de tão cansado, me recuso descer e pegar o ônibus para casa. além de perigoso, não gosto da companhia das putas, dos pedintes e dos bêbados. me dá inveja a liberdade e a miséria autêntica deles. pois a cada madrugada mal-dormida e mal-fodida que vivo, percebo que me entrego numa miséria de mim mesmo. quem me torno pedinte de uma emoção que nunca vem.
quero uma paixão que me deixe de quatro. nem que para isso tenha que errar cem mil vezes.
quero me embriagar na dor e no gozo de um novo amor, ainda que solitário.
quero me arregaçar 24 horas por dia, sofrer por não estar junto, por estar apenas perto, por não estar dentro.
mas me resta apenas o sexo de amanhã. e o consolo que a vida continua.
talvez um dia…