reencontro. sete anos depois.

July 20th, 2009 § 8

Sete anos atrás escrevi algo sobre reencontros, sobre a estranha emoção que me tomou quando revi aquele punhado de conhecidos que um dia foram meus amigos de convívio diário, das sete da manhã às cinco da tarde. Hoje entendo um pouco melhor o que me tomou ali, misturado às lágrimas e ao álcool quente, choco e abundante.

Era apenas inveja.

Dentre esses meus amigos de outrora, alguns dividiam as dúvidas adolescentes (as minhas e as deles); outros, as conquistas; pouquíssimos, o exemplo; nenhum, a companhia. Mas isso não é incomum. A escola proporcionava a troca exaustiva entre nós, mas nenhuma escola ensina a pegar a mão quando se quer bem a alguém, a comemorar com alegria legítima quando um amigo consegue um feito desejado, a chorar quando um ente querido se vai ou a dar força quando alguém corteja o abismo.

Isso, a vida é quem ensina, nós nos ensinamos.

Vi alguns conhecidos se perderem pro tráfico, pro crime. Outros, ficaram poderosos ou ricos. Um ou dois desapareceram dos nossos radares ou já terminaram sua história entre nós. E a maioria sobrevive nos empregos de classe média alta conseguidos por conta da excelente formação dada pelo CAp UERJ nos proporcionou. Não creio que tenhamos colegas que passem fome ou estejam em situação de dificuldade extrema. Ao menos isso. Mas era esperado, dada a elite que se formou ali

Sempre me senti uma farsa entre esses meus amigos. Nunca fui espetacularmente bom em nada, nunca fui bom aluno, atlético, simpático ou político. Era bobo, fato, e graças a isso sobrevivi a mim mesmo, por não levar a sério o que me rodeava ou a mim mesmo. Assim, podia fazer graça da minha feiúra, da minha magreza, das minhas sucessivas falhas e derrotas.

Sempre me senti só, isolado ante a turma de semideuses. Cada um de nós era “doutrinado” a ser o melhor dentre os iguais, a ser o mais inteligente, o mais culto, o mais interessante. O mundo estava com as portas abertas para nós e iríamos ser os arautos de um mundo novo que se aventava à frente. Éramos os sonhos e esperanças dos nossos professores. Dos nossos mestres. Ou éramos a escória. Sempre me senti mais confortável entre os derrotados, entre os desqueridos. Talvez porque ali a minha parca chama esquentasse um pouco mais o meu enorme ego. Mas me desvio do que pretendia, que era falar do reencontro em si.

No dito evento estavam pessoas com histórias – centenas, milhares de histórias – para contar e eu com tempo nenhum para sentar com cada uma delas e ouvir o que tinham a me dizer, pessoas que eu queria ter tido mais contato ainda no colégio, mas que flanaram na festa – com razão, éramos muitos – e eu não consegui trazer para a teia da minha vida. Enfim, pessoas que já fizeram parte de mim e eu não consigo deixar de sentir um nó no peito ao saber que deixei-as ir embora. Talvez porque seja custoso, muito custoso, admitir que sou uma farsa. E que eu já estou velho demais para rir das minhas máscaras. As velhas, mal ajambradas e desgastadas máscaras da minha vida.

Saí, pois, à francesa para não desmontar no meio do salão.

190709 – encontro capuerj 20 anos

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Do que são feitas as estrelas?

March 25th, 2009 § 5

Sou um possuidor de um coração vagabundo. Desses desclassificados mesmo. Nunca tive medo de me atirar ao chão e pedir carinho, fingir de morto, virar a barriga para cima, olhar com orelhas caídas e olhos grandes para quem queria/fingia me dar afeto. Certa feita, menina me subornou com um beijo se fizesse eu uma cena em plena Praça Saens Peña. Não fiz a cena por vergonha – esse sentimento estúpido e inútil, especialmente a vergonha alheia – e fiquei sem. Acho que ali tracei uma linha no chão e me recusei a cruzar.

