Bruno Aleixo à escola

January 8th, 2009 § 1

Veja mais de Bruno Aleixo aqui.

Textos relacionados

Carta a uma futura adulta

September 17th, 2008 § 7

Minha menina,

Um dia acordei com um mau-humor mais terrível que o costumeiro. Ele me acompanhou pelas avenidas dessa cidade-monstro, nos lanches e nas conversas com os colegas, no almoço, nos interlúdios de trabalho e nas linhas dos emails enviados. Ele também esteve no meu cangote na hora que voltei para casa, no jantar à frente do computador e deitou-se comigo como uma sombra que me cobria, aninhava e reconfortava.

No meio da noite, essa sombra cobrou o seu preço e foi-se com todas as outras sombras nas primeiras horas da manhã, deixando um vazio frio e perturbador.

Nessas horas de desespero que bate à porta, lembro-me sempre dos seus abraços e de seu sorriso moleque e me atenho ao fato que esses momentos são cada vez mais raros. Ainda assim, a lembrança que nunca será apagada desses pequenos gestos, para mim são o alento que me mantém a vontade de levantar diariamente apesar das cobertas que insistem em retirar o pouco brilho que ainda mantenho nos olhos.

Meu maior medo é que ao apagar das luzes eu deixe pouco mais que uma impressão digital na tua vida porque eu queria ter deixado para você um mundo com mais verde entre nós, e menos cinza, com mais brincadeira de rua, e menos vídeo-game, mais céu azul e vento fresco e menos mormaço. Mas minha vida tomou curso diferente do que eu tinha planejado e meus amigos, pares, contemporâneos juntaram-se a mim em não fazer nada a respeito disso. E eu queria ter deixado um mundo mais justo e honesto, com maior divisão de riqueza e menor sacrifício diário, mais compreensão e entendimento. Mas tudo isso é sonho, não é mesmo? Então queria deixar esses sonhos para você, embrulhados no papel de pão que te espera quente com leite achocolatado e que você pode comer a hora que quiser.

Ou deixar quieto na mesa.

Então o que eu lhe legaria? Eu poderia tentar te ensinar o que aprendi, mas não sou culto ou inteligente o bastante para te passar algo diferente do que os livros que você lerá e que teus professores lhe ensinarão. Talvez consiga te passar a única coisa que aprendi com as salas de aula: pense diferente e discorde sempre. Confrontar o que lhe é ensinado é a única forma de reforçar o que se aprende ou de aprender algo novo. Ou de ensinar. Fuja de quem te pede para decorar. Abrace quem te deixa pensar. Abrace duas vezes quem briga contigo para que você entenda, aprenda, discuta, pense. Pense. Pense muito. Pense mais.

Mas não acho que isso seja o suficiente. Provavelmente você encontrará um professor ou um amigo que lhe ensinará a mesma coisa e, bem ou mal, repito apenas o que ouvi antes de mim e que se repte desde os gregos filósofos.

Acho que o meu legado, a minha herança, vai ser algo mais sutil mesmo e não tem jeito. Nenhuma frase de efeito, nenhum piquenique onde ganharíamos todos os prêmios ou um roteiro de filme de sessão da tarde. Tudo bem. No fim, não importa o que deixarei para você. O que importa, de fato, é que eu te deixo para ti. Você é a senhora do seu nariz e tenho certeza que escreverá uma história mais bela e relevante que qualquer uma que eu conseguisse escrever, sonhar, ser.

Menina, o meu legado é o amor.

Do teu saudoso pai.

Textos relacionados

coisas que fazem sorrir

September 13th, 2008 § 1


EepyBird’s Sticky Note experiment from Eepybird on Vimeo.

De Gizmondo Brasil

A Eepybird, os mesmos que gravaram uma série de clipes de Diet Coke com Mentos, criou um vídeo igualmente – se não mais – marcante: 280.951 Post-its utilizados de diversas maneiras em um ambiente de trabalho. Vale a pena. [via Geekologie]

Adoro.

Textos relacionados

eu também perdi o jogo

August 5th, 2008 § 0

perca o jogo aqui também.

vídeo por Lia Amâncio

Textos relacionados

Worst Music Video EVER!!!

