April 29th, 2008 §
tem esse movimento (ou corrente, ou meme, ou whatever) aí. resolvi fazer a minha parte (em minúsculas mesmo).
Como usar a vida real
1. pense numa praça com grama verdinha
2. pense e, crianças fazendo algazarra
3. pense num pipoqueiro e num vendedor de algodão-doce.
4. desligue o micro.
5. (se você ainda não desligou o micro, desligue-o já)
6. corra para a praça (após desligar o micro. anda, menino! desliga logo).
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April 5th, 2008 §
publicado na Tribuna da Imprensa
Inicialmente preciso dizer que odeio correntes. Não pelo aspecto social ou de replicação da interconexão dos pontos de propagação desses memes em si, mas por preguiça pura mesmo.
Quando minha mãe recebia aqueles envelopes com cartas abençoadas por Santa Edvigies, Aquerupita ou Efidálzia, ela prontamente sentava-se à máquina de escrever e copiava copiosamente os textos mal-redigidos que prometiam fortuna eterna ou danação em sete dias, caso não fossem enviadas no menor tempo possível para centenas de pessoas. Hoje, cá com os meus botões, eu daria um emprego ao marqueteiro que bolou esse viral para a ECT.
Rabugices à parte, essa corrente dos livros me cativou na hora que recebi. E o que me animou nem foi tanto a corrente em si, mas saber que quem me enviou é uma consumidora voraz de livros. Ou seja, vindo de quem veio, eu não tinha como recusar. Muito obrigado, Giseli. Vai ter troco!
Bom, vamos aos livros bons:

1. Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer, conta a história de Oskar Schell, inventor, entomologista amador, francófono, escritor de cartas, pacifista, percucionista, romântico, explorador, joalheiro, detetive, vegetariano e colecionador de borboletas e um menino de nove anos. É apenas a melhor coisa que li nos últimos anos.

2. Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, de Marçal Aquino, traz-nos uma aventura de sexo, vingança e violência no interior da Amazônia. Não bastasse ser sensacional, apenas pela história em si, é uma coletânea de citações dignas de Bernard Shaw ou de Ambrose Bierce. Vale nem que seja para aumentar o repertório de cantadas.

3. O Berro Impresso das Manchetes, de Nelson Rodrigues. Me diziam que Deus está morto e sua palavra chegou até nós. Eu não acreditava, mas agora sou o seu maior discípulo, apóstolo e profeta. Deus – em pt_BR – chama-se Nelson Rodrigues e o cabra é simplesmente o ponto mais alto que eu consigo imaginar na narrativa em língua portuguesa. Não que ele seja perfeito, mas quem quer um Deus literário perfeito? Já temos Shakespeare e Camões ocupando esse posto letra-a-letra. Mas essa coletânea de crônicas me faz torcer por uma peleja de futebol como nunca dantes. Aliás, nunca havia gostado de futebol até ler a palavra de Deus.

4. Encyclopedia of Things That Never Were, de Michael Page e Robert R. Ingpen. Não é um livro para se ler de cabo a rabo, mas para se deitar na rede da casa, sentir a brisa do outono trazendo a noite e a chuva fina enquanto se sente o cheiro do bolo de chocolate solado saindo do forno, um leite gelado com café e manteiga derretida em cima de pães de queijo. Depois, arruma-se tudo no centro da sala com a tevê ligada em algum desenho animado o qual você não prestará atenção. E, súbito, você estará em terras distantes, entre pessoas que nunca existiram. É dos livros que mantêm a criança viva dentro de ti. É alimento para a alma.

5. Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach. Li quando criança. Reli quando adolescente. Re-reli quando adulto. Não é um exemplo de texto, de mensagem, de qualquer outra coisa mas tenho uma memória afetiva muito boa com esse livro. Li todos os outros do Richard Bach até ele embarcar numa viagem mística muito chata. Fica a lembrança boa de lágrimas molhando os olhos no balançar do ônibus para a escola.
Agora vem a parte mais desagradável. O livro ruim. Desagradável porque são tantos, mas tantos, que eu geraria uma legião de ogres ensandecidos que viriam à minha casa com archotes me martirizar. Ou não.

