Encontrar os amigos de muito tempo é sempre uma emoção esquizofrênica.
Aqueles amigos que estão por perto envelhecem na mesma medida que o nosso tempo, mas o tempo dos amigos distantes se congela. Eles são sempre crianças, adolescentes, ou jovens adultos para sempre na nossa memória. Assim como tivemos professores que “nunca foram crianças”, Temos esses amigos que nunca envelhecerão.
E é bom que permaneçam assim, na nossa memória.
Há poucos meses, reencontrei os amigos de colégio. Pessoas que não via, no mínimo, há doze anos! Todos envelheceram, engordaram, enfilharam, casaram e descasaram….
O tempo passa para essas pessoas também, continuam as mesmas, apesar de muito mudadas. “Nós não namoramos?”, me pergunta uma “menina” que sempre me deu o fora quando eu a cantava. “Estou terminando o doutorado.” disse o cara que ficava colando de todos nas provas.
E eu envelheci um século. Tomei um porre de nostalgia, me afoguei em lágrimas ébrias e fui avassalado pela torrente do tempo.
Foram vidas que eu não vivi. Pessoas que eu não acompanhei, almas que se perderam da minha memória!
Queria poder brecar esse carro na banguela, queria poder parar a capacidade de viver a vida dos outros, mas me é impossível. Eu vivo mal a minha vida, apesar dela ser boa. Não sei se quero muito continuar pois não posso mais virar a minha própria mesa, que eu vire a derradeira goela abaixo!
Mas aí, sou acordado e minha filha me avisa que estou atrasado. E tudo fez sentido.
Tags: adolescentes, aleatórios, amigos, amor, casa, cidade, filha, nostalgia
[...] anos atrás escrevi algo sobre reencontros, sobre a estranha emoção que me tomou quando revi aquele punhado de [...]
Gostei desse texto. Eu tenho muito em mim em mim essa questão do passar do tempo, do que não foi.
E nunca tive coragem de ir a um reencontro de colégio ou faculdade….