<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>a casa do zander&#187; Metas cumpridas</title>
	<atom:link href="http://casadozander.com/tags/hora/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://casadozander.com</link>
	<description>pensamentos esparsos de uma mente desconexa</description>
	<lastBuildDate>Tue, 07 Sep 2010 15:22:08 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0.1</generator>
<xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" />
		<item>
		<title>Metas cumpridas</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/metas-cumpridas/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/metas-cumpridas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 07 Sep 2010 00:09:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[arrependimentos]]></category>
		<category><![CDATA[céu]]></category>
		<category><![CDATA[cidade]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[filme]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[peça]]></category>
		<category><![CDATA[quietude]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
		<category><![CDATA[sonhos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://casadozander.com/?p=1431</guid>
		<description><![CDATA[Há alguns anos eu fiz uma lista de coisas que queria fazer antes dos quarenta anos. Boa parte – a maioria – delas eu consegui fazer. Falta apenas juntar algum dinheiro de fato, mas acho que já estou no caminho, meio caminho andado. Hoje, no entorno dos quarenta, tento me projetar à frente e tento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há alguns anos eu fiz uma <a href="http://casadozander.com/textos/nostalgia-de-quinta-feira/">lista de coisas</a> que queria fazer antes dos quarenta anos. Boa parte – a maioria – delas eu consegui fazer. Falta apenas juntar algum dinheiro de fato, mas acho que já estou no caminho, meio caminho andado.</p>
<p>Hoje, no entorno dos quarenta, tento me projetar à frente e tento desenhar que tipo de pessoa quero ser aos cinqüenta. Quero crer que chegarei fácil em 2020 mais lúcido, rabugento, pernóstico, prolixo e promíscuo que chego hoje, mas essa estrada tem mais armadilhas que a minha vista consegue alcançar.</p>
<p>Mal sobrevivi os meus dez primeiros anos. Ficava doente sempre aos verões, corri risco de perder a vida umas três vezes ao menos. Descobri-me perdendo os céus e o jogo de pipas com a miopia cavalgaste, descobri-me irremediavelmente apaixonado pelos olhos verdes e azuis e inexoravelmente sabendo-me abandonado pelas mulheres.</p>
<p>Os dez anos seguintes foram menos arriscados para a minha saúde, mas determinantes para a formação do meu (mau-)caráter. A adolescência me transformou de criança linda e andrógina em um protótipo de membro da banda Devo. Ao mesmo tempo me ensinou a duras penas que ser diferente não é bom, nem ruim, é apenas o jeito que tenho. O meu destino, a minha caligrafia no caminhar. Optei pelo que é alternativo, estranho e bizarro não por fetiche, mas por sobrevivência. Os deuses que me perdoem, mas não entendo o culto pela a adolescência, pela juventude eterna. </p>
<p>Durante os meus vinte anos vi meus sonhos morrerem, meus ideais soçobrarem, uma carreira degringolar e minha esperança no ser humano puro e eternamente evolutivo desmontar. Tornei-me arrogante, amargo, cruel, grosso, ambicioso, frustrado, torpe, tedioso, mediocrizaste. Ao mesmo tempo minha filha – minha luz, minha obra, minha vida – nasce e minhas prioridades viram de ponta-cabeça. Começo a pensar seriamente em sobreviver os meus trinta anos e ver minha filha tornar-se uma mulher.</p>
<p>Nesses tais de trinta anos, essa tal de quarta década para os que sabem contar, vivi o mundo que pude abarcar com braços, pernas, mãos, bocas, ouvidos, nariz e outras extremidades. Beijei bocas impensáveis, comi comidas inacreditáveis, escrevi textos deploráveis, ouvi músicas que só sonhara na adolescência – não tinha internet para fazer downoad de discos raros, meninos e meninas – e consegui aparar arestas cujas pontas me impediam de ser uma pessoa mais tolerável. Ainda há muito a fazer aí, mas acho que já tracei as trilhas para que a erosão do tempo cumpra seu caminho.</p>
