February 6th, 2010 §

Ela me vê e vem correndo com um sorriso dissimulado. Está de pijama ou de roupas de casa ou com unhas pintadas de cores descombinadas ou fez chapinha e levou bronca ou está com mais um furo na orelha ou está macambúzia com as notas baixas ou chororô com o show que não irá. Mas está honestamente feliz, não duvido, e quer um abraço forte, um beijo carinhoso e um presente. Eu dou tudo o que me pede, já que sou dono e responsável por esse vazio impossível. Logo depois volta pro quarto para ver as séries descerebradas ou ficar “papeando”com as amigas pelos tuíteres da vida.
Já pensa em meninos, mas não creio que tenha beijado algum (ao mesmo tempo, acho difícil essa minha crença, mas insisto como dogma inquebrantável). Meu ciúme é só dela. Linda, puxou o que há de melhor da mãe e dos meus pais. Do meu acervo pessoal, só a indolência e a vontade de nada fazer. Quer uma festa do pijama esse ano. Dou graças porque é bem mais em conta.
Pediu um contrabaixo no natal passado. Comprei. Lembrei que precisava de uma capa para proteger o instrumento, de um cabo extra, de um amplificador, de uma faixa para segurar o bicharoco. Ela só se preocupava se ele era bonito ou não. Tonta, pensei. É preto e bonito. Ela ficou feliz. Tonto, todos pensaram.
Cheguei em casa e perguntei do teclado, que havia dado dois anos antes, ela disse que a mãe guardou no alto do guarda-roupas e que ia pedir para ela baixá-lo. Duvidei. Quebrei a cara e ela já está tirando músicas no teclado semi-pro que comprei numa loja do entorno da Galeria do Rock. Disse que ela precisa começar a ouvir a linha de baixo das músicas, para ver onde que entrava o instrumento que ela (e meu eu adolescente!) quer tocar. Ela disse que já fazia isso, há tempos, pai. Sempre ouço a linha de baixo. Por isso quero aprender a tocar. Eu consenti com a cabeça. Ela tem algo meu, afinal de contas.
Levei o lapetope velho, que eu usava até antes do Natal, para ela. Zeradin zeradin de tudo, o bicho deve ter ainda mais uns dois, três anos de vida, se ela souber cuidar. Duvido. O iMac já está com teclado e mouse mortinhos da silva e o monitor mal se vê que está ligado. Não é à toa que ela se atracou com o lepetope e ele virou amigo inseparável. Levo nesse fim de semana um teclado e mouse novos. Se o iMac morrer, o MacBook herda.
Estou devendo uma ida ao cinema com ela.
E um all star.
E uma ida à Paris, França.
E ser um pai melhor.
Recebi, ano passado, um cartão de dia dos pais. “Papai Zander”. Morri naquele momento. Não sou o único pai, né? Tem o padrasto que bem que podia ser um babaca, mas é um cara ótimo, carinhoso, atencioso, inteligente. Talvez melhor pai que eu jamais conseguisse ser. Quiçá, melhor ser humano até. Fazer o quê?
Só consigo ser o melhor zander possível. Nem mais. Nem menos.
Minha relação com ela é sublinhada pelos presentes, pelos gastos, pelos não-ditos, não-feitos. E pela certeza que serei um coadjuvante na sua história, um personagem menor.
Ela já é uma pessoa inteira e tudo que eu posso fazer de hoje para todo o sempre é imaginar como teria sido. Ela já não é mais a minha menina, o meu bebê, a minha criança das histórias. É do mundo. Daí o meu ciumes, o meu pranto. Daí eu ser incapaz de negar alguma coisa – qualquer coisa – que esteja ao meu alcance. É o gesto desesperado de comprar o afeto da – talvez – única coisa que eu tenho certeza que fiz de certo na vida.
Amo e levo-te, hoje, um violão.
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January 18th, 2010 §
Aprendi hoje que, na tradição judaica, a mulher é quem materializa os sonhos do homem. É uma capacidade feminina fazer do ideal, do imaginado, algo palpável, material e real. Tem algo a ver com malkuth (ou algo parecido) e com as naturezas diferentes entre o homem e a mulher.
Não sou do tipo de pessoa que acredita em mandingas e patuás, mas jogo o sal por cima do ombro esquerdo, quando cai acidentalmente na mesa, não pego o saleiro na mão e tampouco coloco tranquilamente a bolsa de comida no chão. Bom, talvez isso eu faça, mas a contragosto.
É uma questão mais de respeitar a tradição por detrás do ato que o ato em si. Não acho que dê azar ou mal agouro pegar o sal na mão do outro ou deixá-lo esparramar na mesa. Mas sei o que isso significa no decurso de alguns milênios de escassez. O sal, pasmem meninos e meninas, não era tão fácil de se ter em casa, dois mil anos atrás. Tampouco o sorvete, mas isso é outra história.
Pois bem, gosto de conhecer a história das coisas, mesmo das coisas inventadas, e respeito a tradição que elas carregam. Podem até ser besteira – leite com manga, espelho quebrado, passar debaixo de escada, deixar o chinelo virado, etc. – mas tudo tem um porquê escondido. Uma história passada de mãe para filha e repetida ad nauseum anos e anos e anos.
Daí, quando esposa me conta isso, tento entender o que está por detrás da história. Entendo um pouquinho mais como os judeus antigos pensavam (ou ainda pensam, sei lá!) e deixo-me levar pelas metáforas das sephiroth, dos trinta e dois caminhos e das energias. Mas não era isso que eu queria contar.
Ela me perguntou quais sonhos eu tenho comigo, guardados no meu core. Não são muitos, conto-lhe. Terminar os estudos é um deles. Meus dois livros e a peça, outro. Engajar num estudo mais aprofundado sobre um assunto que tenho perseguido há alguns anos, mais um. Sonho também com o futuro da minha filha, mas isso não é um projeto “meu”, pelo contrário, é um projeto nosso: eu e ela, tanto mais ela que meu. E só. Ela me olhou um pouco decepcionada, acho, e eu emendei: nunca pensei em durar muito nesse mundo. Sou efêmero, diáfano, transitório. Não quero deixar outras marcas que um filho, umas histórias, umas lembranças. Nada que dure mais que uma, duas gerações para depois que eu partir.
Não tenho esse afã de mudar o mundo mais que cada um de nós já faz quietinho, no dia-a-dia. Não tenho afã de amealhar bens, títulos, glórias, deixar heranças, ruas, parques ou edifícios.
Estou contente em ser um anônimo. Um anônimo com poucos projetos, pouca ambição e vontade infinita de ser nada. E isso dá um trabalho…
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December 22nd, 2009 §
Saudades de tu, minha querida.
Já faz um bom tempo que não nos falamos, não nos escrevemos, não nos perturbamos mutuamente com as questões mundanas e eternamente irresolvíveis. O Bardo Inglês se desdobrou em pena, tinta e pergaminho (ele usava pergaminho ou papel?) e falou eternamente sobre os mesmos assuntos que conversamos hoje em dia. Mesmos assuntos, personagens diferentes, quinhentos anos de intervalo, mesma merda.
Pois é.
Hoje em dia não é diferente. Coloco aqui as binárias formiguinhas escreventes para mandar mensagens nesse mar de estática que se tornou o coletivo de blogues, jornais e fanzines digitais. Nem rascunhar com destino certo essa joça serve mais, mas tudo bem. O outro lá, na corte da Elizabeth, a Tudor, tinha um público certo e definido, mas não sabia que estava fazendo algo que iria ser a síntese da psique moderna. De certa forma, mirou na num trono e seus baba-ovos e acertou na humanidade inteira. Fez bem, o diacho.
Eu tenho tido dias de intermezzo, saca? Como aquela musiquinha entre os intervalos entre os atos de uma peça – ou na troca dos rolos de filmes antigos, na França. Eles vêm como quem não quer nada porque já sabem que a história grande foi contada antes e não contarão coisa alguma agora, porque o devir é mais interessante e tá guardado para mim. Assim é a sensação: de que algo que era esperado, sonhado, está arrumadinho ali, no fim da década, para se fazer presente.
Engraçado como um sinal pequeno pode ocasionar um efeito grande. Não vou fazer apologia ao “efeito borboleta” mas um email enviado, uma festa, um olhar, podem mudar a vida em cento e oitenta graus e anunciar um novo mundo, um novo futuro.
Daqui, do alto das minhas quatro décadas incompletas, me empolgo com o porvir, mesmo sabendo que não sobreviverei ao que se anuncia.
Antecipadamente apaixonado pelo futuro, me despeço, querida moça.
Amo-te.
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December 1st, 2009 §
Pois bem, já sabemos que todo ano eu preparo uma indefectível mensagem por conta da experiência inefável da virada de ano.
E todo ano exprimo um desejo diferente. Já quis que o ano fosse mais humano que nunca, que tivesse 366 dias, que nada acontecesse, que eu mudasse por dentro e que eu me tornasse uma pessoa melhor.
Isso tudo já aconteceu de alguma forma, melhorei, piorei, mudei, continuei o mesmo, nada aconteceu, já tive minhas dezenas (muitas!) de 365 dias e muito mais.
Pra todos, para 2010 que chega, eu espero apenas que ele termine, dado que é início de tantas outras coisas.
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November 26th, 2009 §

“Dois conhecidos se reencontram trinta anos depois. Brincavam juntos nas areias de Copacabana, quando tinhams menos de dois dígitos de idade. Um deles, filho de um médico, tornou-se um famoso economista, conselheiro de nações, gênio mundial, outro escolheu a felicidade do dia-a-dia. Almas gêmeas.”
Eu ia escrever uma crônica, talvez extensa, sobre esse encontro e iria derramar tinta por conta de um diálogo que imaginei no caminho para o trabalho. Mas alguém vem e faz o trabalho por mim.
A genialidade não está pensar, imaginar, bolar. Tampouco em fazer acontecer. A genialidade está no in between, é desapercebida para quem é, óbvia apenas para quem admira.
Como um quadro. Como uma frase. Uma tagline.
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November 25th, 2009 §
Gente,
Urbanóides está disponível para download GRATUITAMENTE e está protegido pela licença da Creative Commons. Ou seja: se você quiser copiar, imprimir, dar de presente ou fazer qualquer coisa que não envolva cobrança ou alteração no texto, está liberado.
Só peço que mantenham os créditos e o link pra cá (http://casadozander.com/urbanoides). Comentários, críticas e pedradas digitais também são bem-vindas!
Para baixar o livro, basta clicar na imagem abaixo ou ir na página da editora Os Viralata para fazer a descarga. Valeu a atenção!
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Ah! por favor comentem e critiquem. O alento do blogueiro pobre é o comentário de cada dia.

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obs: agora dá para ver no próprio browser aqui.
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November 24th, 2009 §
Escrevi hoje cedo que é difícil “levantar é difícil não pelo esforço das pernas, que essas já estão acostumadas ao esforço de carregar o corpo, mas pela vergonha da queda”. Especialmente quando essa dor vem da maior humilhação, daquela que é perpretada diariamente por nós e não nos damos conta até o momento em que deixamos de ser sujeito e passamos a ser o objeto direto.
Tenho amigas que não sabem quando parar de doer uma ferida. Principalmente aquelas que já passaram do prazo. Ser preterido é uma merda, fato. Mas quantas e quantas vezes não fizemos isso com quem passou por nós? pelo carinha que era legal, beijava bem mas era meio mala, meio gosmento. Pelo gordinho que até tinha pegada, mas era flamenguista (ou corinthiano, ou cruzeirense) e ela tinha meio vergonha de ficar com ele na frente dos amigos.
Foda adiada, meu amor, é foda perdida, como diriam os amigos do bas-fond. Aquele amor passado é amor perdido, não tem mais volta. Não com a mesma cara, não com o mesmo fulgor. E quando o rapaz não te quer mais, não adianta ficar cutucando a chaga com cigarro aceso. Não adianta ficar remoendo os momentos ruins, as palavras meio ditas, o “o-que-fiz-de-errado” vivido. É passado já, beibi. Já era.
O lance é chorar a dor do amor verdadeiro, chorar a morte do que foi bom e nunca mais será. Daí é colocar a melhor roupa, chamar as amigas mais periguetes, cair na noite e deixar a vida acontecer.
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November 10th, 2009 §

Charile Brown
E o menino me contou que fazia tempos que não se apaixonava e que o motor de sua vida era a paixão. Não se encantava mais com poer do sol ou o seu renascer, doze horas depois. O verão desanimava-o e o inverno trazia as lembranças de uma infância feliz.
E era essa a chave que cerrava o mistério de seu cenho torto e anguloso: fora uma criança tão bela, tão feliz mesmo nos anos de chumbo, mesmo no calor do méier dos anos setenta, mesmo na pouca grana e nos brinquedos comprados com muito suor pelos pais e avós.
Mesmo na miopia que impedia que soltasse pipas, ele ficava imaginando-as voando e os outros meninos nos telhados correndo por uma aventura de papel, linha e varetas de pau, duelos em pleno céu azul sobre zinco e telhas quentes. Depois o salto para o asfalto e a corrida com chinelos destruídos por conta do chão que turvava o ar. Ele olhava e imaginava e invejava e rezava pelo outono.
E o menino vivia um idílio de céus cianos e amendoeiras e marimbas e piões e bolas de gude. Tinha desenho animado em tevê branco e preto, tinha globinho supercolorido e leite com café e pão molhado. Tinha sorvete em lata redonda e picolé de limão quando ia à praia.
