Primeira comunhão de Catarina

June 2nd, 2008 § 3


Foi sábado. E ela linda, linda.

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minha filha tem um blogue!

May 29th, 2008 § 4

Não sei se me assusto, ou se me orgulho. Acho que ambos.

ADORO!

catarina catta preta

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corrente. de novo. 7 coisas.

May 28th, 2007 § 15

Rachel me passou essa “gracinha”. Lindo… pelo menos me vingo passando pra frente.

07 coisas que tenho que fazer antes de morrer:

  1. ver Catarina se formar
  2. terminar uma faculdade (qualquer uma)
  3. alugar o meu apê e morar só (por um ano, ao menos)
  4. ir à França
  5. aprender francês
  6. reaprender a sorrir sem medo de ser criticado
  7. achar meu centro e me sentir dono de mim novamente

07 coisas que mais gosto:

  1. abraçar
  2. beijar
  3. namorar
  4. ver o sol se pôr
  5. ver o sol nascer
  6. tomar chope bom
  7. ver um sorriso sincero

07 prazeres fúteis:

  1. colecionar quadrinhos e música digitais
  2. olhar placas de carro e tentar adivinhar como será o meu dia através dos números delas
  3. cheiro de gente de bem
  4. ver as nuvens acinzentarem um céu azul
  5. contar os segundos entre o relâmpago e o trovão
  6. fazer cócegas
  7. ter o computador mais possante que o meu dinheiro consegue comprar

07 coisas que mais digo:

  1. Né?
  2. Então…
  3. E aí?
  4. Caralho!
  5. Puta merda.
  6. Puta que pariu, caralho.
  7. Merda.

07 coisas que faço bem:

  1. beijar (dizem)
  2. escrever (dizem)
  3. falar (dizem)
  4. entender o outro
  5. contar causos
  6. aborrecer o próximo
  7. correntes

07 coisas que não faço:

  1. dirigir
  2. roubar
  3. tomar banho frio
  4. economizar
  5. terminar o que começo
  6. me entregar por completo
  7. assumir minhas incompetências

07 coisas que me encantam:

  1. crianças educadas
  2. olhos verdes (ou azuis, ou violeta)
  3. beijo apaixonado
  4. casal andando de mãos dadas
  5. carinho espontâneo
  6. olhares perdidos
  7. gente que fala sozinha

07 coisas que odeio

  1. desprezo
  2. incompreensão
  3. intolerância
  4. que controlem a minha vida
  5. desconfiança (justificada ou não)
  6. acordar cedo
  7. não ter dinheiro

Teoricamente eu deveria passar esse carma essa corrente para sete amigos. Então vou escolher amigos da blogagi:

Vamos lá: Théo, Lilhá, Lívia, Júnior, Monicake, Júlio, Gabi. Divirtam-se

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Primeiras lições de tolerância

March 15th, 2007 § 3

publicado na Tribuna da Imprensa

Catarina estava brigando com o sono, lagartando no sofá da sala enquanto fingia ver todas a programação proibida para menores de 14 anos na tevê – leia-se a novela das nove e o filme que passa às segundas-feiras logo depois – e ficou entretida com um filme que me causou um tanto de desconforto.

O filme tratava de uma dupla de amigos que entraram num cruzeiro só para gays e havia de tudo: de travestis a barbies, passando por ursos e empresários ibemezados que embarcavam para soltar a franga. Os dois protagonistas estavam num mato sem cachorro, já que eram hetero e homofóbicos.

Se não fosse o fato de uma criança de oito anos, teimosa como o pai, a insistir em assistir a algo que eu não estava disposto a explicar, não haveria problemas. Mas Catarina tem essa tenaz que dobra qualquer um, né? Então estava lá eu, do lado dela, tentando explicar que era uma comédia ruim, que os atores são ruins, que a história é boba, etc.

“Pai. Como assim eles são gays?” “Catarina, gay é quem – grosso modo – gosta de namorar alguém do mesmo sexo. Tipo menino com menino e menina com menina. E alguns deles têm esse jeito aí que você está vendo. Outros não. Mas isso é um filme, sabe? Não é bem assim assado.”

Ela me olhou intrigada quando, súbito, um travesti de cinqüenta metros dava um beijo no protagonista. Ela me olhou mais intrigada não entendendo mais nada.

“Aquela moça é um homem vestido de mulher, Cacá.” “Por que ele faz isso? Que bobo?”

Encasquetei um pouco. Como dizer para ela que isso tudo não faz diferença, que o fato deles se divertirem assim é o que importa? Ah! Já sei!

