Uma amiga me disse que nunca viu o pai dela dizer-lhe “eu te amo”. Nunca ouvi do meu. Tampouco lembro de minha mãe, avó, tios, primas dizer, dizerem.
Eu, sempre. Até futilmente. Até para quem não mereceu.
Eu lembro de ver minha mãe pintando as unhas na sala e chorando um amor frustrado. Lembro de minha avó desesperada pelo neto que casava novo, assim como fora o filho desamado. Lembro de coisas que me doem no core, mas não consigo me lembrar dos sorrisos, das piadas, das brincadeiras, das pequenas felicidades do dia. Não lembro desses dias, dessas efemérides, mas lembro que éramos todos felizes na nossa miséria classe média diária. O riso existia, tenho certeza inabalável disso.
Não queria outra infância. É o que me fez o que sou.