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December 3rd, 2009 § 0

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vida besta – by galvão

April 27th, 2009 § 0

vida besta - galvão

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Na paulista…

June 1st, 2008 § 2

publicado na Tribuna da Imprensa

…costumava ser uma expressão usada na faculdade para o ato de passar a brenfa, marofa, canha, baseado, doizinho, pega, a maconha – enfim – com velocidade que, a priori, não deveria ser própria de quem está consumindo um entorpecente relaxador. Ou seja, o cara pega, puxa, traga, e passa sem ter tempo de contemplar o ato, de curtir o momento, e só espera que a onda bata logo. Obviamente pegar a bagana, a vela, a maria-joana, o fumo, o cigarro e ficar contemplando o mundo enquanto ficava olhando a parada queimar lentamente para o nada era chamado de “na carioca”.

Hoje fico pensando se não existe algo mais nessa comparação que a falsa calma do carioca e da pressa inequívoca do paulistano.

Antes que me processem por apologia ao narcotráfico, aviso: nunca fui adepto do uso da cannabis sativa – jamais consegui dar mais que dois tapas e não desmaiar em seqüência – mas curtia ficar com o pessoal na vila dos diretórios acadêmicos da PUC-RJ, na chamada esquina da esquadrilha da fumaça, a quina formada pelas casinhas do povo de desenho industrial, de filosofia e geografia e era completada pela casa do CA de Direito que, diga-se de passagem, o único que tentava fazer algo que lembrava remotamente um movimento estudantil naquela época pós-caras pintadas, pós-reabertura política, pós-ideologias, pós-juventude.

Gostava porque a maioria ouvia o bom e velho rock’n’roll – apesar de um reggae ocasional me torturar a paciência – e todos gostavam de quadrinhos e de alguma literatura. Além disso era o pit-stop obrigatório no caminho do boteco. Esse sim, fornecedor do meu elemento de entorpecimento favorito.

Desculpem se tergiverso um bocado, mas é que me lembrei disso hoje ao andar na Avenida Paulista.

Chovia de um jeito que é cada vez mais raro em São Paulo – chuva fina, tempo frio, vento cortante – e eu ia da Consolação ao Paraíso. Da rua Augusta à rua Brigadeiro Luiz Antônio. Na calçada, a fauna de costume: casais gays na altura do Conjunto Nacional – e da Frei Caneca – jovens executivos entre a Freica e o Trianon, alguns rapazes perdidos no parque, estudantes nos botecos até a Joaquim Eugênio de Lima, mais jovens executivos que foram estudantes há pouco nos mesmos botecos com mesas e cadeiras em plena calçada, hippies/mendigos na altura daquela casa branca que estava abandonada e que fora um MacDonalds até um tempo atrás.

No passar da turba, uma cena insólita. Como sou muito míope, as imagens me vêem aos poucos, sendo construídas no meio da minha falta de foco. Primeiro, um engravatado carregando algo pesado. Depois, consegui ver o portador de terno completo e gravata com mais nitidez. Ele carregava um monitor velho de computador, daqueles de tubo, de umas quinze polegadas, com algum esforço, mas andava com energia e determinação. Mais uns cinco metros consegui ver a face. Barba por fazer, cabelos desgrenhados e loiros, olhar injetado de fúria e os braços de terno sem camisa.

Passou por mim como se não existisse chuva ou destino. Na paulista.

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Galvão: genial mais uma vez

April 2nd, 2008 § 2

Vida Besta - tira #848

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galvão… de novo

September 21st, 2007 § 0

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Você

July 20th, 2007 § 1

publicado na Tribuna da Imprensa

Você é desafio de minha vontade de querer ficar quieto, encaramujado, resignado, acomodado, morto ainda que desertor das emoções, das vontades, dos quereres e dos prazeres, desafio que me faz levantar da cama e ver que o sol brilha, o mar chama e seduz. É o que me fez pensar em ver o sol de novo. Ver o sol a pino, no ocaso do dia, no raiar da manhã.

Você é o olhar que brilha sapeca quando a canção que não cala chama o nosso nome para pista de dança e quando floreia os passos, transforma as pernas em girassóis que me enrubescem e me fazem lembrar que ainda corre sangue em algumas partes enferrujadas. É sangue o que está ali, não ferrugem. É sangue.

Você é o que me abre a veia do verbo, me faz sangrar em letras o que eu sinto e senti, derramar em tinta vermelha o que foi prometido por algo que está acima e além. É quem me faz sentir as dores do lamento e sorrir apesar do corte na alma. Pois elas são marcas de nossa travessura curta, o joelho ralado dessa paixão radiante. É o meu sorriso chorado quando vejo as fotos de nossos beijos, as imagens da mente de nosso calor. Para ti, por ti e apesar de tu.

Você é o que me inspira escrever algo algo em resposta. Apesar de saber que não escreves para mim. Não mais. Nunca mais.

Você é a coragem que eu tenho de lutar pelo que amo. E mais não digo sobre isso.

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Exercício de tolerância

July 2nd, 2007 § 2

publicado na Tribuna da Imprensa

Algumas manhãs simplesmente não deveriam existir.

O sol que emoldura os que passam na rua fere a minha retina e amplifica o que a cidade tem de mais sórdido, decadente e desprezível. O ar, cuja umidade faz doer a faringe a cada inspiração, carrega as lembranças das cervejas mijadas nas esquinas e nas pequenas barracas esquecidas. Esse ar de banheiro a céu aberto é o que chamam de diversão os tolos e os incautos que azucrinam a paz das prostitutas e travestis que tentam ganhar a vida da forma mais antiga e honesta. Esses arautos da indústria do entretenimento é que me ensinaram a odiar os homens.

Irritam-me os vadios que comungam com a displicência que aplicam a si mesmos ao se entregar às indulgências hedonistas das noites e garrafas viradas. Não pensam no futuro e se alijam da realidade em torno de si, fugindo da dor que é enxergar o mundo com lucidez. Covardes! Mas me irritam mais os sóbrios que apontam rijos dígitos os pecados que gostariam de estar cometendo naquele exato momento. Irrita-me a inveja que os move a boca, a língua e ao defunto que se supunha estar enterrado dentro de suas cuecas.

Enervam-me os parvos que são incapazes de entender as verdades mais simples, apesar de todos os esforços de se levar à compreensão. Mesmo que o universo viesse em pessoa e lhes ensinasse o bê-á-bá cósmico, esses néscios continuariam a crer nos seus livros datados, nos seus saberes embolorados, nas suas personagens sem vida ou brilho. Porém, não me enervam tanto como os esclarecidos que têm a pachorra de ousar entender os mistérios das coisas, de destruir o encanto do que é arcano, transformando em retórica e lógica estéril uma poesia milenar. Esses ousam ser capazes de resumir o mundo a meia dúzia de linhas e chafurdam no próprio academicismo.

Enfurecem-me os intolerantes. Não entendem o outro lado, não conseguem se dar o benefício da dúvida e são portadores das certezas da vida. Grasnam que, se lhes ouvissem, as coisas dariam certo, funcionariam melhor e o mundo seria um novo Éden. São os donos da razão e nunca se enganam em coisa alguma. Opinam sobre tudo e são absolutos. Contudo, pior são os que não têm certeza alguma, imersos na dúvida. Para esses, o “tanto faz” é o refúgio definitivo do esforço de criticar.

Transtornam-me os artistas que acham que são gênios. Com esses eu sequer argumento já que são incapazes de ver além do palmo à frente de seu ego. Eles não têm a capacidade de entender o outro e o público é que tem de se dobrar para compreendê-los. Esquecem-se que sem a platéia, sua obra é inócua, estéril, anaeróbica. Mas o que me transtorna mais são aqueles artesãos da opinião subreptícia, os mestres dos clichês e da cultura de consumo que ousam chamar de arte a sua cópia de quinta de uma idéia de terceira. Esses ganham prêmios e salários.

Desespero-me com essa corja humana que me cerca, pois enxergo em cada um deles um pedaço íntimo de mim mesmo, como se fossem um retalho de minhas essências. Cacos reflexivos de uma imagem que sofro em negar a cada manhã que não deveria existir. Imagens que não deveriam ser reproduzidas.

Pois eu já quebrei os espelhos da minha casa ao acordar.