<p>Para os próximos dez anos, eu planejo bem poucas coisas, pois sei que o processo será mais complicado. Não tenho o viço e ímpeto dos teenagers ou o charme pós-jovem dos trintões. Serei, de fato e direito, uma pessoa de meia-idade (se a expectativa de vida bazuca aumentar para os cem anos) e, como tal, caio no limbo dos velhos demais para &#8220;baladas&#8221; e dos jovens demais para a meia-entrada e passagem gratuita de idosos. Serei, definitiva e irremediavelmente, um estranho no meu ambiente de internet. Minha filha– minha luz, minha obra, minha vida – deixará de ser uma menina e cairá no mundo, ávida e ansiosa por devorá-lo como todas as meninas-mulheres dos seus quase-vinte anos. E as mulheres… bem… essas serão capítulos para outros na minha história, já não tenho mais a paixão e a libido. Sou uma lata vazia de vaselina. Um pacote rasgado de camisinhas, um tubo de KY usado. Dos pecados capitais, a luxúria definitivamente não está mais no trono de predileta e a preguiça começa ensaiar uma lenta e paulatina tomada de poder.</p>
<p>Além disso a minha saúde não irá melhorar. Sempre fui sedentário e – não me venham com essa merda de &#8220;sempre há tempo para começar&#8221; – isso não ajuda a melhorar o meu péssimo condicionamento físico. O que eram irritações ou inconveniências, passarão a ser motivo de consultas, remédios e inquietude. Já são, fato, em menor escala. Tudo bem, né? está na hora de começar a fazer uso do plano de saúde que pago desde sempre.</p>
<p>Por outro lado, a minha capacidade de produzir não irá aumentar. De fato, já tive o meu auge vinte anos atrás e não aproveitei o que deveria. É um dos meus arrependimentos, mas faz parte de mim como a miopia e um dente torto. Só posso contar é com textos mais irrelevantes, mais autocomiserados e inócuos. Tudo bem, é o que preciso para manter um fogo ainda ardendo na mente. Talvez consiga aprende o que é determinação e disciplina e feche um livro, uma peça, um romance. E, no bojo, me forme na maldita e adiada faculdade.</p>
<p>A minha capacidade de degustar o novo é comprometida. Não consigo gostar realmente de nada que apareceu nos últimos dez anos. Não tenho a epifania da descoberta de uma banda, de um disco ou de um filme há eons. Tudo parece pastiche, plástico, isopor. Ainda assim tenho fé que há encantamento em alguma esquina e ainda há um livro que me encanta por vez ou outra. É a magia da literatura. Mesmo velho, Homero desperta um gigante que há em mim.</p>
<p>E a fortuna. Bom, essa eu já desapeguei. Se eu queria ser rico, muito rico, aos vinte e poucos, hoje espero só que as contas se paguem por si só. Que minha diversão eletrônica mantenha-se em dia, que eu coma, que eu beba, durma, tenha um teto e luz elétrica e acesso à internet.</p>
<p>O resto?</p>
<p>Bom… tenho dez anos de espera para ver o que o mundo me trará.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/metas-cumpridas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sobre a administração dos espaços mentais</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/sobre-a-administracao-dos-espacos-mentais/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/sobre-a-administracao-dos-espacos-mentais/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 23:25:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[blogue]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[filme]]></category>
		<category><![CDATA[filmes]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[sol]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://casadozander.com/?p=1342</guid>
		<description><![CDATA[Eu resisto à tentação de transformar este blogue em um sítio de filosofia, política e outras diatribes que cometo em listas de discussão, papos com amigos e afins. Resisto em transformar este espaço em um local de crítica literária, dicas culturais e roles de álbuns, livros, filmes consumidos por mim. Tampouco transformo-o em mais uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu resisto à tentação de transformar este blogue em um sítio de filosofia, política e outras diatribes que cometo em listas de discussão, papos com amigos e afins. Resisto em transformar este espaço em um local de crítica literária, dicas culturais e roles de álbuns, livros, filmes consumidos por mim. Tampouco transformo-o em mais uma página de objetos de desejo.</p>
<p>Há pessoas que fazem isso tudo mais e melhor que eu jamais poderia fazer.</p>
<p>Tenho alguns ditados pessoais (a maioria impublicável e envolvem partes bem específicas do sistema digestivo humano) e um que se aplica propriamente ao que apresento é o &#8220;tempo é uma função mental&#8221;. Nunca aceitei a justificativa de &#8220;não haver tempo&#8221; para deixar de fazer A, B ou C, principalmente de amigos ou colegas que me prometem uma ilustração, um  texto, uma música. Isso não quer dizer que eu não faça isso, pelo contrário, é normal que eu diga: &#8220;não tive tempo&#8221;. </p>
<p>Talvez porque eu entenda que um &#8220;não tive tempo&#8221; é uma forma mais adocicada de dizer &#8220;caguei para você e resolvi centenas de coisas desimportantes ao invés dessa paradinha aí&#8221; e outras variações da mesma função babaquara. Quando eu digo: &#8220;não tive tempo&#8221; quero dizer exatamente isso.</p>
<p>(Agora atenção. Essa é a virada do texto, ok?)</p>
<p>Mas há um outro lado na história. Nós costumeiramente damos mais valor às pequenas coisas que às grandes, aos pequenos aborrecimentos que às grandes tragédias &#8211; até porque o aborrecimento do outro é a nossa tragédia e vice-versa, né? &#8211; e tendemos a priorizar essas pequenenezas diárias ante o plano geral.</p>
<p>Já é <em>cliché</em> o quadro do pai que deixa de brincar com o filho para fechar mais um dos intermináveis formulários que preencherá para o trabalho, ou para entregar no prazo um texto dentre os bilhões que serão escritos e ignorados pela massa ignara (se a massa é ignara, ela ignora o seu redor). Ou ainda o livro que fica à beira da cama sendo cortejado, acariciado, enamorado e se desfaz antes que o seu dono consiga folheá-lo. Ele chega em casa diariamente estropiado pela máquina de moer gente que tira o sal do seu suor e mal tem o tempo &#8211; mental! mental! &#8211; de abrir a primeira folha e deixar-se levar pelo que fora escrito.</p>
<p>É assim o meu dia. Entro numa máquina de moer gente e pensamentos e ideias e textos e planilhas e saio no fim do dia (ou no meio da noite, vá lá) exaurido da vontade de abir um livro, de tocar um filme, um disco. Quiçá de trazer para cá a minha vida, essa mesma, drenada, secada, destilada pelas horas diurnas.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/sobre-a-administracao-dos-espacos-mentais/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Das chuvas</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/das-chuvas/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/das-chuvas/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 18:36:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[semana]]></category>
		<category><![CDATA[sol]]></category>
		<category><![CDATA[tiras]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://casadozander.com/textos/das-chuvas/</guid>
		<description><![CDATA[A menina fugiu das gotas grossas, se esquivando de poças d’água ardilosas, dos canos que transformam marquises em cataratas e dos rios gorgorejantes das sarjetas. Passou por todos como se corresse risco de perder a vida, ou a escova progressiva. Chegou na salvadora marquise do shopping center aliviada por ter escapado incólume desses perigos urbanos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A menina fugiu das gotas grossas, se esquivando de poças d’água ardilosas, dos canos que transformam marquises em cataratas e dos rios gorgorejantes das sarjetas. Passou por todos como se corresse risco de perder a vida, ou a escova progressiva. Chegou na salvadora marquise do shopping center aliviada por ter escapado incólume desses perigos urbanos. Era mais uma vítima da massacrante ditadura da estética à qual as mulheres de trinta e muitos anos se submetem para ainda atrair um macho incauto, imaturo e disponível. Lipo, silicone, remoção de estrias e a malfadada chapinha diária. Luzes, esmalte e depilação semanais.</p>
<p>Ele não teve tanta sorte. Viu que seria impossível evitar a água e encarou de frente. Fazia isso com a vida, afinal de contas. Nunca titubeou ante o desconhecido. Daí foi direto para o bar onde haviam marcado o encontro. Sentou-se ensopado e pediu guardanapos, chope e um cardápio.</p>
<p>Ela chegou no tempo certo. Ele já tinha enxugado as partes mais graves (rosto, mãos, suvaco) e confiou na bravura em enfrentar as intempéries como um charme adicional ao de jovem senhor maduro descasado com emprego fixo. Ela, se notou, ficou indiferente. Dois chopes à mesa, já tinham um acordo fechado, mas ainda não declarado. Seis chopes e duas idas ao banheiro, já estavam se atacando no canto do boteco.</p>
<p>Daí a moça vai retocar a maquilagi e ele consulta o celular para ver se havia algum motel na região. A moça, ao voltar, foi certeira: “A duas quadras daqui tem um. É bem barato e bem agradável.” O moço não negou a formação média do homem heterossexual masculino praticante e adicto: se a menina é reconhecível como da espécie humana, é aparentemente saudável e dá intenção de cópula, é de obrigação moral do rapaz conferir o ato.</p>
<p>A chuva não arrefecia. Parecia que o Atlântico estava querendo trocar de endereço naquela hora e escolhera a Tijuca como endereço para a nova moradia. As ruas, como sempre, começaram a encher de tudo que é líquido e sujo, trazendo à tona os restos das histórias dos moradores do entorno da praça Saens Peña e os dois, tesos e com cara de “e agora?” ficaram ali tentando se manter quentes e dispostos. Duas horas e oito chopes depois, eles se atiraram dentro de um carro de praça que deu mole na região e conseguiram chegar no motel.</p>
<p>A chuva, essa maldita chuva, não parara a noite toda e serviu como música de fundo para as patéticas cenas de lascívia e luxúria dos dois e pela manhã, meio envergonhados pelo testemunho da água incessante, os dois estranhos inventaram algumas desculpas esfarrapadas, criaram mentiras novas e prometeram coisas que nunca cumpririam. Exceto o compromisso de se perpetuarem patéticos, solitários, carentes e secos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/das-chuvas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Esse é um texto-mulher</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/esse-e-um-texto-mulher/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/esse-e-um-texto-mulher/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 20:19:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[cigarro]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[passado]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://casadozander.com/?p=1265</guid>
		<description><![CDATA[Escrevi hoje cedo que é difícil &#8220;levantar é difícil não pelo esforço das pernas, que essas já estão acostumadas ao esforço de carregar o corpo, mas pela vergonha da queda&#8221;. Especialmente quando essa dor vem da maior humilhação, daquela que é perpretada diariamente por nós e não nos damos conta até o momento em que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrevi hoje cedo que é difícil &#8220;levantar é difícil não pelo esforço das pernas, que essas já estão acostumadas ao esforço de carregar o corpo, mas pela vergonha da queda&#8221;. Especialmente quando essa dor vem da maior humilhação, daquela que é perpretada diariamente por nós e não nos damos conta até o momento em que deixamos de ser sujeito e passamos a ser o objeto direto.</p>
<p>Tenho amigas que não sabem quando parar de doer uma ferida. Principalmente aquelas que já passaram do prazo. Ser preterido é uma merda, fato. Mas quantas e quantas vezes não fizemos isso com quem passou por nós? pelo carinha que era legal, beijava bem mas era meio mala, meio gosmento. Pelo gordinho que até tinha pegada, mas era flamenguista (ou corinthiano, ou cruzeirense) e ela tinha meio vergonha de ficar com ele na frente dos amigos.</p>
<p>Foda adiada, meu amor, é foda perdida, como diriam os amigos do <i>bas-fond</i>. Aquele amor passado é amor perdido, não tem mais volta. Não com a mesma cara, não com o mesmo fulgor. E quando o rapaz não te quer mais, não adianta ficar cutucando a chaga com cigarro aceso. Não adianta ficar remoendo os momentos ruins, as palavras meio ditas, o &#8220;o-que-fiz-de-errado&#8221; vivido. É passado já, beibi. Já era.</p>
<p>O lance é chorar a dor do amor verdadeiro, chorar a morte do que foi bom e nunca mais será. Daí é colocar a melhor roupa, chamar as amigas mais periguetes, cair na noite e deixar a vida acontecer.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/esse-e-um-texto-mulher/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sóis que nascem e sóis que se poem</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/sois-que-nascem-e-sois-que-se-poem/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/sois-que-nascem-e-sois-que-se-poem/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 21:28:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[2009]]></category>
		<category><![CDATA[avó]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[sol]]></category>
		<category><![CDATA[sonhos]]></category>
		<category><![CDATA[verão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://casadozander.com/?p=1244</guid>
		<description><![CDATA[E o menino me contou que fazia tempos que não se apaixonava e que o motor de sua vida era a paixão. Não se encantava mais com poer do sol ou o seu renascer, doze horas depois. O verão desanimava-o e o inverno trazia as lembranças de uma infância feliz. E era essa a chave [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1246" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.snoopy.com"><img src="http://casadozander.com/wp-content/uploads/2009/11/tumblr_ksvohgXk0K1qza8fuo1_500-400x224.png" alt="Charile Brown" title="Snoopy" width="400" height="224" class="size-medium wp-image-1246" /></a><p class="wp-caption-text">Charile Brown</p></div>
<p>E o menino me contou que fazia tempos que não se apaixonava e que o motor de sua vida era a paixão. Não se encantava mais com poer do sol ou o seu renascer, doze horas depois. O verão desanimava-o e o inverno trazia as lembranças de uma infância feliz.</p>
<p>E era essa a chave que cerrava o mistério de seu cenho torto e anguloso: fora uma criança tão bela, tão feliz mesmo nos anos de chumbo, mesmo no calor do méier dos anos setenta, mesmo na pouca grana e nos brinquedos comprados com muito suor pelos pais e avós. </p>
<p>Mesmo na miopia que impedia que soltasse pipas, ele ficava imaginando-as voando e os outros meninos nos telhados correndo por uma aventura de papel, linha e varetas de pau, duelos em pleno céu azul sobre zinco e telhas quentes. Depois o salto para o asfalto e a corrida com chinelos destruídos por conta do chão que turvava o ar. Ele olhava e imaginava e invejava e rezava pelo outono.</p>
<p>E o menino vivia um idílio de céus cianos e amendoeiras e marimbas e piões e bolas de gude. Tinha desenho animado em tevê branco e preto, tinha globinho supercolorido e leite com café e pão molhado. Tinha sorvete em lata redonda e picolé de limão quando ia à praia.</p>
<p>Um certo dia ele entrou na escola e viu a menina de olhos azuis. Naquele momento algo morreu dentro dele e explodiu em sonhos de gente grande. Queria ser pai, marido e cientista. Queria ser inventor, rico e andar de mãos dados com a moça loira de olhos azuis. Apaixonou-se.</p>
<p>Os sóis que nasciam ou se punham não mais faziam sentido, as pipas ficaram turvas e desfocadas, as bolas de gude, bobas e as crianças da rua, enjoadas. A aula ficou mais interessante e a horas se esticavam entre os olhares de soslaio da menina. Que obviamente nunca lhe deu bola.</p>
<p>Mas não importava. O frisson de sentar a uma carteira era o que movia o seu querer dali para frente. Viciou-se em paixão.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/sois-que-nascem-e-sois-que-se-poem/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Jazz, charutos cubanos e Vivaldi</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/jazz-charutos-cubanos-e-vivaldi/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/jazz-charutos-cubanos-e-vivaldi/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 22:44:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[filme]]></category>
		<category><![CDATA[filmes]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[Jazz]]></category>
		<category><![CDATA[medo]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[sol]]></category>
		<category><![CDATA[sono]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>
		<category><![CDATA[verão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://casadozander.com/?p=1230</guid>
		<description><![CDATA[Eu não gosto de Jazz. Minto. Adoro Jazz. Não gosto é de quem arrota Jazz como se fosse atestado de nobreza urbana ou de quem diz que adora o estilo e vomita nomes, discos, movimentos e músicas como se mijasse uma linha intelectual que separa os geniais e a mediocridade mundana média regular. Obviamente, se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não gosto de Jazz. Minto. Adoro Jazz. Não gosto é de quem arrota Jazz como se fosse atestado de nobreza urbana ou de quem diz que adora o estilo e vomita nomes, discos, movimentos e músicas como se mijasse uma linha intelectual que separa os geniais e a mediocridade mundana média regular. Obviamente, se colocando no lado de lá. É o mesmo povo que gosta de desbancar os standards, os gênios consagrados apenas pelo choque ou para se destacar da &#8220;massa ignara&#8221; ou da massa de manobra cultural.</p>
<p>Se confundem a esses os &#8220;apreciadores de charutos cubanos&#8221; que gostam de ostentar os caros cilindros de tabaco enrolado em locais inusitados, como botecos apertados e caixas de supermercado, ignorando que há local, hora e sentido para prazeres caros e que os maiores e mais deliciosos tendem a ser praticados no isolamento de seus lares, sem atentar ao acinte que é brandir para um transeunte &#8211; normalmente um empregado do recinto &#8211; uma fortuna virando fumaça ante os olhos tristes de quem ganha o bom e velho salário mínimo.</p>
<p>Não gosto de Jazzistas, de charuteiros, de enólogos, cinéfilos, teóricos de teatro, críticos de cinema, de teatro, de tevê, publicitários, marqueteiros, fãs de quadrinhos, de errepegê, de mídas sociais, de internet e nerdices, de filmes de animação, de mangazeiros, fanzineiros, não gosto, não gosto, desgosto.</p>
<p>Essa gente toda que deveria sair de casa num sábado e caminhar na chuva de verão, andar descalço no chão molhado, chapinhando a sola do pé no asfalto que transpira a água recém-chegada ou correr até se estabacar na grama úmida, ensopada de tanto céu na terra. E depois se levantar sorrindo, dos arranhões no joelho e vendo que a vida é feita de dor e de cheiro de ozônio e de cabelos desgrenhados e suor, muito suor, e com as Quatro Estações, de Vivaldi, como trilha sonora.</p>
<p>Na verdade, na verdade mesmo, eu não gosto é de gente que não anda de bicicleta com medo de cair.</p>
<p>O resto é rabugice minha.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/jazz-charutos-cubanos-e-vivaldi/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Divagações sobre a chuva e o tempo</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/divagacoes-sobre-a-chuva-e-o-tempo/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/divagacoes-sobre-a-chuva-e-o-tempo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 22:09:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[cidade]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[são paulo]]></category>
		<category><![CDATA[segundo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://casadozander.com/?p=1208</guid>
		<description><![CDATA[São Paulo é mais ela mesma quando chove. Talvez porque seja uma cidade feminina no tratar (nunca vi alguém se referindo a ela como &#8220;o&#8221; São Paulo), eficiente como só as mulheres são, caótica e confusa como uma TPM, tensa como uma mãe que não vê o filho dar as caras à noite, seca como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>São Paulo é mais ela mesma quando chove. Talvez porque seja uma cidade feminina no tratar (nunca vi alguém se referindo a ela como &#8220;o&#8221; São Paulo), eficiente como só as mulheres são, caótica e confusa como uma TPM, tensa como uma mãe que não vê o filho dar as caras à noite, seca como a amante que não te quer mais.</p>
<p>Quando chove, respira-se melhor. E não tem nada a ver com o ar que fica limpo, mas com o trânsito que vira um mafuá. As pessoas entrincheiradas em casa ou nos escritórios dão mais tempo para o tempo já que esperarão o trânsito melhorar, desistem da &#8220;balada&#8221; compulsória, da necessidade de &#8220;curtir o seu tempo&#8221; de aproveitar cada segundo. E respiram.</p>
<p>Fico imaginando as pessoas no século XII, &#8220;curtindo o tempo&#8221; enquanto esperam a plantação crescer ou cuidavam de sua vida nas cidades que renasciam. O engraçado que curtir é deixar o tempo endurecer algo, no caso, o couro das pessoas.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/divagacoes-sobre-a-chuva-e-o-tempo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Continho babaca, cretino e verdadeiro</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/continho-babaca-cretino-e-verdadeiro/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/continho-babaca-cretino-e-verdadeiro/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 18 Sep 2009 02:01:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[casa]]></category>
		<category><![CDATA[cerveja]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://casadozander.com/?p=1199</guid>
		<description><![CDATA[Confesse, você já está com a calcinha úmida antes mesmo de eu dar a cantada definitiva. Não me enrole, não precisa. Sei que você está louca de vontade que eu te pegue de jeito, dê um beijo de cinema (ou um beijo meia-boca, babado de cerveja, whatever), te dê uns malhos fortes e quase pornográficos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Confesse, você já está com a calcinha úmida antes mesmo de eu dar a cantada definitiva. Não me enrole, não precisa. Sei que você está louca de vontade que eu te pegue de jeito, dê um beijo de cinema (ou um beijo meia-boca, babado de cerveja, whatever), te dê uns malhos fortes e quase pornográficos ali no canto estratégico do lado do bar, pague a conta (minha, sua) sem tirar os olhos dos seus peitos, te arraste pro meu carro depressa e te apalpe de todas as maneiras possíveis e inimagináveis. Que eu finja ser uma lula ou algum outro animal com muitas patas no processo. E você irá fingir que não quer dar hoje, que é muito cedo, que não tá na hora. Aquela babaquice toda.</p>
<p>
Aí a gente irá se catar alucinadamente, teu soutien irá pular fora, vai pagar um peitinho maroto, a calça irá descer até o joelho e uma das inúmeras mãos irá conferir aquela carne mijada que está doida, mas doida para levar pica a noite toda. Se não for dessas que acha pica um troço nojento, irá me chupar até quase gozar e tocará uma punhetinha amiga até eu gozar pela primeira vez no chão do carro. Daí pedirá para eu te deixar em casa.</p>
<p>
Na frente do teu prédio, a mesma história. Carro balançando, vidros esfumaçados pelo nosso furor (pelo seu furor, eu estou sob controle, controle pleno da situação) e, de novo, &#8220;não! não mete! hoje não!&#8221;.</p>
<p>
Daí eu pego o seu telefone e toco uma punheta vendo você entrar no prédio. Nunca mais ligo. Mulher que não dá na primeira noite não dá nunca mais para mim.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/continho-babaca-cretino-e-verdadeiro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Chuvas de fevereiro</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/chuvas-de-fevereir/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/chuvas-de-fevereir/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 21:27:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[avó]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[cidade]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[memórias]]></category>
		<category><![CDATA[rio de janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[sol]]></category>
		<category><![CDATA[verão]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://casadozander.com/?p=1193</guid>
		<description><![CDATA[Nunca mais houve um verão como aquele. As chuvas alagaram o inalagável, transformando a Avenida Atlântica num rio caudaloso e poluído. E foram dias e carnaval de chuva torrencial onde gente morria a balde (desculpem o trocadilho) e chorava os desabamentos em plena Zona Sul da Maravilhosa Cidade de São Sebastião. Era no governo Brizola, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
Nunca mais houve um verão como aquele. As chuvas alagaram o inalagável, transformando a Avenida Atlântica num rio caudaloso e poluído. E foram dias e carnaval de chuva torrencial onde gente morria a balde (desculpem o trocadilho) e chorava os desabamentos em plena Zona Sul da Maravilhosa Cidade de São Sebastião. </p>
<p>
Era no governo Brizola, amado e odiado por legiões, e serviu de desculpas para campanhas difamatórias e uma ação de solidariedade da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Eu estudava num colégio católico em Ipanema e me lembro vagamente das pessoas se mobilizando para arrecadar alimento e roupas, tudo sob as bênçãos de João de Deus, o Paulo II.</p>
<p>
Da minha parte, eu me divertia era em ver as pessoas procurando abrigo nos cantos de calçada secos, como se a chuva carregasse algo mais que os restos de vida civilizada maré afora. &#8220;Essa água tem doença&#8221;, minha avó dizia, &#8220;não vai na rua que tá tudo alagado&#8221;. Eu descia para o play &#8211; sim, sou moleque de prédio, criado em pleigraundi &#8211; para andar de bicicleta, fazer guerra com garrafas e pistolas d&#8217;água e jogar <a href="http://supertrunfo.ig.com.br/">Super Trunfo</a> com as outras crianças.</p>
<p>
Quando chove forte no verão (ou no inverno, tanto faz) me voltam as boas e felizes memórias de um refresco no calor louco do Rio, de um tempo em que as coisas pareciam ser mais simples e resolvíveis num par ou ímpar, num zero-ou-um. Que o meu anseio maior era ter uma bicicleta Brandaine e saber se o UltraSeven era melhor que o Spectreman.</p>
<p>
Apesar das mortes e das varejeiras que vinham do morro atrás do meu prédio. As vidas que iam, as tragédias, vindas da mesma fonte da minha alegria. Da mesma fonte, alegria e tragédia, ventura e desgraça.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/chuvas-de-fevereir/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>I Want You (She&#8217;s So Heavy)</title>
		<link>http://casadozander.com/textos/i-want-you-shes-so-heavy/</link>
		<comments>http://casadozander.com/textos/i-want-you-shes-so-heavy/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 22:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>zander catta preta</dc:creator>
				<category><![CDATA[textos]]></category>
		<category><![CDATA[dia]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[mês]]></category>
		<category><![CDATA[minuto]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[passado]]></category>
		<category><![CDATA[perfume]]></category>
		<category><![CDATA[segundo]]></category>
		<category><![CDATA[semana]]></category>
		<category><![CDATA[tesão]]></category>
		<category><![CDATA[the beatles]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://casadozander.com/?p=1185</guid>
		<description><![CDATA[pós The Beatles A música ainda ressoava nos tímpanos quando ele resoveu ligar para a moça. Os The Beatles sempre foram o seu oráculo pessoal quando se tratava de flertar ou não com a colega da faculdade, mandar ou não flores para amiga por quem sentia um tesão especial ou ligar para a ex-foda-fixa que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>pós The Beatles</i></p>
<p>A música ainda ressoava nos tímpanos quando ele resoveu ligar para a moça. Os The Beatles sempre foram o seu oráculo pessoal quando se tratava de flertar ou não com a colega da faculdade, mandar ou não flores para amiga por quem sentia um tesão especial ou ligar para a ex-foda-fixa que tinha descartado no mês passado. </p>
<p>Bastava ouvir os acordes de &#8220;I want you (She&#8217;s So Heavy)&#8221; que entumecia-se todo ao se lembrar de Marcela. Entumecia-se mesmo. Não tinha nada de paixão ou amor ou de carinho ali. Era um tesão animal, descontrolado. Mas só quando ouvia os mesmos acordes finais da guitarra, baixos, cadentes, marciais e o John falando &#8220;she&#8217;s so heavy. heavy.&#8221; </p>
<p>Ele se lembrava no mesmo momento de calcinhas no chão, de cheiro de perfume caro, de camisinhas apressadas e encaixar coxas à sua cintura. Sentia a umidade permissiva na hora que ouvia as linhas de baixo do Paul e a canção tinha a duração correta para o coito inteiro. Do &#8220;oi, tudo bem&#8221; ao &#8220;deu deu, acabei&#8221;. Sete minutos e quarenta e sete segundos. O suficiente para o rapaz ver a menina virar os olhos cheios de desprezo e dizer &#8220;nunca mais, viu? nunca mais&#8221;.</p>
<p>Aí passava-se mais uma semana, um mês, quarenta e cinco dias, no máximo. Ele colocava Abbey Road no tocador de emipetrês e pronto. Mais uma vez, mais uma vez.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://casadozander.com/textos/i-want-you-shes-so-heavy/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
