Ateu

September 25th, 2009 § 3

Quando disse que não tenho sonhos, equivoquei-me. Tenho alguns sonhos sim, afinal não controlo meu subconsciente e sabemos todos que somos mais instintivos que racionais, mais emocionais que conscientes, mais sinestésicos que literais. Tenho-os, mas os renego como filhos bastardos (e olhe que eu entendo bem o que é ser um bastardo), como esquecidos e abandonados que é o que são na verdade.

O fato é que não me importo com sonhos, mas com o real. O que é palpável e realizável me é muito mais interessante que o imaginável, que o impossível.

Me espanta a falta de espanto das pessoas com o mundano, o real.

Da mesma forma que não preciso de sonhos, não preciso de deuses, espíritos, anjos, rezas. Entendo o seu porquê, confio em sua prática e na sinceridade de quem pratica. Até estudo com atenção uma ou outra coisa. A forma de pensar, a língua, a mitologia de cada expressão de fé me encanta. Me encanta como realização da vontade, do querer.

Não preciso de sonhos da mesma maneira que não preciso de um Deus. Minha vida é a minha guia. Minha cabeça, minha moral, minha ciência.

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As amendoeiras

September 22nd, 2009 § 1

Faz tempo que não sento numa praça de brinquedos. Talvez porque não haja mais praças de brinquedos do mesmo tempo que existia quando eu era um dos que ali brincava. Sinto uma falta dessa velhice que me foi negada, a de contemplar lentamente as crianças que crescem rápido. Cada ir e vir do balanço, um ano, dez centímetros, uma puberdade, casamento, filhos, banco da praça.

Sinto falta das rolinhas e dos bem-te-vis cantando nas amendoeiras lá no Méier. Das disputas de marimba e de bola de gude. Nunca fui bom, mas gostava de ver a meninada jogando pião, uma piorra, empinando pipa ou andando de carrinhos de rolimã. Infância suburbana tem dessas coisas, de ficar na rua contando casos de fantasma na quaresma, de correr atrás de sacos de cosme e damião. De cantar ponto em centro de umbanda em terreno baldio. De não se preocupar com os assaltos, mas com os homens que somem com quem falava muito de governo e política. Disso não sinto falta.

Eu queria ser um velho bem velho, bem de cabelos brancos e barba rala. Que faz mágicas para os meninos e ensina-os a acender fogo com lupas de aumento. Que conta histórias já desatualizadas e que finge que sabe mais porque é velho.

Eu queria é ter o aval da idade para não ser mais contrariado ou para apenas descansar sob a sombra da amendoeira que mora nas minhas lembranças.

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dez mais oito

January 20th, 2009 § 2

Eu tinha um sonho, quando tinha dezoito anos. Nos dezoito anos que eu tinha, sonhava em ter trinta e muitos, filhos poucos e histórias. Várias. Eu tinha dezoito anos quando meus sonhos foram devorados.

Hoje tenho o que sobra dos sonhos, o que resta da esperança de vê-los de pé, sorrindo e tomando vento e sol e maresia e dizendo que o mundo é deles. Hoje me sobra o que tenho de lembranças de quando eu era maior e melhor e perfeito e tinha as verdades do mundo dentro de mim.

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Pontos de Cosme, Damião e Doun

September 27th, 2008 § 7

Cosme e Damião,
Damião cadê Doun?
Doun foi passear lá no cavalo de Ogum
Cosme e Damião,
Damião cadê Doun?
Doun foi passear lá no cavalo de Ogum
Dois dois sereias do mar
Dois dois mamãe Iemanjá
Dois dois sereias do mar
Dois dois mamãe Iemanjá

Cosme e Damião
O que é que eu vou comer?
Peixe da maré
Com azeite de dendê!

Fui no jardim colher as rosas
A vovózinha deu-me a rosa mais formosa
Fui no jardim colher as rosas
A vovózinha deu-me a rosa mais formosa
Cosme e Damião, ÔOOOh Doun
Crispim , Crispiniano
São os filhos de Ogum
Cosme e Damião, ÔOOOh Doun
Crispim , Crispiniano
São os filhos de Ogum

Bahia é terra de dois
Terra de dois irmãos
Governador da Bahia
É Cosme e São Damião
Bahia é terra de dois
Terra de dois irmãos
Governador da Bahia
É Cosme e São Damião

Bahia é terra de coco
Cidade de dois irmãos
Bahia é terra de coco
Cidade de dois irmãos
Governador da Bahia
São Cosme e São Damião
Governador da Bahia
São Cosme e São Damião

Hoje tem alegria, hoje tem alegria
Hoje tem alegria no dia de hoje
Hoje tem alegria.