“Catarina, você gosta de Sandy e Júnior, né?” “Gosto, pai.” “E eu gosto disso?” “Não.” “Mas você fica feliz ouvindo os dois até o CD furar, né?” “CD não fura, pai.” “Eu sei, meu amor, é só uma metáfora.” “O que é metáfora? Tem no filme também?” “Não. É uma alegoria.” “…” “Ok. Você gosta e eu não. Mas o que importa aí é que somos os dois felizes, né?” “Sei. Então eu posso comer doces agora?” “Não. Você já escovou os dentes.” “Mas eu iria ficar feliz se comesse um doce.” “Ai Catarina…”

Olhei meio impaciente, como de costume, mas resolvi tentar de novo.

“Sabe o seu tio, o Marcelo?” “Sei.” “Você gosta dele, né?” “Gosto.” “Mas ele é chato, né?” “É.” “E faz piadas bobas, né?” “É.” “E você gosta disso?” “Não.” “Então.”

Ela encasquetou mais um bocado, comeu um doce – sim, não consegui negar o doce ante a argumentação veemente anterior da menina – e me sacou a seguinte: “O que importa é que gostamos dele, né?”

E eu sou tão orgulhoso dessa baixinha.

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Catarina

July 14th, 2006 § 0

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Joguinhos

April 10th, 2006 § 2

publicado na Tribuna da Imprensa

Estava sentado no computador quando a baixinha veio, imersa em lágrimas, me pedir para passar uma fase do jogo que ela estava a brigar com. Olhei com o preparo básico de pai babão que tem de esconder as próprias lágrimas de empatia quando tem de encarar o problema da filha.

“Catarina, o que está acontecendo?” “Não consigo passar de fase, pai.” “Mas se você não tentar, não vai aprender.” “Mas pai, eu já tentei mais de mil vezes e não consigo.” “Catarina, se você não consegue, deixa quieto. Troca de jogo.” “Mas eu quero esse jogo aqui. É dele que eu gosto, só não consigo passar dessas duas fases. Quero ver o jogo até o fim.” “Não, Catarina! Não vou passar a fase para você. Ou você aprende a jogar ou então troca o jogo.”

Virei a cara para o meu próprio jogo e pensei melhor. Quantas vezes eu me tranquei em meus problemas sem ter a capacidade, melhor: a hombridade de virar para o lado para o primeiro amigo desconhecido e pedir: “Me ajuda?”. Pior. Quantos que, ao invés de dar a mão, disseram: “Se vira, negão!”

Para piorar a situação: se ela não pode pedir ajuda ao pai, a quem ela pedirá? Tá certo que era apenas um jogo, que ela tava cansada por ter estudado o sábado e o domingo quase inteiros (eu detesto tabuada também, Cacá) e que não queria pensar em como passar no joguinho, queria apenas relaxar em frente à nova máquina de fazer doidos.

Mas não dava para arredar agora, né? Já tinha dito não e não é não. Ponto. Só que a baixinha tem como apelar. Se a comoção não ajuda, as forças superiores não hão de falhar. A bisavó e matriarca do clã se posicionou ao lado dela e virou-se para mim.

“Por que a menina tá chorando?”

Obviamente gaguejei mas consegui explicar que era apenas um jogo, que ela tem de aprender a resolver os problemas sozinha e tal. A vó-bisa disse nada. Só olhou com aquela cara de quem sabe que estou certo mas me deixando mais errado que tudo na vida.

“Ajuda a menina, vai.”

Fui lá, passei as duas fases e ela abandonou o jogo em cinco minutos.

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e assim se passaram sete anos

February 11th, 2005 § 18

“Zander, sobe que tem recado para você!”

Subi as escadas correndo, do sub-solo, onde tomava um café expresso no restaurante japonês, até a sobre-loja, onde trabalhava no Bureau. Estava na minha hora de almoço, evento por si só bem raro, dada a natureza caótica e feroz do meu antigo emprego.

“Tua mulher ligou, disse que está com quatro centímetros de dilatação e a médica já a encaminhou para o hospital.”

“Ela está no consultório? já pegou um táxi? o que mais ela disse?”

“Ainda está no consultório, mas disse para você ficar tranqüilo, ela está bem e indo para a maternidade.”

Desci pro sub-solo, avisei ao chefe que chegara a hora. Parti, correndo, para a Avenida Rio Branco e peguei primeiro táxi que passava. Besteira minha. Melhor ter pego o metrô. Eu saltaria a quatro quadras do consultório e a doze do hospital.

Toca o celular (emprestado, é claro! celular era coisa cara. aliás,! ainda é!).

“Zander. Cheguei no hospital, vou para o quarto…”

Interrompo-a.

“Me espere aí! Não ouse subir sem mim.”

“Não, mané! Passa em casa e pegue as minhas coisas. Trouxe algumas roupas já esperando, mas deixei as minhas mudas de roupa.”

“Ok. Pera! Ok não! Vou para aí. O negócio deve demorar um bocado, então peço à minha mãe para pegar as coisas. Além disso, é ela quem vai ver o parto mesmo. Você sabe que eu desmaio nessas horas…”

“É. Eu sei. Então vem prá cá que a Eliana está ‘dando entrada’ aqui.”

“Ok, ok e ok.”

O carro se move com a letargia típica de uma quarta-feira, meio-dia, no centro do Rio de Janeiro. Parece que nunca vai sair da.. opa! ganhamos o Aterro do Flamengo e partimos para Botafogo. Puta que pariu! Botafogo engarrafa sempre. Que merda! Não vai dar tempo! que bosta… opa! chegamos na Mena Barreto! agora é só um pulo.

Pago. Saio. Desço. Encontro.

“Oi. VOCÊ TÁ LEGAL?”

“Calma, Zander. Tô bem sim.”

“E as contrações?”

“Eu achava que eram gases. Tá bem fraquinho mesmo.”

Daí, foi internação. Banho. Limpeza interna. Minha mãe chega. Combinamos todos no quarto que a Mãe iria ver o parto, que eu não iria. Que estava certo e tal. Chega a enfermeira:

“Está pronta, mãe (a que iria parir, não a que iria acompanhar)?”

“Tô sim. Vamos.”

“Está pronto, pai? Você tem de vestir a roupa.”

Pois é. Assim como as mulheres têm um firmware instalado que as fazem saber *tudo* o que se relaciona a bebês, no momento que eles nascem, algo em mim brotou. Algo inédito, coisa que nunca havia sentido antes. Acho que foi coragem. Ou burrice, dá na mesma.

“Tô sim. Vamos.”

Mãe e a Mãe se olham. Não senti pingo de confiança vindo desses olhares. Com a coragem (ou privação temporária dos sentidos) que recém recebera, parti para A Roupa Verde e A Máscara.

Daí, espera. Mede dilatação. Espera mais um pouco. Mede de novo. Um “é, acho que já dá” seguido de um “dá a injeção antes”. Injeção? É, injeção. Ok ok ok ok. Não vou desmaiar.

Não era injeção. Era uma agulhinha de nada, coisinha à toa.

“É só isso?”

“Não. Essa é só para preparar para a peridural.”

“Ah! bom.”

Quando o anestesista saca o trabuco. Péra! Você não leu direito. Era um TRABUCO! Se fosse uma pica, seria o Long Dong Silver. Quando o anestesista saca o trabuco, eu começo a ver o mundo girar. O pediatra, que sabiamente se posicionara a meu lado, me dá um “abraço” de apoio. E eu NÃO desabo! U-hú! Deixa eu sair daqui correndo!

“Sabe que a maioria dos pais sempre desmaia quando a mulher toma a peridural?”

“Verdade?”

“Não. Mas quis apenas te consolar um pouco.”

“Mesmo que um pai desmaie, não dá muita dor de cabeça aos médicos, né?”

“Nem. Só teve uma vez que um cara caiu na mesa de instrumentos e se cortou todo. Mas foi só uma vez.”

Nota mental: ficar LONGE da mesa de instrumentos. Como assim instrumentos. Burro! vão cortar a Mãe toda e depois costurar de volta. Eca!

Bom. Lu não pode mais ficar de pé. Mas não tem dilatação suficiente. A obstetra me expulsa do quarto de espera e fecha a porta.

“Acho que estão amarrando um pedaço de ferro no pé da cama e mijando na porta enquanto acendem umas velas no corpo.”

“Hein?”

“Nada, deixa. Tô uma pilha.”

“Você fuma?”

“Não.”

“Pena.”

Todos os quatro médicos auxiliares fumavam. E estavam vendo novela. E um deles dormia. Filhos da puta. Sem consideração. Sem empatia. Ainda me davam tapinhas nas costas. Parecia que eu era um estagiário ou uma forma ainda mais baixa de vida.

Pronto. Tava na hora. Mesa de operações, ou de parto, ou de eutanásia. Não sei. Tudo igual nessa hora. A mãe começa a fazer força. Muita força. E berra. Mais que o normal. Menos que a vez que eu deixei-a esperando umas seis horas em casa enquanto fui tomar um pileque com o pessoal do trabalho. Menos ainda que quando eu gastei uns 500 dólares em figurinhas de Magic, the Gathering, coleção The Dark, esgotada, uma caixa fechada. Mas ainda berrava muito. O médico faz um “rolo de massa” com o braço esquerdo e pressiona dos peitos para as pernas, como se espremesse a criança para fora. A Lu berra ainda mais e a cabeça começa a aparecer. Já era Catarina.

Dez minutos (se tudo isso) depois, nasce a baixinha inteirinha. Pequena, imunda. Nojenta mesmo. Mas linda. Nem enrugada estava, mas ainda parecia um joelho. O joelho mais amado da face da Terra. Me a colocam no colo. Ela nem chora (já haviam limpado-a com um aspirador de melecas placentais). Opa. O que acontece atrás de mim? Outro parto? ah! é a placenta. Puta que pariu! é outro parto… Bom.. ao menos o pessoal pode puxar com menos delicadeza.