6. Urbanóides, de Zander Catta Preta (http://casadozander.com/urbanoides). É uma obra menor, corrida, mas feita com coração. Baixem. É de graça. Ao menos nenhuma árvore precisa morrer para vocês lerem-no.
Passo a corrente para Gabi, Eric, Júlio, Júnior e Lia (que provavelmente não a repassarão para ninguém).
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March 13th, 2008 §
Gabi me passou um meme.
Obrigado.
copio um aleatório aqui da wikipedia.
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Dimetrodonte
O dimetrodonte (Dimetrodon sp.) foi um sinapsídio que viveu no período permiano por volta de 290 milhões de anos atrás. Embora popularmente identificado como um dinossauro, esse animal era um pelicossauro carnívoro e provavelmente caçava outros pelicossauros.
O dimetrodonte era um animal de sangue frio e tinha uma postura escarrapachada, ao contrário dos mamíferos.
O gênero Dimetrodon possui as seguintes espécies:
* Dimetrodon milleri
* Dimetrodon natalis
* Dimetrodon limbatus
* Dimetrodon booneorum
* Dimetrodon gigashomogenes
* Dimetrodon grandis
* Dimetrodon loomisi
* Dimetrodon angelensis
* Dimetrodon teutonis
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September 26th, 2007 §
Li no blogue Boa Noite Cinderella a seguinte tarefa (ou meme, ou corrente, ou praga):
1.- Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2.- Abra-o na página 161;
3.- Procurar a 5ª frase, completa;
4.- Postar essa frase em seu blog;
5.- Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6.- Repassar para outros 5 blogs.
> Livro: O Silêncio da Chuva, do Luiz Alfredo Garcia-Roza
> Quinta frase completa: “A boca seca pelo vinho fez com que me levantasse à procura de água.”
> Cinco blogues:
- O décimo-nono de muitos – Júlio César
- De salto alto – B.
- Baxt – Bárbara Axt
- Poça d’água – Bruna Paixão
- Uma dama não comenta – Giovana Cantarelli, Lillaise e Mestre Delih
É isso.
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September 14th, 2006 §
Embrasse moi dessus bord
Viens mon ange, retracer le ciel
J’irai crucifier ton corps,
Pourrais-je depunaiser tes ailes ?
Embrasser, te mordre en même temps
Enfoncer mes ongles dans ton dos brulant
Te supplier de me revenir et tout faire
ô tout pour te voir partir et viens!
Emmene moi là bas
Donne moi la main
Que je ne la prenne pas
Ecorche mes ailes
Envole moi
Et laisse toi tranquille a la fois
Mille fois entrelassons nous
Et lassons nous meme en dessous
Serre moi encore serre moi
Jusqu’a etouffer de toi
Il y a des salauds
Qui pillent le coeur des femmes
Et des femmes qui n’savent plus trop
D’ou l’amour tire son charme
Papillons de fleurs en fleurs
D’amour en amour de coeur
Ce qui n’ont qu’une etoile
Ou ceux qui brulent leur voiles
J’aime tes larmes quand tu aime
Ta sueur le sang, rendons nous amants
Qui se passionne, qui se saigne
J’aime quand mon ecorché est vivant
Je ne donne pas long feu
A nos tragédies, à nos adieux
Reviens moi, reviens moi
Tu partira mieux comme ça
A force de se tordre,
On en finirai par se mordre
A quoi bon se reconstruire,
Quand on est adepte du pire
Malgré nous, Malgré nous,
A quoi bon se sentir plus grand
Que nos, deux grains de folie dans le vent
deux ames brulantes deux enfants
Il y a des salauds
Qui pillent le coeur des femmes
Et des femmes qui n’savent plus trop
D’ou l’amour tire son charme
des Papillons de fleurs en fleurs
D’amour en amour de coeur
Ce qui n’ont qu’une etoile
Ou ceux qui brulent leur voiles
Embrasse moi dessus bord
Viens mon ange, retracer le ciel
J’irai crucifier ton corps,
Pourrais-je depunaiser tes ailes ?
Embrasser, te mordre en même temps
Enfoncer mes ongles dans ton dos brulant
Te supplier de me revenir et tout faire
Pour te voir partir et viens!
Emmene moi là bas
Donne moi la main
Que je ne la prenne pas
Ecorche mes ailes
Envole moi
Et laisse toi tranquille a la fois
Mille fois entrelassons nous
Elassons nous meme en dessous
Serre moi encore serre moi
Jusqu’a etouffer de toi {x2}
Serre moi encore serre moi
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March 6th, 2005 §
para Andrea Capella