Obviamente, com a idade, as vergonhas tendem a deixar de travar a mão. Mas essas trocam de nome e passam a se chamar de “conveniência”. Pois, como se diz no mundo da moda, tudo pode, mas nem tudo convém.

Estava no chope, conversando com amigos e conhecidos (mais desses que daqueles) e, ao voltar para casa, lembrei de pessoas com quem eu queria dividir a noite, seja no papo moleque, na conversa de várzea, no papo-furado arte, ou no aconchego de lençóis da minha cama king size. Tudo armadilha da necessidade de autopsiar a minha própria melancolia. Resultado: muito chope e uma enxaqueca pela manhã.

Passam-se os dias, as inspirações para escrever, as tarefas burocráticas d’A firma, as oportunidades de ficar milionário, os 2,4km que caminho de volta para casa quase que diariamente e eu, preso em uma nostalgia das coisas que deixei de fazer.

Nem São Paulo, com seus céus azuis e seus poentes impossíveis me comovem mais.

Aí, a amiga Mariana Blanc posta no seu perfil do Orkut: “Do que são feitas as estrelas? saudade.” Se for verdade, minha estrela brilha forte, cada vez mais forte.

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Carnaval no Rio – 1955

February 26th, 2009 § 0

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Magopaco 2 – Zanderman

July 1st, 2008 § 0

Meus amigos que me bajulam…

Zanderman

Zanderman - herói das tardes de domingo

Zander é un sujeito 2.0.
Ele ouve coisas estranhas e outras nem tanto.
Assiste novidades e nostalgias.
Gerou uma bela menina bela.
Trabalha e transita em tecnologia. Alterna constante e traqüilamente entre a sapiência cautelosa do modo de segurança e a vertigem desregulada do overclock.

Mas na primeira oportunidade, ele veste seu surrado capuz bege e assim que encontra um Sandtrooper pela frente levanta a mão em sua direção:

- You don’t need to see his identification.
- We don’t need to see his identification.
- These aren’t the droids you’re looking for.
- These aren’t the droids we’re looking for.
- He can go about his business.
- You can go about your business.
- Move along.
- Move along. Move along.
- Você é uma galinha.
- Có có.

Zander se diverte. Seu lado iluminado tem um certo lado negro.

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E você bem que me poderia contar uma história romântica…

November 7th, 2007 § 10

publicado na Tribuna da Imprensa

Toda história de amor termina.

Não tem jeito. Por mais que tentemos prolongá-la para além de seu curso, como se amarrássemos balões de gás que a impulsionassem mais alto e além de sua própria capacidade de vôo, ele fatalmente perderá o seu viço, a sua força e o seu encanto e se tornará uma rotina cinza e modorrenta. Ou, com sorte, se transformará numa história diferente onde os projetos dos dois se somarão e os votos antigos, já obsoletos, serão queimados diariamente, sendo substituídos por filhos, emprego, a compra da casa, num “não sei o que fazer, eu só me reconheço como parte desse relacionamento” ou qualquer outra hipocrisia que se resolva inventar para manter o que já estava morto.

Obviamente que cada história de amor tem um tempo diferente de vida. Eu costumo dizer que o tempo médio de todo o ciclo de relacionamento (flerte ou paquera, declaração, beijo, cópula, apresentação social, divisão de teto, planos a dois, estranhamento do outro, estresse, separação, ódio e desprezo – não necessariamente nessa ordem) é de dois anos com diversos fatores que aumentam ou diminuem esse prazo. Planos em comum aumentam de seis a doze meses; gostos em comum: quatro; senso critico apurado de um dos membros do casal: menos dezoito meses; um dos membros do casal é um carioca desterrado em São Paulo e se chama Zander: menos vinte e três meses e três semanas.

O que permanece é a lembrança, esse fantasma que faz a humanidade ser o que é. O ser humano vive no fio da navalha entre ser uma criatura de passado e morar num universo onde nem o passado nem o futuro existem de fato. Se, por um lado a lembrança dos fatos passados é o que nos permite erigir prédios e desafiar a natureza com as invenções do banheiro e do ar condicionado – os dois símbolos mais-que-perfeitos da civilização – essa mesma capacidade de lembrar nos atira ao esgoto emocional, à nostalgia improdutiva e à auto-comiseração. Nunca conheci um amnésico que tivesse pena de si mesmo. Também nunca conheci um amnésico, verdade, mas conheci muita gente com memória ruim e esses tendiam a ser mais felizes com a vida que vinha.

Desviei-me um pouco do tema.

O que importa é a lembrança e, principalmente, o que fazemos com ela. Sabe-se que nem tudo pode ser apreendido pelo homem. Muitos detalhes ficam para trás. E a arte do querer bem a quem se ama ou amou é a de reter os detalhes que, recontados centenas e centenas de vezes, ganham um glamour, um encanto que nunca tiveram. A arte de terminar uma história de amor é guardar para si os momentos mundanos e transformá-los em gloriosos. Assim, podemos ter renovada a esperança do romance para os que virão e nos tornarmos repletos de querer bem a quem nos quis bem um dia.

O grande amor é sempre o próximo.

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Nostalgia de quinta-feira

January 25th, 2007 § 11

publicado na Tribuna da Imprensa

Eu simplesmente detestei a minha adolescência. Feio, chato e nerd, só não era um fracasso no colégio por conta do meu humor sarcástico e quase non-sense. E também por uma mania suicida que eu tinha de criticar os professores em plena sala de aula.

Isso garantia a minha sobrevida à violência dos recreios.

Música? Não consigo ouvir por mais de dez minutos o que eu escutava à época. Há exceções, é claro. Scorpions (Virgin Killer e In Trance ainda são os melhores discos deles), alguma coisa do Ira, Legião, os roqueiros de Brasília e Sampa em geral, The Cure (Pornography ainda comanda o batatal).

O que sinto saudades mesmo é de ficar nerdando nas lojas de discos da Tijuca e de Copacabana. Principalmente na Sub Som, onde vira e mexe tinham discos bootleg (comprei um do U2 e me arrependo de não ter comprado o picture disc triplo do último show do Led Zeppelin). Bootleg, para quem não sabe, eram os “discos piratas” da época. Eram gravações não-oficiais de shows ou takes de estúdio que eram abandonados pelos artistas e os fãs coletavam. Aquelas lojas eram a internet da minha época. Chegava sempre um maluco com uma fita cassete de uma banda desconhecida e dizia que era o último som do momento. E colocava para todos ouvirem na loja.

Saudade de ficar nerdando na biblioteca da escola e ler toda a coleção de Asterix pela décima vez. E de descobrir “Eu Robô” do Asimov numa estante, de ler “Fundação” sentado no chão do corredor, de passar pelos clássicos de aventura, anotar o nome e depois comprar baratinho nos sebos do centro da cidade. “Moby Dick”, “Da Terra à Lua, todos HG Wells, todo Monteiro Lobato, Kafka. Tenho, em verdade, é saudades de ter tempo de fazer isso. De ter toda uma quinta-feira à tarde para ficar ali lendo.

E as meninas… Queria poder dizer que tenho saudades delas, mas acho que sempre preferi as mulheres feitas. Nunca gostei dos joguinhos de flertes da adolescência. Prefiro a praticidade moderna, madura e adulta… peralá… se bem que muitas mulheres nunca deixam de fazer esses jogos, não é? Mas tenho saudades das minhas paixões platônicas, tão fatais, derradeiras e eternas que só os adolescentes podem ter. Essas eu cultivo com carinho, como quem cuidasse de um filhote perdido. Duas, em especial, me alentam quando estou desesperançado do mundo. Olho algumas fotos e encontro o fiapo de luz escondido no meio do core me dizendo: “Ei, cara. Você pode! Você consegue!”

E os sonhos adolescentes? Mudar o mundo, enriquecer, ser um rock star tupiniquim. Ainda bem que eles se foram. Daí ficaram mudar o próximo pelo seu próprio exemplo, saber o real valor das coisas, ser lembrado pelos amigos e pelas pessoas que te amam. Mais modestos os sonhos, eu sei, mas me dão mais tranqüilidade e acho que consigo viver bem com essas pequenas ambições. Afora isso, uma televisão de plasma de 42″, um LightSaberFX, um iPhone, um MacBook novo e um PCzão da Alien, são gêneros de primeira necessidade, né?

Acho que a única coisa que eu tenho real saudade é da possibilidade de ter tempo jogado fora.

Chegando à beira dos quarenta anos, não tenho tanta nostalgia. Tenho é uma bela coleção de arrependimentos catalogados organizados e que visito regularmente. Uma verdadeira História E Se. E se eu tivesse ficado de boca calada, e se eu tivesse beijado a menina logo de cara, e se eu tivesse tido culhões e peitado o chefe da mesma forma que eu peitava os professores, e se eu tivesse fugido de casa e bancado a minha ida pra Sampa nos idos de 88?

Pra mim, tenho poucas metas até os quarenta anos. Poucas para fazê-las todas.

Uma delas é morar só. Me envergonho de ainda depender de família para teto e sustento básico. Vergonha mesmo. Não tenho mais idade para isso e nem falo do conforto ou (falta de) privacidade mas de hombridade. A cada dia que passo sob o teto de outrem, me sinto menos homem. Emasculado. Tenho de dar um jeito nisso. Ontem.

Outra é começar a juntar algum dinheiro. Não dá mais. A cada hora um aperto aqui, uma coisa inesperada ali, uma festa, uma viagem e pronto. Me ferro sobremaneira no banco, no meu orçamento pessoal. E não consigo alugar o meu apê. Então tá decidido. Vou começar a juntar uns caraminguás regularmente. Só não sei quando começo.

Mais uma é me apaixonar menos. É outra coisa que já deu. Sei que ser blasé é totalmente demodê, mas não tenho mais saúde para essas montanhas russas emocionais. Não nego uma paixão ou um amor, mas menos. Bem menos. Não passar a quarta logo de cara.

A última é me calar mais. Não na mesa de bar, a tagarelice vadia, o conversar de várzea, o papo moleque, a conversa-arte, mas me calar sobre coisas que sei que não serão bem recebidas ou compreendidas de prima. Em síntese: ter menos opinião ou expressá-la da forma veemente que me é habitual. Não sei se isso será possível, dada a minha natureza ariana, mas me evitaria confusões que não me acrescentam em nada. Nem é pelos problemas gerados. Quem me entende sabe como sou, quem não, não me interessa. Mas pelo esforço em domar as paixões.

Aos quarenta, se completados os passos, poderei começar a preparar o meu sossego.

Afinal, nunca achei que chegaria tão longe.

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Brasil volta a fabricar Playmobil no embalo de “Bang Bang”

October 11th, 2005 § 1

JULIANA CARPANEZ da Folha Online

“Bang Bang” reforçou a nostalgia dos anos 80. A abertura da novela das sete mostra bonecos animados que lembram o clássico alemão Playmobil. Com o sucesso do brinquedo, uma empresa catarinense informa que vai produzir os bonecos no ano que vem. Eles andavam sumidos das prateleiras brasileiras desde o fim dos anos 90, quando a Estrela suspendeu a produção.

Bang Bang deve impulsionar vendas da linha velho oeste

Há só dois meses, a empresa catarinense Calesita passou a importar os bonecos da Argentina e ficou responsável pela distribuição no mercado nacional. Sites que operam no Brasil nunca deixaram de oferecer versões novas e usadas do boneco e seus acessórios. Uma unidade chega a custar mais de R$ 25.

