Cordel do Fogo Encantado – Chover (ou Invocação Para Um Dia Líquido)

April 23rd, 2007 § 0

Composição: Lirinha; Clayton Barros

“O sabiá no sertão
Quando canta me comove
Passa três meses cantando
E sem cantar passa nove
Porque tem a obrigação
De só cantar quando chove*

Chover chover
Valei-me Ciço o que posso fazer
Chover chover
Um terço pesado pra chuva descer
Chover chover
Até Maria deixou de moer
Chover chover
Banzo Batista, bagaço e banguê

Chover chover
Cego Aderaldo peleja pra ver
Chover chover
Já que meu olho cansou de chover
Chover chover
Até Maria deixou de moer
Chover chover
Banzo Batista, bagaço e banguê

Meu povo não vá simbora
Pela Itapemirim
Pois mesmo perto do fim
Nosso sertão tem melhora
O céu tá calado agora
Mais vai dar cada trovão
De escapulir torrão
De paredão de tapera**

Bombo trovejou a chuva choveu

Choveu choveu
Lula Calixto virando Mateus
Choveu choveu
O bucho cheio de tudo que deu
Choveu choveu
suor e canseira depois que comeu
Choveu choveu
Zabumba zunindo no colo de Deus
Choveu choveu
Inácio e Romano meu verso e o teu
Choveu choveu
Água dos olhos que a seca bebeu

Quando chove no sertão
O sol deita e a água rola
O sapo vomita espuma
Onde um boi pisa se atola
E a fartura esconde o saco
Que a fome pedia esmola**

Seu boiadeiro por aqui choveu
Seu boiadeiro por aqui choveu
Choveu que amarrotou
Foi tanta água que meu boi nadou***

*Zé Bernardinho
**João Paraíbano
***Toque pra boiadeiro

ouça aqui

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Oração de São Jorge

April 23rd, 2007 § 66

Chagas abertas, Sagrado Coração todo amor e bondade, o sangue do meu Senhor Jesus Cristo, no meu corpo se derrame, hoje e sempre.
São Jorge - a imagem

Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge.

Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem e nem pensamentos eles possam ter, para me fazerem mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrarem.

Jesus Cristo me proteja e me defenda com o poder da sua Santa e Divina graça, a Virgem Maria de Nazaré, me cubra com o seu sagrado e divino manto, me protegendo em todas as minhas dores e aflições, e Deus com a sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos e o glorioso São Jorge, em nome de Deus, em nome de Maria de Nazaré, em nome da falange do divino Espírito Santo, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, do poder dos meus inimigos carnais e espirituais e de todas as suas más influências e que debaixo das patas do fiel ginete, meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós, sem se atreverem a ter um olhar sequer, que me possa prejudicar.

Assim seja com o poder de Deus e de Jesus e da falange do divino Espírito Santo.

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A distância da diferença

April 20th, 2007 § 4

publicado na Tribuna da Imprensa

“Você vem hoje?”

O convite nasceu como se tivesse vontade própria. Era óbvio o meu interesse na menina, mas estávamos naquela fase ridícula de disfarçarmos as intenções. Ainda assim, dado o meu papel predeterminado de alfa da relação, o convite teria de partir de mim. Sempre. Saco.

“Me liga quando você chegar no bar. Acho que consigo ir sim.”

Era a quarta vez que eu a chamava. Quarta depois de três desistências em cima da hora. As desculpas variavam do almoço inesperado com a mãe ao abacaxi que teria que, inevitavelmente, ser descascado à meia-noite, impedindo-a de partir ao meu encontro. Algo me dizia que o cerca-lourenço não estava funcionando a contento.

Parti incauto para o evento e mandei um torpedo para a criatura em questão ao chegar ao boteco. Lá, diversos amigos se encontravam em estado de embriaguez adiantado e logo me dediquei a acompanhá-los no tradicional esporte bretão de encher socialmente a cara com chope de primeiríssima qualidade. Dado o advento do primeiro prato de carboidratos à mesa, o celular vibra com uma mensagem de texto.

“Não vou.”

O resto da mensagem pouco importava e, para ser sincero, já era esperado. Quando se chega às raias dos quarenta anos, sabe-se que o não das meninas pré-balzaquianas é mais freqüente que o seu sim. Levanto a questão na mesa e sou repreendido imediatamente pela ala feminina. Diversas amigas dentre vinte e muitos e trinta e poucos discordam do meu questionamento. Outras apenas calaram-se e me lembraram de aventuras (e desventuras) anteriores que comprometiam a minha isenção de julgamento. Súbito, uma voz da razão.

“Se fosse mentira, o tio Sukita não existiria.”

