Uma questão que não consigo deixar de lado – e que não sei responder ainda – é onde termina a programação genética e onde começa o cultural, o social. Quando olhamos um cardume de peixes ou um colmeia de abelhas, analisamos o comportamento do todo partindo do pressuposto que o comportamento do indivíduo é totalmente suprimido pelo social como uma característica intrínseca, genética, desses seres. Outros animais sociais também apresentam uma aparente anulação do indivíduo perante o todo, formigas, lemingues, búfalos, zebras, e outros afins.
Nós somos essencialmente animais sociais. Andamos em bando e somos mais, maiores e mais capazes em grupo que individualmente, soltos no mundo. Parte desse “mais, maiores e mais capazes” é gerado pela nossa capacidade de entender padrões, replicá-los e transmiti-los adiante. Outra parte é por termos ainda em nosso código genético um “comportamento de manada” que determina a aceitação de valores morais ubíquos, de regras unívocas, de comportamentos coerentes, independente de cultura, classe ou formação mas, ainda assim, cremos na individualidade que se reflete em nosso comportamento no relacionamento com o não-eu, talvez para facilitar o processo de padronização, de name giving às coisas.
Se levarmos esse conceito no extremo, o indivíduo é uma ilusão, uma projeção da abstração do eu enquanto tenta compreender o que está ao seu redor e se isola do todo para analisar o que há de igual (os “nós”) e o que diferencia (“eu” + “nós”) do “outro”. Se “eu” não me construo como indivíduo, como único, não consigo criar referenciais nem de semelhança, tampouco de diferença para as coisas que precisam ser nomeadas.