<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>a casa do zander&#187; Sobre veias e colhões</title>
	<atom:link href="http://casadozander.com/tags/escrita/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://casadozander.com</link>
	<description>pensamentos esparsos de uma mente desconexa</description>
	<lastBuildDate>Tue, 07 Sep 2010 15:22:08 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0.1</generator>
<xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" />
		<item>
		<title>Sobre veias e colhões</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/sobre-veias-e-colhoes/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/sobre-veias-e-colhoes/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 20:56:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[avó]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[colhões]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[mês]]></category>
		<category><![CDATA[peça]]></category>
		<category><![CDATA[semana]]></category>
		<category><![CDATA[tesão]]></category>
		<category><![CDATA[vontade de escrever]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://casadozander.com/?p=1123</guid>
		<description><![CDATA[Escrever sobre o ato é um artifício que o cronista lança para enganar a si e ao seu patrão (o leitor não conta, a função do escritor é iludir quem lê e fazê-lo achar que o seu causo é o mais interessante, o mais relevante, o mais inteligente ou qualquer outro superlativo que lhe venha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Escrever sobre o ato é um artifício que o cronista lança para enganar a si e ao seu patrão (o leitor não conta, a função do escritor é iludir quem lê e fazê-lo achar que o seu causo é o mais interessante, o mais relevante, o mais inteligente ou qualquer outro superlativo que lhe venha à mente), mas que vira e mexe temos de fazer uso para garantir a matéria no jornal, a coluna na revista ou o afago do leitor do blogue. Então, para comemorar um mês e uma semana sem atualizar esse espaço, segue a minha enganação da vez.</em></p>
<p><em>Afinal de contas, sou uma farsa.</em></p>
<p>&#8212;</p>
<p>Muitas vezes me pergunto o porquê de ainda insistir em escrever. Já disse antes que não é piti de atualizar blogue ou frescurite de <em>writer’s block</em>, mas é que a vida às vezes nos leva para alguns cantos que não esperamos, um retorno não programado à casa, uma tomada ostensiva do teu tempo vago por jogos digitais, listas de discussão que te arroubam a verve, coisas assim.</p>
<p>Uma vez disse que escrevo não porque quero, mas porque é impossível deixar de escrever. Isso foi em outra época – um surto e meio atrás – onde a minha necessidade de me expressar era mais urgente. Uma necessidade de eu me entender comigo mesmo para mim. Saca? Pois bem. Eu não.</p>
<p>Fato é que deixo de escrever hoje facilmente. Passo meses sem ter necessidade. Pelo menos em escrever aqui. Quando penso que tenho dois livros na fila (um iniciado, outro no rascunho), uma peça para finalizar e muita, mas muita coisa para fazer de nove às dezenove, desanimo. Mesmo.</p>
<p>Disse uma vez – não aqui – que ler um livro como “Guerra e Paz” era um ato anacrônico. A vida moderna te rouba tempo demais para que consigamos devorar seiscentas e poucas páginas como se fosse um folhetim. Somos mais diáfanos e efêmeros que nossos bisavós. E somos mais rápidos, lépidos e fagueiros também. “Seiscentas páginas? Só se tiver gráficos e organogramas e mancha de texto com corpo 16 sobre 18”. (Antes que me batam, não acho isso bom. A nossa sociedade precisa reaprender o valor do freio, da marcha-lenta. Mas não vou ser eu que irei ensinar. Deixo para os enfartados aos trinta que aprendam a lição.) Quando me dou conta que ler mil páginas é impossível para mim hoje, penso logo: “Como esse puto (o autor) conseguiu escrever esse calhamaço? E com bico de pena ainda? Ele não trepava?”</p>
<p>Na verdade, não é questão de tempo. Afinal, tempo é apenas uma percepção. Mas é uma questão de culhão. De tesão pela coisa. Sim, o cara não trepava para escrever dez mil páginas. Esse tal de Autor tinha de apontar a pena, conseguir a tinta, descolar o pergaminho e escrever, escrever e escrever para caralho. Pra caralho, inclusive é a metáfora perfeita.</p>
<p>Agora entendo o porque da necessidade anterior de escrever como se não houvesse amanhã. É que escrever, pra mim, era como desnudar uma veia dilatada que ligava a alma aos colhões.</p>
<p>Era o gozo da minha essência imaterial em tinta digital manifestada.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/sobre-veias-e-colhoes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Capítulo 1</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/captulo-1/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/captulo-1/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 03 Oct 2008 21:30:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[cemitério]]></category>
		<category><![CDATA[cerveja]]></category>
		<category><![CDATA[cidade]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[gripe]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[linguagem]]></category>
		<category><![CDATA[medo]]></category>
		<category><![CDATA[mês]]></category>
		<category><![CDATA[sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[sol]]></category>
		<category><![CDATA[sonhos]]></category>
		<category><![CDATA[sono]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.z-cp.com/?p=77</guid>
