October 18, 2009 0

Parábola

By in textos

Era uma vez um mercador que vivia entre as cidades impossíveis levando e trazendo o que não era seu para pessoas que pouco tinham a ver consigo. Ia de Calicute, a dos deuses-elefantes, a Madripor, dos prédios de jade; de Bagdá, dos tapetes voadores, a Mu, a afundada. Pasava por Atlântida, por Eldorado, Zion, Ur e Tiges e carregava suas montarias com âmbar, sílex, bronze, ferrro, linho, seda, mirra, ouro, prata, açúcar, pimenta, cravo, canela e arquivos de emipetrês de bandas dos anos 50.

TInha ciência das rotas pelas estrelas, conhecia os povos pelo seu olhar, as comindas pelas cores, os animais pelos grunhidos e cantares, as pedras preciosas por sua sombra e gosto. Era um homem do mundo, enfim.

Numa dessas , após uma de caminhada no deserto, olhou o para conferir suas anotações e fazer o horóscopo do . Depositou a pena e o pergaminho do lado do saco de dormir e se deixou hipnotizar pela fogueira que morria lentamente. Entre as brasas, encontrou seu teto e entendeu que o seu lar era o caminho entre, o meio. Não possuía nada além de si mesmo, entretanto era amarrado por um destino de horizontes abertos e línguas diferentes, cheiro de cavalos, bois e camelos.

Era essa sua nação.


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