Quem vem, quem vem lá de tão longe
São os anjinhos que vêm trabalhar
Quem vem, quem vem lá de tão longe
São os anjinhos que vêm trabalhar
Oi dai-me forças
pelo amor de Deus, meu Pai Oi dai-me forças
Nos trabalhos meus.

Um, dois, três
Quatro, cinco, seis
Eu vou chamar criança
na cabeça de vocês

Se eu pedir você me dá
Se eu pedir você me dá
Um brinquedinho papai
Pra eu brincar
Um brinquedinho papai
Pra eu brincar

Cosme e Damião
a sua casa cheira
Cosme e Damião
a sua casa cheira
Cheira a cravo, cheira a rosa
e a botão de laranjeira
Cheira a cravo, cheira a rosa
e a botão de laranjeira

Crianças quando vem lá de Aruanda
Inhaçã é quem manda
Crianças quando vem lá de Aruanda
Inhaçã é quem manda
Elas vem gritando
auê auê
ao romper da aurora
Elas vem gritando
auê auê
ao romper da aurora
esquindin, esquindin
as crianças brincam assim
esquindin, esquindin
as crianças brincam assim
esquindin, esquindin
as crianças brincam assim
esquindin, esquindin
as crianças brincam assim

Que lindo cavalo branco
que aquele menino vem montando
Descendo naquela serra
dizendo que é filho de soldado
É Damião, é Damião
é Damião no lindo cavalo de Ogum
É Damião, é Damião
é Damião no lindo cavalo de Ogum

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Grupo Rumo – Ninguém chora por você

February 12th, 2008 § 1

Ninguém Chora Por Você
(Luiz Tatit)

Filho, se cuida,
Você quer chorar
Você não percebe
Mas eu sinto que você quer chorar
E sinto que você não percebe
E são tão tristes!
O modo de você ser
As coisas que você vem
Dizer pra gente, filho!

Você ri, você canta
Você é um grande guerreiro
Não fraqueja, não demonstra nada
Mas chora!
É o mínimo que você tem que fazer
Chora antes que chorem por você

Filho, repara,
Você está chorando
Você não percebe mas eu vejo
Que você está chorando
E vejo que você não percebe
E são tão simples
Os olhos que você faz
A boca que você treme
Quando conversa, filho

É tão triste, é tão simples
E tão bem simulado
No entanto eu percebo tudo
Ignoro!
Ignoro de propósito, sim
E não espere que eu chore por você

Voz e Violão: Luiz Tatit
Voz: Ná Ozzetti
Flauta Doce Tenor: Hélio Ziskind
Flauta Doce Baixo: Ciça Tuccori

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E você bem que me poderia contar uma história romântica…

November 7th, 2007 § 10

publicado na Tribuna da Imprensa

Toda história de amor termina.

Não tem jeito. Por mais que tentemos prolongá-la para além de seu curso, como se amarrássemos balões de gás que a impulsionassem mais alto e além de sua própria capacidade de vôo, ele fatalmente perderá o seu viço, a sua força e o seu encanto e se tornará uma rotina cinza e modorrenta. Ou, com sorte, se transformará numa história diferente onde os projetos dos dois se somarão e os votos antigos, já obsoletos, serão queimados diariamente, sendo substituídos por filhos, emprego, a compra da casa, num “não sei o que fazer, eu só me reconheço como parte desse relacionamento” ou qualquer outra hipocrisia que se resolva inventar para manter o que já estava morto.

Obviamente que cada história de amor tem um tempo diferente de vida. Eu costumo dizer que o tempo médio de todo o ciclo de relacionamento (flerte ou paquera, declaração, beijo, cópula, apresentação social, divisão de teto, planos a dois, estranhamento do outro, estresse, separação, ódio e desprezo – não necessariamente nessa ordem) é de dois anos com diversos fatores que aumentam ou diminuem esse prazo. Planos em comum aumentam de seis a doze meses; gostos em comum: quatro; senso critico apurado de um dos membros do casal: menos dezoito meses; um dos membros do casal é um carioca desterrado em São Paulo e se chama Zander: menos vinte e três meses e três semanas.

O que permanece é a lembrança, esse fantasma que faz a humanidade ser o que é. O ser humano vive no fio da navalha entre ser uma criatura de passado e morar num universo onde nem o passado nem o futuro existem de fato. Se, por um lado a lembrança dos fatos passados é o que nos permite erigir prédios e desafiar a natureza com as invenções do banheiro e do ar condicionado – os dois símbolos mais-que-perfeitos da civilização – essa mesma capacidade de lembrar nos atira ao esgoto emocional, à nostalgia improdutiva e à auto-comiseração. Nunca conheci um amnésico que tivesse pena de si mesmo. Também nunca conheci um amnésico, verdade, mas conheci muita gente com memória ruim e esses tendiam a ser mais felizes com a vida que vinha.

Desviei-me um pouco do tema.

O que importa é a lembrança e, principalmente, o que fazemos com ela. Sabe-se que nem tudo pode ser apreendido pelo homem. Muitos detalhes ficam para trás. E a arte do querer bem a quem se ama ou amou é a de reter os detalhes que, recontados centenas e centenas de vezes, ganham um glamour, um encanto que nunca tiveram. A arte de terminar uma história de amor é guardar para si os momentos mundanos e transformá-los em gloriosos. Assim, podemos ter renovada a esperança do romance para os que virão e nos tornarmos repletos de querer bem a quem nos quis bem um dia.

O grande amor é sempre o próximo.

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Ó pai

August 13th, 2007 § 7

publicado na Tribuna da Imprensa 

Te agradeço, ó pai, por sua história, repleta do que há de pior num ser humano. Nem tanto pela falta de caráter que lhe é famosa, ou pelo descompromisso que demonstraste em teus mais de sessenta anos ou ainda pelo egoísmo ilustrado pelas diversas cenas de tua vida, mas, sobretudo, pela incapacidade que tiveste em amar sinceramente quem atravessou teu caminho. Tuas mulheres foram tuas conquistas, e não parceiras, e teus inúmeros filhos foram troféus de cópula e fertilidade, não continuação de tua história. Teu desprezo pela emoção alheia, pelo sofrer do outro, pelo sorriso cúmplice são apenas moldura para esse desamor que sempre te norteou.

Por isso e muito mais, tu me és exemplo de tudo que é errado e te agradeço por isso.

Pai, sou grato por me dares a pequena ausência diária, o abandono constante e o oblívio à baia. Nesse espaço que me destes, ainda que inadvertidamente, pude criar pais ideais, famílias perfeitas, e exemplos de humanidade que, com a tua presença, me seriam impossíveis. Sou grato por me dar a chance de sonhar com alguém perfeito e obrigado por nunca destruíres esses meus sonhos com as suas falhas e erros que são tão documentados e por poder adotar os heróis do papel como meus de fato, já que não havia carne para competir com eles.

Obrigado, acima de tudo, por me ensinares desde os primeiros momentos que o mundo não vela por mim, que não existe alguém forte que vai dar uma surra no menino que me ameaça na escola. Aprendi que se eu quisesse bater em alguém, teria de usar os meus próprios punhos, cuspir o meu próprio sangue e destilar o meu próprio ódio. Ou assumir a minha fraqueza e covardia e fugir do embate físico desde garoto. Obrigado por me ensinares que posso sempre fugir, me esquivar, me esconder.

Mesmo quando não é preciso.

Sou agradecido por me mostrares que a mãe também pode ser pai e que família é mais que sangue ou nome no cartório. Que avôs e avós, tios e tias, primos e primas são tão importantes quanto tu, principalmente quando te dão colo, surras, presentes e castigos. Todo carinho e atenção, ainda que mendigados, são importantes para quem tem uma ausência como referência. Desta forma, aprendi que todo amor é válido, raro, sagrado e tem de ser respeitado. Que cada gota de paixão é um ato divino e tem de ser respeitada. Que o respeito, por si mesmo, é algo que tem de ser conquistado a cada dia, a cada ato, a cada palavra. E que posto, ascendência ou hierarquia não significam nada quando não são expressões do ser, manifestações da alma.

Te agradeço, sobretudo, pelo vazio que é a nossa relação, pois nesse vácuo que me criei e moldei o homem que hoje eu sou.

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Pulando corda

June 20th, 2007 § 2

publicado na Tribuna da Imprensa

A moça, quando entrou no quarto, era toda saia rodada e sorriso. Um sorriso moreno e olhar esperto encantaram à primeira vista o incauto que lhe abrira a porta. Ele sabia que estava irremediavelmente encantado por ela. Daquele momento até o fim de semana eles tentariam, a todo custo, tornar-se um. Reviveriam o mito do Andrógino, contado por Platão em O Banquete, de todas as maneiras erradas e divertidas possíveis. Até amanhecerem na segunda-feira e buscarem novamente as saias rodadas e os sorrisos espalhados pelo apartamento.

Ela seguiu o seu caminho conforme havia planejado. Tá certo que os planos estavam ali para serem mudados a qualquer momento, mas ela não contara com tamanha alteração no escopo. Não esperava uma paixão a essa altura do campeonato. Tampouco uma paixão dessas, fora de esquadro do que estava habituada a viver. Era de um ineditismo que lhe tirava o chão sempre que tentava racionalizar. E como era bom ter os pés em outros lugares que não o asfalto previsível. Ela sentia que haveria carência e saudades de doer os ossos mas tinha certeza que algo compensaria a dor do devir. Pior, sabia que era algo por demais forte e importante para ousar se negar.

Ele seguiu o seu caminho contrariado. Queria torcer o destino novamente, da mesma forma que havia feito no passado recente, mas sabia o custo que era lidar com as velhas nornes. Brincar de pular nas cordas das fiandeiras do destino era coisa para quem estava acostumado a viver várias vidas ao mesmo tempo. E não era esse o caso. Ele havia sido uma criança esperta, sabia do futuro traçado e tal, e tinha a manha de mudar o seu destino quando se apresentava cômodo demais. O problema eram as conseqüências imprevisíveis dos seus atos. O bem imediato que fazia ao mexer no seu passado era um presente louco armado na mesma hora. Achou por bem deixar quieto e ver o que daria essa história. Uma coisa estava certa: ela era a mulher da sua vida. Até ali, ao menos.

Cada um foi para um canto do mundo. A ponte que unia as duas vidas era bem fácil de transpor, bastando uma hora e muito dinheiro no bolso ou seis horas e paciência de Jó, mas o rio que os separava era outra história. Ambos sabiam e temiam isso. Ainda assim as lembranças dos toques, os gostos na memória, os cheiros que não tinham sido lavados das mãos, dos rostos, dos peitos e do ventre gritavam uma história que teria de ser escrita a dois.

O fio das tecelãs imortais dera um nó cego nesse encontro.

Ela, ao chegar em casa, abriu sua caixa de lembranças e guardou o que sobrara do fim de semana. Um bombom. Algumas flores. Um pacote de preservativos ainda fechado. Dois frascos de creme. Ele, anotou algumas datas e fez umas contas. Vinte dias, a partir dali, voltaria. E mudaria os cursos de rios se fosse preciso. Iria bater um papo – novamente – com as três bruxas que ficam opinando na vida dos outros. Ou apelaria para instâncias superiores. Ou compraria uma garrafa de cachaça, o que fosse mais fácil e desse jeito no fim das contas.

Fato é que já tinha discurso em mente. Iria chegar à tecelaria dos brâmanes e diria: “Não se nega a uma paixão o direito de persistir. Ainda que seja erro. Ainda que seja um acerto.” Já imaginava toda a corte celeste se curvando e as três megeras tendo de dar mais atenção ao fio novo que surgiria dos dois. Afinal de contas, acabara de conhecer a mãe dos seus outros filhos. A mulher com quem ele iria morrer.

Mas isso, só amanhã.

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A distância da diferença

April 20th, 2007 § 4

publicado na Tribuna da Imprensa

“Você vem hoje?”

O convite nasceu como se tivesse vontade própria. Era óbvio o meu interesse na menina, mas estávamos naquela fase ridícula de disfarçarmos as intenções. Ainda assim, dado o meu papel predeterminado de alfa da relação, o convite teria de partir de mim. Sempre. Saco.

“Me liga quando você chegar no bar. Acho que consigo ir sim.”

Era a quarta vez que eu a chamava. Quarta depois de três desistências em cima da hora. As desculpas variavam do almoço inesperado com a mãe ao abacaxi que teria que, inevitavelmente, ser descascado à meia-noite, impedindo-a de partir ao meu encontro. Algo me dizia que o cerca-lourenço não estava funcionando a contento.

Parti incauto para o evento e mandei um torpedo para a criatura em questão ao chegar ao boteco. Lá, diversos amigos se encontravam em estado de embriaguez adiantado e logo me dediquei a acompanhá-los no tradicional esporte bretão de encher socialmente a cara com chope de primeiríssima qualidade. Dado o advento do primeiro prato de carboidratos à mesa, o celular vibra com uma mensagem de texto.

“Não vou.”