Um certo dia ele entrou na escola e viu a menina de olhos azuis. Naquele momento algo morreu dentro dele e explodiu em sonhos de gente grande. Queria ser pai, marido e cientista. Queria ser inventor, rico e andar de mãos dados com a moça loira de olhos azuis. Apaixonou-se.
Os sóis que nasciam ou se punham não mais faziam sentido, as pipas ficaram turvas e desfocadas, as bolas de gude, bobas e as crianças da rua, enjoadas. A aula ficou mais interessante e a horas se esticavam entre os olhares de soslaio da menina. Que obviamente nunca lhe deu bola.
Mas não importava. O frisson de sentar a uma carteira era o que movia o seu querer dali para frente. Viciou-se em paixão.
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November 2nd, 2009 §
Uma amiga me perguntou como eu conseguia advinhar quanto tempo durava um relacionamento – meus e dos outros – com alguma precisão. Obviamente eu não sou onisciente e nem tenho uma taxa de acerto razoavelmente alta, cientificamente alta, mas como tudo que envolve o sentimento, os acertos contam mais que os erros.
Daí eu expliquei que todo relacionamento tem uma “matemática”. Já escrevi sobre isso antes e acho que consegui sintetizar isso hoje. As regras são simples e são cinco ou seis.
A regra primeira diz que é necessário ter algo em comum. E esse algo tem de ser dentro de casa. Gostar de shows, filmes, bares e amigos e atividades na rua é legal, mas sob um teto a coisa muda de figura. Se os relacionantes não conseguem fazer um bocado de nada juntos, diminui-se o tempo do relacionamento.
A regra segunda diz que eles têm de ter alguma discordância. Mas daquelas brabas, que cause brigas, tapas na cara ou ódio eterno. É no atrito que se aprende a negociar os espaços, a ceder, a treinar a tolerância. Mas ambos têm de ter isso ou o lado cedente acaba cansando.
A regra terceira diz que eles precsiam achar que o outro é melhor que eles em algo ou em tudo. Mas tem de ser mútuo. A admiração pelo outro é o que impulsiona o dia-a-dia. Caso contrário, o outro vira objeto de escárnio e qualquer opção fora do relacionamento acaba valendo mais a pena. Novamente ambos precisam achar que o outro é melhor, senão o caldo desanda.
A regra quarta diz que ambos têm de ter um nível sócio-econônico-cultural próximo um do outro. Mais cultural, sócio ou econômico dependendo da índole de cada um. Nada contra uma pessoa ser sustentada mental, social ou economicamente pela outra, mas há de ter troca entre os relacionantes. Já conheci casais perfeitos que sucumbiram à dureza, à burrice ou ao isolamento social. Não nessa ordem.
A regra quinta diz todas essas regras anteriores devem e serão quebradas em algum momento e nunca serão sempre observadas durante os relacionamentos que tivermos pela vida.
E a sexta, a derradeira e única absoluta, é que só se entra num relacionamento sabendo e esperando que um dia ele acabe. É a única garantia de que será infinito, como diria o poetinha.
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October 26th, 2009 §
Ele: Você se arrepende de algo? já pensou em desistir?
Ela: Não. Nunca!
Ela olha pros olhos tristes e desanimados dele. Ele está caçando algo entre os pés. Brinca com os dedos na mesa e encara o café como se alguma resposta estivesse misturada entre o açúcar e o creme. Talvez a borra… talvez a fumaça lhe trouxesse uma resposta.
Ela: E você? pensa?
Ele: Sempre. Todo o tempo. Todos os dias. O tempo todo.
Ela: Por quê?
Ele: Porque eu sou eternamente insatisfeito. O que tenho hoje não me contenta. Não me basta. Não acho que tenha nascido para ser realizado de qualquer forma. Fico comparando o agora com o que poderia ser, com o que jamais será.
Ela: E daí?
Ele: Não me arrependo. Nem desisto. Só não sei se as coisas são para sempre. Ou se deveriam ser assim. Para sempre.
Ela: E o que eu faço com isso?
Ele: Não sei. Não é justo, fato. Algumas coisas não deveriam ser ditas ou insinuadas.
Ela: E por que você veio com o assunto à tona?
Ele: Porque isso tem de ser dito.
Ela: Você me ama?
Ele: Amo.
Ela: Você ainda me quer.
Ele: Sempre.
Ela: Então, qual o problema?
Ele: Isso aí, o que temos. Tenho medo de que seja felicidade.
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