sabe qual o pior medo? é o de perder o que se tem.
e a maior frustração? a de ter tido medo de se lançar no abismo.
e o maior cansaço? de ter sucessivas frustrações.
e a maior perda? a de cansar de si mesmo.
February 26th, 2009 § 1
sabe qual o pior medo? é o de perder o que se tem.
e a maior frustração? a de ter tido medo de se lançar no abismo.
e o maior cansaço? de ter sucessivas frustrações.
e a maior perda? a de cansar de si mesmo.
August 26th, 2008 § 1
As ruas me estranharam como se o meu olhar lhes fosse estranho. Era como se o roçar de ambos não fosse mais uma rotina, mas um acaso, como se eu fosse um alienígena na minha própria casa. An Englishmen in New York cantaria o chato do Sting (objeto de amor platônico de dezenas de gordas mal-amadas em São Paulo) e nunca estaria tão certo, nesses vinte anos desde que gravou o álbum Nothing Like the Sun, quanto agora, no encontro do meu dia com a memória dessa música.
E há o sono, o sono e o sono. Há a vontade de chuva caindo. Há as saudades do cheiro do orvalho, do ar carregado de tempestades e da maresia. Saudades da chuva que cai do teu corpo e do rolar na cama sem desespero e sem pressa do horário do ônibus partir. Há o cansaço das doze horas dormidas no frio e das poucas horas dormidas na concha e há o sonho de tudo se acertar no fim das coisas.
May 27th, 2008 § 4
publicado na Tribuna da Imprensa
Diz-se das pessoas com mãos pequenas que são habilidosas, dado que portam dedos pequenos, sutis e delicados, propícios para trabalhos idem. Que com leveza e presteza conseguem fazer o que portadores de desajeitados formões cárpicos não logram êxito. Que são sutis e meigas. Que são feitas para se segurar coisas macias e suaves. Ou para amolecer o que é carregado pelas eras e endurecido pelas pressões históricas. Que são sinal de destreza e são boas para a prestidigitação. Que conseguem tocar a alma e os corações por conta disso tudo e muito mais.
As pessoas de mãos mínimas são quase um esboço de gente feita. Enganam o mais cético dos homens-cinza. São crianças com idade de anciãos. Criaturazinhas que saltam dos cantos iluminados de sol dessas tardes de domingos outonais e que vêm recheadas de sorrisos e doces e babas e cócegas e tudo que te faz perder horas de trabalho a fio. Te fazem deixar o almoço esfriando e você esquecer a televisão falando sozinha, isolada. Do jeito que as tardes outonais de domingo deveriam ser.
Sempre.
Diz-se das pessoas com mãos miúdas que são capazes de encantamentos ínfimos, mas poderosos. Elas tiram as coisas dos lugares e as colocam onde deveriam sempre estar. A carta que não deveria ser lida, no lixo. O convite para a festa que seria esquecida, na carteira de dinheiro. O marcador de texto do livro de economia, trocado de volume, marcando a poesia favorita. A poesia que jamais seria relida. Não hoje. Não com essas lágrimas que pontuam a saudade e a vontade de estar do lado de quem você ama de verdade.
Diz-se das pessoas que têm as mãos ínfimas, que têm pés igualmente singelos. Que andam em silêncio e entram nos lugares onde você nunca esperou que alguém voltasse a habitar. Que acendem luzes nas horas que você pedia uma penumbra, que te impedem de chorar de desespero por achar que ninguém mais te escuta nesse mundo de estática e estrondos. Que te faz trocar de faixa do disco que você ouvia porque a música que estava a tocar era a que te lembrava de alguém que não entendeu que o seu amor era (é) incondicional e que te fez pensar se valia a pena se apaixonar novamente e de novo e mais uma vez, num ciclo de paixões e desejos que nunca se satisfaziam, apenas te arrastavam para a próxima e a seguinte. Que te faz olhar para o dia seguinte e pensar que é mais um sol que nasce e não um poente que se anunciará. Que te faz desejar o cansaço do fim do dia, sinal da vontade imorredoura de tornar-se maior que a vida. Tornar-se aquilo que pretendia ser quando eras uma pessoa (quase-pessoa) de mãos pequenas, miúdas, ínfimas, singelas, diminutas.
