June 1st, 2008 §
publicado na Tribuna da Imprensa
…costumava ser uma expressão usada na faculdade para o ato de passar a brenfa, marofa, canha, baseado, doizinho, pega, a maconha – enfim – com velocidade que, a priori, não deveria ser própria de quem está consumindo um entorpecente relaxador. Ou seja, o cara pega, puxa, traga, e passa sem ter tempo de contemplar o ato, de curtir o momento, e só espera que a onda bata logo. Obviamente pegar a bagana, a vela, a maria-joana, o fumo, o cigarro e ficar contemplando o mundo enquanto ficava olhando a parada queimar lentamente para o nada era chamado de “na carioca”.
Hoje fico pensando se não existe algo mais nessa comparação que a falsa calma do carioca e da pressa inequívoca do paulistano.
Antes que me processem por apologia ao narcotráfico, aviso: nunca fui adepto do uso da cannabis sativa – jamais consegui dar mais que dois tapas e não desmaiar em seqüência – mas curtia ficar com o pessoal na vila dos diretórios acadêmicos da PUC-RJ, na chamada esquina da esquadrilha da fumaça, a quina formada pelas casinhas do povo de desenho industrial, de filosofia e geografia e era completada pela casa do CA de Direito que, diga-se de passagem, o único que tentava fazer algo que lembrava remotamente um movimento estudantil naquela época pós-caras pintadas, pós-reabertura política, pós-ideologias, pós-juventude.
Gostava porque a maioria ouvia o bom e velho rock’n’roll – apesar de um reggae ocasional me torturar a paciência – e todos gostavam de quadrinhos e de alguma literatura. Além disso era o pit-stop obrigatório no caminho do boteco. Esse sim, fornecedor do meu elemento de entorpecimento favorito.
Desculpem se tergiverso um bocado, mas é que me lembrei disso hoje ao andar na Avenida Paulista.
Chovia de um jeito que é cada vez mais raro em São Paulo – chuva fina, tempo frio, vento cortante – e eu ia da Consolação ao Paraíso. Da rua Augusta à rua Brigadeiro Luiz Antônio. Na calçada, a fauna de costume: casais gays na altura do Conjunto Nacional – e da Frei Caneca – jovens executivos entre a Freica e o Trianon, alguns rapazes perdidos no parque, estudantes nos botecos até a Joaquim Eugênio de Lima, mais jovens executivos que foram estudantes há pouco nos mesmos botecos com mesas e cadeiras em plena calçada, hippies/mendigos na altura daquela casa branca que estava abandonada e que fora um MacDonalds até um tempo atrás.
No passar da turba, uma cena insólita. Como sou muito míope, as imagens me vêem aos poucos, sendo construídas no meio da minha falta de foco. Primeiro, um engravatado carregando algo pesado. Depois, consegui ver o portador de terno completo e gravata com mais nitidez. Ele carregava um monitor velho de computador, daqueles de tubo, de umas quinze polegadas, com algum esforço, mas andava com energia e determinação. Mais uns cinco metros consegui ver a face. Barba por fazer, cabelos desgrenhados e loiros, olhar injetado de fúria e os braços de terno sem camisa.
Passou por mim como se não existisse chuva ou destino. Na paulista.
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November 17th, 2006 §
texto publicado em LIVinRooom
Alan não sabia direito como tinha chegado ali, mas o fato é que estava gostando. No grupo, umas quatro pessoas com quem nunca havia bebido antes. Os conhecia de vista de outros lugares. Um dos meninos o cumprimentou e uma delas desviou o olhar. Melhor assim. Não queria lembrar de gafes passadas logo naquele lugar. Queria ter espaço para cometer novos e inéditos vexames.
O som era desprezível, beirando o mau gosto. Dizem que a pessoa que tem um gosto eclético, na verdade não tem gosto algum. Entende-se que a tolerância e a aceitação da diversidade fazem parte da maturidade de qualquer pessoa civilizada. Mas não tomar partido nas pequenas coisas, é falta de caráter. Ele, definitivamente, tinha opinião sobre o que gostava ou não. É certo que, muitas vezes, o seu gosto era conflitante e incoerente, até. Mas sabia que misturar partido alto da década de 70 com trip hop era demais.
Quando começou a tocar Alcione, ele saiu para o lounge. Já era um abuso das suas capacidades de conviver civilizadamente com outrem ficar num local onde pessoas ouviam Alcione e achavam cool isso. Gente, gente! Alcione é qualquer coisa, menos cool. Outra coisa que detestava era essa modinha de lounge. Desde que se entendera como criatura noctívaga, os lugares que freqüentara tinham áreas destinadas a quem não queria mais ficar no ferver da pista de dança ou na balbúrdia dos bares. A isso passou a ser dado o nome indefectível de lounge. Largou-se em cima de uma almofada de vinil do lounge e passou a observar as criaturas que se contorciam em espasmos arrítmicos ditados pelo DJ.
Em determinado momento sentiu necessidade de beber. Talvez fosse a secura do ar condicionado que vencia a batalha da manutenção da temperatura em níveis polares contra os doze gatos pingados que agora dançavam eletricamente um partido alto da Jovelina Pérola Negra remixada com um praticumbum que faria a negra anciã aplicar corretivos físicos em todos ali presentes. Talvez fosse apenas para espantar o tédio e arrumar algum outro motivo para reclamar da vida com a amiga que o convidara para assistir à banda que se apresentaria depois da tortura sonora a que estava sendo submetido. Talvez fosse apenas para ver melhor as pernas da menina que estava sentada numa posição quase estratégica para si. Estratégica não. Ginecológica.
Fato é que cruzou, com o perdão da palavra, a pista de dança e chegou vivo e incólume ao bar. Pediu uma água. A moça entregou sem pestanejar. Sinal que estava, definitivamente, fora do seu ambiente. Onde costumava ir, água era sinal de alguém bêbado no salão ou de consumidor “careta”. Ali, provavelmente, sinal de que a bala tava fazendo o efeito esperado. Ela entregou-lhe a água quente. Ele virou-se para a pista novamente e enxergou a amiga acompanhada de sua dama de honra.
Parou. Respirou fundo. Olhou de novo. A amiga. Confere. A amiga da amiga. Confere. A amiga sorriu para ele e fez sinais efusivos de reencontro. Ok. A amiga da amiga apenas olhou. Sorriu. Súbito, a música não incomodava mais, ele passou a querer tomar um uísque misturado com um energético, o ambiente gelado ficou confortável e ensaiou uns passinhos coordenados.
Tudo porque a moça com um sorriso sabia dançar.
Conversou com a amiga, riram um do outro e foi apresentado à amiga da amiga. Ele, que sempre fora um tagarela, emudeceu. Não sabia onde colocar as mãos, sabia que continuar os passinhos seria engrandecer um desastre já ocorrido. Ficou embasbacado enquanto a outra brincava com o seu nome. Nunca gostara dele, mas vindo da boca dela, até que Horácio não soava tão estranho. Ela parecia brincar com as luzes da casa noturna enquanto deslizava entre as notas e as batidas desconexas do DJ. Para quebrar o gelo e tentar sair do estado de estupor, ele ofereceu água às meninas que, por sua vez, aceitaram.
Ainda por cima, era simpática a moça que dança.
Simpática, bonita, dançando pornograficamente bem à sua frente. Um combo perfeito de volúpia, malícia e oportunidade se desvendava ali, defronte de seus olhos. O caso é que ele sentia que estava armando uma arapuca para si mesmo. Algo no ar, misturado à fumaça de silicone, fazia-o estremecer dos pés à cabeça. Não, não! Era o ar-condicionado! Então era alguma outra coisa que lhe dava a sensação de estar metendo a mão na cumbuca errada. Mas isso não importava mais. O seu sentido de “encrenca portadora de vagina” já apitava e, ciente disso, pôs-se a vasculhar os alfarrábios de sua memória para ver o que, de fato, aquela menina significava.
Existem algumas vantagens em se envelhecer. São bem poucas, mas são preciosas. A primeira é que a opção ao envelhecimento não é tão divertida. A segunda é que a tal da experiência por vezes nos ensina a não ser mais tão incautos quanto o éramos quando imberbes.
Obviamente é um mecanismo falho pretender morrer de velhice extrema, pois aqueles que fazem isso passam o restante da vida azeitando-o até chegar a um nível de segurança razoável. Obviamente, quando está nesse nível, ele torna-se inútil.
No caso preciso, por conta de experiências passadas, o rapaz da história percebeu o que estava acontecendo. A tal da experiência não lhe falhara dessa vez.
Não tinha nada a ver com a criatura em si – Alexandra, era o seu nome – ou com uma nova fase de vida, ou algum processo psicológico que transbordava em alguma reação esdrúxula. Ou ainda um questionamento de sua relação com a amiga – Elisa sempre lhe trazia alguma surpresa a tiracolo.
Era apenas uma musa, dançando à sua frente.
Quando descobriu isso, relaxou. Respirou fundo, curtiu um pouco mais da companhia dos outros que estavam à sua volta e enxergou o sentido da noite em si.