February 18th, 2008 § 1

Imperdível

Textos relacionados

Gang 90 & Absurdetes – Dadá Globe Orixás (spaced Out In Paradise)

January 15th, 2008 § 0

Spaced out in paradise
Honk tonk teclados verticais
Dada globe orixás
Hully gully guitarras palmeirais
Candomblé transcedental
Beatnick rastafari kanibal

Zoom navalha corta um globo
Lâmina luz olhar
Desenhando um poema
Corpo nu deusa lunar

Escarlates vendavais
Swing sopros flautas vertebrais
Vídeo zen cometa nô
Hulla hulla telecoteco tao
Carros cores calor noturno
Camisas abertas tatuagem suada
Eu quero tudo o que há no mundo
Pernas quentes morenas suadas

ouça aqui

Textos relacionados

Mais sobre o capitão (resposta a Leandro Bulkool)

March 8th, 2007 § 3

Bom,

Adorei o teu post sobre o “Declínio do Império Americano” e, como não consegui comentar no teu blogue, respondo-o aqui. Espero que não se importe.

Primeiramente, deixe eu discordar, concordando: também acho que essa morte é uma forma de crítica ao american way of life e a Marvel tem feito isso sistematicamente nos últimos lançamentos bombásticos. Há uma ironia velada ao criar uma versão Ultimate extremamente belicista dos românticos Avengers e ao colocar um bilionário do ramo de armamentos primeiro como secretário de defesa e depois como chefe de uma das maiores agências de contra-espionagem do mundo. A Mavel tem um histórico de criticar pelas beiradas, mesmo que afirmando exageradamente um discurso fascistóide.

Mas paro por aí. O Capitão América, melhor: Steve Rogers, sempre foi um personagem anacrônico em tudo: era deslocado uns vinte anos de sua época mas representava tudo que o awol tem de bom que é a defesa da liberdade, igualdade, representatividade e a oportunidade para todos. Obviamente isso é uma utopia que só seria possível ver-se realizada em quadrinhos. Hoje, nem isso mais.

Lembro que foi ele quem deu a chance de “criminosos” como o Gavião Arqueiro, o Mercúrio e a Feiticeira Escarlate de se mostrarem regenerados, admitindo-os nos Vingadores. Lembro do gibi clássico do Capitão impedindo um grupo de detonar uns nazistas que estavam fazendo uma passeata em plena Central Park. Lembro que ele sempre preferiu um discurso moralizador a um combate aberto, embora não fugisse da raia, quando ele se anunciava.

Lembro acima de tudo, de uma frase: “A medida da democracia está nos direitos (nas liberdades) que se dá aos que a ela se opõe.”

Não me lembro bem quem cita isso, mas é o que o personagem pregava e o tom de voz usado para com ele no decorrer de mais de quarenta anos desde a sua “ressurreição”. Por isso discordo de quem vê o Capitão como um “agente repressor”

O Ock comentou que ele virou um soldado bruto? sim, na versão Ultimate. Mas não é esse Capitão que morreu, mas sim o que se nega a compactuar com a morte da Inteligência Suprema Kree e que usa de força letal apenas em último caso, e contra terroristas que ameaçavam vidas inocentes – ver o arco final de Captain America v4 – é o Capitão que nunca entrou no You Tube, no MySpace e não baixou um vídeo via download. Não sabe o que é messenger e nunca ouviu Rap – ver Civil War Frontside 11. Esse Capitão, anacrônico, defensor da liberdade, dos direitos do cidadão comum e amante dos valores onde foi erigida a sua efígie, é que morreu.

Sentirei falta dele, o penúltimo dos verdadeiros heróis de quadrinhos.

Ah! Não acredito em ressurreições (na Marvel) fora dos mutantes. Mas tenho certeza que outro personagem assumirá o uniforme do paladino da Liberdade.

Textos relacionados

Farol Traseiro

February 8th, 2007 § 3

publicado na Tribuna da Imprensa.

Diariamente recebo diversas tranqueiras digitais. Normalmente enviadas por amigos que acham interessante abarrotar a caixa postal de outrem com apresentações malfeitas, com música irritante e imagens mal digitalizadas. Ou então é um parente que envia os mesmos arquivos ou piadas que já circularam na internet seis anos atrás. Pior, quando um texto de origem desconhecida – ou, pior, de um conhecido seu – chega no seu inbox como se tivesse sido escrito pelo Jabor, Veríssimo ou Ubaldo.

Todas têm destino certo: o oblívio digital da minha lixeira.

Eventualmente uma dessas mensagens tem uma sobrevida de segundos. É o tempo suficiente para eu ler o texto, ou passar os olhos nas imagens, pensar se vale a pena registrar a informação e, em seqüência, apagá-la. Recentemene me peguei assistindo a um vídeo edificante e de alto valor moral que me chamou a atenção por mais que os costumeiros dez segundos.