Trol e Estrela fizeram bonecos da Geobra Brandstätter

“A novela é um gancho excepcional para o produto voltar com tudo. Até aumentamos as encomendas da linha do velho oeste [tema de Bang Bang], que deve ser muito procurada”, afirma José Airton Maiolino, gerente nacional de vendas da Calesita, que fica na cidade de Pomerode (SC).

Segundo Maiolino, a alemã Geobra Brandstätter, detentora da marca Playmobil, é bastante rígida com os padrões de qualidade. “O Playmobil produzido em outros países não pode ser diferente do original. É como a Coca-Cola”, compara o executivo.

Em 2004, o Playmobil comemorou 30 anos e 1,8 bilhão de unidades vendidas

No início do próximo ano, a companhia deixará de ser apenas distribuidora dos bonecos e seus acessórios para produzi-los no Brasil –como já fizeram em décadas passadas a Trol, que teve falência decretada em 1993, e a Estrela.

Bonecos vendidos no Brasil vêm da Argentina

“Temos toda a infra-estrutura para a fabricação; dependemos apenas dos moldes que serão enviados da Alemanha”, continua.

Vendas

Há diversas linhas temáticas, como a dos vikings e velho oeste

A empresa brasileira, que também tem sua própria linha de produtos, não especifica os números envolvidos nas negociações com a Geobra Brandstätter ou o faturamento previsto para os próximos meses.

O brinquedo é interativo e, por isso, mexe com a imaginação

Ela só estima que os bonecos devem responder por um terço do faturamento da Calesita no período do Dia das Crianças e do Natal. Para 2006, quando a produção será feita no Brasil, essa fatia deve subir para 50%.

Em apenas dois meses, a empresa já sentiu o peso da marca –passou a oferecer produtos para diversas redes varejistas com as quais ainda não negociava. A loja de brinquedos Ri Happy, que oferece os bonecos a partir de R$ 11, está na lista dos novos parceiros.

“As vendas serão altas. Faltava no mercado um brinquedo interativo como este, que mexe com a imaginação e a fantasia das crianças”, diz Maiolino.

A assessoria da Globo nega que o Playmobil tenha sido a inspiração dos seus artistas para a abertura de “Bang Bang”. Para o uso comercial da imagem do Playmobil, a lei obriga o pagamento de royalties à alemã Geobra Brandstätter, dona da marca. O site oficial mostra onde o boneco é produzido.

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Reencontro

January 30th, 2002 § 2

Encontrar os amigos de muito tempo é sempre uma emoção esquizofrênica.

Aqueles amigos que estão por perto envelhecem na mesma medida que o nosso tempo, mas o tempo dos amigos distantes se congela. Eles são sempre crianças, adolescentes, ou jovens adultos para sempre na nossa memória. Assim como tivemos professores que “nunca foram crianças”, Temos esses amigos que nunca envelhecerão.

E é bom que permaneçam assim, na nossa memória.

Há poucos meses, reencontrei os amigos de colégio. Pessoas que não via, no mínimo, há doze anos! Todos envelheceram, engordaram, enfilharam, casaram e descasaram….

O tempo passa para essas pessoas também, continuam as mesmas, apesar de muito mudadas. “Nós não namoramos?”, me pergunta uma “menina” que sempre me deu o fora quando eu a cantava. “Estou terminando o doutorado.” disse o cara que ficava colando de todos nas provas.

E eu envelheci um século. Tomei um porre de nostalgia, me afoguei em lágrimas ébrias e fui avassalado pela torrente do tempo.

Foram vidas que eu não vivi. Pessoas que eu não acompanhei, almas que se perderam da minha memória!

Queria poder brecar esse carro na banguela, queria poder parar a capacidade de viver a vida dos outros, mas me é impossível. Eu vivo mal a minha vida, apesar dela ser boa. Não sei se quero muito continuar pois não posso mais virar a minha própria mesa, que eu vire a derradeira goela abaixo!

Mas aí, sou acordado e minha filha me avisa que estou atrasado. E tudo fez sentido.

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Where Am I?

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