Numa noite de insônia, como tantas outras, ele resolveu dar uma volta na praia. Não morava muito longe, uma quadra e meia da praia que, mesmo às 4h da manhã, estava bem freqüentada pela população marginal de uma cidade turística. E, entre putas, pivetes, traficantes, pedintes, população de rua, turistas em busca de sexo barato e bêbados, ele teve uma idéia genial. Aquilo que iria mudar o mundo.
Seriam Vinte Histórias Universais. Daquelas que todos escutam e repetem, verdadeiros Memes Literários, como Branca de Neve, Sete Samurais e O Herói Que Sai De Casa E Volta Maior Que O Mundo.
Apesar disso já ter sido feito várias e várias vezes, o grande diferencial seria a magnitude da obra. Em cada país, ele escolheria um escritor famoso e um ilustrador cujos estilos combinassem e ambos recriariam a história. Então não seriam vinte histórias mas trezentas versões de cada história, recontadas de forma original e ilustradas de maneiras nunca dantes vistas. Haveria espaço para o pesquisador, para o neo-beatnik, para o gótico, para o neo-urbanista, enfim, cada um uma meta-obra em si.
Mas isso não era bastante. Em cada país ele encontraria parceiros que, junto com a Unicef, ajudariam a bancar a produção dos livros que seriam vendidos a uma unidade monetária de cada país, a título de ajuda de custo. As tiragens seriam sempre na casa dos milhões e, em pouco tempo, seria o maior projeto literário do mundo inteiro, desde Gutemberg. Depois, edições encadernadas em aço, uma para cada país participante, guardariam um exemplar de cada obra em cada idoma, preservando a arte e as histórias por si só, seriam distribuidas, juntando-se aos tesouros nacionais. Vinte histórias contadas por todos os povos de várias maneiras possíveis, seria uma obra digna de lembrança por gerações a fio.
Depois viriam os louros, a primeira obra global haveria de ser um sucesso, de certo! quem não gosta de Branca de Neve, dos Irmãos Grimm? Seriam 150 línguas diferentes, já que era um embrião de projeto. Alguns países não botariam fé mas, até no Irã seria publicado. E lá iria ele, receber prêmios e mais prêmios até passar mais tempo nos aviões e aeroportos que em casa, trabalhando.
Mas haveria uma equipe que selecionaria os textos e as artes, espalhada por todo o mundo. E ele coordenaria os prazos de produção e de entrega e os faturamentos. Mas isso não era o que ele quereria para si então ele delegaria a parte burocrática para a própria ONU e seria um embaixador dos contos e rodaria o mundo (185 países) na segunda edição, O Rouxinol do Imperador.
Alguém lhe alertaria que não haveriam tantas histórias assim, então ele pediriria de antemão uma pesquisa sobre as histórias infantis mais difundidas no mundo e ele descobriria que não eram vinte, mas cem, na sexta edição, A Morte de Arthur. Ainda assim, preferiria ficar nas vinte iniciais e desistiria de rodar o mundo todo, apenas indo nos países que recém ingressariam no projeto. Entraria em países em zonas de conflito, mas teria a certeza que estava caminhando com passos que não eram seus, mas da humanidade encarnada, sonhando a vida de alguém.
Nessas viagens, se esqueceria das pessoas que estiveram com ele durante toda a sua vida, da família e da filha que lhe inspirara esse projeto global e, dessa saudade de se lembrar dos que amava, ele sentaria numa cadeira de um aeroporto, viraria para a criança que estaria sentada a seu lado e contaria a única história que ele queria todos conhecessem.
“Havia um cavalo azul que pastava nos sonhos das crianças e, quando uma acordava, ele corria e pulava para o sonho de outra para pastar mais sonhos de sorvetes, pés sujos no chão, sorrisos desgovernados, dentes moles e camisas meladas de chocolate.”
Mas ele descobriria que estava apenas tentando contar os seus sonhos. E eles não interessavam às crianças que agora leiriam e veriam as maiores histórias da humanidade. Afinal de contas, o que era ele, senão instrumento. Títere de uma força maior que é o legado da humanidade naquilo que ela tem de melhor.
Daí, da praia, ele resolveu comer um cachorro quente, tomar uma coca-cola e voltou para casa, tinha de acordar cedo no dia seguinte e muito trabalho a fazer daí por diante.
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