Primeiro, porque era bem editado e com trilha sonora bem arranjada. Segundo, porque o tema me é caro: a insignificância humana perante a grandiosidade do universo. Esse vídeo nos colocava no devido lugar de macacos pelados que pensam que não são macacos. A priori, nada de mais, já que filmes foram feitos sobre variações desse mesmo tema e Gilles Deleuze nunca se preocupou em repensar linhas filosóficas por conta disso. Mas ficou o registro mental.

Ontem, estava eu representando na vida real mais um dos personagens do Woody Allen quando me perguntei: “caramba, trinta e seis anos na cara e parece que aprendi porcaria nenhuma.”

Duas coisas a partir disso: a primeira é o caso ridículo de onde gerou essa minha auto-análise que pode ser acompanhada nos textos do meu blogue. A segunda é um questionamento da real necessidade da experiência. O quão valorizamos essa característica humana e o quão dependentes disso nos tornamos quando envelhecemos. Eu, ao menos, o sou.

De certo deixamos de ser macacos reativos ao meio ambiente e passamos a ser pró-ativos – odeio esse termo – quando conseguimos passar a experiência acumulada dos indivíduos e da coletividade para frente, criando cultura. Esse é o primeiro diferencial. Aquele papo do cru e do cozido que os antropólogos e sociólogos podem dissertar melhor que eu.

De fato, esse tipo de experiência é imprescindível.

Agora, existe a experiência pessoal emotiva que também pode ser chamada de inteligência emocional, maturidade, compostura, etc. Algumas pessoas se vangloriam da experiência acumulada ao passar dos anos. Engraçado que eu mesmo caio nessa armadilha diariamente.

Digo armadilha pois ela só ensina a o que fazer quando erramos e exatamente nos mesmos erros do passado. Quando nos deparamos em situações parecidas com as já vividas – trocando-se apenas os personagens e o cenário – e agimos pensando que não erraríamos de novo, lá vem a vida nos pregar mais uma peça e vermos que ou não aprendemos a lição direito ou aquela experiência seriviu de nada.

Se eu fosse seguir pela primeira via, me consideraria um imbecil; na segunda, um idiota.

A essa altura da minha meia-vida, tiro para mim que as desventuras pelas que passo diariamente são fontes de boas histórias, de causos para fazer rir os colegas da mesa de bar, esperando que eles vejam os faróis traseiros de minha vida e decidam que caminho tomar nas suas próprias encruzilhadas.

Textos relacionados

Sunday morning

September 10th, 2005 § 5

Chegara em casa às duas da madrugada, passando as chaves na portaria com cuidado para não acordar o porteiro. Não queria que fosse descoberto assim, sorrindo à toa, como se estivesse feliz ou coisa parecida. Mas sabia que estava com uma cara de moleque que quebrou vidraça ou que ganhou bola nova ou que tirou palito premiado no picolé.

Estava com um sorriso tal que engoliria um sol.

Entrou no elevador. Olhou no espelho. Viu um cara diferente do que tinha deixado ali, no reflexo. A barriga ainda era flácida, mesmo que a contraísse ainda que involuntariamente. Os cabelos já eram ralos na cabeça, entradas fundas. O que era grisalho antes, nas têmporas, era quase branco agora. Mas ainda e tão somente nas têmporas. A barbicha bem cuidada não tinha pelo branco. Aliás. Tinha sim. Mas ele os pinçava.

E o sorriso ofuscava quaisquer outros defeitos que tivesse.

Apertou o nono andar. Subia como um cágado manco, andar a andar. Encostou na parede do espelho e tinha em si uma certeza, uma firmeza de caráter que nunca encontrara antes. Olhava os andares a passar um a um, contando os segundos para chegar em casa. Playground, terceiro andar, quarto andar. Mmmm vontade de mijar. Quinto, sexto. Chega logo, cacete. Sétimo, oitavo. Anda! Anda! Nono!

Abriu correndo a porta, correu pro novecentos e onze. Puxou a chave no caminho e selecionou a certa insistivamente. Merda! Não é mijo! O corvo tá bicando a cueca! Abriu a porta de sopetão e se jogou no banheiro com o caminho ainda em breu.

Aliviado, fechou a porta de casa, acendeu a luz da sala. Diminuiu o brilho no dimmer. Pousou o celular no carregador, em frente ao computador. Ligou o monitor e viu as mensagens que recebera na noite. Centenas de mulheres deixavam recados! Não, milhares! Duas!

Fechou o programa de mensagens instantâneas. Verificou as descargas de arquivos. Foi à cozinha. Preparou um sanduíche de feijão com geléia de morango e shoyu e sentiu falta do queijo parmesão ralado. Sentou no micro para ler emails e sentiu que iria se aborrecer. Nada estragaria o seu sentimento agora. Encarou os emails e confirmou que, se fosse em um outro momento, talvez umas duas semanas atrás, surtaria e pegaria o celular para ligar para pessoas que não queriam mais ser ligadas a ele. Assentiu e consentiu com o desejo alheio e deixou escapar singelamente: “Vaca!”

Navegou um pouco na internet, descobriu sensacionais sites inúteis, desprovidos de qualquer informação relevante. Abriu o tradicional site de putaria e não ficou animado a descer qualquer um dos vídeos amadores que lá estavam.

Acabou com o sanduíche e se perguntava por que comia aquela merda todas as noites. Deveria variar de vez em quando. Trocar a geléia por mostarda e o feijão por lentilhas. Achou que não era boa idéia. Já tinha problemas suficientes com gases e flatulência. Mas toparia uma pizza de alho e óleo. Fazia tempo que não comia em respeito com pessoas que dividiam o mesmo ambiente que ele.

Ligou na Discovery que anunciava um documentário sobre o sistema solar. Riu baixinho para si mesmo e colocou um DVD. Faziam oito meses que não assistia Manhattan novamente e achou que estava mais que na hora de revê-lo.

Ao acabar, se pegou choramingando mas ainda com aquele diabo de sorriso na cara. “Porra! Vou ser sacaneado se sair na rua assim amanhã!” Levantou, tirou o DVD e colocou um CD do Suede bem baixinho. Cantou Trash para si mesmo com lágrimas nos olhos e resolveu amanhecer. Já eram dez para as seis, né? Já tava de bom tamanho!

Abriu a janela e se espreguiçou. Sabia que ele seria um bom doze de setembro.

Textos relacionados

Surfin` Bird – The Trashmen

June 17th, 2005 § 2

(Frazier – White – Harris – Wilson)
THE TRASHMEN (GARRETT 4002, 1963)

A-well-a everybody’s heard about the bird
B-b-b-bird, bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a bird, bird, bird, the bird is the word
A-well-a bird, bird, bird, well the bird is the word
A-well-a bird, bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a bird, bird, bird, well the bird is the word
A-well-a bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a bird, bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a bird, bird, bird, well the bird is the word
A-well-a bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a don’t you know about the bird?
Well, everybody knows that the bird is the word!
A-well-a bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a…

A-well-a everybody’s heard about the bird
Bird, bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a bird, bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a bird, bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a bird, bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a bird, bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a bird, bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a bird, bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a don’t you know about the bird?
Well, everybody’s talking about the bird!
A-well-a bird, bird, b-bird’s the word
A-well-a bird…

Surfin’ bird
Bbbbbbbbbbbbbbbbbb… [retching noises]… aaah!

Pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-
Pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-pa-ooma-mow-mow
Papa-ooma-mow-mow

Papa-ooma-mow-mow, papa-ooma-mow-mow
Papa-ooma-mow-mow, papa-ooma-mow-mow
Ooma-mow-mow, papa-ooma-mow-mow
Papa-ooma-mow-mow, papa-ooma-mow-mow
Papa-ooma-mow-mow, papa-ooma-mow-mow
Oom-oom-oom-oom-ooma-mow-mow
Papa-ooma-mow-mow, papa-oom-oom-oom
Oom-ooma-mow-mow, papa-ooma-mow-mow
Ooma-mow-mow, papa-ooma-mow-mow
Papa-a-mow-mow, papa-ooma-mow-mow
Papa-ooma-mow-mow, ooma-mow-mow
Papa-ooma-mow-mow, ooma-mow-mow
Papa-oom-oom-oom-oom-ooma-mow-mow
Oom-oom-oom-oom-ooma-mow-mow
Ooma-mow-mow, papa-ooma-mow-mow
Papa-ooma-mow-mow, ooma-mow-mow
Well don’t you know about the bird?
Well, everybody knows that the bird is the word!
A-well-a bird, bird, b-bird’s the word

Papa-ooma-mow-mow, papa-ooma-mow-mow
[repeat to fade]

Textos relacionados

Where Am I?

You are currently browsing entries tagged with vídeo at a casa do zander.

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline