Apesar de ser uma pessoa de epifanias, me encanto sobremaneira pelos momentos fugazes, mundanos, repetitivos. Adoro observar as pessoas ao caminhar nas ruas. Amo ver a espuma do café girar na mesma direção que o movimento feito pela colher e observar os grãos de café sobreviverem segundos poucos antes de mergulhar no creme marrom. Poderia passar horas só olhando esse café se não fossem os horários que me são impostos e a língua inquieta que me faz falar mais que a palavra.
E é no detalhe que eu percebo que a minha felicidade verdadeira não está em realizações olímpicas, mas em pequenenezas diárias. Está no esparramar-me na minha cama sem fim, em esticar mais dez minutos e mais dez e mai dez e mais dez até o atraso costumeiro para o trabalho. No observar o vai-e-vem de pernas nas calçadas e – prazer que tenho me negado desde que mudei para a selva de concreto e asfalto sem fim – deitar na grama sob o sol frio de inverno e olhar as nuvens displicentes desafiar a minha capacidade de ficar acordado.
Existem outros prazeres óbvios que me encantam. Todos mundaninhos, normaizinhos e que vão-se em poucos minutos.
Por um outro lado, os grandes assombros me assustam. Não que tenham me gerado desconforto imediato, pelo contrário, mas a simples ciência que eles jamais se repetirirão me perturbam avassaladoramente. O fato que serão únicos, impossíveis de serem replicados por mais que tentemos me desespera. A mega-sena emocional me aterroriza. Sem dúvida por conta do potencial de vício que eles potencializam. As marés de dopamina que poderiam – podem, poderão – destruir a minha fé na mediocridade derrubam tudo que planejo para mim daqui a dez, vinte, cem anos.
E é isso mesmo. A Grande Paixão Humana é o epitáfio para o velho rabugento, tabagista, bibliófilo, pernóstico, prolixo e promíscuo que encomendei para mim mesmo. Já as pequenas paixões, os amores miúdos, os quereres ligeiros, me cativam e aninham. A Grande Paixão merece ser emoldurada e colocada em local de destaque na galeria da vida e deixada de história para milhões que seguirão o meu exemplo. A Grande Paixão é digna de um martírio, de um legado de legiões, de epopéias e fortunas.
Mas me cansa essa grandeza impossível. Sou apenas um humano, mais um humano, outro humano e eu não espero deixar outra herança – já disse, sou repetitivo, repito – além da minha memória e meu nome.
Não acredito em amor singular, amor exclusivo, amor excludente. O meu amor é geral, genérico, abrangente. É popular, democrático, de pele de gente. Não acredito em amores finitos, amores limitantes, amores vertentes, verticais, vetoriais. O meu amor é um conjunto infinito de possibilidades, é a possibilidade.
Dito isto, não acredito em infidelidades, mas na mentira. Não acredito em traições, mas em desistências. Nem em canalhices ou patifarias. Acredito em essências, pois o escorpião, o da fábula ou história sufi, não é cruel: é o que a sua natureza o faz ser. O canalha só é canalha quando se arrepende do seu ato.
Dessas duas preposições tiro uma terceira: eu sou finito, limitado, pequeno e pífio. Sou definitivamente menor que a minha capacidade de amar e acredito que, acima de tudo e todos, toda forma de amor é válida.
Só posso lamentar a perda do espaço e a restrição cada vez maior para os profissionais da imprensa na cidade que outrora foi um farol de cultura e civilidade nos trópicos.
copio um aleatório aqui da wikipedia.
– Dimetrodonte
O dimetrodonte (Dimetrodon sp.) foi um sinapsídio que viveu no período permiano por volta de 290 milhões de anos atrás. Embora popularmente identificado como um dinossauro, esse animal era um pelicossauro carnívoro e provavelmente caçava outros pelicossauros.
O dimetrodonte era um animal de sangue frio e tinha uma postura escarrapachada, ao contrário dos mamíferos.
O gênero Dimetrodon possui as seguintes espécies:
* Dimetrodon milleri
* Dimetrodon natalis
* Dimetrodon limbatus
* Dimetrodon booneorum
* Dimetrodon gigashomogenes
* Dimetrodon grandis
* Dimetrodon loomisi
* Dimetrodon angelensis
* Dimetrodon teutonis
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Eu tenho uns sonhos recorrentes. Não me recorrem-nos à noite, quando se espera sonhar, mas durante o dia, nos momentos que a vida nos hipnotiza e conseguimos nos tornar presas ideais para os leões, hienas e demais predadores da savana original de onde todos vieram. Acho que é algum tipo de programação genética como a dos cervos que congelam ante a luz forte. Muito me impressiona que nenhum predador na América do Norte tenha desenvolvido uma estratégia de caça que se aproveitasse disso.
Digressiono. Falava eu de sonhos diurnos recorrentes e não das estratégias evolutivas dos alimentos dos grandes felinos.
Dos sonhos, tem aquele que me recorre lá pelo dia vinte de cada mês, antes do pagamento e das contas e depois que o boleto da Mega Sena vence, sempre pela manhã. Eu acordo e, no percurso entre a briga com o relógio despertador e a última volta da chave para trancar a porta da cozinha, a história me é contada inteirinha.
Eu, ou um eu projetado idealisticamente, me vejo conferindo os números da loteria e verifico que foram cinco os certos. Quina! O dinheiro certo para quitar as minhas dívidas, comprar um laptop novo e fazer alguma esbórnia. Quando chego na agência da Caixa Econômica, me informam que acertei a Sena e eu tenho de me virar com dezenas de milhões que subitamente afluem para a minha conta corrente. Obviamente eu salvo a vida dos familiares e dos amigos falidos quando o elevador chega ao térreo e passo a me ocupar do dia-a-dia.
Tem aquele de quando estou num evento chato e não imagino a hora de acabar, ou quando estou no coletivo a caminho do trabalho e tento não emborcar no sono que o sacolejo estimula, e entra a menina morena de pele branco e olhos azuis (ou verdes, ou mel) e a boca vermelha e a saia rodada. Ela me olha, eu a encaro, ela senta-se do meu lado, eu finjo desinteresse, ela puxa uma assunto – que é a parte variável do sonho – eu dou trela e me revelo exímio conhecedor do assunto que provavelmente ignoro na vida real, ela fala que gostou de mim, eu idem, ela me dá o telefone, email, MSN e outras formas de contato moderno e vivemos felizes para sempre.
Normalmente esse sonho acaba no segundo seguinte que inicia. Ela senta em outra mesa ou eu vejo o meu reflexo no espelho e me lembro que o mundo não é nem um filme pornô e nem uma fita água-com-açúcar italiana.
O último não tem hora certa e é o único que me assombrava – e assombra – de fato.
Entro num determinado local. Uma boate, um bar, uma casa de amigos, por vezes um supermercado e uma única vez um banco. Lá, encontro um rosto conhecido. Normalmente uma ex-namorada, rolo, caso, amante. Nisto vem outro amigo e outra pessoa conhecida e subitamente o local está infestado de fantasmas das minhas memórias. Todos querendo a minha atenção, amor, sexo. Aí eu me dou conta que, apesar de popular, não sou Orfeu entre as bacantes e a fome que esses fantasmas sentem são apenas reflexo do meu próprio vazio interior.
Disse que esse não tem data? Minto. Tem sim. Ocorre sempre que descubro que sou um poço de desejo de afeto e atenção e que o mundo não tem a menor obrigação de devolver a paixão que entrego a ele.
Sei que hoje é dia da mulher e que deveria colocar aqui o último texto que publiquei na Tirbuna da Imprensa, mas um fato mais importante faz-se mister ser comunicado.
Capitão América, herói dos quadrinhos, morre aos 89 anos
NOVA YORK – O Capitão América, o herói das histórias em quadrinhos com uma predileção por roupas justas nas cores vermelha, branca e azul – as mesmas da bandeira americana – morreu aos 89 anos, baleado em Nova York, sem deixar esposa ou filhos.
A revista em quadrinhos contando o trágico destino do super-herói da Marvel chegou às bancas nesta quarta-feira (07). Depois de mais de 65 anos lutando contra bandidos, o Capitão América foi derrubado por um franco atirador na escadaria da Corte Federal de Manhattan.
“Urgente: poucos detalhes são claros no momento, mas a cena em frente à Corte Federal de Manhattan é um retrato do caos e da confusão depois que um ex-super-herói foi baleado”, anuncia a Marvel em seu site na internet.
Nascido em 4 de julho
O Capitão América era, na verdade, Steve Rogers, nascido em 4 de julho de 1917, no Dia da Independência americana. Ele foi criado em 1941, mas sem ter superpoderes, parecia pouco equipado para lutar contra o mal em comparação com outros super-heróis como o Superman.
Vestido nas cores da bandeira americana, com um enorme “A” na máscara e um escudo que também servia de disco, o Capitão América era parte do esforço de guerra americano, criado apenas meses antes do ataque japonês a Pearl Harbor.
A primeira capa da revista dedicada às aventuras do personagem o mostrou acertando um soco no rosto de Adolf Hitler. Ele “viveu” seu período áureo depois que os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, mas perdeu popularidade depois da guerra e foi aposentado nos anos 1950, retornando nos anos 1960. Seus gibis venderam mais de 210 milhões de exemplares, em mais de 70 países.
No entanto, assim como a volta do Superman, depois de ter sido morto em 1993, nada impede que o Capitão América volte à cena.
Um de seus criadores, Joe Simon, de 93 anos, disse ao jornal “New York Daily News” ter ficado triste com o falecimento do personagem. “É um momento péssimo para que vá embora. Nós realmente precisamos dele agora”, afirmou.
Em artigo inédito, Rubem Fonseca mostra que o papo de que a literatura morreu, atropelada pelo automóvel, pelo cinema ou, agora, pela internet, não passa de balela.
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Muito antes de publicar o meu primeiro livro eu já ouvia dizer que o romance e o conto estavam mortos. Parece que a primeira morte teria sido anunciada ainda em 1880, não obstante, como todos sabem, Emily Dickinson, Tchekov, Proust, Joyce, Kafka, Maupassant, Henry James, o nosso Machado, Eça, Mallarmé, as Bronte, Fernando Pessoa (um pouco mais tarde) estivessem ativos naquela época.
No início do séc. XX, com o lançamento, por Henry Ford, do Ford Model T, um automóvel popular, construído numa linha de montagem, um carro barato que em poucos anos vendeu mais de quinze milhões de unidades, as Cassandras afirmaram que agora a literatura de ficção, na qual se incluía a poesia, estava mesmo com os dias contados. Dentro de pouco tempo todas as pessoas teriam automóvel e usariam o carro para passear, fazer compras, namorar em vez de ficarem em casa lendo. Ou porque não soubessem o que lhes reservava o futuro, ou lá porque fosse, o certo é que muitos escritores, como Yeats, Benavente, Galsworthy, Selma Lagerlof, Rilke, Kavafis, Edna St. Vincent Millay continuaram escrevendo, e talvez até mesmo tivessem um Model T na garagem deles.
Nova anunciação mortal veio logo em seguida, causada pelo cinema, denominado de Sétima Arte. Uma pesquisa da época mostrou que em cada 100 pessoas 80 freqüentavam o cinema e 2 (duas!) liam livros de ficção. Agora mesmo é que a literatura, enfim, havia morrido. Desta vez não tinha salvação. Mas Sinclair Lewis, Thomas Mann, Bunin, Céline, Ana Akhmatova, O’Neill, Pirandello, e muitos outros não sabiam disso. (Os dois últimos são autores de teatro, mas o teatro começou a morrer antes).
