publicado na Tribuna da Imprensa
Tem aquela história que se conta quando se fala da mulher ideal: ela tem de ser uma dama na sociedade e uma puta na cama. Nunca o inverso. De certa forma é verdade. Pelo menos a parte da puta, já que ser uma dama na sociedade é eticamente bem mais questionável.
Sei que isso pode chocar as pessoas mais recatadas e as legiões de meninas colegiais japonesas virgens que lêem esse venerável jornal, mas a grande verdade é que a única mulher que vale a pena levar para a cama é aquela que gosta do antigo esporte bretão de correr pelado no quarto.
Não adianta nem tentar ter uma relação continuada com aquela que não sabe como pegar o negócio, que reclama que de um jeito dói, que a unha estala, que o cabelo desarruma, que o espelho tá embaçado, que as confluências astrais estão erradas e tal. Porque essa aí não está mesmo a fim de ser a sua Puta. De jeito nenhum. Mas isso não quer dizer que ela não queria ser a de uma outra pessoa. Bem provável que tenha sido no passado ou vá ser no futuro a de alguém. Mas hoje, meu caro leitor (e eventual leitora), coloque as meias e parta pra casa. Ela está no modo “boneca de plástico” (também conhecido como: bege, definitivamente bege) ligado.
Essa daí não dá. Em vários sentidos. Tá certo que o atletismo sexual é um esporte a ser praticado por adolescentes sortudos, profissionais do sexo ou uns poucos afortunados, mas é uma verdade universal que todos gostamos de uma variação e da pré-disposição (perene?) para o ato em si. E contigo, ela vai no máximo fazer uma concessão eventual de se despir. Quiçá deixar você cheirar as axilas (ou beijar os pés) dela.
Mas não tem problema. Você pode ainda se divertir, apresentando-a para os seus amigos ou levando-a para passear em shoppings, cinemas ou boates da moda. Porque ela até poderá ser a tua Musa (explicada na última semana) ou mesmo a Mãe, mas você vai ter de se contentar com vídeos de sacanagem ou um 5×1 eventual para aquietar a tua libido (se é que você tem isso, né?).
Pois é. Enrolo, enrolo para falar do segundo tipo de mulher que um homem tem de ter em algum momento da vida: a puta, meretirz, safada, cachorra, vadia, vagabunda, aquela que te faz ficar em riste apenas com um olhar, um sussurro ou um beijo mais demorado.
É aquela que faz você se esquecer que é um cara civilizado, polido, educado e faz você pensar se a cortina do lado da cama mancharia, se está bem firme ou soltaria pêlos, independente do local onde vocês estão – se o digníssimo leitor não entender a metáfora da cortina + mancha, me envie um e-mail e eu envio um desenhinho explicando – ou do evento social que vocês estão se apresentando.
É claro que isso está intimamente ligado à produção de ferormônios e da pré-disposição sexual de cada um. Mas essas são as únicas restrições que eu imagino para que qualquer mulher possa ser a Puta.
Acho que divaguei um pouco mais aqui que na última semana, mas vamos listar os pontos interessantes:
- Toda mulher pode ser uma Puta com o seu parceiro; aliás, deve;
- Uma determinada mulher pode bem ser uma puta com um homem e uma pau-com-pinça com outro. Não há regra para isso;
- Uma mulher não precisa ser uma Puta o tempo inteiro; mas sabe a hora exata para sê-lo; mesmo que pareça a hora mais errada;
- Não existe idade máxima para a mulher se tornar a Puta; mas deve-se sempre respeitar os limites legais, fisiológicos e físicos de cada um. Não dá para se animar em saliências e ter de ir correndo pro hospital por conta de uma câimbra ou algo semelhante. Eu atesto que não existe situação pior.
Não são muitos ítens, eu sei, mas esse é um conceito mais fácil de entender mesmo. Afinal de contas, graças à randomicidade da criação ou ao design inteligente, toda mulher é puta.
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Link puxa link e nem me lembro mais como vim parar aqui. Mas vou deixar um comentário: “e elas querem um companheiro que as auxilie nas tarefas domésticas.” Simples, não?
Eu li os 3 textos e confesso que adorei.
Contudo, fiquei com uma dúvida. Poderá um homem desvincular a “mãe” quando for transar com a “puta”? Como é isso? Uma não atrapalha a outra?