Hormones

do passado

January 22nd, 2009

A coisa mais interessante sobre o passado é que ele sempre volta. Travestido de lembrança, disfarçado de reencontro, infiltrado num sonho ou num hábito repetido, ele sempre retorna de forma avassalador.

Acachapante, até.

Por vezes, queria que o passado lá ficasse, que o presente sempre me trouxesse o futuro. Ou vice-versa. Por vezes, queria me aninhar lá atrás (engraçado como colocamos o passado atrás da gente, como se fosse a vida, uma estrada ou um rio quando o passado apenas foi-se) e mudar uma A ou B feito. Quase sempre agradeço por ser tudo que fui, não ter sido o que não fui, por cada decisão pensada e errada que tomei e cada desejo certo que cedi. Hoje, agradeço ao passado ter-me batido à porta e dito: “bora aí!”

Engraçado. Hoje, agradeço ao que fui e ao que derramei.

dez mais oito

January 20th, 2009

Eu tinha um sonho, quando tinha dezoito anos. Nos dezoito anos que eu tinha, sonhava em ter trinta e muitos, filhos poucos e histórias. Várias. Eu tinha dezoito anos quando meus sonhos foram devorados.

Hoje tenho o que sobra dos sonhos, o que resta da esperança de vê-los de pé, sorrindo e tomando vento e sol e maresia e dizendo que o mundo é deles. Hoje me sobra o que tenho de lembranças de quando eu era maior e melhor e perfeito e tinha as verdades do mundo dentro de mim.

rotina dos fins de semana

January 12th, 2009

rodoviária carioca pela manhã. táxi. casa. acordo a moça. durmo. acordo. banho. casa da avó. almoço. papo. lanche. shopping. cinema. janto. casa. acordo domingo tarde. banho. almoço na casa da tia. papo. café na casa de amigos. casa. filmes (2). despedida. rodoviária. ônibus. sono. são paulo.

no ínterim, sexo sempre que conveniente.

Rufus Wainwright – Tiergarten

January 9th, 2009

Won’t you walk me through the Tiergarten?
Won’t you walk me through it all, darling?
Doesn’t matter if it is raining
Won’t you walk me through it all?

Even if the sun, it is blazing
Even if the snow, it is raging
All the elements, we must conquer
To get to the other side of town

I have suffered shipwreck against your dark brown eyes
I have run aground against your broken down smiles
Believe me when I tell you I have no place to go
But to go where the wild flowers grow and the stone gardens bloom.

Won’t you walk me through the Tiergarten?
Won’t you walk me through it all, darling?
Doesn’t matter if it is raining,
We’ll get to the other side of town.

Bruno Aleixo à escola

January 8th, 2009

Veja mais de Bruno Aleixo aqui.

E eis que 2009 se anuncia (ou Sobre a arte de pender sobre o abismo)

December 19th, 2008

Mais um ano termina e a sensação é – de novo – um milk-shake de alívio com sensação de tempo perdido. Nesse ano que passou a vida me trouxe algumas surpresas. A maioria realmente muito boa, o restante ainda está sob análise da distância emocional que só o tempo dá. 

Vocês já conhecem a velha história, né? O amor que deu errado abre as portas para uma felicidade mais ampla, plena e absoluta (para ambas as partes); o emprego que te dispensou gerou uma reinvenção da maneira que você se colocava perante o mundo; os amigos que te humilharam no passado te fizeram escolher e entender melhor a humanidade. 

Tudo isso só se dá com o passar do tempo.

Viver do passado é a essência da condição humana, racional. É através desse arremesso para o ontem que conseguimos ter certeza que haverá um amanhã. É paradoxal que só consigamos projetar o futuro através do seu oposto mas é assim que o homem funciona. É assim que gosto de ser.

Num papo de almoço dessa semana, falávamos sobre a vida e a morte e o que acontece nesse ínterim. Independente da fé e religião de cada um, a única coisa que me parece certa é que estamos sempre pendendo sobre um enorme abismo que nos devora dia-a-dia, comendo com fastio a essência criativa, a fagulha primeira, mas que é o responsável por nessa geração. É um Urano devorador de sonhos e gerador de monstros bípedes pensantes. Um senhor das chances que deu as condições para nos trazer até aqui apesar da improbabilidade da simples existência – da criação do universo até a chance de nossos pais se encontrarem, tudo é muito raro, único, uma loteria química altamente improvável – e apesar dessa mega-sena cósmica, estamos aqui desafiando as certezas e as firmezas do mundo.

Andamos numa corda-bamba de probabilidades entre o caos completo e o oblívio, entre a inércia e a explosão térmica. E nesse fio de existência criamos, construímos, vivemos, nomeamos, destruímos, esquecemos, amamos, desamamos, geramos, exterminamos, nascemos e morremos e crescemos como nossos pais e avós. Cada um de uma maneira única. Pessoal.

Somos improváveis, paradoxais, imprevisíveis, certos e inexoráveis.

Pois o que espero de 2009, é que ele seja mais humano que nunca, que seja paradoxal, improvável, imprevisível (apesar de certo e inexorável) e que me coloque cada vez mais balançando sobre o abismo que é a existência.

Tarô do dia

December 12th, 2008

A Lua – A importância de aquietar-se e fazer silêncio

Arcano 18 - A Lua

Arcano 18 - A Lua

Neste momento, Zander, em que o arcano XVIII brota como carta conselheira, a recomendação veemente é a de que você procure se aquietar e não realizar movimentos. Existem fases em que a vida praticamente exige que “tiremos o nosso time de campo”, a fim de avaliar as coisas com maior inteireza e sagacidade. Você não está enxergando as coisas com clareza neste momento e, por isso mesmo, é melhor não agir do que tomar atitudes tolas que depois lhe conduzirão ao arrependimento.

Procure investigar seus sonhos e dar mais atenção à sua voz interior. Evite o contato com conselhos de outras pessoas, tente, ao menos por um tempo, voltar-se para o mais profundo de sua alma. Você poderá evitar muitos problemas futuros, a partir desta atitude. Na dúvida, afinal, o melhor é não agir.

Conselho: Momento de recuar.

do Personare

adeus à tribuna… adeus…

December 2nd, 2008

Através do blogue do Alex Castro fiquei sabendo que a Triibuna da Imprensa para de circular hoje.

Só posso lamentar a perda do espaço e a restrição cada vez maior para os profissionais da imprensa na cidade que outrora foi um farol de cultura e civilidade nos trópicos.

E não estou falando de Buenos Aires.

Segue, após o link, a última coluna de Hélio Fernandes, na sua íntegra. Read the rest of this entry »

cansado da blogosfera

November 30th, 2008

Não sou o único, eu sei, mas estou cansado das visitas que faço aos amigos se tornarem comerciais de quinta categoria.

E parece que não sou só eu, mas o André Dahmer também.

malvados_frase do dia
Dahmer cansado da blogosfera

dei uma casadinha rápida…

November 9th, 2008

… e prosseguimos com a nossa progamação normal, agora com bambolê de dedo!

o casal em pleno garbo e elegância

o casal em pleno garbo e elegância

[caption id="attachment_976" align="alignnone" width="300" caption="as menores algemas do mundo"]as menores algemas do mundo[/caption]