Fato! Sabemos que as propagandas não são exatamente fontes de inovação cultural e, muito pelo contrário, tendem a reforçar opiniões, gostos e preconceitos já estabelecidos para poder agregar ou contrapor elementos dos produtos a serem vendidos. E se uma propaganda mostra um quarentão cantando uma menina de vinte e poucos como um ridículo, há de ter algo de senso comum aí. Ou estarei completamente errado?

Mas me pego perguntando novamente: quinze anos fazem tanta diferença assim? Não no sentido de maturidade e vivência, mas no sentido de distância etária aceitável. Será que um quarentão que sai com uma menina de vinte e cinco anos é realmente ridículo? Será que ele está realmente querendo encontrar uma vitalidade que sente que começa a se esvair de dentro de si ou apenas foram as contingências da vida que os colocaram nessa situação?

Pessoalmente, sempre achei as mulheres com mais de trinta bem mais interessantes que as novinhas. Conteúdo é tudo quando se trata de relacionamento. Há de ter troca sempre entre as partes. E elas tendem a ter um pique mais próximo do que estamos acostumados a levar: cinema, jantar, teatro, cama. Boates e dança só até as duas por conta do trabalho na segunda ou dos filhos que acordam cedo. Eu acho ótimo e certo isso tudo. Ou sou eu que tenho 150 anos morando dentro de mim? E Balzac, o que ele tem a dizer disso tudo?

Independente do querer das pessoas, a noite termina e quinze anos de distância parecem pesar mais que nunca.

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Coco Rosie – Sunshine

April 16th, 2007 § 1

To all the boys and the girls outside
You know I didn’t cry
But you saw me anyway
In the back of the creek one day
And if you’re trying to get a ride
On a rollerskate or a bike
Just ask and I’ll take you round
The block and back this way again
To all the boys and the girls outside
Why don’t you come and fly with me
I’ll show you why I ran away
The other day from my mom and dad
All the boys and the girls outside
I know you’ve got crazy things inside
And that’s why I’ve got to show you
How I do the things I do best
I like to rollerskate on bike
And that’s why I’ve got crazy style
I go so fast around the block
And as I do I sing this song to you

Sunshine Oh sunshine
If you don’t know why you shine
You have to go into the sun
You’ll have to go inside

Ouça aqui.

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Tiros sobre Copacabana

April 11th, 2007 § 1

publicado em Não… Não para!

publicado na Tribuna da Imprensa

“Você tem uma arma?”

Era para eu ter ficado chocado. Ela sempre fazia isso. Do nada, sacava uma frase surreal no meio da conversa. Na verdade, nem precisaríamos estar conversando. Bastaria ter algum silêncio inadequado que aquela cabecinha seqüelada produziria alguma coisa digna de nota. Totalmente sem sentido, mas notável mesmo assim.

“Sério mesmo. Você tem uma arma?” “Nunca teria uma em casa, você sabe disso. Acho que pode causar mais acidentes que proteger. Principalmente nas minhas mãos.” “Hm. Sei. Mas nunca quis ter uma arma?”

O mais engraçado é que ela concatenava o absurdo com uma razão improvisada. Sempre que vinha com esse “hm sei” dela, eu já sabia no que daria: dores de cabeça e um nó racional que repercutiria por toda a semana. Se havia algo que essa mulher sabia fazer com maestria, era me encucar com algo que, ao chegar o domingo, não teria a menor importância.

“Qual o porquê de você querer uma arma agora?” “Mas eu não quero uma arma. Só quero saber se você tem uma, oras! Não se pode perguntar mais nada?”

Essa era outra tática. Transformava o absurdo em algo óbvio. Me desarmava de tal forma que só tinha como assentir e responder diretamente qualquer coisa que me perguntasse dali pro fim da noite. Ou terminaria ali mesmo, o que não era objetivo de nenhum de nós no momento. Aparentemente.

“Não tenho uma arma, minha linda. Nem terei.” “Pena.”

Juntou cuidadosamente as tralhas que havia espalhado em cima da mesa do bar. As chaves do carro e da casa. O celular — “não deixa o celular na mesa que os moleques daqui do Hipódromo roubam e você nem vai perceber o que aconteceu”, eu dizia. A carteira de motorista. A cópia da identidade rasgada e maltrapilha que nunca tirara a segunda via. Os trocados do doce que o moleque vendera. A vontade de transar. Tudo dentro da bolsa de vinil vermelha que ela ostentava contra o bom gosto e senso.

“Uai. Já vai?” Apelei desesperado. Era quase como buzinar no trânsito ou chamar de gostosa a gordinha que passa na frente da obra. Inócuo, mas impossível de controlar.

“Vem. Vamos.” Surpreso, fui.

Duas horas de suor, lágrimas — sim, ela chora na hora H — e algum sangue — malditas unhas nas costas — ela desabou satisfeita. Eu sigo, semimorto. Ela caprichara bem na parte sadô da nossa relação sem nome. Num pulo, ela se levantou. Foi até o guarda-roupa e trouxe uma caixa de madeira com veludo. Dentro, como era de se esperar, uma arma. Um trinta e oito cromado. Ou um quarenta e cinco, sei lá. Nunca entendi dessas coisas.

“É teu. Atira.” “Hein?” “Atira, eu disse.” “Como assim? Atirar? Atirar em quê?” “Sei lá. Pro teto. No lustre. No abajur. Atira, anda. Atira!”

E, imperativa, apontava para possíveis alvos no quarto. Ao mesmo tempo suas mãos procuravam algo que já estava mais que esfolado, dadas as atividades lúdicas de horas a fio.

Lânguida, ela gemia. “Atira, vai. É bala de festim.” E era. E quem vai entender a tara de quem mora na Sá Ferreira…

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O espaço na cama

April 11th, 2007 § 5

publicado na Tribuna da Imprensa.

Vira e mexe, Helena dormia suada sobre o meu braço direito. E eu reclamava.

“Não faz isso. Eu tenho bursite, você sabe.”

E ela trocava de lado por cima de mim. Às vezes, quando nua, trocava, parava, não trocava, ficava. Sorria lasciva. Às vezes ela apenas dava as costas e voltava a dormir, e era um convite para eu enconchá-la. E eu sabia que ela estava sorrindo do lado direito da cama.

Quando isso ocorria, eu gostava de ouvir a respiração de Helena. Cantava desafinado alguma música de Jeff Buckley. Ou dos Beatles. Ou dos Bee Gees. Ou do Chico, a qual eu não desafinava tanto, mas ele, sim. E ela não gostava e me mandava calar a boca ou contar uma história de dormir. E eu contava histórias picantes de fadas, gigantes, gnomos e de jogos on-line em que tínhamos de derrotar todos esses seres fantásticos para ganhar pontos e nos tornar guerreiros ou magos mais eficientes nesses brinquedos de internet. Obviamente ela não passava da sexta frase do que eu dizia — não importasse quão emocionante fosse a minha aventura digital — e ferrava no sono.

Helena também dormia sobre minha barriga. E eu reclamava.

“Não faz isso. Me dói o diafragma, e eu não consigo respirar direito.”

Helena saía da minha barriga contrariada. Ou descia animada buscando algo que podia estar de prontidão, que deveria estar de fato, mas ultimamente não. Ou era a mente que viajava nos problemas de ontem, ou a vontade que sumia nos problemas de amanhã por desculpa ou motivo. Não fazia diferença.

Helena não desistia de mim. A não ser nos dias que desistia de si. E, nesses dias, Helena cerrava o cenho e não dava nem beijo nem palavra. Nem nada. E se deitava no meu ombro e era expulsa quando era o ombro direito. Mas quando não, falava obscenidades no meu ouvido. Colocava um disco do Pearl Jam — que eu particularmente odiava — e me dizia que, com raiva, eu ficava mais sensual. E eu era mais sensual só para ela, naquela hora, com aquele disco que eu amava odiar.

Nos últimos tempos, Helena me apertava o nariz quando nos beijávamos no pós-coito. E eu reclamava.

“Beija do lado esquerdo. Eu só respiro por uma narina. Você sabe…”

E ela olhava para mim, triste. Triste de “só queria ver você feliz, você sabe disso”, e eu triste de querer ser feliz ali ao lado dela mas não conseguindo achar a felicidade que era para estar ali, nos lençóis e nas coisas bobas que os amantes têm de falar entre si. E eu triste de dizer que a queria muito, mas muito. Mas o corpo cala e não tem palavra que diga “eu te amo” quando os olhos só dizem “eu te quero bem”. E eu queria ouvir Vinícius cantado por Tom e Toquinho e queria que Helena fosse o peso que carrego no ombro direito, a falta de ar no nariz tapado ou do diafragma apertado. Queria que Helena me pesasse sempre os ombros, as pernas. Que me fosse cada dor física que me deixava quando deixávamos a alcova.

Só não queria que ela se tornasse o vazio insistente do lado esquerdo da minha cama que existe desde que me entendo por gente. Um vazio que não se vai. Esse vazio que é só meu e que me define desde que aprendi a desamar.

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carta do dia: ás de ouros

April 1st, 2007 § 1

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Dando-se valor

O Ás de Ouros emerge como arcano conselheiro neste momento de sua vida, Zander, sugerindo que é chegado o momento de resgatar sua auto-estima ao máximo, de se dar o devido valor. Se você não encarar a si como seu próprio especial investimento, quem o fará? Momento de se dar presentes, de cuidar da própria aparência, de fazer-se radiante de beleza. Procure investir seus recursos financeiras de uma maneira calculada e econômica, o que não significa ser sovina. Diante do que vale a pena, use seus recursos e você os verá multiplicados ou mesmo terá a clara sensação de que realizou bons investimentos. Uma boa relação com o dinheiro é fundamental para tudo, até mesmo para coisas mais abstratas, tais quais a vida espiritual e o amor.