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Vida Besta

April 28th, 2007 § 1

ADORO

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Retrato de um ENTP – Extraverted iNtuitive Thinking Perceiving

March 13th, 2007 § 0

Personalidade ENTP

Como sua intuição extrovertida domina sua personalidade, o que mais lhe interessa na vida é compreender o mundo no qual você vive. Você está constantemente absorvendo idéias e imagens relacionadas a situações com o qual você se depara no dia a dia da sua vida. Fazendo uso de sua intuição para processar essas informações, você é quase sempre extremamente rápido e preciso em sua capacidade de avaliar uma situação. Você é um tipo de pessoa dos que melhor compreendem a realidade à sua volta.

Essa capacidade de compreender pessoas e as situações de uma maneira intuitiva proporciona a você uma distinta vantagem com relação às outras pessoas. Você geralmente compreende as coisas com rapidez e em grande profundidade. De maneira similar, você é flexível e se adapta bem a uma grande variedade de tarefas. Você é bom em praticamente qualquer coisa que lhe interessar. À medida que você crescer e desenvolver mais ainda sua capacidade intuitiva e suas compreensões das coisas (insights), você desenvolverá uma ótima noção quanto às mais variadas possibilidades existentes, e isso lhe fará uma pessoa extremamente criativa e engenhosa na hora de solucionar problemas.

Você é uma pessoa de idéias. Sua capacidade perceptiva faz com que você enxergue possibilidades em todo lugar e em tudo. Você se anima e se empolga com suas idéias, e consegue compartilhar esse entusiasmo com outras pessoas. Dessa maneira, você consegue o apoio do qual você necessita para atingir suas visões do futuro.

Você se interessa menos por desenvolver planos de ação ou por tomar decisões do que por gerar idéias e possibilidades. Acompanhar a fase de implementação de uma idéia até o final geralmente é uma tarefa desagradável para você, mas muitas vezes necessária. Isso pode resultar num hábito de nunca acabar o que você começa. Se você não desenvolver seu lado racional e lógico, você poderá encarar problemas, pois ficará pulando de idéia em idéia sem dar prosseguimento a nenhuma delas. Você precisa tomar o cuidado de avaliar completamente suas idéias, para conseguir tirar vantagem delas.

Seu processo auxiliar, que é a lógica introvertida, guia suas tomadas de decisão. Apesar de você se interessar mais por absorver informações do que por tomar decisões, você é um tanto racional e lógico ao chegar às suas conclusões. Quando você aplica a lógica às suas percepções intuitivas, o resultado pode ser realmente muito forte. Se você conseguir se desenvolver bem, você poderá se tornar uma pessoa extremamente visionária, inventiva, e empreendedora.

Você é uma pessoa que conversa com fluência, que pensa com rapidez, e que gosta de debater tópicos com outras pessoas. Aliás, você gosta tanto de discutir questões que pode até trocar de lado de quando em vez, simplesmente por amor ao debate. Quando você expressa seus princípios básicos, porém, você pode se sentir um pouco esquisito e acabar falando de maneira abrupta e intensa.

Você poderia até ser conhecido como o “advogado”, pois você consegue compreender uma situação com rapidez e precisão, e é objetivo e lógico ao tomar atitudes necessárias. Seu lado racional faz com que suas ações e decisões sejam baseadas numa lista de regras e leis objetivas. Se você defendesse alguém que tivesse cometido um crime, você provavelmente tiraria vantagem das pequenas falhas na lei que poderiam libertar seu cliente. Se você ganhasse o caso, você veria sua ação como totalmente justa e apropriada para a situação, pois suas ações estavam dentro da lei. A verdadeira culpa ou inocência do seu cliente não seria tão relevante. Porém, se esse tipo de pensamento racional passar despercebido por você, isso poderá causar que outras pessoas o vejam como uma pessoa de caráter antiético e até desonesto. Como não é de sua natureza considerar o elemento humano ou pessoal nas suas tomadas de decisão, você deveria se preocupar em notar esse lado mais pessoal e subjetivo das situações. Esta é uma área particularmente problemática para você. Apesar de suas capacidades lógicas lhe darem força e propósito, elas podem acabar lhe isolando das outras pessoas e dos seus próprios sentimentos.

As áreas menos desenvolvidas para você são a da sensação e do sentimento. Se você negligenciar a área da sensação – que é relacionada à sua ciência dos seus cinco sentidos, do “aqui e do agora”, você poderá tender a não cuidar dos detalhes mais mundanos de sua vida. Se sua área sentimental for negligenciada, você poderá não valorizar as idéias das outras pessoas o suficiente, ou se tornar uma pessoa demasiadamente dura e agressiva.

