June 29th, 2008 §
publicado na Tribuna da Imprensa
Diz Maria Bercovitch, querida amiga, em A mulher pós-moderna-erna-erna
Os homens são um problema. Onde estão os caras inteligentes, interessantes e sinceros? Difícil o homem que não sai correndo, que não morre de medo dessa mulher que sabe o que quer. O machismo ainda existe. A cafajestagem, também. Algumas continuam aceitando. Outras choram, sofrem e seguem adiante solteiras.
Minha querida, os homens são os mesmos desde a sua invenção. Tal e qual as moças (virginais ou não) eles são a soma dos símbolos que atribuem a si mesmos e que são emprestados dos outros.
Qual canalha não se derramou em lágrimas pelo aconchego de uma menina que lhe fazia um cafuné a troco apenas da sensação? Qual príncipe encantado não olhou para as curvas calipígeas de uma transeunte incauta?
O que importa, no fim das contas, é o sorriso que a vida te entrega diariamente no nascer do sol. Você o pega com o jornal, ou não.
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April 1st, 2005 §
publicado na Tribuna da Imprensa
Antes de ir ao ponto, faço um relato breve da história dessa série. Ela foi escrita há quase dois anos por conta de um papo que ocorrera com uma grande amiga que não entendia bem a mente dos homens. Eu acreditava, à época que isso era uma regra como, da mesma forma que o homem tem dificuldades para entender a mentalidade feminina. Hoje, acho que acrescentaria mais um ou dois tipos de perfis como A Amiga e A Discípula. Por não estar convencido se esses dois arquétipos são tipos “puros” ou se são apropriações das outras três, me atenho às três primeiras.
À época em que divulguei esse texto na internet pela primeira vez, recebi muita repercursão “negativa”. Entendam por “muita” como comentários de pessoas muito queridas. Uma delas me prometeu um contratexto, uma antítese feminina, porque achou o meu texto muito machista. Ainda não acho que seja machista no termo chauvinista, mas tem o ponto de vista do macho, sim. Afinal de contas, o tema é sobre o tipo de mulher que o homem precisa ter, ou melhor, que ele procura em cada relacionamento. Outra concordou ipsis literis com o que eu disse, mas não achou legal ver esse “segredo” exposto! Entendo e lamento. O restante achou o termo “A Puta” meio pejorativo. Eu acho romântico. Fazer o quê? Não uso mais, né?
Mas o que mais me surpreendeu foi uma mensagem de uma leitora que me pediu conselhos. Nada contra, até gostei da mensagem, mas quero deixar claro que não sou psicólogo, analista, psicoterapeuta ou coisa parecida. Muito menos é para as pessoas levarem muito a sério o que escrevo aqui. Por favor, concordem, discordem, elogiem, critiquem, me xinguem. Aliás, a crítica sempre é muito bem vinda. Meu email está na página e meu blog é de acesso amplo e irrestrito.
Bom, deixemos de embromação e passemos para terceira mulher que todo homem precisa ter:
A Mãe.
“Tuca! o que vc está fazendo no micro a essa hora?” “Pô, vó, tô terminando um texto aqui.” “Vai dormir, menino, você tem de acordar cedo para ir trabalhar amanhã.” “Eu VOU acordar a tempo para o trabalho, vó.” “Mas você vai dormir pouco. Não vai descansar.” “Mas eu tô bem, até tô com pouco trabalho. E amanhã é sexta.” “Anda logo!! Vai dormir senão eu puxo a tomada dessa merda e taco tudo no lixo!!” Prontamente, salvo o texto e deixo para acabar no trabalho.
Todo mundo tem uma mãe: claro, óbvio, ululante. Mas os homens também procuram a Mãe em outras mulheres (minha mãe disse que elas procuram O Pai também, mas uma ex-namorada discordava veementemente). Não a sua própria mãe em pessoa, até porque esta só existe uma e nunca sobreviveríamos a duas, mas A Mãe. Aquela que nutre, cuida, dá carinho, alento e acalanto. Tem colo macio e uma bronca na ponta da língua. É uma mistura de Dona Benta com Gepeto. Educa, orienta, dá amor incondicionalmente e te espera de madrugada.
Ela faz isso tudo para você. Ou para os seus filhos. Existem poucas coisas que mais comovem um homem que ver uma mulher amamentando. Só uma mente torpe e vil consegue ver algo sexualmente excitante num amamentamento. Porque, nessa hora, o homem consegue se anular, tem o seu ego diminuído, pois sabe que já foi frágil, pequeno e indefeso como o pequeno que mama no peito.
Só a mulher que consegue ser A Mãe, para um homem, coloca-o no seu lugar. Nâo é o conceito mais extenso, pois tive muitas Musas, algumas Amantes (ok, ok, não uso o temo Puta nunca mais), mas Mãe, poucas, muito poucas para fazer um estudo mais profundo. Ademais, manifestem-se.
Mulheres, vocês são múltiplas, eternas e versáteis. Se vocês entenderem como a mente do homem trabalha, o mundo estará em suas mãos.
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March 31st, 2005 §
… e tem A Mãe.
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March 30th, 2005 §
publicado na Tribuna da Imprensa
Tem aquela história que se conta quando se fala da mulher ideal: ela tem de ser uma dama na sociedade e uma puta na cama. Nunca o inverso. De certa forma é verdade. Pelo menos a parte da puta, já que ser uma dama na sociedade é eticamente bem mais questionável.
Sei que isso pode chocar as pessoas mais recatadas e as legiões de meninas colegiais japonesas virgens que lêem esse venerável jornal, mas a grande verdade é que a única mulher que vale a pena levar para a cama é aquela que gosta do antigo esporte bretão de correr pelado no quarto.
Não adianta nem tentar ter uma relação continuada com aquela que não sabe como pegar o negócio, que reclama que de um jeito dói, que a unha estala, que o cabelo desarruma, que o espelho tá embaçado, que as confluências astrais estão erradas e tal. Porque essa aí não está mesmo a fim de ser a sua Puta. De jeito nenhum. Mas isso não quer dizer que ela não queria ser a de uma outra pessoa. Bem provável que tenha sido no passado ou vá ser no futuro a de alguém. Mas hoje, meu caro leitor (e eventual leitora), coloque as meias e parta pra casa. Ela está no modo “boneca de plástico” (também conhecido como: bege, definitivamente bege) ligado.
Essa daí não dá. Em vários sentidos. Tá certo que o atletismo sexual é um esporte a ser praticado por adolescentes sortudos, profissionais do sexo ou uns poucos afortunados, mas é uma verdade universal que todos gostamos de uma variação e da pré-disposição (perene?) para o ato em si. E contigo, ela vai no máximo fazer uma concessão eventual de se despir. Quiçá deixar você cheirar as axilas (ou beijar os pés) dela.
Mas não tem problema. Você pode ainda se divertir, apresentando-a para os seus amigos ou levando-a para passear em shoppings, cinemas ou boates da moda. Porque ela até poderá ser a tua Musa (explicada na última semana) ou mesmo a Mãe, mas você vai ter de se contentar com vídeos de sacanagem ou um 5×1 eventual para aquietar a tua libido (se é que você tem isso, né?).
Pois é. Enrolo, enrolo para falar do segundo tipo de mulher que um homem tem de ter em algum momento da vida: a puta, meretirz, safada, cachorra, vadia, vagabunda, aquela que te faz ficar em riste apenas com um olhar, um sussurro ou um beijo mais demorado.
É aquela que faz você se esquecer que é um cara civilizado, polido, educado e faz você pensar se a cortina do lado da cama mancharia, se está bem firme ou soltaria pêlos, independente do local onde vocês estão – se o digníssimo leitor não entender a metáfora da cortina + mancha, me envie um e-mail e eu envio um desenhinho explicando – ou do evento social que vocês estão se apresentando.
É claro que isso está intimamente ligado à produção de ferormônios e da pré-disposição sexual de cada um. Mas essas são as únicas restrições que eu imagino para que qualquer mulher possa ser a Puta.