Depois nova morte foi profetizada, quando do advento da televisão. Mas William Faulkner, Eliot, Gide, Hesse, Quasimodo, Pasternak, Camus, Hemingway, Beckett, Seferis, Kawabata, Mauriac, Steinbeck e muitos mais não pararam de escrever. Que diabo, esses caras não liam os jornais? Não sabiam que a literatura de ficção havia morrido?
Afinal veio o golpe de misericórdia: o computador e a Internet. Era a pá de cal. Mas o que estava acontecendo? Quem são (ou eram) esses loucos escrevendo poesia e romance – Carlos Drummond de Andrade, Czeslaw Milosz, João Cabral, Pablo Neruda, Montale, Heinrich Böll, Saul Bellow, Isaac Bashevis Singer, Octavio Paz, Brodsky, García Márquez (“se você diz que o romance está morto, não é o romance, é você que está morto”), Canetti, Günter Grass, Kenzaburo Oe, Saramago, João Ubaldo, Ferreira Gullar e um montão de outros? O que na realidade está acontecendo?
Existem muitos estudos interessantes e extensos sobre o assunto, como o da ensaísta Leila Perrone-Moisés, em seu livro Altas literaturas (Companhia das Letras, 1998). Uma coisa talvez esteja acontecendo: a literatura de ficção não acabou, o que está acabando é o leitor. Poderá vir a ocorrer este paradoxo, o leitor acaba mas não o escritor? Ou seja, a literatura de ficção e a poesia continuam existindo, mesmo que os escritores escrevam apenas para meia dúzia de gatos pingados?
Kafka escrevia para um único leitor: ele mesmo. Recordo Camões. Ele era um arruaceiro, e acabou na prisão, ou por motivos de suas rixas ou por ter se envolvido com a infanta Dona Maria, irmã do rei João III. Para obter o perdão do rei ele propôs-se a servi-lo na Índia, como soldado. Lá ficou 16 anos e, afinal, a bordo de um navio voltou para Portugal, acompanhado de uma jovem indiana, que ele amava, e a quem dedicou o lindo soneto “Alma minha gentil, que te partiste”. O navio naufragou e Camões só pensou, durante o naufrágio, em uma coisa: salvar o manuscrito dos Lusíadas e dos seus poemas. Deixou a mulher amada morrer afogada (confesso que especulo), e perdeu todos os seus bens, mas salvou os seus manuscritos. Para quem ler? Estávamos no século 16 e muita pouca gente em Portugal sabia ler. Mas Camões pensou nesse punhado de leitores, era para eles que Camões escrevia, não importava quantos fossem eles.
Os leitores vão acabar? Talvez. Mas os escritores não. A síndrome de Camões vai continuar. O escritor vai resistir.
Catinha passou o Dia de Ano comigo. Aliás, comigo não, com a avó com quem tem uma xipofagia afetiva. Tem várias histórias dessas duas, mas é para outra hora. A história de hoje é que a Catinha estava toda cheia de si com o vestido branco novo, feito por encomenda à costureira da casa. Toda prosa, toda princesinha para ver os fogos de Ano Novo à praia de Copacabana.
Dando onze e meia, a mesma rotina anual: xinga-se os elevadores como culpados das pessoas quererem sair no mesmo horário, xinga-se a multidão como se não fosse ela o motivo pelo qual a festa ser cada vez mais bonita e grandiosa, xinga-se a chuva que ameaça e não cai.
“Tá vendo, Catinha? É bom xingar o céu que evita a chuva de cair.” Diz o pai orgulhoso de revelar uma verdade científica para a filha.
“Você é tão bobo, papai.” Responde a filha, desmontando o pai que, de fato, é bobo.
Atravessa-se o mar de pessoas semi-alcoolizadas, desvia-se de cacos de vidro, arruma-se um local à beira-mar para assistir com conforto aos fogos desse ano. Espera-se a contagem regressiva em uma contagem desordenada da população.