Queria dizer isso tudo das pessoas que têm as mãos grandes, agigantadas pelos afazeres e labuta diários. Queria dizer isso tudo de mim. Mas só posso falar que tenho um coração diminuto, singelo, ínfimo, miúdo e pequenino. Que só cabe nas mãos de quem tem as mãozinhas pequenininhazinhas. Do tamanho de uma menina de metro e meio de altura.
Diz-se isso tudo das pessoas que têm as mãos pequenas. E muito mais.
September 22nd, 2007 § 4
publicado na Tribuna da Imprensa
Eu sonhei com uma casa. Uma casa pequena, que tivesse trepadeiras de folhas verdes cobrindo toda a parede de frente. As raízes das trepadeiras carcomeriam os tijolos em que elas se apoiavam e entre seus ramos deixariam as moscas, lagartixas, aranhas, caracóis e outros animais de jardim morar. Elas também guardariam um pouco de seu frescor para liberar nos dias mais quentes de verão e amenizar o sofrimento do velho ranzinza que sentaria à sua frente com jornais que não foram lidos pela manhã e seriam a moldura e pando de fundo ideal para a cadeira de vime que teria a fôrma das ancas imensas e dos braços pesados do mau humor centenário. A cadeira e o reconheceria diariamente emitindo gemidos de aceite quando ele derramaria o seu cansaço milenar sobre o branco descascado de seu trançado.
Eu também sonhei com um labrador que eu viria crescer desde filhote. Ele corria nos quintais das casas da vila em que a casa com trepadeiras na entrada morava. Por vezes ele incomodaria o velho cansado com o seu ganir e quando a porta da casa com trepadeiras na entrada se abria, o abraço e o afago e a festinha acalentavam o cão que lambia as rugas solitárias do velho. Um prato de água e outro de ração estariam sempre no quintal que existia depois da última porta da cozinha. Mas a cozinha não teria trepadeiras. Nem o quintal. O cão sumiria entre as portas da casa e o velho retornaria à varanda da entrada da casa com trepadeiras.
Na vila não existiriam outras casas com trepadeiras, mas a rua entre as casas seria povoada por amendoeiras de copas largas, à semelhança daquelas que eu convivi quando morava em uma vila, em uma casa sem trepadeiras na entrada. As amendoeiras têm folhas largas, boas para se fazer marimbas e as crianças subiriam nos telhados para jogar as marimbas nos fios das pipas que se digladiariam no céu ensolarado de verão. As mães dessas crianças se desesperariam quando as vissem tão alto, tão entretidas, tão longe de si mesmas, tão perto dos sonhos. E as trariam para o chão sob ameaças de puxões de orelha, sovas e restrições alimentares. E não adiantaria muito, pois enquanto houvesse verão, amendoeiras e pipas, as crianças subiriam nos telhados e guerreariam com suas marimbas.
As disputas de bolas de gude e corridas de tampinhas de garrafa seriam os esportes nacionais da vila em que sonhei a casa com trepadeiras na entrada. Depois da troca de figurinhas, das peladas vadias, dos jogos de pião, das corridas de pegar, das cirandas e cantigas de roda, de ver o sol se por num telhado sem pipa ou marimba. E nos campeonatos teria sempre aquele que iria organizar tudo, o que desistiria no meio, propondo uma nova brincadeira, o que acharia chato tudo aquilo e a menina que iria propor andar de bicicleta e o menino que iria descer a ladeira da rua da vila no seu carrinho de rolimã.
Haveria também os vizinhos que deixariam as mazelas da vida adulta ao sentar nas suas varandas e respirariam o ar úmido e pesado do verão. Entre eles, o velho na cadeira de vime que ficaria na varanda da casa com trepadeiras na entrada, se lembraria da infância no subúrbio e que se lembraria que um dia sonhou com uma casa que tivesse as lembranças que amealhou nos milhares de anos de sua vida.
July 16th, 2007 § 4
publicado na Tribuna da Imprensa
“Me conta alguma coisa feliz? Queria rir um pouco.”
Ela dizia, com os olhos piscando. Não abria a boca ou falava palavra. Dizia tudo com o piscar de olhos e dar de ombros. E eu me debulhava em histórias bobas, inventadas para ela. Ficava feliz quando roubava um sorriso de lado, daquele do tipo que não achou a menor graça na história em si, mas no esforço. Sei ser engraçado, quando preciso, mas isso necessariamente envolve a humilhação pública de alguém ou um desmonte da reputação alheia.