Acho que divaguei um pouco mais aqui que na última semana, mas vamos listar os pontos interessantes:
- Toda mulher pode ser uma Puta com o seu parceiro; aliás, deve;
- Uma determinada mulher pode bem ser uma puta com um homem e uma pau-com-pinça com outro. Não há regra para isso;
- Uma mulher não precisa ser uma Puta o tempo inteiro; mas sabe a hora exata para sê-lo; mesmo que pareça a hora mais errada;
- Não existe idade máxima para a mulher se tornar a Puta; mas deve-se sempre respeitar os limites legais, fisiológicos e físicos de cada um. Não dá para se animar em saliências e ter de ir correndo pro hospital por conta de uma câimbra ou algo semelhante. Eu atesto que não existe situação pior.
Não são muitos ítens, eu sei, mas esse é um conceito mais fácil de entender mesmo. Afinal de contas, graças à randomicidade da criação ou ao design inteligente, toda mulher é puta.
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March 29th, 2005 §
publicado na Tribuna da Imprensa
Apesar de Martinho dizer que teve centenas de mulheres, eu ouso dizer que o homem só precisa de três na sua vida e antes que a patroa e a Amabaxt (Associação de Moradores e Amigos da Legião das Mulheres Monogâmicas Defensoras dos Namorados Inocentes) me fuzilem, explico: essas três são arquétipos femininos que todo homem projeta nas relações dele, sejam de cunho sexual ou não.
Essas três entidades estão “cercando” os homens desde o princípio dos tempos e certos estudiosos acham que esse modelo arquetípico tem origens na Idade da Pedra, quando as relações entre homem e mulher eram muito mais espontâneas e os ritos sociais se limitavam à disputa do melhor pedaço de mamute ou da fruta menos podre da coleta.
Toda mulher tem essas três “essências femininas” indeléveis dentro de si. Algumas tentam negar, outras escondem, pintam de vermelho, azul, mas não tem jeito: estão sempre ali, se revelando por entre as frestas das suas personalidades. São os elementos componentes da alma feminina ideal. E, eventualmente, elas cumprirão os três papéis em momentos distintos na sua vida.
Tá certo que os homens também têm “essências masculinas” dentro de si, mas como esse é um campo de estudo que muito me desagrada, nunca quis catalogar ou esmiuçar o assunto. Deixo a tarefa para as mulheres do mundo, que têm mais talento e oportunidade para trabalhar o assunto do que eu.
A primeira faceta que pretendo “desenvolver” aqui é a da Musa. Em seguida, nas semanas subseqüentes, tratarei da Mãe (ou Matrona, ou Bruxavéia, ou Nhástácia) e a da Puta (ou Meretriz, ou Virgem, como queiram chamar).
Na minha experiência de vida enquanto nerd platônico, desenvolvi uma metodologia razoavelmente detalhada para identificar as musas no meio da multidão de fêmeas que orbitavam os espaços de convivência coletivos (praia, playgrounds, boates, colégio, universidade, etc.) e aqui listo os principais indícios de presença de musas.
A saber, uma musa:
- não precisa ser bonita, mas é desejável que não seja feia;
- não precisa ser inteligente ou burra, mas tem de ser inspiradora, afinal de contas ela vai ser o motivo pelo qual o admirador vai viver;
- não precisa ter relação carnal com o admirador, mas se quiser “liberar” para ele, melhor;
- não precisa ser velha ou jovem, mas a eternidade precisa brilhar nos seus olhos;
- não precisa ter bom gosto ou ser fashion, mas precisa ter estilo, ainda que meio torto;
- não precisa estar viva, mas tem de fazer a vida um pouco menos miserável;
- precisa saber cativar o admirador, ou desprezá-lo miseravelmente;
- precisa ter um élan próprio, único, mas não precisa ser 100% original.
Uma musa, enfim, precisa apenas estar lá, à disposição do admirador. Em algum instante de sua vida, por mais miserável ou medíocre que ela possa ser, toda mulher desperta um brilho em um admirador, transformando aquele momento singelo em algo que ele vai carregar consigo até a hora da morte.
Ela pode até nunca descobrir isso (essas são as melhores: as musas ignaras), mas ela sempre será lembrada por alguém. Seja pelo menino do sétimo andar que via a amiga da babá se trocando pela janela interna do prédio, ou pelo vizinho do 403, que a escutava cantando a música da vida dele, seja pelo ascensorista que se encantou pelo seu perfume ou pelo pedinte que encontra na senhora que lhe dá esmola com sorriso um canto de lucidez e humanidade.
Não tem diferença: mulher, tu és musa.
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