April 27, 2010 1

sobre navegar as lembranças ou o contrário disso

By in textos

Eu não te esqueço. Eu não esqueço de ninguém. Não que ainda te ame ou ainda te odeie. É que no meu core cabe tanta fúria, tanta paixão, que as lembranças flutuam como náufragos de uma vida desmedida. A emoção é o mar onde minhas lembranças navegam.

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April 20, 2010 1

The Others

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tirei daqui

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April 13, 2010 4

Sobre a administração dos espaços mentais

By in textos

Eu resisto à tentação de transformar este em um sítio de filosofia, política e outras diatribes que cometo em listas de discussão, papos com e afins. Resisto em transformar este espaço em um local de crítica literária, dicas culturais e roles de álbuns, livros, consumidos por mim. Tampouco transformo-o em mais uma página de objetos de desejo.

Há pessoas que fazem isso tudo mais e melhor que eu jamais poderia fazer.

Tenho alguns ditados pessoais (a maioria impublicável e envolvem partes bem específicas do sistema digestivo humano) e um que se aplica propriamente ao que apresento é o “tempo é uma função mental”. Nunca aceitei a justificativa de “não haver tempo” para deixar de fazer A, B ou C, principalmente de amigos ou colegas que me prometem uma ilustração, um texto, uma música. Isso não quer dizer que eu não faça isso, pelo contrário, é normal que eu diga: “não tive tempo”.

Talvez porque eu entenda que um “não tive tempo” é uma forma mais adocicada de dizer “caguei para você e resolvi centenas de coisas desimportantes ao invés dessa paradinha aí” e outras variações da mesma função babaquara. Quando eu digo: “não tive tempo” quero dizer exatamente isso.

(Agora atenção. Essa é a virada do texto, ok?)

Mas há um outro lado na história. Nós costumeiramente damos mais valor às pequenas coisas que às grandes, aos pequenos aborrecimentos que às grandes tragédias – até porque o aborrecimento do outro é a nossa tragédia e vice-versa, né? – e tendemos a priorizar essas pequenenezas diárias ante o plano geral.

Já é cliché o quadro do pai que deixa de brincar com o filho para fechar mais um dos intermináveis formulários que preencherá para o , ou para entregar no prazo um texto dentre os bilhões que serão escritos e ignorados pela massa ignara (se a massa é ignara, ela ignora o seu redor). Ou ainda o que fica à beira da cama sendo cortejado, acariciado, enamorado e se desfaz antes que o seu dono consiga folheá-lo. Ele chega em diariamente estropiado pela máquina de moer gente que tira o sal do seu suor e mal tem o tempo – mental! mental! – de abrir a primeira folha e deixar-se levar pelo que fora escrito.

É assim o meu dia. Entro numa máquina de moer gente e pensamentos e ideias e textos e planilhas e saio no fim do dia (ou no meio da noite, vá lá) exaurido da vontade de abir um livro, de tocar um , um disco. Quiçá de trazer para cá a minha vida, essa mesma, drenada, secada, destilada pelas horas diurnas.

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March 24, 2010 0

e esse é o meu espelho

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March 12, 2010 5

Tempus fugit

By in textos

Uma mais cruéis de se envelhecer não é descobrir que aquelas coisas que fazíamos aos dezessete anos só conseguimos com auxílio de uma enfermeira ou com drogas especiais. Ou que aquele reflexo no espelho não é da sua mãe ou do seu avô, que aquela menininha loira de olhos azuis que sentava duas carteiras à sua frente, hoje é uma matrona, com dez e um neto chinês. Ou ainda se pegar tendo um deja vu numa conversa com sua . As palavras são as mesmas, os personagens é que mudaram.

A coisa mais cruel de envelhecer é ver que os seus professores que ainda vivem e estão presentes na sua memória já partiram. Não só aqueles de sua sala de aula, mas aqueles que de alguma forma ajudaram a moldar o seu caráter, a forma de olhar para o cotidiano, o teu gosto por , arte ou , o seu senso de .

Descanse em paz, Glauco.

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March 11, 2010 0

Sobre histórias que não terminam

By in textos

Eu estava há tempos para contar essa.

Um amigo me conta da moça que fez a corte e o arrebatou. Arrebatou naquelas, né? Ela é bonita, inteligente, culta, divertida. Tinha lá os seus quês e senões que toda mulher quando passa dos trinta e cinco amealha pelos homens da vida. Tinha-os e não escondia. Sinal de que sabia onde pisava e que já havia pisado por esse caminho várias e várias vezes. Aí gostou do cara e partiu para a decisão: “bora se !“

Obviamente, um homem, do masculino, heterossexual praticante, convicto e disponível não teria como resistir a tal oferta. Foi surpreendido, logo de cara, com a iniciativa da moça. Ela sabia o que queria e – aparentemente – era o mesmo que ele. Daí não teve dúvida, só havia a tecnicidade da coisa. Tinham encaixe, , afinidade, papo mas algo pintava e não havia finalização. Na quinta vez que se pegaram loucamente, uma surpreendente, prematura e indesejável visita de Francisco interrompeu o desejo da moça que não fazia uso de lazer na maré vermelha. Fato, sempre tinha algo para atrapalhar.