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March 9th, 2005 §
ALESSANDER BRUNO “Zander“ NAVARRO CATTA PRETA
RESUMO
mais de oito anos de experiência em criação e relacionamento no mercado brasileiro de jogos;
dez anos de experiência em produção gráfica e tecnologia de imagem digital;
oito anos de experiência em mercado editorial brasileiro (internet, jogos);
capacidade de liderança, coordenação e implementação de projetos tecnológicos.
DADOS PESSOAIS
Email: zander.cattapreta@gmail.com
Telefone para contato: cel. 011 8010 9018
Data de nascimento: 11/04/1971
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
Junho 2007/até agora – Portal Internet Group – iG – São Paulo
Especialista em novos negócios – conteúdo adulto e jogos
desenho da estratégia de oferta de produtos para o usuário dos portais iG, BrTurbo e iBest;
gerência de contratos e de ciclo de vida de produtos nos portais iG, BrTurbo e iBest.
Agosto 2006/Junho 2007 – Portal Terra Brasil – São Paulo
Analista de produtos – conteúdo adulto e jogos
desenho da estratégia de oferta de jogos para o usuário do portal Terra;
gerência de contratos e de ciclo de vida de produtos no portal Terra.
Julho 2002/Junho 2006 – Timnet/blah!/TIM Brasil – Rio de Janeiro
Game Designer/Gerente de produto – games/Analista de conteúdo mobile
Especificação e gerência de desenvolvimento de jogos em SMS;
Estudo e desenvolvimento de estratégia para portfolio de games SMS, WAP, J2ME e Brew;
Criação de vínculo fornecedor/publisher de jogos com mais de 10 empresas no Brasil e no exterior;
Aumento de 300% do faturamento em games SMS em dois anos;
Análise e gestão de conteúdos diversos para o portal móvel da TIM Brasil;
Negociação de contratos e acompanhamento de produtos para o portal móvel da TIM Brasil.
Janeiro 2002/Julho 2002 – NBS – Rio de Janeiro
Assistente de produção gráfica
Responsável por finalização digital de arquivos para anúncios e produtos gráficos;
Acompanhamento de produção de peças gráficas.
Novembro 2001/Dezembro 2001 – Multirio – Rio de Janeiro
Consultor em produção gráfica
Responsável pelo treinamento da equipe de design gráfico da empresa de multimeios do município do Rio de Janeiro – Multirio;
Produtor gráfico temporário da empresa de multimeios do município do Rio de Janeiro – Multirio.
Agosto 2000/Outubro 2001 – Mlab/Neoris – Rio de Janeiro e Brasília
Gerente de produção
Responsável pela coordenação de implementação de projetos dos sites: Instituto Souza Cruz, Banco do Brasil, Neoris.com.
Responsável pela coordenação da manutenção dos sites: Telecine, Intelig, ATL, Banco Pactual.
Fevereiro 2000/Julho 2000 – Bloch Editores S.A. – Rio de Janeiro
Gerente de PrePress
Responsável pela coordenação do setor de pré-impressão (fotolito e arte-final digital) das 16 revistas da Bloch Editores.
Setembro 1999/Fevereiro 2000 – Propeg S.A. – Rio de Janeiro
Arte-finalista digital
Agosto 1998/Setembro 1999 – Ediouro S.A. – Rio de Janeiro
Diretor de arte das revistas Coquetel
Responsável pela coordenação da equipe de arte-final e composição de 70 revistas mensais, bimensais e especiais;
Responsável pelo mapeamento do fluxo de produção de revistas para especificação de sistema de automatização e informatização da redação.
Maio 1998/Julho 1998 – Bloch Editores S.A. – Rio de Janeiro
Supervisor de PrePress
Responsável pela supervisão do setor de pré-impressão (fotolito e arte-final digital) das 16 revistas da Bloch Editores;
Responsável pela criação e diagramação da área de projetos de revistas especiais;
Responsável pela criação de anúncios para a área de assinaturas e MKT Direto da Bloch Editores;
Diagramador substituto das revistas AMIGA, MANCHETE, ELE E ELA, DESFILE.
Novembro 1995/Abril 1998 – Bureau Power Image – Rio de Janeiro
Gerente de Produção
Responsável pela coordenação da produção de três lojas, Centro, New Copy Color e Ipanema;
Responsável pelo treinamento das equipes e controle de qualidade de produção de gráfica rápida;
Responsável pelo desenho inicial da empresa Power Accademy, de ensino de técnicas de DTP.
Junho 1994/Outubro 1995 – Bloch Editores S.A. – Rio de Janeiro
Supervisor de PrePress
Responsável pela supervisão do setor de pré-impressão (fotolito e arte-final digital) das 16 revistas da Bloch Editores;
Responsável pela criação e diagramação da área de projetos de revistas especiais;
Responsável pelo treinamento das equipes de fotolito e diagramação tradicionais para sistemas de DTP digital;
Diagramador substituto das revistas AMIGA, MANCHETE, ELE E ELA, DESFILE.
Julho 1993/Maio 1994 – Studio Portinari Ltda. – Rio de Janeiro
Operador de Sistemas Scitex/Macintosh
Responsável pela produção de fotolitos digitais.
Maio 1991/Dezembro 1991 – Ediouro S.A. – Rio de Janeiro
Operador de Sistemas Macintosh – Assistente de Arte-final
Responsável pela arte-final digital de revistas de passatempos, livros e material de marketing direto.
Janeiro 1990/Fevereiro 1991 – Provida S.A. – Rio de Janeiro
Programador Junior – Analista Junior
Responsável pela manutenção dos Sistemas de Controle de Pagamento de previdência privada das empresas Provida S.A./APM/GoldenPrev.
FORMAÇÃO ACADÊMICA
2003-2004 – FACHA – Jornalismo (incompleto)
1992-1993 – PUC-Rj – desenho industrial (incompleto)
1982-1990 – CAp-UERJ – 1o e 2o grau (ensino fundamental e médio)
1977-1982 – Colégio São Paulo – 1o grau (ensino fundamental)
FORMAÇÃO COMPLEMENTAR (CURSOS)
Inglês Fluente – Cultura Inglesa
Espanhol básico (leitura) – Autodidaxia
Francês Básico – aulas particulares
FORMAÇÃO CONTINUADA (AUTODIDAXIA)
Desktop Publishing (1990-2000)
Produção Gráfica (1990-2000)
Gerência de Equipes (1995-)
Programação em SQL-UNIX (1990) – baseado em curso feito em JAN/1990 (Medidata)
Operação de Shell-UNIX (1990) – baseado em curso em JAN/1990 (Medidata)
Programação em MUMPS (1986-1990)
Marketing e sistemas de redes sociais (2002-)
Marketing e gestão de conteúdos online (2004-)
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June 17th, 2003 §
Poema escrito há dez anos. Coloco aqui para me lembrar que nem tudo que foi passado é bom, mesmo que isso contrarie a lembrança boa do fato.
Aquela foda inesquecível não passou de um sofrível papai-e-mamãe gozado nas coxas, aquele show memorável era totalmente sem acústica e com uma banda desafinada, aquela boate duca era apertada suada e fedida, aquela meinina que você se apaixonou era desengonçada e brega (além de um pouco tapada).
Somente a experiência é que é indelével. A epifania que você passou no show, o gozo que pareceu eterno, o hype das luzes da entrada da pista de dança, a paixão pura e sincera, são os alicerces do teu prazer.
Quanto mais velho, mais chato e exigente, e mais distante o prazer de se deliciar com o papel de embrulho e não com o presente em si.
Segue a rima…
Na carne que rasga dói a alma,
aquece a fria lâmina, colorindo a água morna
Perfumando a morte.
A dor não acalma, agonia não termina
Apenas se transforma, brincando com a sorte
E a alma que agoniza
Não parte.
Fica.
Insiste em ocupar o corpo sem vida e sem calor.
Dando um brilho inumano aos seus olhos
Os pulsos partidos,
Estraçalhados,
Deixam as mãos pendentes.
E cada gota de sangue que se vai,
Atiça os demônios internos.
E há a fome.
Parece-lhe que os anjos haviam abandonado-o
mas o seu inferno é não aceitar sua condição sepucral
E a navalha caída
Bate no chão cantando:
- Fira, fêra, féra.
As frias feras feriam as faces
Rasgavam a pele
Em busca de alimento
As faces frias fingiam que eram feras
e feriam.
- Talvez tivesse sido melhor procurar razão na vida, ao invés de buscá-la agora.
Sentem aos poucos…
A rua as chamam…
A noite reclama o seu sacrifício
E elas partem!
O desejo lhes dominando, desejo de fome desejo de sangue desejo de sexo desejo da noite desejo da rua desejo da lua desejo do louco desejo do deus desejo incomunicado o delírioreprimido o destino desatinado odor entumescido a busca a corrida a loucura e a fome dominam machucam ardem ferem as feras frias e elas correm e correm e correm ecorremecorrem
e matam!
E a carne quente aplaca a loucura e as feras dão lugar aos homens.
Longa vida(?) aos canibais urbanos!!!
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