Conselho: Aprenda a ter uma boa relação com o dinheiro neste momento!

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Primeiro de abril

April 1st, 2007 § 0

Detesto.

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A direita tacanha

March 31st, 2007 § 0

Publicado por Pedro Doria | 31/03/07 00:01 | No Mínimo

Quando Carlos Lacerda começava a falar, todo mundo escutava. Ele às vezes era rábico, alguns sugeriam até que desequilibrado. Mas se Lacerda falava, escutava-se. Governador da Guanabara, sozinho, dentro do pátio, impôs ordem num presídio que se rebelava. O homem, durante anos, encarnou a direita tupinambá.

Teve uma boa gente, uma gente respeitável, esta direita. Roberto Campos, por exemplo. Sujeito astuto, inteligente, de idéias claras. Podia-se discordar de tudo o que dizia, mas lá estava Bob Fields com seu sorrisinho ligeiro de quem se julga superior. E, bem, eram poucos que conseguiam argumentar com ele. Na imprensa, havia Paulo Francis, culto até dizer chega, por vezes leviano, um homem sensível e, para os de coração fraco, insuportável.

A seu modo, não faz muito, a direita brasileira contava com homens brilhantes. É verdade que havia aqueles generais – mas, mesmo dentre eles, sempre se podia pinçar um Golbery, o ‘gênio da raça’ como genialmente sugeriu Glauber Rocha. (Pois é: seus filmes podem deixar a desejar, mas era um grande frasista; também a esquerda teve homens melhores.)

Sobrou o quê?

Uma das qualidades da boa direita brasileira era que, dentre outras coisas, era cética. Não é preciso muito para imaginar prazenteiramente a piada que Francis escreveria se alguém lhe perguntasse o signo. Ou se sugerisse compor seu mapa astral. Mas é uma das modas correntes na direita tupinambá. São, como pode, astrólogos.

E, como astrólogos, têm sérios problemas com a ciência. Se uma turma da esquerda gosta de fazer pseudo-discursos que parecem – e não se sustentam além da aparência – sofisticados que envolvam mecânica quântica, a nova direita olha Einstein com assombro. Acreditam na bomba atômica mas acham o Big Bang esquisito. Gostam de dizer que Darwin ‘é só teoria’. E alguns, às vezes parece, acreditam mesmo que a Evolução é dúvida. Se o assunto é aquecimento global, então, aí é festa. A nova direita tem certeza de que o aquecimento global é coisa de comunista.

(Como sente falta dos velhos inimigos, os comunistas, a nova direita.)

Direita anti-ciência sempre houve. Era aquela turma mais tacanha, preconceituosa e, em geral, muito católica. Faz tempo. Hoje eles não são mais a classe-média que marcha com Deus pela liberdade. Hoje são libertários.

Não que sigam à risca o credo libertário, o laissez-faire deles tem limite. Pois, veja bem: liberdade para todos? Claro. Mas casamento homossexual é um pouco demais. Liberdade? Evidentemente. Mas aborto, de jeito nenhum, a mulher não manda em seu corpo e a vida é inviolável. Inviolável? Em termos, compreenda-se, nalguns casos o Estado pode decidir matar quem aprontou.

Timidamente, lá consigo, a nova direita quer o Estado mínimo (não tem dúvidas a este respeito) mas se a Igreja puder dar um jeitinho nas leis, assim de leve, bem que ajudava na lida com estes sem vergonhas.

A direita velha tinha uma qualidade excepcional que o velho Nelson Rodrigues incorporava como ninguém: o sarcasmo. Esta é uma qualidade que a nova direita manteve. Aquilo que a velha direita tinha e a nova não tem é a habilidade de rir-se de si mesma. Paulo Francis não escrevia tanto por convicção; escrevia pelas reações que sabia que despertaria dos bobos que o levavam a sério. A nova direita é sarcástica mas convicta de suas razões.

A turma convicta de que está certa é sempre a mais chata. Gente que não muda de idéia raramente tem algo a dizer.

A nova direita é tão incrivelmente triste que, fora uma meia dúzia de seguidores que amealha, não consegue qualquer representação política. Verdade: os seguidores falam alto; continuam poucos. E, cá entre nós, é só olhar em volta: a esquerda no poder é tão ruim que não deveria ser difícil desbancá-la em dois tempos. O povo brasileiro é conservador. Pintasse um novo Lacerda, seguiam rapidinho.

Mas Lacerda não há mais.

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O povo, unido, jamais será… chato?

March 30th, 2007 § 0

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