O meu humor é amargo, ácido e cáustico, não é do tipo que faz sorrir, mas do que molha as calças de urina ou que faz babar o bobo de tanta pornografia dita. É assim que eu faço rir o tolo, o presidente e o mercador. E o que ela pedia, eu dava. Ela queria felicidade, eu dava, ainda que me custasse o suor do corpo. Ela pedia um sorriso, e eu comprava, ainda que pagasse por ele o preço da minha infâmia. Ela pedia uma alma, e entreguei várias. Por fim, pediu um coração. Mas não era o meu.
“Ouve minhas histórias? Queria tanto ser lembrada.”
Ela me pedia, debruçando-se sobre meu ombro enquanto eu trabalhava nas teclas para registrar cada respirar que ela não dava. As palavras ecoavam nos meus ouvidos, atropelando as idéias que se formavam, e os dedos já as guardavam todas no papel elétrico. Branco como deveria ser todo papel. Em tinta preta, como deveria ser toda tinta. Manchado de lágrimas, como deve ser toda lembrança boa, mesmo as que não são suas.
E ela povoava as minhas memórias com histórias que não me pertenciam, segurava minha mão para escrever mais e melhor e aguava os meus olhos para que eu visse o que ela tinha visto. Por fim, espremeu a minha alma até fazer sumo de emoção e assinou com um nome inventado.
“Cuida de mim? Vela o meu sono e o meu cansaço?”
Lânguida, deitava-se de costas para não esmagar as asas e o anjo da guarda que, como espírito da natureza, não possuía. Espreguiçava-se sobre a cama, derrubando as almofadas de cetim no chão sujo e empoeirado. Se remexia como quem esperava o amante íncubo durante o sono quente e úmido. Dançava uma coreografia estranha, que despertava em mim algo que imaginava morto e enterrado. O estranho é que ela parecia acordada, mas dormia como se tivesse em si o peso de centenas de anos. Às vezes virava-se de repente e me encarava desejando que eu estivesse pronto para ela.
Eu nunca estive pronto para uma coisa assim, de forma que eu cobria-a com o cobertor e lhe cantava umas cantigas de amores perdidos, de pessoas desencontradas e vidas separadas pelas fiandeiras do destino. Por vezes fazia um carinho descuidado, passando a mão no cabelo desgrenhado, negro, que se espalhava do canto esquerdo da cama até cair fora do colchão, no lado direito. Às vezes pegava um par de meias para calçar os pés que gelavam na madrugada ou trazia um copo de leite morno com mel quando estava mais inquieta que o normal. Fazia massagens nas costas com emplastro nas noites frias de tosse rouca e admirava o seu rosto quando sorria no repouso quando chegava.
“Me dá um beijo? Diz que é o meu homem?”
Ela me pediu, uma vez. Hesitei, pois a tinha apenas como uma fada que vinha me visitar à noite. Principalmente nas noites em que eu me sentia só e desgarrado do mundo. Quando ela notou que a dúvida me calava a boca, secava a língua e amarrava a garganta, desenhou um sorriso amarelo no meio do peito, abriu a janela e voou para se perder no firmamento.
E eu me pendurei na janela, desacreditado do amor.
July 12th, 2007 § 7
publicado na Tribuna da Imprensa
Sentado na sala, esqueço o que está passando na telinha no momento seguinte em que as informações chegam à minha retina. Ali eu exercito a minha capacidade de memória de peixinho dourado de aquário. É delicioso me imbecilizar diante do mundo que passa sem fazer qualquer sentido. Os romances de mentira, as necessidades inventadas, as informações que não afetarão em nada a minha capacidade de produzir, interagir ou de entender o mundo. Tudo isso passa, passa, passa, passa, passa, passa, passa. E eu fico sentado ouvindo as pessoas me dizendo: “isso vai passar, cara, vai passar”.
Mas não passa.
É essa a questão. As coisas não passam sempre como na tevê. Por vezes o que resta de uma situação é a exaustão. É como quando num gozo. O evento em si é rápido, mas a sensação e o estupor levam um tempo até o esquecimento. Mesmo o suor demora em secar quando a paixão é muito intensa. Fica na pele como lembrança do desejo feito em ato. É sombra do esforço que terminou. E não passa como um comercial de trinta segundos. Ele tem o seu tempo exato para que os músculos relaxem e retomem a condição inicial. O tempo de cada história é diferente até mesmo para as pessoas que participaram.