“Dez, nove, oito…” Abre, espumante, abre! “sete, seis…” Cacete! A merda da espumante não quer abrir! “cinco, quatro…” POP! DROGA! Estourou antes da hora! “Três, dois, UM!”
Ê!
Daí banho de espuma em todos da família, da bisavó que desvia atrás do tio mais alto, aos “agregados” do ano que começam a cumprimentar a todos em volta.
A avó coloca a neta nos ombros e para que ela veja melhor o show pirotécnico. Daí uns minutos de esporro coordenado e clarões no céu, noto que Catinha está soluçando. Chego perto e ela aos prantos. Desço ela dos ombros da avó preocupada, coloco-a no meu colo.
“Tá com medo dos fogos, minha flor?” Ela faz que não com a cabeça.
“Tá com saudades da mãe, lindinha?” Ela faz que sim.
“Quer que eu ligue para ela?” “Não precisa.”
Tentamos, não conseguimos. Óbvio. Linhas congestionadas na virada do ano é algo com que se pode contar. E com as contas. E com o ausência do arroz-doce na geladeira que a avó-bisa fez para você mas que todos (menos você) da casa comem.
Cruzamos a Avenida Atlântica com ela ainda em prantos. Passamos num camelô que vendia pingentes luminosos de borracha macia.
“Pai, quero um!”
Sabia! Brilhou, é de pendurar no pulso ou no pescoço e tem forma de bicho, Catinha quer. Tentei explicar para ela que tirar dinheiro no meio da rua, àquela hora, era perigoso, que ela ia usar o badulaque por dez minutos e iria jogar fora logo depois, que a teoria da oferta e procura indica que o preço praticado para a aquisição do tal objeto de utilidade discutível seria acima dos limites praticáveis por qualquer pessoa de classe média baixa, bem baixa.
“Pai. Eu quero.” Disse entre soluços e lágrimas.
Comprei. Passei atestado de bobo, burro e molenga mais uma vez. Não tem jeito.
Andamos com cuidado, desviando dos cacos e das poças de líquido não-identificado. Chegamos em casa, lavamos os pés. Esperamos o resto da família chegar, deixei Catinha com a avó e fui para a minha festa de Reveillon.
Dia seguinte, mesmo cansados da noite anterior, enterramos os ossos da ceia e ficamos jiboiando na sala. Eu, no computador, Catinha, avó e bisa em frente à TV. Aliás, ela, suas bonecas, o cavalo alado, as fantasias de rastafari e odalisca. Tudo ao mesmo tempo.
Chega a mãe e o padrasto que cumprimentam a todos. Ela vem de mansinho e me dá um abraço looooooooongo, sem que eu o pedisse. Eu mal viro para o lado – tava matando gente virtual, vocês sabem como é, né? – e ela se vai.
Acabei a fase do jogo. Cadê minha filhota? Foi-se e não vi mais. Iria viajar primeiro para a casa da avó materna, depois para a casa do pai do padrasto, depois para a Lua, Marte e Vênus e só quando estivesse na hora de me apresentar os tataranetos, voltaria para casa.
Três longos dias depois ela manda uma mensagem SMS para mim: “Pai. Te amo e estou com saudades.”
Chegou da farra no meio de janeiro, toda arranhada nas pernas e nos joelhos, mordida de mosquitos e formigas, bronzeada de roça e com um sorriso enorme, cheio de dentes.
Aliás, sorriso diferente. Não era dela, mas lhe caía muito bem.
Foi na médica fazer a revisão com a avó (recomendação da mãe). Médica diz que ela amadureceu muito nesses últimos meses. Não é mais um bebê grande, já é uma mocinha.
Quando chegam, a avó me conta e me dou conta que não sei se disse àquele bebê que eu a amava. Não sei se disse o suficiente. Provavelmente não. De certo que não.
E só fica a lembrança do abraço apertado que eu não soube encarar.