Do que são feitas as estrelas?

March 25th, 2009 § 5

Sou um possuidor de um coração vagabundo. Desses desclassificados mesmo. Nunca tive medo de me atirar ao chão e pedir carinho, fingir de morto, virar a barriga para cima, olhar com orelhas caídas e olhos grandes para quem queria/fingia me dar afeto. Certa feita, menina me subornou com um beijo se fizesse eu uma cena em plena Praça Saens Peña. Não fiz a cena por vergonha – esse sentimento estúpido e inútil, especialmente a vergonha alheia – e fiquei sem. Acho que ali tracei uma linha no chão e me recusei a cruzar.

Obviamente, com a idade, as vergonhas tendem a deixar de travar a mão. Mas essas trocam de nome e passam a se chamar de “conveniência”. Pois, como se diz no mundo da moda, tudo pode, mas nem tudo convém.

Estava no chope, conversando com amigos e conhecidos (mais desses que daqueles) e, ao voltar para casa, lembrei de pessoas com quem eu queria dividir a noite, seja no papo moleque, na conversa de várzea, no papo-furado arte, ou no aconchego de lençóis da minha cama king size. Tudo armadilha da necessidade de autopsiar a minha própria melancolia. Resultado: muito chope e uma enxaqueca pela manhã.

Passam-se os dias, as inspirações para escrever, as tarefas burocráticas d’A firma, as oportunidades de ficar milionário, os 2,4km que caminho de volta para casa quase que diariamente e eu, preso em uma nostalgia das coisas que deixei de fazer.

Nem São Paulo, com seus céus azuis e seus poentes impossíveis me comovem mais.

Aí, a amiga Mariana Blanc posta no seu perfil do Orkut: “Do que são feitas as estrelas? saudade.” Se for verdade, minha estrela brilha forte, cada vez mais forte.

Textos relacionados

Insônia e enxaqueca

February 10th, 2009 § 5

E então eu embarco no ônibus da viação Itapemirim com uma leve dor de cabeça. É fome, penso. Como o lanche que vem de brinde e a diaba não passa. Coloco uns filmes para ver no lepitópi -Battlestar Galatica está sensacional!- e a dor de cabeça só piora. É o balançar do ônibus, penso. Desligo tudo e tento cochilar. Nada. Só começa a espalhar do lugarzinho detrás do olho onde a cefaléia mora, desce pro ombro e se estica como arame até o dedão do pé. É enxaqueca, decreto.

Daí espero a parada de sempre, compro uma caixa de neosaldina -santa salvadora hosana nas alturas- e tomo quatro. Não passa. Quatro horas de batidas na cabeça no vidro entre as cochiladas da viagem para ver se o crânio rachava ou a dor cedia. Nem um nem outro. Chego em sampa e parece que a coisa melhora um pouco. Tô bom, me iludo. Nada feito: era a endorfina da manhã dando o seu alívio. Oito horas decido tomar Novalgina(tm) para ver se a diaba cede. Nada. Mais um grama do remédio santo -salve salve hosana nas alturas- e parece que começa a ceder. Tomo mais dois gramas só para ver se o negócio anda mais rápido. Anda sim e eu chapo na cama como um bebê.

Acordo às 15h com o dia perdido. Ainda bem que avisei à chefe, penso. Agora, às 2h22 fico fazendo desejos de sono de volta.

Saco.

Textos relacionados

outra corrente

January 10th, 2007 § 4

PQP, caralho.

Pettit-gateau me passou essa merda.

Ok.

Vou fazer.

Top 5 – besteiras que mais me irritam

1. Correntes. Por motivos óbvios.

2. PPTs edificantes. Nem lembro mais o motivo, apenas os deleto. Ah! lembrei. Odeio-os porque são PPTs e são edificantes.

3. Correntes… não! Pessoas que me passam correntes. Ah… tinha de ser uma besteira? Azeite!

4. Pessoas que não sabem empurrar o próximo para conseguir espaço em andar em multidões. Auto-explicativo. Ah! Odeio multidões também. E shows de rock com multidões. E eventos que atraem multidões. Mas adoro andar na Uruguaiana empurrando e cutucando por entre as pessoas.

5. Segundas-feiras. E o Garfield.

Como é de praxe, tenho de passar essa babaquice corrente amiga para cinco blogues. Então lá vai:

  1. Bárbara Axt – vulgo menina-enxaqueca.
  2. Giovanna Cantarelli – vulgo GC.
  3. Oswaldo Portella – duvido que ele faça, mas…
  4. Déinha – porque tenho certeza que ela irá fazer.
  5. Ju – porque é um doce e não se negaria a fazer. Ou não?

Textos relacionados

O quarto cara

November 10th, 2006 § 0

texto publicado em LIVinRooom

publicado na Tribuna da Imprensa

Ela chegou em casa e ligou o micro quase como um ato de desespero físico. Queria algo para se ocupar que não envolvesse álcool, tabaco, música alta para dançar e homens despidos. Ali ela podia, enfim, degustar a exaustão que o fim de uma festa proporciona. Parecia que a fadiga de anos torcia qualquer expressão naquela hora. Não sorria, nem chorava, tampouco se entendia com o que o corpo pedia. Estava à beira de um divórcio consigo mesma. Talvez fosse uma maldita TPM fora de hora ou o resto de um mal estar com a comida do bandejão da empresa. Ou então a maior ressaca moral de sua vida.

Enquanto tirava a roupa se lembrou de diversas situações erótico-engraçadas. Nenhuma dessas envolvia os rapazes que devorara recentemente. Assustou-se quando viu que a maior parte deles era com o Claudinho, amante de priscas eras. Ele, definitivamente sabia entreter uma mulher por bastante tempo. Por dois anos, de fato.

Colocou as mãos entre as pernas e lembrou-se, delicadamente, dele. A ardência da atividade do feriado estendido fê-la lembrar de quão animados, curiosos e criativos eles eram. Viviam colados e transavam em toda e qualquer oportunidade que a vida lhes dava. E, saibamos que a vida dá muitas oportunidades para sexo de entretenimento quando se tem vinte e poucos anos.

Soube que tinha extrapolado os limites quando fez a conta mental e realizou que tinha se deitado com o terceiro homem diferente em apenas um feriado estendido. Só não era algo digno para entrar no livro dos recordes porque sabia que Amandinha tinha feito dezesseis num carnaval passado.

Entrou no banho e deixou que a água morna lavasse o suor de três dias de farra acumulada. Depois tapou o ralo da banheira e sentou-se sob o chuveiro, esperando que a água chegasse à borda. Derramou um pouco de sabonete líquido na água e fechou os olhos para relaxar em cozimento leve.

Sentiu latejar mais uma vez, mas ignorou. Conferiu mentalmente se tinha usado camisinha em todas as vezes e supôs que sim. É claro que sim! Com certeza! Espero. Será? Iria conferir com os rapazes após acordar do sono de beleza, algumas horas depois.

Acordou ainda ressacada, ao meio-dia. Brigou com o travesseiro e os lençóis que não a deixavam ter o sono entorpecido sem sonhos. Imagens caleidoscópicas lhe fizeram doer a cabeça e a luz do dia pleno em nada ajudava. Xingou os fabricantes de cortinas vagabundas que a convenceram a dispensar o blackout que a defenderia desses infernais momentos. Abençoou os inventores do ar-condicionado quando se levantou para trocar a regulagem do mesmo de “muito frio” para “frigorífico caseiro”.

Caçou quatro aspirinas na gaveta e catou um copo de água na cozinha. Encheu-o de coca-cola e se arrastou como moribunda pela quitinete até voltar ao longínquo quarto gelado. Engoliu os quatro como se fosse uma panacéia universal e tentou dormir mais uma vez.

Quando a enxaqueca já anunciava que tinha comprado as passagens de ida para a terra das lembranças dos males que o álcool faz, o telefone tocou. Elisa acordou de supetão e ficou encarando o celular como se não acreditasse no que estava acontecendo. Tocou duas, três vezes e parou. Não era o Cláudio. Obviamente não. Fazia mais de ano que eles tinham tido o seu último revival. Tocou novamente. Ana. “Mulher. Tu não sabe quem eu acabei de ver aqui na praia!” “Hmmm.” “Claudinho!” Putaquepariudequatro.

“E sabe por quem ele perguntou?” “Hmmm.” “Por você, amiga! Esse homem não te esquece, boba! E aí… noite boa ontem?” “Depois te ligo, Ana. Beijo. Te adoro.”

Desligou rapidamente, jogou o aparelho no pé da cama e ficou encarando o Nokia rosa. Dormiu oito horas seguidas e ligou prum dos bofes para mais uma rodada de esquecimento fácil.

Textos relacionados

Where Am I?

You are currently browsing entries tagged with enxaqueca at a casa do zander.

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline