September 16th, 2009 §
Tenho um costume irritante. As minhas boas idéias sempre vem quando estou no chuveiro e, obviamente, não as anoto. Pra cá, para esse blogue, eu penso diariamente num textinho, num tema, numa série. Ao sentar à máquina, me esqueço de tudo. Provavelmente eram idéias de merda, que merecem mesmo o oblívio.
Mas eu não sou tão profícuo a ponto de desperdiçar qualquer idéia que seja, mesmo as mais insossas, valem. E dizem que um bom fotógrafo tira boas fotos independente da câmera, o que importa mesmo é a imagem, a visão.
Pois é. Sou míope.
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August 13th, 2009 §
Há dias que não escrevo nada que preste. Só emails, apresentações e mais emails de outra natureza que não a para sustentar o meu vício no vil metal. Tenho um livro iniciado (bem iniciado, diga-se de passagem), uma peça mal terminada, um projeto de livreto de contos interligados e uma vontade enorme de terminar essa fase da vida e começar outra, em outra terra, em outro contexto.
Deixo o blog largado, as fotos desatualizadas, minha organização digital de lado.
Só o futuro me alenta agora.
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July 17th, 2009 §

roubado daqui, que roubou daqui.
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July 8th, 2009 §
Ela me disse ao telefone que tinha uma beleza discreta. Discordei. Nunca soube que discrição combinasse com beleza. O belo chama a atenção perante à massa, é o belo que se destaca do médio, do medíocre.
“Não sei como posso te achar com essa descrição, linda.” “Vou de chapéu então.” “Pra mim, ok. Você tem as minhas fotos, você sabe como eu sou.” “Feito.”
Esperei por duas horas. Não deu para conter a ansiedade e cheguei muito cedo. O combinado era às três e o louco aqui chegou logo depois do almoço. Não fez mal. Fiquei olhando o gentio a passar na frente da lanchonete e briquei de contar histórias para o povo que mora dentro da minha mente.

Quando ela chegou entendi o que dizia. Numa primeira olhada, era uma menina comum, baixinha, cabelos negros e curtos, rosto redondo, calças jeans e camisa e tênis. Na segunda: era da altura de quem pedia colo pela noite inteira; os cabelos curtos, negros e lisos, pediam para ser desgrenhados ao primeiro toque; o rosto quase infantil amenizava o olhar lascivo. As roupas eram detalhes que seriam postos de lado em breve.
Pela manhã, lavei o sangue que sobrara e guardei de lembrança o olhar da moça assustada.
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April 24th, 2009 §
Me considero um cara desapegado da vida. Não me entendam mal: não é que eu não goste de viver com conforto, de comprar livros, CDs, DVDs, comer bem (ou bem mal) e consumir produtos divertidos, mas me desapego deles na memsa medida que eles deixam de significar algo.
Se aquele gibi (ou livro, ou revista) me fez encarar o mundo de uma forma diferente, que ele seja passado para frente e -talvez- comova o próximo. Mas isso não me faz me livrar dos gibis do Sandman que guardo há mais de dez anos, ou dos álbuns de luxo do Watchmen. Não por enquanto.
Sou desapegado com a matéria sim e em muitas formas, com as pessoas também.
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Às vezes eu tenho vontade de fechar todas as portas e passar a chave na fechadura, dar as costas ao que passou e só andar na direção do sol nascente.
Talvez porque eu não consiga ficar imóvel e, contudo, ainda não tenha aprendido a dar os movimentos corretamente, ainda acho que é preferível caminhar sem destino que esperá-lo bater à porta, com o chá à mesa.
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Tenho pensado em me fechar digitalmente: matar o blogue, matar os flogs, os álbuns de fotos, os tuíteres, listas de discussão, instant messengers e afins. Pela primeira vez penso seriamente em fechar tudo mesmo e cuidar dos meus.
Mas acho que esse é um desapego que ainda não sou capaz de fazer. Não por enquanto.
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Escrevo menos e menos a cada dia aqui. Não é que tenha desistido de escrever, muito pelo contrário. Participo de um velho hábito digital de discutir em listas de (dã!) discussões. Ali tergiverso sobre política, ciência, filosofia, música, fotografia.
Falo pouco sobre o que sei e muito -muitíssimo- sobre o que sei que não sei. Escrevo tanto que daria para encher uns livros só com a quantidade de asneira petulante destilo nos emails.
Ainda bem que por ali fica, por ali morre. Contexto é tudo.
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Não me canso de olhar para os céus de São Paulo. Já escrevi sobre isso e não me repetirei.
Não por enquanto.
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March 4th, 2009 §
teste do tripé da máquina.

Lua
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February 23rd, 2009 §
Acabei de ler o último livro de contas do Luis Nassif, A casa da minha infância (Ed. Agir, 264 pág.), e a impressão que eu tive foi parecida com a de muitos outros livros de contos e crônicas que eu tenho lido nos últimos anos.
Não sei se, dado o evento dos blogues, os textos produzidos e lançados na ionosfera – me recuso a chamar esse agrupamento de textos eletrônicos de blogosfera – tendem paulatinamente a serem rasos, fracos, curtos na personalidade e na memória. Não me excluo disso, absolutamente, mas conto nos dedos de um maneta os blogues que me deixam boas impressões ditas literárias.
Até porque literatura não é blogue nem vice-versa. Ou não.
Reconheço a importância da mídia em si. O do it yourself literário é uma revolução que meus netos conseguirão avaliar, assim como o jazz para os da minha geração. No caso do proto-jornalismo, ou o jornalismo autônomo, eu nem entro em discussão. Até porque os blogueiros ditos jornalistas mantém a tradição do texto pobre, raso e insípido que é norma vigente desde que as fotos dos famosos passaram a valer mais que as “letrinhas” que as acompanhavam.
Mas tergiverso do tema. Li o livro do jornalista e blogueiro Luis Nassif mas acho que ele padece – ao mesmo tempo – do mesmo problema que os colegas de publicação digital e do de coletânea de crônicas/contos. No primeiro caso, ele apresenta seguidamente boas idéias que se perdem com a urgência do texto. Dá sinal que o send ou o publish falaram mais alto que o carinho com as palavras, com as sentenças. Há até erros crassos, como um parágrafo inteiro sem um verbo na crônica que trata do Sivuca. E não se tratava de recurso lingüístico, mas de urgência em contar uma história de que – acima de tudo – merecia um pouco mais de esmero. No segundo caso, apresenta-se a papa-fina logo no início, para cativar o leitor de pé de livraria e fazê-lo correr para o caixa. Não é coisa incomum, apresentar os textos que bambeiam as pernas nas vinte primeiras páginas e “A casa da minha infância” não faz diferente.

A casa da minha infância – Luis Nassif
Óbvio que isso é preciosismo da minha parte e é óbvio que o livro não é despido de emoção ou profundidade. Por exemplo, quando li da morte do seu Oscar ou da transcrição da entrevista de Natalício Moreira Lima bate aquela vontade de ler mais e de carregar consigo os personagens da história. De fazer parte daquela família, de querer ter sido testemunha das desventuras do índio. Mas é onde a emoção e jeito gostoso de contar história falam mais alto, é que se esconde a decepção do ponto final.
E isso é mais porque o todo não acompanha os pedaços que falta de talento ou técnica. Uma pena.
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July 7th, 2008 §
June 2nd, 2008 §
Outro dia recebi um email. Um convite, para ser mais preciso, por email. Eu receberia um livro em casa e escreveria sobre ele, falando mal ou bem do bicho. Não sei se eram as fiandeiras do destino querendo que eu lesse (e escrevesse) mais, mas coincidiu que eu estava lançando o meu outro blogue – um livro por semana, igualmente sem fama ou visitação – e eu topei a empreitada na hora.

Semanas se passaram, papos no MSN para um lado e outro, uma lista de livros medonhos – e de auto-ajuda – me assombrando, chega uma simpática caixa do correio. Dentro dela veio o livro Sexo, Drogas e Rolling Stones do José Emilio Rondeau e Nelio Rodrigues. Confesso que nunca fui fã da banda apesar de gostar, obviamente, de cinco ou seis sucessos deles.
Todavia, tinha topado a empreitada e decidi ir até o fim. O livro tava ali e me faltava apenas a parte sofrida da história. Ler o livro.
Certo que seria sofrido – muito trabalho, namorada, crise pessoal, blogue offline, etc. e tal – adiei por uma semana a abertura da caixa e o início da coisa em si. Mas… mas…
O livro abriu-se para mim como uma flor de carne. Sedução imediata pelo texto do José Emilio – que eu admirava e acompanhava desde os idos da revista Bizz, nos anos 80 – e do Nelio, pelas fichas reveladoras de todos os (ex-)integrantes dos Stones desde a fundação, pelas fotos, pelas capas, pelo projeto gráfico. Só a vida, na sua ojeriza pelo prazer fácil e fluido, é que me impediu de ler o bicho de uma sentada só.
Acabei de fechar a última página com uma impressão ótima do bicho.
Primeiro pelo foco das vindas dos roqueiros em terra brasilis. Obviamente foi escrita para massagear o nosso ego coletivo de nação umbigüenta e de baixa auto-estima, mas feita com carinho, já que Nelio Rodrigues já escrevera outro livro com esse mesmo tema, e dá uma pausa gostosa entre os capítulos mais hard do livro.
Em segundo lugar, pela vontade de “quero mais” que deixou nesse não-fã da banda. Acho que vou comprar um ou dois discos dessa “revelação” do r&b. Obviamente o livro me lembra duas desventuras minhas com shows dos stones, mas isso é assunto para outro texto, outro tema.
Bom livro.
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March 6th, 2008 §

Eu sei que vou me arrepender, mas me emociono ao saber que – 20 anos depois – meus heróis de papel virarão de carne e osso.
Sem mais: links e fotos.






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