A moça começou a achar que era com ela o problema, que era desencanada demais, que ”quem mandou querer dar uma de homem e cantar o moço“ e tal. Ele, que era um azarado, que fazia tempo que a horta dele não chovia tanto e ele ali, amarrado com a moça que não queria descer, mas não dava de jeito e maneira. Aí foram esfriando, esfriando e deixaram a coisa ali de lado.

Mas o moço virava as noites pensando na história que não tinha terminado, nas possibilidades, nos ”e se…“. Certa feita, eles se esbarram nos bares para solteiros com mais de trinta e a tensão era visível. Inadvertidamente, ele pergunta se ela ainda pensava nele. Obviamente, não. A fila anda e o caixa é rápido, né?

E ele foi para remoendo mais que antes.

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March 6, 2010 1

Idas e vindas – parte dois

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E eu reafirmo a mina mania estranha de não gostar de viajar. Não adianta: correria de aeroporto, stress na decolagem, stress na aterrissagem, fila para sair, fila para entrar, assentos minúsculos, gente que não consegue segurar a excitação da viagem, gente que não consegue segurar a irritação com o alheio. Gente, enfim.

Mas nada se compara à emoção de estar num lugar diferente, em uma terra com história desconhecida. Mesmo numa correria de 24h, dá para conhecer novos cheiros, gostos, palavras, causos, nomes, sotaques e coisas dessa gente. Gente, enfim.

Pena que tem a volta.

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February 25, 2010 1

Das chuvas

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A menina fugiu das gotas grossas, se esquivando de poças d’água ardilosas, dos canos que transformam marquises em cataratas e dos rios gorgorejantes das sarjetas. Passou por todos como se corresse risco de perder a vida, ou a escova progressiva. Chegou na salvadora marquise do shopping center aliviada por ter escapado incólume desses perigos urbanos. Era mais uma vítima da massacrante da estética à qual as de trinta e muitos anos se submetem para ainda atrair um macho incauto, imaturo e disponível. Lipo, silicone, remoção de estrias e a malfadada chapinha diária. Luzes, esmalte e depilação semanais.

Ele não teve tanta sorte. Viu que seria impossível evitar a água e encarou de frente. Fazia isso com a vida, afinal de contas. Nunca titubeou ante o desconhecido. Daí foi direto para o bar onde haviam marcado o encontro. Sentou-se ensopado e pediu guardanapos, chope e um cardápio.

Ela chegou no tempo certo. Ele já tinha enxugado as partes mais graves (rosto, mãos, suvaco) e confiou na bravura em enfrentar as intempéries como um charme adicional ao de jovem senhor maduro descasado com emprego fixo. Ela, se notou, ficou indiferente. Dois chopes à mesa, já tinham um acordo fechado, mas ainda não declarado. Seis chopes e duas idas ao banheiro, já estavam se atacando no canto do boteco.

Daí a moça vai retocar a maquilagi e ele consulta o celular para ver se havia algum motel na região. A moça, ao voltar, foi certeira: “A duas quadras daqui tem um. É bem barato e bem agradável.” O moço não negou a formação média do homem heterossexual masculino praticante e adicto: se a menina é reconhecível como da espécie humana, é aparentemente saudável e dá intenção de cópula, é de obrigação moral do rapaz conferir o ato.

A chuva não arrefecia. Parecia que o Atlântico estava querendo trocar de endereço naquela e escolhera a Tijuca como endereço para a nova moradia. As ruas, como sempre, começaram a encher de tudo que é líquido e sujo, trazendo à tona os restos das histórias dos moradores do entorno da praça Saens Peña e os dois, tesos e com cara de “e agora?” ficaram ali tentando se manter quentes e dispostos. Duas horas e oito chopes depois, eles se atiraram dentro de um carro de praça que deu mole na região e conseguiram chegar no motel.

A chuva, essa maldita chuva, não parara a noite toda e serviu como de fundo para as patéticas cenas de lascívia e luxúria dos dois e pela manhã, meio envergonhados pelo testemunho da água incessante, os dois estranhos inventaram algumas desculpas esfarrapadas, criaram mentiras novas e prometeram coisas que nunca cumpririam. Exceto o compromisso de se perpetuarem patéticos, solitários, carentes e secos.

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February 23, 2010 0

metrô domingo

By in textos

Eu e patroa tentamos pegar um trem para Ipanema, e depois metro de superfície até o Leblon. Parou a composição e entramos no último vagão. Ao fechar as portas começa o batuque e uma galera a dançar dentro do vagão. Melhor, metade do vagão, porque quem não queria participar da folia à força, se amontoava na metade posterior.

Obviamente, entramos na anterior.

Quando os meninos que estavam apenas fazendo poledancing e do sirizão no fundo aventaram a possibilidade de andar pendurados nos apoios de metal e ficar dando cambalhotas, decidimos descer em Botafogo mesmo.

A composição seguinte estava lotada só de “foliões”: geral batucando, bebendo e – eu vi, não me contaram – bebendo e molhando as cadeiras dos carros. Domingo. Pós-. 4h da tarde. A segurança do ? coitados, eram poucos para o exército da diversão sadia e educada. Atravessamos a estação e pegamos um para voltar para . O carro estava todo molhado, sujo, dava nojo de sentar nos bancos.

Eu estou ficando velho e chato, fato, mas putaquepariu. Carnaval, ano que vem, só na Suíça.

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February 20, 2010 1

tatuagem

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então…

fiz.

é essa aí.

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