		<description><![CDATA[Deveria falar sobre os que partiram, os que ainda vão voltar, sobre as coisas que não existem, as que vão se inventar. Mas falar disso é fuga, algo que não busco mais pois há muito só faço fugir das sombras projetadas em meus sonhos. Medos transformados em gente, com nome, endereço e documento. Não penses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deveria falar sobre os que partiram, os que ainda vão voltar, sobre as coisas que não existem, as que vão se inventar. Mas falar disso é fuga, algo que não busco mais pois há muito só faço fugir das sombras projetadas em meus sonhos. Medos transformados em gente, com nome, endereço e documento.</p>
<p>Não penses que tenho culpa de algum crime ou de algum erro imperdoável. Meus crimes, se podem ser chamados assim, são de natureza branda, pequenos diante a cruel realidade que me formou. Culpa, carrego sim, com um peso inenarrável. Me sinto tão culpado de estar vivo que a simples perspectiva de acordar me apavora. Não consigo mais olhar meu rosto no espelho e achar um homem refletido nele.</p>
<p>Vou te falar de culpa, uma culpa ancestral, de medos, de chances perdidas, de um ser humano desprezível que não honra a luz que é consumida quando projeta uma sombra. Falo-te (já deves saber) de mim mesmo.</p>
<p>Perdoa-me, desde já, a linguagem pedante, o estilo forçosamente rebuscado, demonstrando falsa cultura e erudição. É difícil perder o hábito assim, de uma hora para a outra, tentando ser honesto e sincero. Após muito torcer, a mão vicia a escrita.</p>
<p>Pois como pode um adulador profissional, um ser que devotou trinta anos de sua vida a agradar o próximo, a elogiar na hora certa, a se fazer notar sem incomodar, mas causando sempre a impressão de que era necessário, até mesmo fundamental, de uma hora para outra se tornar um homem que honra as calças que veste, que defende idéias próprias, ou melhor, se dá o direito de ter idéias suas, pensadas com sua própria cabeça, e não repetidas de seu superiores ou roubadas de seus assessores.</p>
<p>Quantas vezes deixei um comentário morrer no céu da boca, apenas porque duvidava do agrado do mesmo. Quantas covardias cometi ao me calar ante um impropério, uma calúnia ou mesmo uma piada de mau gosto.</p>
<p>Mas deixa estar, a noite cai em cima dos abandonados, pois para quem tem companhia, luz de lâmpada é dia com mais horas, é convite para os úmidos e entumecidos, é vida de gato. Que sejam sete ou nove.</p>
<p>Para os abandonados, só resta o dia que nasce às quatro e meia da manhã, a hora e meia sacudidas num humilhante, quatro horas de sim senhor, quase hora inteira de bóia e lesmice, mais quatro de não fui eu senhor, duas horas de mais sacudir mais banho e cama desarrumada de ontem, quando não é sexta-feira, que é banho e menos sono por causa da reza dos crentes em frente de casa. Sábado é dia de cuidar da casa que não se cuida só. Domingo é dia de lamento da segunda que se aproxima.</p>
<p>Acordo e não me esqueço da noite de ontem. Drogas e álcool foram inúteis. Teu gosto ainda fica na minha boca apesar das outras. Mas uma felicidade boba e vã insiste em continuar a me perseguir. Pois não sou o tolo a quem gozam os bufões? Não sou o idiota a quem os pivetes, os moleques xingam ao passar na rua? Então, este imbecil aqui procura porque, mas não encontra aonde, motivo do sorriso descarado que exibe na cara rota.</p>
<p>É bem-amado? Pois não, vive de chutes e pontapés das biscas que não recusam a outros. É bem pago? Pois não, para as contas mal dá o salário e sempre sobra mês no fim do dinheiro. É culto? Inteligente? Tampouco, tampouco. Erra os pronomes, mal fala o português que diz falar o &#8220;brasileiro&#8221;, não soma ou diminui, sequer supõe que as duas operações são a mesma. Como pode um assim ganhar dinheiro que dê para não morrer faminto?</p>
<p>Pobre coitado que nem coito leva para si, nem gripe ou outra doença o atira na cama para que, mesmo febril, consiga descansar um dia ou dois. Pois férias, feriado, não tem que o patrão não assina a carteira que, afinal de contas, aonde um imbecil de pai e mãe conseguiria um emprego tão bom? Aqui, comigo você pode crescer, diz o patrão, mas crescer como, diz o idiota apedeuta, cresce sendo homem de confiança, mas para isso preciso confiar em ti primeiro, diz o explorador, e ganhas confiança trabalhando muito, de sol a sol, termina calando o primeiro. Pois não vive o imbecil. É morto e vivo que perdeu caminho do cemitério nem se encontrando no paraíso, inferno ou purgatório. É fugido do umbral dos homens e dos animais. Entende os aqueles, quando berram, age como estes, passivo.</p>
<p>Mas de onde o estúpido arrumou o sorriso? Pois não compraria prazer nem em Vila Mimosa aonde o amor é barato e se compra com todos os tipos de papéis. Tampouco arrumou caridade com moça ou mulher, pois é feio de trocar de calçada os marginais. Que raios de sorriso é esse? Seria dos tolos que, sem saber que males existem em volta de si, se regozijam em torno de cerveja, carne e batuque? Seria dos desesperados que encontram em palavra forte de pastor e mímicas de demônios expulsos acham-se mais amados pelo divino que o seu vizinho? Seria de uma fumaça ou erva que abobalha os sentidos e estampa uma fome no ventre? Seria de um outro bobo que, em sua bobice, divertiu o cretino que agora sobe a ladeira de sua favela. Passa pela vala negra, que ajuda a cumprir os escritos sagrados na bíblia das moscas: &#8220;Crescei, multiplicai e repeti tudo de novo&#8221;, com uma indiferença que só cabe aos que nasceram e foram criados perto de valas negras. Entra em casa sua alugada de outro e vê no espelho rachado que fica em cima da pia um sorriso que nunca foi seu. Deste momento em diante, não é mais bicho-homem. É homem.</p>
<p>Só o homem ri.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/captulo-1/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Bloqueios</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/bloqueios/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/bloqueios/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 05:18:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[cidade]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[letras]]></category>
		<category><![CDATA[sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[semana]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>
		<category><![CDATA[sol]]></category>
		<category><![CDATA[tribuna da imprensa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://casadozander.com/?p=759</guid>
		<description><![CDATA[publicado na Tribuna da Imprensa Uma anedota costumeira entre escritores e jornalistas é sobre o writer’s block. Dizem que, quando um cronista está com bloqueio, ele costuma buscar esse mesmo tema para cumprir a sua quota semanal. É um velho clichê falar da incapacidade de escrever. E já cansamos de ver Veríssimos e Jabores dissertando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>publicado na <a href="http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/2008/agosto/14/bis.asp?bis=cronicas" target="_blank">Tribuna da Imprensa</a></em></p>
<p>Uma anedota costumeira entre escritores e jornalistas é sobre o <em>writer’s block</em>.</p>
<p>Dizem que, quando um cronista está com bloqueio, ele costuma buscar esse mesmo tema para cumprir a sua quota semanal. É um velho clichê falar da incapacidade de escrever. E já cansamos de ver Veríssimos e Jabores dissertando sobre “o bloqueio de escritor” da “falta de inspiração” do “processo criativo interrompido” ou, como eu prefiro: o <em>coitus interruptus</em> para cumprir o seu espaço no jornal daquela semana.</p>
<p>Gosto da imagem do coito interrompido porque encaro a atividade de escrever como uma trepada com uma amiga querida. Ou com um encontro com a mulher da minha vida. É um flerte que começa numa manhã ou no meio de um texto de outrem. Daí levo esse flerte para casa, durmo com ele e deixo-o amadurecer em algum nível de consciência. Dias depois vem a cantada derradeira e, para coroar a ação: o coito, digo, o texto. Obviamente, nem preciso dizer que estou passando por um processo desses aí. Não o coito. Infelizmente.</p>
<p>Há semanas, quem acompanha minha coluna ou meu blogue está careca de saber que nada que preste tem saído dessa cabeça distópica. É sempre um “mais do mesmo” que você, caríssimo e raro leitor, encontra aqui.</p>
<p>Pois bem.</p>
<p>Isto posto, resolvi escrever algo diferente. Ou seja, resolvi escrever o que todos escrevem quando estão com essa válvula criativa enferrujada. Escrevo sobre o ofício de escrever</p>
<p>“O ofício de escrever é um sacerdócio”, diria algum escritor pernóstico que se acha tanto e muito só porque tem a habilidade – e a obrigação – de dominar minimamente a língua que fala e consome diariamente. Ao meu ver, o ofício de escrever é tão e somente o ofício da escrita. Assim como alguns têm habilidades e obrigações a se resolver com planilhas eletrônicas, ou com linhas de programas para a internet, a rede mundial dos computadores, outros têm com as letras e palavras da língua portuguesa.<br />
Por um outro lado, há um quê de abnegação na escrita. É um derramar dos saberes e dos fazeres em forma de coerência e estilo que tentam levar a quem lê uma mensagem que já nasce perdida. Não há como se precaver se aquilo que é dito é de fato entendido por quem está do outro lado. Pior, não há como saber se aquilo que se pretendia dizer sequer foi feito com competência. Até que seja tarde demais.</p>
<p>Por exemplo, eu quis escrever sobre bloqueios e sobre a incapacidade de derramarmos sobre o papel – com tinta cada vez mais metafórica – as idéias e os assuntos que pensamos durante o dia. Na verdade quis dizer que a incapacidade de escrever estava diretamente ligada à incapacidade de reter o que nos vêm pela cabeça, porque criamos as mensagens e os textos a todo momento, nós que nos predispomos a dominar esse ofício de alinhar símbolos inteligíveis a quem possa os decifrar.</p>
<p>Por fim, só sei que quarenta linhas foram preenchidas e nelas pincelei sobre sexo, coito interrompido, capacidade criativa e função da mensagem. Sem nada dizer.</p>
<p>Definitivamente, um bloqueio.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/bloqueios/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sexo, drogas e um livro legal</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/sexo-drogas-e-um-livro-legal/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/sexo-drogas-e-um-livro-legal/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 02 Jun 2008 04:11:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[tribuna]]></category>
		<category><![CDATA[anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[bizz]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[fotos]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[medo]]></category>
		<category><![CDATA[rock'n'roll]]></category>
		<category><![CDATA[rolling stones]]></category>
		<category><![CDATA[segundo]]></category>
		<category><![CDATA[semana]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>
		<category><![CDATA[sexo e rolling stones]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Um livro por semana]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://casadozander.com/?p=746</guid>
		<description><![CDATA[Outro dia recebi um email. Um convite, para ser mais preciso, por email. Eu receberia um livro em casa e escreveria sobre ele, falando mal ou bem do bicho. Não sei se eram as fiandeiras do destino querendo que eu lesse (e escrevesse) mais, mas coincidiu que eu estava lançando o meu outro blogue – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia recebi um email. Um convite, para ser mais preciso, por email. Eu receberia um livro em casa e escreveria sobre ele, falando mal ou bem do bicho. Não sei se eram as fiandeiras do destino querendo que eu lesse (e escrevesse) mais, mas coincidiu que eu estava lançando o meu outro blogue –  <a href="http://www.umlivroporsemana.com">um livro por semana</a>, igualmente sem fama ou visitação – e eu topei a empreitada na hora.</p>
<p><a href="http://www.sexodrogaserollingstones.com.br" target="_blank"><img title="capa do livro Sexo, Drogas e Rolling Stones do José Emilio Rondeau e Nelio Rodrigues" src="http://umlivroporsemana.com/wp-content/uploads/2008/06/capa-sexo-drogas-rolling-stones.jpg" alt="capa do livro Sexo, Drogas e Rolling Stones do José Emilio Rondeau e Nelio Rodrigues" /></a></p>
<p>Semanas se passaram, papos no MSN para um lado e outro, uma lista de livros medonhos – e de auto-ajuda – me assombrando, chega uma simpática caixa do correio. Dentro dela veio o livro <a href="http://www.sexodrogaserollingstones.com.br">Sexo, Drogas e Rolling Stones</a> do <a href="http://www.sexodrogaserollingstones.com.br">José Emilio Rondeau</a> e <a href="http://www.sexodrogaserollingstones.com.br">Nelio Rodrigues</a>. Confesso que nunca fui fã da banda apesar de gostar, obviamente, de cinco ou seis sucessos deles.</p>
<p>Todavia, tinha topado a empreitada e decidi ir até o fim. O livro tava ali e me faltava apenas a parte sofrida da história. Ler o livro.</p>
<p>Certo que seria sofrido – muito trabalho, namorada, crise pessoal, blogue offline, etc. e tal – adiei por uma semana a abertura da caixa e o início da coisa em si. Mas… mas…</p>
<p>O livro abriu-se para mim como uma flor de carne. Sedução imediata pelo texto do José Emilio – que eu admirava e acompanhava desde os idos da revista Bizz, nos anos 80 – e do Nelio, pelas fichas reveladoras de todos os (ex-)integrantes dos Stones desde a fundação, pelas fotos, pelas capas, pelo projeto gráfico. Só a vida, na sua ojeriza pelo prazer fácil e fluido, é que me impediu de ler o bicho de uma sentada só.</p>
<p>Acabei de fechar a última página com uma impressão ótima do bicho.</p>
<p>Primeiro pelo foco das vindas dos roqueiros em terra brasilis. Obviamente foi escrita para massagear o nosso ego coletivo de nação umbigüenta e de baixa auto-estima, mas feita com carinho, já que Nelio Rodrigues já escrevera outro livro com esse mesmo tema, e dá uma pausa gostosa entre os capítulos mais hard do livro.</p>
<p>Em segundo lugar, pela vontade de “quero mais” que deixou nesse não-fã da banda. Acho que vou comprar um ou dois discos dessa “revelação” do r&amp;b.  Obviamente o livro me lembra duas desventuras minhas com shows dos stones, mas isso é assunto para outro texto, outro tema.</p>
<p>Bom livro.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/sexo-drogas-e-um-livro-legal/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dois beijos</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/dois-beijos/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/dois-beijos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 19 Oct 2007 03:39:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[tribuna]]></category>
		<category><![CDATA[beijos]]></category>
		<category><![CDATA[Billy Paul]]></category>
		<category><![CDATA[Bob Dylan]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[cerveja]]></category>
		<category><![CDATA[chet baker]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[despedidas]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[mega-sena]]></category>
		<category><![CDATA[meias]]></category>
		<category><![CDATA[minuto]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[My Funny Valentine]]></category>
		<category><![CDATA[perfume]]></category>
		<category><![CDATA[saudade]]></category>
		<category><![CDATA[saudades]]></category>
		<category><![CDATA[segundo]]></category>
		<category><![CDATA[semana]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>
		<category><![CDATA[sol]]></category>
		<category><![CDATA[sono]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[tribuna da imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[tribuna da impresna]]></category>
		<category><![CDATA[Umberto Eco]]></category>
		<category><![CDATA[urbanóides]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.z-cp.com/cronicas/dois-beijos/</guid>
		<description><![CDATA[publicado na Tribuna da Imprensa E foi isso: dois beijos e tchau. Aí ele olhou para ela e pediu o telefone. Ela deu. Ele chegou a pretexto de se despedir novamente sob alguma desculpa esfarrapada deu mais dois beijos. Ali no ladinho, derrapando na curva. Ela retribuiu os beijos com um olhar maroto. Ele saiu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><em>publicado na <a href="http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/2007/outubro/25/bis.asp?bis=cronicas">Tribuna da Imprensa</a></em><a href="http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/2007/outubro/25/bis.asp?bis=cronicas"> </a></p>
<p class="MsoNormal">E foi isso: dois beijos e tchau. Aí ele olhou para ela e pediu o telefone. Ela deu. Ele chegou a pretexto de se despedir novamente sob alguma desculpa esfarrapada deu mais dois beijos. Ali no ladinho, derrapando na curva. Ela retribuiu os beijos com um olhar maroto. Ele saiu achando que tinha de ficar. Tomou caminho de casa com a sensação que algo ficara natimorto.</p>
<p class="MsoNormal">Abriu o livro que o fazia chorar de saudades de casa e das histórias e terminou-o. Reparou que o cheiro dela ficara na camisa. O cheiro de rosas? Cheiro doce e azedo. Cheiro que ficaria bem se misturado ao suor dele e ao atrito do látex e lubrificantes íntimos. Cheiro que combinaria com lençóis limpos em lavanderias industriais e odorizadores de quartos de hotéis de três estrelas.</p>
<p class="MsoNormal">Chegou em casa, tirou a roupa e tomou um banho. Tonto, por conta da cerveja forte, lavou-se por mais tempo que precisava. Lembrou-se das histórias que sabia da moça e sabia que era insensato insistir naquele curso de ação. Não era sensato, absolutamente. A história já estava escrita e reescrita e ele já errara suficientemente para saber o que fazer. Demorou-se mais que o necessário no banho. A água quente relaxava as costas tensas das semanas ruins que antecederam o evento. Sonhou um pouco com uma fortuna que nunca viria pela mega-sena. Sonhou mais um bocado com sexo com metade das mulheres bonitas que viu no dia.</p>
<p class="MsoNormal">Enxugou-se e vestiu o moletom centenário que usava como pijama. Fazia tempo que não tinha companhia feminina regular, daí o acúmulo de roupas que mereciam o oblívio no seu guarda-roupas.</p>
<p class="MsoNormal">Mandou uma mensagem de texto pro celular dela. “Quero te ver. Beijo.”</p>
<p class="MsoNormal">Colocou um Bob Dylan para ouvir e deitou-se na cama. O cheiro não sumia. Pode ser a camisa, a calça, as meias, a cueca. Levou-as todas para a máquina de lavar roupas e colocou-as em molho. Voltou para o quarto. Não entendia o que o velho Bob cantava, mas estava confortável e agradável. Pegou um livro do Eco e folheou umas dez páginas. Dormiu.</p>
<p class="MsoNormal">Acordou com Mr. Tamborine Man e viu que cochilara por dez segundos, ou minutos. Sonhou muito no meio do processo. Descobriu uma animação incomum para uma quinta-feira à noite e tomou outro banho. Bebeu água. Colocou Chet Baker para tocar no lugar. My Funny Valentine. Sentiu vontade de tomar um vinho e comer um pão com queijo. O vinho veio fácil, como água. O pão deu mais trabalho. Desistiu e abriu um pacote de batatas fritas de marca americana. Começou a tocar Billy Paul e ele trocou a música. Lembrava de uma moça que ele queria. E que tinha um perfume igual.</p>
<p class="MsoNormal">Sabia que não iria dormir. Olhou pro celular esperando uma resposta. “Duvido. Deve estar mais bêbada que eu.”</p>
<p class="MsoNormal">Era verdade.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/dois-beijos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Pulando corda</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/pulando-corda/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/pulando-corda/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 20 Jun 2007 12:45:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[tribuna]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[filhos]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[passado]]></category>
		<category><![CDATA[saudade]]></category>
		<category><![CDATA[saudades]]></category>
		<category><![CDATA[sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[semana]]></category>
		<category><![CDATA[tribuna da imprensa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.z-cp.com/meus-textos/cronicas/tribuna/pulando-corda/</guid>
		<description><![CDATA[publicado na Tribuna da Imprensa A moça, quando entrou no quarto, era toda saia rodada e sorriso. Um sorriso moreno e olhar esperto encantaram à primeira vista o incauto que lhe abrira a porta. Ele sabia que estava irremediavelmente encantado por ela. Daquele momento até o fim de semana eles tentariam, a todo custo, tornar-se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>publicado na <a href="http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/2007/agosto/30/bis.asp?bis=cronicas">Tribuna da Imprensa</a></em></p>
<p>A moça, quando entrou no quarto, era toda saia rodada e sorriso. Um sorriso moreno e olhar esperto encantaram à primeira vista o incauto que lhe abrira a porta. Ele sabia que estava irremediavelmente encantado por ela. Daquele momento até o fim de semana eles tentariam, a todo custo, tornar-se um. Reviveriam o mito do Andrógino, contado por Platão em O Banquete, de todas as maneiras erradas e divertidas possíveis. Até amanhecerem na segunda-feira e buscarem novamente as saias rodadas e os sorrisos espalhados pelo apartamento.</p>
<p>Ela seguiu o seu caminho conforme havia planejado. Tá certo que os planos estavam ali para serem mudados a qualquer momento, mas ela não contara com tamanha alteração no escopo. Não esperava uma paixão a essa altura do campeonato. Tampouco uma paixão dessas, fora de esquadro do que estava habituada a viver. Era de um ineditismo que lhe tirava o chão sempre que tentava racionalizar. E como era bom ter os pés em outros lugares que não o asfalto previsível. Ela sentia que haveria carência e saudades de doer os ossos mas tinha certeza que algo compensaria a dor do devir. Pior, sabia que era algo por demais forte e importante para ousar se negar.</p>
<p>Ele seguiu o seu caminho contrariado. Queria torcer o destino novamente, da mesma forma que havia feito no passado recente, mas sabia o custo que era lidar com as velhas nornes. Brincar de pular nas cordas das fiandeiras do destino era coisa para quem estava acostumado a viver várias vidas ao mesmo tempo. E não era esse o caso. Ele havia sido uma criança esperta, sabia do futuro traçado e tal, e tinha a manha de mudar o seu destino quando se apresentava cômodo demais. O problema eram as conseqüências imprevisíveis dos seus atos. O bem imediato que fazia ao mexer no seu passado era um presente louco armado na mesma hora. Achou por bem deixar quieto e ver o que daria essa história. Uma coisa estava certa: ela era a mulher da sua vida. Até ali, ao menos.</p>
<p>Cada um foi para um canto do mundo. A ponte que unia as duas vidas era bem fácil de transpor, bastando uma hora e muito dinheiro no bolso ou seis horas e paciência de Jó, mas o rio que os separava era outra história. Ambos sabiam e temiam isso. Ainda assim as lembranças dos toques, os gostos na memória, os cheiros que não tinham sido lavados das mãos, dos rostos, dos peitos e do ventre gritavam uma história que teria de ser escrita a dois.</p>
<p>O fio das tecelãs imortais dera um nó cego nesse encontro.</p>
<p>Ela, ao chegar em casa, abriu sua caixa de lembranças e guardou o que sobrara do fim de semana. Um bombom. Algumas flores. Um pacote de preservativos ainda fechado. Dois frascos de creme. Ele, anotou algumas datas e fez umas contas. Vinte dias, a partir dali, voltaria. E mudaria os cursos de rios se fosse preciso. Iria bater um papo – novamente – com as três bruxas que ficam opinando na vida dos outros. Ou apelaria para instâncias superiores. Ou compraria uma garrafa de cachaça, o que fosse mais fácil e desse jeito no fim das contas.</p>
<p>Fato é que já tinha discurso em mente. Iria chegar à tecelaria dos brâmanes e diria: “Não se nega a uma paixão o direito de persistir. Ainda que seja erro. Ainda que seja um acerto.” Já imaginava toda a corte celeste se curvando e as três megeras tendo de dar mais atenção ao fio novo que surgiria dos dois. Afinal de contas, acabara de conhecer a mãe dos seus outros filhos. A mulher com quem ele iria morrer.</p>
<p>Mas isso, só amanhã.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/pulando-corda/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Des armes &#8211; Noir Désir</title>
		<link>http://casadozander.com/citacoes/des-armes-noir-desir/</link>
		<comments>http://casadozander.com/citacoes/des-armes-noir-desir/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 11 Apr 2006 12:22:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[citações]]></category>
		<category><![CDATA[letras de música]]></category>
		<category><![CDATA[cigarro]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[oração]]></category>
		<category><![CDATA[sem categoria]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.z-cp.com/?p=418</guid>
		<description><![CDATA[Des armes, des chouettes, des brillantes Des qu&#8217;il faut nettoyer souvent pour le plaisir Et qu&#8217;il faut caresser comme pour le plaisir L&#8217;autre, celui qui fait rêver les communiantes Des armes bleues comme la terre Des qu&#8217;il faut se garder au chaud au fond de l&#8217;âme Dans les yeux, dans le cœur, dans les bras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Des armes, des chouettes, des brillantes<br />
Des qu&#8217;il faut nettoyer souvent pour le plaisir<br />
Et qu&#8217;il faut caresser comme pour le plaisir<br />
L&#8217;autre, celui qui fait rêver les communiantes</p>
<p>Des armes bleues comme la terre<br />
Des qu&#8217;il faut se garder au chaud au fond de l&#8217;âme<br />
Dans les yeux, dans le cœur, dans les bras d&#8217;une femme<br />
Qu&#8217;on garde au fond de soi comme on garde un mystère</p>
<p>Des armes, au secret des jours<br />
Sous l&#8217;herbe, dans le ciel et puis dans l&#8217;écriture<br />
Des qui vous font rêver très tard dans les lectures<br />
Et qui mettent la poésie dans les discours</p>
<p>Des armes, des armes, des armes<br />
Et des poètes de service à la gâchette<br />
Pour mettre le feu aux dernières cigarettes<br />
Au bout d&#8217;un vers français brillant comme une larme</p>
<p><span id="more-418"></span></p>
<p><strong>As armas</strong></p>
<p>Armas, corujas, brilhantes<br />
tudo que for necessário limpar frequentemente para o prazer<br />
e que é necessário acariciar como para o prazer<br />
o outro, o que faz sonhar communiantes</p>
<p>Armas azuis como a terra<br />
tudo que for necessário para guardar-se do calor da alma<br />
nos olhos, no coração, nos braços de uma mulher<br />
que se guarda dele como se guarda um mistério</p>
<p>Armas, ao segredo dos dias<br />
sob a erva, no céu e depois na escrita<br />
Todos que fazem-vos sonhar muito atrasado nas leituras<br />
e que põe a poesia nos discursos</p>
<p>Armas, armas, armas<br />
e os poetas de serviço no gatilho<br />
para pôr o fogo aos últimos cigarros<br />
à extremidade de uns vermes franceses brilhante como uma lágrima</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/citacoes/des-armes-noir-desir/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Rosa e Branca</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/rosa-e-branca/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/rosa-e-branca/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 Apr 2006 20:09:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[tribuna]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[peça]]></category>
		<category><![CDATA[rotina]]></category>
		<category><![CDATA[sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[sol]]></category>
		<category><![CDATA[sono]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[tribuna da imprensa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.z-cp.com/?p=414</guid>
		<description><![CDATA[publicado na Tribuna da Imprensa Rosa sentou-se em sua rotina e arrumou os pratos da longa mesa. Os glutões já estavam fartos de carnes, doces, pães, queijos e presuntos diversos. Esvaziaram o estoque de vinho no processo e agora davam-se o trabalho de comentar do trabalho, das mulheres, da vida alheia, dos jogos escutados no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>publicado na <a href="http://www.tribuna.inf.br/anteriores/2007/junho/14/bis.asp?bis=cronicas">Tribuna da Imprensa</a></em></p>
<p>Rosa sentou-se em sua rotina e arrumou os pratos da longa mesa. Os glutões já estavam fartos de carnes, doces, pães, queijos e presuntos diversos. Esvaziaram o estoque de vinho no processo e agora davam-se o trabalho de comentar do trabalho, das mulheres, da vida alheia, dos jogos escutados no rádio do centro de sala, de arrotar e peidar e de processar o alimento.</p>
<p>À cozinha, arrumava os restos para os cães, verificava se tinha sobrado algo do manjar de coco, roubava um pedaço de pão, presunto gordo, queijo minas e do pernil do almoço. Nunca se juntava à mesa da sala. Dizia que não gostava de almoçar ou jantar ou mesmo de um frugal café da manhã. Falava que precisava emagrecer, que seria capaz de viver de ar e sol. Na verdade comia mais que os sete esparramados na sala. Mais que todos eles juntos!</p>
<p>Os pratos para Rosa, as panelas para Branca; os cães para Branca, as roupas para Rosa.</p>
<p>Finda a tarefa de minimizar o estrago da tropa, Rosa se aquietava no cantinho perto da janela para cozer uma meia, cerzir uma calça, bordar um bolso de camisa e Branca voltava à despensa para planejar o jantar e a ceia. A essa altura os sete já tinham terminado a sesta e voltavam para o campo para cuidar da vida e trazer mais dinheiro, comida e histórias.</p>
<p>Caindo a noite, a cena se repetia com cores mais vivas. Um puxava a viola e executava uma trilha sonora para Rosa forrar a mesa, espalhar os pratos e talheres. Outro abria um livro e contava histórias para as crianças dos vizinhos. Um terceiro arrumava a despensa com ajuda do quarto. Os demais se ocupavam das tarefas eventuais: portas, janelas quebradas; animais a serem pelados; fios desencapados do único poste de luz; uma carta a ser escrita; uma saliência com uma das cabras ou mesmo uma das galinhas. Apenas o menor deles é que se sentava no lado oposto de Rosa e a via cerzir peças e mais peças de roupas, fazia-lhe companhia e corte.</p>
<p>Após a ceia, dormiam. Ou quase.</p>
<p>Poderia ser uma vida tanto sofrida, mas elas se divertiam à sua maneira. Encaravam a escravidão doméstica como uma eterna brincadeira de bonecas, com os pequenos indo e vindo do trabalho sem fim e as entretendo com sua repetida ação cotidiana. Eles, de sua parte, sabiam que deviam ser gratos às duas. Já tinham tarefas duras demais durante o dia e reconheciam que o fardo das moças não era menos pesado. E todos tinham aprendido que os pesos, quando divididos, tornam-se escola e não um castigo. Um aliviava o outro de sua maneira, compensando a rotina pela segurança, a monotonia pelo ombro amigo, a distância do mundo pelo aconchego à cama, à noite.</p>
<p>Rosa sempre acordava antes de Branca e depois do menor de todos que pegava a água no poço e a colocava para aquecer antes mesmo da hora mais fria. Com a água já fervendo, Rosa se levantava da cama, limpava os rastros da noite anterior e ia preparar o desejum. Branca levantava sempre com o cheiro de café recém-coado e de broa esquentada no forno à lenha. Os outros seis acordavam aos poucos, revezando a bacia d’água. Água, barba, café e rua. Rotina, teto, companherismo.</p>
<p>Ao saírem os pequenos, um a um: meio sonolentos, meio cantando, Rosa e Branca encontram um momento para olharem o Sol a nascer e entenderem que, na sua própria e medíocre maneira, eram felizes e imortais.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/rosa-e-branca/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sobre as mulheres que um homem precisa ter &#8211; parte 3 de 3</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/tribuna/sobre-as-mulheres-que-um-homem-precisa-ter-parte-3-de-3-2/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/tribuna/sobre-as-mulheres-que-um-homem-precisa-ter-parte-3-de-3-2/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 01 Apr 2005 15:38:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[tribuna]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[filhos]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[sobre as mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[tribuna da imprensa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.z-cp.com/?p=257</guid>
		<description><![CDATA[publicado na Tribuna da Imprensa Antes de ir ao ponto, faço um relato breve da história dessa série. Ela foi escrita há quase dois anos por conta de um papo que ocorrera com uma grande amiga que não entendia bem a mente dos homens. Eu acreditava, à época que isso era uma regra como, da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>publicado na <a href="http://www.tribuna.inf.br/anteriores/2007/marco/22/bis.asp?bis=cronicas">Tribuna da Imprensa</a></em></p>
<p>Antes de ir ao ponto, faço um relato breve da história dessa série. Ela foi escrita há quase dois anos por conta de um papo que ocorrera com uma grande amiga que não entendia bem a mente dos homens. Eu acreditava, à época que isso era uma regra como, da mesma forma que o homem tem dificuldades para entender a mentalidade feminina. Hoje, acho que acrescentaria mais um ou dois tipos de perfis como A Amiga e A Discípula. Por não estar convencido se esses dois arquétipos são tipos &#8220;puros&#8221; ou se são apropriações das outras três, me atenho às três primeiras.</p>
<p>À época em que divulguei esse texto na internet pela primeira vez, recebi muita repercursão &#8220;negativa&#8221;. Entendam por &#8220;muita&#8221; como comentários de pessoas muito queridas. Uma delas me prometeu um contratexto, uma antítese feminina, porque achou o meu texto muito machista. Ainda não acho que seja machista no termo chauvinista, mas tem o ponto de vista do macho, sim. Afinal de contas, o tema é sobre o tipo de mulher que o homem precisa ter, ou melhor, que ele procura em cada relacionamento. Outra concordou ipsis literis com o que eu disse, mas não achou legal ver esse &#8220;segredo&#8221; exposto! Entendo e lamento. O restante achou o termo &#8220;A Puta&#8221; meio pejorativo. Eu acho romântico. Fazer o quê? Não uso mais, né?</p>
<p>Mas o que mais me surpreendeu foi uma mensagem de uma leitora que me pediu conselhos. Nada contra, até gostei da mensagem, mas quero deixar claro que não sou psicólogo, analista, psicoterapeuta ou coisa parecida. Muito menos é para as pessoas levarem muito a sério o que escrevo aqui. Por favor, concordem, discordem, elogiem, critiquem, me xinguem. Aliás, a crítica sempre é muito bem vinda. Meu email está na página e meu blog é de acesso amplo e irrestrito.</p>
<p>Bom, deixemos de embromação e passemos para terceira mulher que todo homem precisa ter:</p>
<p><strong>A Mãe.</strong></p>
<p>&#8220;Tuca! o que vc está fazendo no micro a essa hora?&#8221; &#8220;Pô, vó, tô terminando um texto aqui.&#8221; &#8220;Vai dormir, menino, você tem de acordar cedo para ir trabalhar amanhã.&#8221; &#8220;Eu VOU acordar a tempo para o trabalho, vó.&#8221; &#8220;Mas você vai dormir pouco. Não vai descansar.&#8221; &#8220;Mas eu tô bem, até tô com pouco trabalho. E amanhã é sexta.&#8221; &#8220;Anda logo!! Vai dormir senão eu puxo a tomada dessa merda e taco tudo no lixo!!&#8221; Prontamente, salvo o texto e deixo para acabar no trabalho.</p>
<p>Todo mundo tem uma mãe: claro, óbvio, ululante. Mas os homens também procuram a Mãe em outras mulheres (minha mãe disse que elas procuram O Pai também, mas uma ex-namorada discordava veementemente). Não a sua própria mãe em pessoa, até porque esta só existe uma e nunca sobreviveríamos a duas, mas A Mãe. Aquela que nutre, cuida, dá carinho, alento e acalanto. Tem colo macio e uma bronca na ponta da língua. É uma mistura de Dona Benta com Gepeto. Educa, orienta, dá amor incondicionalmente e te espera de madrugada.</p>
<p>Ela faz isso tudo para você. Ou para os seus filhos. Existem poucas coisas que mais comovem um homem que ver uma mulher amamentando. Só uma mente torpe e vil consegue ver algo sexualmente excitante num amamentamento. Porque, nessa hora, o homem consegue se anular, tem o seu ego diminuído, pois sabe que já foi frágil, pequeno e indefeso como o pequeno que mama no peito.</p>
<p>Só a mulher que consegue ser A Mãe, para um homem, coloca-o no seu lugar. Nâo é o conceito mais extenso, pois tive muitas Musas, algumas Amantes (ok, ok, não uso o temo Puta nunca mais), mas Mãe, poucas, muito poucas para fazer um estudo mais profundo. Ademais, manifestem-se.</p>
<p>Mulheres, vocês são múltiplas, eternas e versáteis. Se vocês entenderem como a mente do homem trabalha, o mundo estará em suas mãos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/tribuna/sobre-as-mulheres-que-um-homem-precisa-ter-parte-3-de-3-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Carolina</title>
		<link>http://casadozander.com/citacoes/carolina/</link>
		<comments>http://casadozander.com/citacoes/carolina/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Nov -0001 00:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[citações]]></category>
		<category><![CDATA[mais poemas (de outros)]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[semana]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.z-cp.com/?p=158</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;Eu lhe avisei, quantas vezes eu lhe avisei que a vida de verdade era dif&#237;cil, mas voc&#234; Carolina, teimava em ser escrita num conto de fadas. Tinha sempre que ter esses c&#237;lios longos piscando como se sorrissem, tinha sempre que ser uma borboleta fagueira num roseiral. Com voc&#234; n&#227;o havia problema nunca, voc&#234; tem nome [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Eu lhe avisei, quantas vezes eu lhe avisei que a vida de verdade era dif&iacute;cil, mas voc&ecirc; Carolina, teimava em ser escrita num conto de fadas. Tinha sempre que ter esses c&iacute;lios longos piscando como se sorrissem, tinha sempre que ser uma borboleta fagueira num roseiral. Com voc&ecirc; n&atilde;o havia problema nunca, voc&ecirc; tem nome de coisa que se come com sorvete e chocolate, voc&ecirc; sempre teve esse gostinho de quero mais.</p>
<p>Ah, como eu tentei lhe prevenir que a vida n&atilde;o &eacute; sempre uma polca, quantas vezes tentei lhe explicar que ela &eacute; bolero outras tantas tango, mas voc&ecirc; s&oacute; escutava o que queria e como queria, Carolina. E dan&ccedil;ava fora do ritmo sem parecer pat&eacute;tica. E cantava muito desafinado sem agredir a audi&ccedil;&atilde;o de ningu&eacute;m. Voc&ecirc; era a mentira mais bonita que havia nesse mundo! A sua imagem n&atilde;o distorcia jamais em nenhum espelho.</p>
<p>N&atilde;o sei quando foi que lhe veio a id&eacute;ia de me escutar, Carolina. N&atilde;o sei quando foi que voc&ecirc; teve a est&uacute;pida id&eacute;ia de escutar esse homem amargo que eu sou. Me diga em que momento os seus olhos ficaram azuis, quando foi que seu frescor amornou. Conte-me em que dia da semana voc&ecirc; percebeu que as coisas d&atilde;o errado, que as embalagens nunca abrem no picote. Carolina, quando voc&ecirc; decidiu transformar toda aquela sua luz nessa penumbra, quando voc&ecirc; se enganou que para ser minha teria que ser como eu. A sua displic&ecirc;ncia era minha bebida e a minha comida. Morreremos ambos de fome e de sede. Eu lhe avisei, quantas vezes eu lhe avisei que a vida de verdade era imposs&iacute;vel, Carolina! E quantas vezes eu pedi, eu implorei, eu supliquei que voc&ecirc; nunca acreditasse que minha vida era sua vida. Eu sempre quis lhe dizer que era voc&ecirc; que estava certa, mas voc&ecirc; sempre lembrava de algum poema de Vin&iacute;cius. Que merda, Carolina, porque voc&ecirc; nunca soube ouvir uma frase at&eacute; o fim?!&#8221;</p>
<p><a href="http://anamangeon.mus.br/">Ana Paula Mangeon</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/citacoes/carolina/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
