inteligente ou culto ou charmoso ou potente. Não me vejo mais disposto, atento, convincente ou antenado. O oposto, sempre o oposto, é o que me espera. Nada prepara o homem para a morte, essa obviedade única e democrática. Eu não estou preparado. Acho que nunca estarei. Mas se a coisa for clara e anunciada, talvez eu consiga conviver com ela como um tique nervoso
ou uma mancha na retina que a gente vê e ignora.

Então, para 2011, desejo que sejamos óbvios, por motivos idem.

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