O resto da mensagem pouco importava e, para ser sincero, já era esperado. Quando se chega às raias dos quarenta anos, sabe-se que o não das meninas pré-balzaquianas é mais freqüente que o seu sim. Levanto a questão na mesa e sou repreendido imediatamente pela ala feminina. Diversas amigas dentre vinte e muitos e trinta e poucos discordam do meu questionamento. Outras apenas calaram-se e me lembraram de aventuras (e desventuras) anteriores que comprometiam a minha isenção de julgamento. Súbito, uma voz da razão.

“Se fosse mentira, o tio Sukita não existiria.”

Fato! Sabemos que as propagandas não são exatamente fontes de inovação cultural e, muito pelo contrário, tendem a reforçar opiniões, gostos e preconceitos já estabelecidos para poder agregar ou contrapor elementos dos produtos a serem vendidos. E se uma propaganda mostra um quarentão cantando uma menina de vinte e poucos como um ridículo, há de ter algo de senso comum aí. Ou estarei completamente errado?

Mas me pego perguntando novamente: quinze anos fazem tanta diferença assim? Não no sentido de maturidade e vivência, mas no sentido de distância etária aceitável. Será que um quarentão que sai com uma menina de vinte e cinco anos é realmente ridículo? Será que ele está realmente querendo encontrar uma vitalidade que sente que começa a se esvair de dentro de si ou apenas foram as contingências da vida que os colocaram nessa situação?

Pessoalmente, sempre achei as mulheres com mais de trinta bem mais interessantes que as novinhas. Conteúdo é tudo quando se trata de relacionamento. Há de ter troca sempre entre as partes. E elas tendem a ter um pique mais próximo do que estamos acostumados a levar: cinema, jantar, teatro, cama. Boates e dança só até as duas por conta do trabalho na segunda ou dos filhos que acordam cedo. Eu acho ótimo e certo isso tudo. Ou sou eu que tenho 150 anos morando dentro de mim? E Balzac, o que ele tem a dizer disso tudo?

Independente do querer das pessoas, a noite termina e quinze anos de distância parecem pesar mais que nunca.

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Mataram o Capitão américa…

March 8th, 2007 § 2

Sei que hoje é dia da mulher e que deveria colocar aqui o último texto que publiquei na Tirbuna da Imprensa, mas um fato mais importante faz-se mister ser comunicado.

Segue o texto do G1:

Capitão América, herói dos quadrinhos, morre aos 89 anos

A morte do Capitão América

NOVA YORK – O Capitão América, o herói das histórias em quadrinhos com uma predileção por roupas justas nas cores vermelha, branca e azul – as mesmas da bandeira americana – morreu aos 89 anos, baleado em Nova York, sem deixar esposa ou filhos.

A revista em quadrinhos contando o trágico destino do super-herói da Marvel chegou às bancas nesta quarta-feira (07). Depois de mais de 65 anos lutando contra bandidos, o Capitão América foi derrubado por um franco atirador na escadaria da Corte Federal de Manhattan.

“Urgente: poucos detalhes são claros no momento, mas a cena em frente à Corte Federal de Manhattan é um retrato do caos e da confusão depois que um ex-super-herói foi baleado”, anuncia a Marvel em seu site na internet.

Nascido em 4 de julho

A morte do Capitão América

O Capitão América era, na verdade, Steve Rogers, nascido em 4 de julho de 1917, no Dia da Independência americana. Ele foi criado em 1941, mas sem ter superpoderes, parecia pouco equipado para lutar contra o mal em comparação com outros super-heróis como o Superman.

Vestido nas cores da bandeira americana, com um enorme “A” na máscara e um escudo que também servia de disco, o Capitão América era parte do esforço de guerra americano, criado apenas meses antes do ataque japonês a Pearl Harbor.

A primeira capa da revista dedicada às aventuras do personagem o mostrou acertando um soco no rosto de Adolf Hitler. Ele “viveu” seu período áureo depois que os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, mas perdeu popularidade depois da guerra e foi aposentado nos anos 1950, retornando nos anos 1960. Seus gibis venderam mais de 210 milhões de exemplares, em mais de 70 países.

No entanto, assim como a volta do Superman, depois de ter sido morto em 1993, nada impede que o Capitão América volte à cena.

Um de seus criadores, Joe Simon, de 93 anos, disse ao jornal “New York Daily News” ter ficado triste com o falecimento do personagem. “É um momento péssimo para que vá embora. Nós realmente precisamos dele agora”, afirmou.

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