Sob estresse, você poderá perder sua capacidade de gerar possibilidades e se obcecar com pequenos detalhes que poderão parecer extremamente importantes para você, apesar de na realidade não serem tão importantes assim, na visão maior da coisa.

Em geral, você é um visionário animado. Você valoriza muito o conhecimento, e passa muito tempo de sua vida buscando uma compreensão maior das coisas. Você vive num mundo de possibilidades, e se empolga com conceitos, desafios e dificuldades. Quando encontra um problema pelo caminho, você improvisa bem, preparando uma solução criativa com rapidez. Criativo, inteligente, curioso e teórico, você possui uma gama abrangente de possibilidades para sua vida.

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Farol Traseiro

February 8th, 2007 § 3

publicado na Tribuna da Imprensa.

Diariamente recebo diversas tranqueiras digitais. Normalmente enviadas por amigos que acham interessante abarrotar a caixa postal de outrem com apresentações malfeitas, com música irritante e imagens mal digitalizadas. Ou então é um parente que envia os mesmos arquivos ou piadas que já circularam na internet seis anos atrás. Pior, quando um texto de origem desconhecida – ou, pior, de um conhecido seu – chega no seu inbox como se tivesse sido escrito pelo Jabor, Veríssimo ou Ubaldo.

Todas têm destino certo: o oblívio digital da minha lixeira.

Eventualmente uma dessas mensagens tem uma sobrevida de segundos. É o tempo suficiente para eu ler o texto, ou passar os olhos nas imagens, pensar se vale a pena registrar a informação e, em seqüência, apagá-la. Recentemene me peguei assistindo a um vídeo edificante e de alto valor moral que me chamou a atenção por mais que os costumeiros dez segundos.

Primeiro, porque era bem editado e com trilha sonora bem arranjada. Segundo, porque o tema me é caro: a insignificância humana perante a grandiosidade do universo. Esse vídeo nos colocava no devido lugar de macacos pelados que pensam que não são macacos. A priori, nada de mais, já que filmes foram feitos sobre variações desse mesmo tema e Gilles Deleuze nunca se preocupou em repensar linhas filosóficas por conta disso. Mas ficou o registro mental.

Ontem, estava eu representando na vida real mais um dos personagens do Woody Allen quando me perguntei: “caramba, trinta e seis anos na cara e parece que aprendi porcaria nenhuma.”

Duas coisas a partir disso: a primeira é o caso ridículo de onde gerou essa minha auto-análise que pode ser acompanhada nos textos do meu blogue. A segunda é um questionamento da real necessidade da experiência. O quão valorizamos essa característica humana e o quão dependentes disso nos tornamos quando envelhecemos. Eu, ao menos, o sou.

De certo deixamos de ser macacos reativos ao meio ambiente e passamos a ser pró-ativos – odeio esse termo – quando conseguimos passar a experiência acumulada dos indivíduos e da coletividade para frente, criando cultura. Esse é o primeiro diferencial. Aquele papo do cru e do cozido que os antropólogos e sociólogos podem dissertar melhor que eu.

De fato, esse tipo de experiência é imprescindível.

Agora, existe a experiência pessoal emotiva que também pode ser chamada de inteligência emocional, maturidade, compostura, etc. Algumas pessoas se vangloriam da experiência acumulada ao passar dos anos. Engraçado que eu mesmo caio nessa armadilha diariamente.

Digo armadilha pois ela só ensina a o que fazer quando erramos e exatamente nos mesmos erros do passado. Quando nos deparamos em situações parecidas com as já vividas – trocando-se apenas os personagens e o cenário – e agimos pensando que não erraríamos de novo, lá vem a vida nos pregar mais uma peça e vermos que ou não aprendemos a lição direito ou aquela experiência seriviu de nada.

Se eu fosse seguir pela primeira via, me consideraria um imbecil; na segunda, um idiota.

A essa altura da minha meia-vida, tiro para mim que as desventuras pelas que passo diariamente são fontes de boas histórias, de causos para fazer rir os colegas da mesa de bar, esperando que eles vejam os faróis traseiros de minha vida e decidam que caminho tomar nas suas próprias encruzilhadas.

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Where Am I?

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