É como aquele ator que só tem duas falas no início da novela e lá pelo capítulo cento e cinqüenta tem uma cena inteira só para si, passando cal na parede da casa nova que comprou com a mocinha rica que finge que é pobre por causa da irmã gêmea má que quer roubar o seu namorado pobre, bonitão, boa pinta e bom de cama que sairá na G magazine no mês que vem. O tempo dele é lento e só aparecerá mesmo quando a novela for esquecida. Só a memória da cena dele caiando a parede com uma expressão de cansaço é que ficará nos programas de reprise da vida.
No caso, eu falava do cronista que se largou na cadeira da sala e ficou vendo televisão para esquecer-se que a vida não é nem sombra do que planejara, de que trabalha com o que gosta, mas teve de abandonar as pessoas que mais ama para poder fazer isso, de que tem a sina de amar mais o amor que as pessoas e que se apaixona mais pela paixão que pelo ato em si e que já não está no target do seu público-alvo, que já é velho para ir a shows de indie rock, mas é muito novo para curtir os bares de jazz com sinceridade.
O fato é que a vida pesa e carregar esse fardo cansa. Aliás, cansa diariamente e é por isso que as pessoas dormem. Não tem nada a ver com essas teorias neurológicas aí não. É a exaustão de carregar a si mesmo todos os dias, de sol a sol, que faz o homem arregar ao cair da noite e procurar o aconchego de uma cama.
Não que esse esforço seja ruim, entenda-me. A opção a isso está definitivamente fora dos meus planos momentâneos. Sei que a inevitável se fará presente, mas bem preciso de um século e meio de amargura e azedume antes que a derradeira data chegue. No mínimo. Quero muito esforço, desgaste, coração partido, suor mal-seco no corpo, lençóis desarrumados, empregos que exijam de mim, bocas que se recusam a ser beijadas novamente e noitadas anacrônicas antes que eu descanse essas férias sem fim.
Afinal de contas, única sensação que vale a pena é a do cansaço.
June 11th, 2007 § 0
publicado na Tribuna da Imprensa.
Novamente era uma mesa de bar. Botecão mesmo, na Augusta. Acho que era o Ibotirama. Já estava bêbado demais para ter certeza dos lugares. À minha frente dois amigos que atravessaram mais de quatrocentos quilômetros para me visitar. Eu estava feliz com aquelas faces tão amigas ali reunidas.
Já tínhamos rodado uma série de lugares de baixo renome atrás de uma Serramalte digna e o sucesso fora marginal, no mínimo. Até o fim de semana terminar, apenas desventuras e programas furados por conta do desconhecimento do terreno de um carioca desterrado em Sampa. Teoricamente eu já deveria ter mapeado todo o submundo da cidade e saber de cor os points de álcool de qualidade. Não o fizera. Como eu iria descobrir mais tarde, a idade tava cobrando uma taxa maior que eu esperava.
Sentamos nas cadeiras de plástico e na mesma hora nos arrependemos de ter abandonado os bancos quentes da Bela Paulista. Tentamos engatar alguns papos sem nexo e parecia que nada rendia. Ou não rendia da mesma maneira que quinze anos atrás. Não era esgotamento do carinho mútuo, pois esse era aparente, mas era mais uma distância que fora construída vida afora.
O que mais se ouvia era o nosso silêncio. Olhei os rostos dos meus amigos como se os encontrasse pela primeira vez. Me surpreendi com as rugas de um e os quilos ganhos de outro. Imaginei que o mesmo acontecia comigo, o tempo não perdoa ninguém. O cansaço da viagem e do dia de trabalho ajudavam a tornar esse silêncio em algo mais imperativo que a vontade de beber e acordar acabado numa sarjeta paulistana.
Na verdade, não havia a vontade de repetir aqueles programas de adolescente desesperado por acabar consigo mesmo ante o mundo adulto que se apresenta para ele. Já temos a certeza de nossos papéis na sociedade e o que temos de desempenhar diariamente para nos afirmarmos como cidadãos produtivos e eficientes. Temos uma história de quarto de século após a fralda cada um. Temos responsabilidades e deveres e somos lembrados deles diariamente. E é isso que nos faz adultos, não é? A ausência de indulgências perante nossas responsabilidades.
Tentamos lembrar de alguns casos do passado ou de pessoas que perdemos o contato. A cerveja – Brahma, nevada, gelada – calava as intenções de continuarmos os assuntos inócuos. Ficamos com o planejamento do sábado e do domingo.
Ainda que eu tentasse amealhar alguma lembrança boa dos três na mesa de bar varando aquela madrugada, era indelével a sensação de derrota perante as minhas mais caras lembranças da vida. Queria que tivesse sido um fim de semana de abraços, gargalhadas, lugares legais a se ver em Sampa e um revival do que era a maior amizade de todo o mundo.
Mas éramos apenas três bêbados a silenciar ante as nossas histórias do passado e anunciando um fim de semana que acabara já na madrugada de sexta-feira.
March 2nd, 2007 § 7
Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimento
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
e a outra metade um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
e a outra metade não sei
Que não seja preciso mais que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é a canção
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.
February 7th, 2007 § 1
O Horóscopo diz:
De 07/02 (hoje) às 13h44 a 22/02 às 5h | Marte em quadratura com Sol natal
Alerta vermelho para a sua vitalidade, Zander: Entre os dias 07/02 (hoje) às 13h44 e 22/02 às 5h, o planeta Marte estará “brigando” com o Sol do seu mapa de nascimento, e este tende a ser um período de desgaste desnecessário de sua vitalidade. A sensação deste momento tende a envolver a idéia do uso excessivo de força para fazer coisas simples, algo do estilo “usar força de 1 quilo para levantar um objeto de 200 gramas”. Neste momento, convém organizar direitinho seus afazeres, caso contrário o risco é o de você se desgastar demais com uma coisa que não exigia tanto desgaste, e na hora de ter que usar uma força especial em algo que de fato demandava mais atenção, você perceberá que se exauriu. Mas a idéia é a de que você, ao saber disso antecipadamente, mude esta tendência. Ter consciência do processo é uma chave para você se organizar melhor, Zander, e evitar esta perda desnecessária de vitalidade. A propósito, se você faz atividade física, que tal diminuir o ritmo um pouquinho neste momento? Isto pode evitar um tendão machucado, ou algo parecido…
Uma das marcas registradas deste momento envolve a idéia de um desacordo entre a sua vontade pessoal e aquilo que você faz no sentido de validar os seus quereres. É como se você quisesse uma coisa, mas os seus atos contrariassem o seu próprio objetivo! Procure avaliar esta tendência neste momento, a fim de não se tornar uma espécie de sabotador da própria vontade, Zander!
Esta é uma fase para você evitar desgastes desnecessários de energia. Se você tem que acordar cedo amanhã, para que perder noite? Se você sabe que terá que se dedicar muito a algo importante, não é inteligente marcar coisas demais no período próximo a isso. Concentrar melhor as próprias energias vitais é uma necessidade para este momento. E isso envolve, acima de tudo, ter uma boa alimentação, boas noites de sono, enfim, atos que qualifiquem melhor a sua vida física.
E o tarô:
Carta de hoje: 9 de Paus
Economizando energias
O 9 de Paus como arcano de conselho para este momento da sua vida recomenda muita economia de forças neste momento, Zander. Evite se desgastar com problemas que aparecem, imprevistos, não lute contra o obstáculo que ora se impõe. Apenas aquiete a alma e espere que o problema passe por si só. As complicações que surgiram ou surgirão não lhe impedem de obter aquilo que almeja. O que ocorrem são atrasos, empecilhos. Se você se dispuser a tentar e a persistir bastante, obterá a vitória. Apenas aguarde o momento certo. Disciplina, firmeza moral e persistência são as qualidades indispensáveis neste momento. Cultive-as e você perceberá que pode encontrar grande felicidade na espera.Conselho: Pra que se desgastar? Sente-se e aguarde o momento propício.
E isso num dia que chorei de cansaço, cansaço, cansaço e saudades.
foda.
March 14th, 2006 § 2

Nunca gostei de viajar: separar roupas, necessaire, passagens, acordar cedo, chegar muito tarde, quartos sem personalidade, cansaço que não se desmancha na noite, desempacotar tudo, arrumar o armário, tevê sem DVD, ar condicionado gelado.
Sempre gostei de estar longe de casa: pessoas novas, paisagens diferentes, comidas, olhares, assuntos novos, sensação de estar perdido a uma quadra de “casa”, uma novidade a cada esquina, galeria ou praça.
Detesto voltar: atochar as roupas, necessaire, verificar onde deixei as passagens, acordar cedo, chegar tarde, portaria do trabalho, cansaço que não se desmancha no expediente, cama cama e cama.
Eu e a cama. Sós.