Eu estava há tempos para contar essa.
Um amigo me conta da moça que fez a corte e o arrebatou. Arrebatou naquelas, né? Ela é bonita, inteligente, culta, divertida. Tinha lá os seus quês e senões que toda mulher quando passa dos trinta e cinco amealha pelos homens da vida. Tinha-os e não escondia. Sinal de que sabia onde pisava e que já havia pisado por esse caminho várias e várias vezes. Aí gostou do cara e partiu para a decisão: “bora se querer!“
Obviamente, um homem, do sexo masculino, heterossexual praticante, convicto e disponível não teria como resistir a tal oferta. Foi surpreendido, logo de cara, com a iniciativa da moça. Ela sabia o que queria e – aparentemente – era o mesmo que ele. Daí não teve dúvida, só havia a tecnicidade da coisa. Tinham encaixe, tesão, afinidade, papo mas algo pintava e não havia finalização. Na quinta vez que se pegaram loucamente, uma surpreendente, prematura e indesejável visita de Francisco interrompeu o desejo da moça que não fazia uso de lazer na maré vermelha. Fato, sempre tinha algo para atrapalhar.
A moça começou a achar que era com ela o problema, que era desencanada demais, que ”quem mandou querer dar uma de homem e cantar o moço“ e tal. Ele, que era um azarado, que fazia tempo que a horta dele não chovia tanto e ele ali, amarrado com a moça que não queria descer, mas não dava de jeito e maneira. Aí foram esfriando, esfriando e deixaram a coisa ali de lado.
Mas o moço virava as noites pensando na história que não tinha terminado, nas possibilidades, nos ”e se…“. Certa feita, eles se esbarram nos bares para solteiros com mais de trinta e a tensão era visível. Inadvertidamente, ele pergunta se ela ainda pensava nele. Obviamente, não. A fila anda e o caixa é rápido, né?
E ele foi para casa remoendo mais que antes.