“Zander deixa eu ver… Você contou os dedos? ela tem dez dedos?”

“Claro pô! Você acha que eu sou o Homer Simpson? (hoje, mais careca, gordo, burro e atolado, eu penso se isso não foi uma profecia) Tá com dez dedos sim! Olha só.. é linda… e nem é um joelho.”

Levamos a baixinha para a estufa, ou caixão da Branca de Neve, como eu prefiro contar à ela. Eu e o pediatra que fez o teste do pezinho.

“Você tem filhos?”

“Quatro.”

“E você viu o parto de todos eles?”

“Lógico, né? Economizei uma grana… rs”

“Mas não enjoou no quarto?”

“Não. Chorei em todos eles.”

Da estufa, os avós, do outro lado do vidro davam adeus.

Fomos pro quarto. Lu dormiu. Eu acho que chorei um pouco. Mas guardei a lembrança desse dia, bem calada no peito. Abro só um pouquinho, quando chega essa data. Ou quando acho que nunca fiz nada direito.

Catarina, não sei se você um dia lerá isso, mas agora faz sete anos que eu me senti uma pessoa melhor, maior e mais humana. Você agora tem os dentes moles, caindo aos poucos, e outros tomarão o lugar deles (espero!). Nesse quarto de Saturno, você saiu da infância-bebê e vai começar a, cada vez mais rápido, virar gente grande. Vai ser uma pré-adolescente, uma adolescente (que invenções bestas da nossa sociedade), uma jovem adulta e uma mulher. Mas não deixará nunca de ser o bebê que eu coloquei no colo, nos primeiros momentos de sua vida.

E eu te amo.

Beijos, do pai (que não desmaiou!!)

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March 22nd, 2004 § 0

(com alguma ajuda é claro!!!)

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A menina que pulava os anos.

May 14th, 2002 § 1

Catarina era uma menina nos seus anos. Nem mais velha, nem mais moça. Ou melhor, às vezes era mais velha, ou mais moça. Ela costumava pulava os anos.

Tinha quatro ou seis anos, três ou cinco, um ou nove, cinco ou oito, ninguém nunca sabia ao certo. Todo ano era um ano novo, mas novo mesmo. Às vezes nem ano era, bastava ser um aniversário.

Não é que ela não soubesse contar, mas dessa forma era mais divertido e ela ficava maior ou menor quando pulava os seus anos para mais ou para menos. Velha, moça, criança, bebê, nem uma nem outra ou todas juntas ao mesmo tempo.

Brincava com os anos e com as horas também. Para ela, entrar no colégio era como sair; na hora de brincar, estudo; na hora de estudar, lanche e no lanche, papel e lápis, elástico e corda, bola e areia.

Tudo em volta de Catarina também a acompanhava nessa brincadeira esquisita. O pintinho que ganhou, virou ovo e depois galinha e, de repente, um dinossauro de penas que saiu voando pela janela.

Os colegas de amarelinha envelheciam a olhos vistos, casavam-se, tinham filhos e filhas e seus filhos tornavam-se pais e avós, continuando sempre crianças. Criança-adulto, criança-pai-e-mãe, criança-criança.

As horas do dia brincavam com ela, sempre doze por vez, ou vinte e quatro ou trinta e sei horas se lhes desse na telha do relógio de parede. Às vezes lá marcava seis da tarde, oito da noite ou três da manhã. De três em três horas, o remédio que tomava quando estava boa, e cuspia quando estava doente. Ninguém entendia bem, mas ela se jogava na vida assim, deixando tudo confuso e divertido ao mesmo tempo com os anos, as horas e as eras pulando à sua volta.

Mas teve um dia (manhã, tarde ou noite, sei lá!) que tudo ficou muito mais estranho. Ela ficou grande e pequena, velha e nova e seus amigos de tempos não mais a reconheciam.

Não era mais menina, criança. Mas não era adulta, nem moça-mulher.

Era isso tudo e nenhuma das coisas. Os anos já não pulavam em volta dela e ela não queria brincar mais com eles. Era já uma mocinha, adolescente, alguns diriam. Decidiu ser assim daqui por diante.

Só que os anos, as horas e os minutos, acostumados a ouvir a voz aguda da menina, não reconheceram a mulher-moça que estava a lhes falar.

Não a escutavam mais.

E o tempo passou a andar como anda para todos nós, tomando dela o que sempre foi seu. Só a memória de Catarina é que pulava os anos, de bebê a mulher, de filha a mãe.

Bem depois, seus netos brincariam com os dinossauros e as bisnetas, entre as estrelas.

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